quinta-feira, abril 03, 2025
5ª feira da 4ª semana da Quaresma (3 março)
Como podeis acreditar, vós que recebeis glória uns
dos outros e não procurais a glória que vem só de
Deus? (cf. Jo 5, 31-47)
A glória de Deus vem-nos por meio de Jesus.
Tudo o que brilha e parece encher a fama,
vem da glória dos homens
que facilmente se cansa do “para sempre”.
O tempo dos milagres que arrastam multidões passou,
agora é tempo de Moisés na montanha e da aliança,
é tempo da intercessão e da misericórdia,
é tempo da fidelidade perante o deserto da injustiça,
é tempo de renovar a aliança,
apesar da morte e dos bezerros de ouro.
A glória humana é efémera e instável.
Ser notícia de primeira página é coisa de pouco tempo.
Ser político premiado pelas sondagens durante muito tempo,
é coisa rara e fruto de trabalho árduo até na área de marketing.
Ser produto ou marca sustentável supõe técnicas de fidelização
e criatividade, investindo na inovação e no público mais jovem.
Os influenciadores digitais arrastam multidões de seguidores,
orgulhando-se da glória que recebem dos homens,
mas só Deus sabe a glória que merecem no Céu.
Senhor Jesus, que apenas procuraste a glória do Pai,
e, por isso, recusaste ser retido por aqueles que Te procuravam
e resististe dar espetáculo quando curavas ou multiplicavas os pães,
ensina-nos a confiar no que permanece e não na fama que fenece.
Espírito de verdade e de fortaleza, dá-nos o dom da fé,
para que procuremos apenas dar glória a Deus que vê o profundo
e não querermos dar nas vistas nem ganhar glória perante os homens.
Fecunda o meu coração pobre de frutos do Espírito Santo.
quarta-feira, abril 02, 2025
4ª feira da 4ª semana da Quaresma (2 abril)
Tudo o que o Pai faz também o Filho o faz
igualmente. (cf. Jo 5, 17-30)
Deus é Pai-Mãe que de tudo e de todos cria filhos
à sua imagem e semelhança, com a beleza do amor.
Toda a criação é capaz de amar e de gerar vida
e é capaz do seu contrário, pois é livre para escolher.
O olhar contemplativo do livro da natureza,
faz-nos penetrar no mistério de amor
que o Filho de Deus, feito homem, nos revela.
É o seu amor resiliente na adversidades da cruz
que manifesta a sua fidelidade eterna e incondicional
como Pai-Mãe que não abandona os seus filhos e irmãos.
A melhor escola é o exemplo de quem admiramos a amamos.
O trabalho, a busca de poder e diversão, cria ausência
e muitas vezes incoerência,
porque a ética parece que entrava a ambição desmedida.
Resta a noite, os fins de semana e as férias para ser presença.
Se mesmo nessas alturas não há liberdade para desligar,
nem à-vontade para estar gratuitamente e em diálogo,
então vive-se sob o mesmo teto, mas não se conhecem,
nem se interiorizam valores, nem se estreitam corações.
Senhor, dá-nos o dom da contemplação,
que alimenta o espanto perante a criação.
Nesta corrida em que andamos em busca de bolas de sabão,
ajuda-nos a serenar e a permanecer contigo,
a escutar o silêncio e o sentido do teu coração,
como quem, por osmose, quer conTigo aprender.
Bom Jesus, já que nos aceitaste como teus irmãos,
dá-nos a luz do teu Espírito, para como Tu,
vivamos como filhos de Deus e a Ele O imitarmos.
terça-feira, abril 01, 2025
3ª feira da 4ª semana da Quaresma (1 abril)
Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: «Agora
estás são. Não voltes a
pecar». (cf. Jo 5, 1-3.5-16)
Jesus é a “Casa da misericórdia” que vai ao encontro do pecador,
a piscina de Betsatá que se move para curar.
Ele cura a paralisia da espera sem esperança
e nos manda que nos levantemos e carreguemos a nossa enxerga,
em dia do Senhor, para que cheguemos pelo Batismo
ao Templo de Cristo, a Igreja, fonte de vida e de purificação.
O Batismo não é um momento, mas o início de um caminho
que recebe o dom do perdão e o compromisso da fidelidade:
“agora estás são, não tornes a pecar”!
A vida é um caminho que precisa de continuidade.
Fazer um curso fornece saber
que precisa de ser continuamente atualizado e aprofundado.
A formação permanente deve ser uma tónica em todos os aspetos:
na escola, na catequese, na afetividade, na profissão, na política…
A vida, também a cristã, é sempre um dom “agora estás”,
mas é também uma resposta que alimenta o dom:
“não voltes” a pecar, a cair na dependência, na paralisia, na ignorância.
Senhor, obrigado por seres a piscina de Betsatá,
a “Casa da graça e da misericórdia” que vem ao nosso encontro
e nos ofereces a cura das nossas paralisias,
causadas pelo pecado do egoísmo e da desesperança.
Obrigado pelo dom do Batismo que nos purificou
e nos pôs a andar no caminho de Deus e do Evangelho.
Obrigado pelo dom do sacramento da Reconciliação,
que nos dá a oportunidade de retomar a santidade,
pela fé, a escuta do Espírito e o arrependimento.
Dá-nos, Senhor, uma Quaresma renovada e purificadora.
segunda-feira, março 31, 2025
2ª feira da 4ª semana da Quaresma (31 março)
Senhor, desce, antes que meu filho morra. (cf. Jo 4, 43-54)
Deus desce com a sua Palavra para que seja luz da humanidade
e tenham vida, dom da sua misericórdia.
O Filho de Deus desce e encarna para assumir as nossas mortes.
dando a sua vida por nós no monte Calvário.
Mas a vida e a cura dos nossos pecados,
não são fruto da magia da proximidade e do toque,
mas da força da Palavra e da fé em Jesus.
Hoje é a Igreja que proclama a Palavra da Vida
e realiza maravilhas pela missão e os sacramentos.
A medicina, hoje, é feita de proximidade e de toque,
mas também de telemedicina,
de exames de diagnóstico presenciais ou à distância,
de triagens telefónicas que esclarecem e orientam.
Ao nível espiritual também há a proximidade de escuta
e de oração pela imposição de mãos,
mas também a intercessão à distância e em segredo,
no coração amigo que suplica cura física e conversão.
Senhor da vida, hoje, quero pedir-Te
por todos os que estão doentes no corpo ou na alma,
amigos, familiares e desconhecidos.
Desce com a tua graça e torna dócil os corações empedernidos
insensíveis e surdos à tua Palavra de amor e compaixão.
Desce, Senhor, e cura a tristeza dos sem esperança;
cura a solidão dos que se sentem mal-amados;
cura a idolatria dos que colocam a sua confiança no poder e no ter.
domingo, março 30, 2025
4º Domingo da Quaresma (30 março)
Quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e
correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de
beijos.
(cf. Lc 15, 1-3.11-329
Deus é a alegria do perdão do pecador arrependido.
Deus é sempre Pai, mesmo quando o filho se afasta,
por isso, quando este volta não vê a sua humildade
como uma humilhação e oportunidade de exploração,
mas como filho e oportunidade de reabilitação da sua dignidade.
A conversão do pecador é motivo de festa e alegria no Céu!
Jesus é o Filho que conta a parábola e que faz o papel de servo,
que prepara vestes novas e traz as sandálias e o anel
para o irmão que voltou à casa do Pai!
Habituámo-nos a ver a realidade a partir da grelha contabilística
do deve e haver, do lucro e do prejuízo, do ativo e do passivo.
Conceitos como amizade e amor, que supõem gratuidade,
acabam corrompidos pela mesma lógica de mercado.
O divórcio é muitas vezes justificado pelo:
“já não tenho nada a ganhar com esta relação”.
A unidade dos irmãos pode ficar comprometida
quando se trata de partilhar heranças materiais.
Talvez por causa disso é que a ofensa é vista como uma dívida,
muitas vezes incobrável, que para além de material é ressentida.
Bendito sejas, Pai de bondade, pela tua misericórdia,
sempre pronta a abraçar-nos e a beijar-nos,
quando voltamos com a humildade do arrependimento.
Bendito Jesus, Irmão querido, parábola da misericórdia do Pai,
que nos contas a alegria do perdão e a missão de salvação,
fazendo-Te servo dos maltrapilhos sem rumo,
e apresentando-nos ao Pai purificados e redimidos
com a alegria do dever cumprido e a festa preparada.
Dá-nos, Senhor, um coração novo e um olhar de fé esperançado,
para que me levante cada dia para voltar à casa do Pai,
aceitando a mão amiga do Filho que me anima à conversão.
sábado, março 29, 2025
Sábado da 3ª semana da Quaresma (29 março)
Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se
consideravam justos e
desprezavam os outros.
(cf. Lc 18, 9-14)
Deus conhece o coração de cada um
e é Ele que nos pode julgar com justiça.
A santidade faz-nos humildes e fraternos,
não nos torna superiores na arrogância e na vaidade.
Jesus, o Filho de Deus altíssimo,
baixou-se à nossa humanidade,
fez-se servo e lavou-nos os pés sujos pelo pecado,
deu-nos a sua palavra com a doçura da misericórdia,
entregou a sua vida e tomou sobre si os nossos pecados.
Por isso, Deus O exaltou e Lhe deu o nome acima de todos.
A cegueira do orgulho pode criar olhar de desprezo,
ilusão de superioridade, martelo de juiz implacável,
domínio atemorizador dos fracos e marginais.
A autorrefencialidade que despreza os outros,
murmura e condena o argueiro nos olhos dos outros,
cega a abertura para a conversão,
pois não vê a trave que está nos seus olhos.
Tudo o que é ideologia de classe social,
ilusão de sangue azul, racismo, etnocentrismo,
clubismo, desprezo pelo pobre e o ignorante…
corrompem a fraternidade e criam exclusão.
Senhor, bendito sejas, porque sendo Deus
Te fizeste nosso irmão e destes a vida para nos salvar.
Tem compaixão de mim e dos meus irmãos,
porque somos fracos, instáveis, cegos e pecadores.
Mesmo quando estamos a fazer coisas boas
como rezar, dar esmola, promover o desenvolvimento…
podemos cair na tentação de cobrar, humilhar,
aproveitar a oportunidade para nos exaltarmos e envaidecermos.
Dá-nos, Senhor um coração semelhante ao Teu:
filial, humilde, cuidador, libertador
e restaurador de esperança e de libertação.
sexta-feira, março 28, 2025
6ª feira da 3ª semana da Quaresma (28 março)
Qual é o primeiro de todos os mandamentos? (cf. 12, 28b-34)
Deus que faz aliança e nos cura com a misericórdia
é o único Deus verdadeiro e libertador,
que envia o seu Filho como Filho de Maria
e dá a sua vida pela nossa salvação.
O coração do nosso Deus é um oceano de amor,
berço da humanidade onde todos devemos aprender a amar.
A fé faz de nós todos filhos do Amor,
na nossa relação com Deus e com os outros.
Quem não ama e não sai do centro das relações,
não conhece a Deus nem conhece o ser humano verdadeiramente.
Neste mandamento do amor estão todos os outros mandamentos!
Podemos saber toda a catequese de cor,
se não nos abrirmos ao amor, nada sabemos de Deus.
Podemos cumprir todos rituais religiosos com esmero,
mas se não brotarem do amor, são meras representações teatrais.
Podemos dizer que amamos muito a Deus,
mas se não conseguimos amar e perdoar os irmãos,
andamos enganados e ainda não compreendemos o que é ser cristão.
Senhor, há em mim uma luta de tronos
e a grande dificuldade em aceitar que és Tu o centro
e os outros são os sinais do centro que és Tu e não eu.
Espírito Santo, dom de amor e de comunhão,
ensina-nos a amar e a colocar amor em todas as relações,
a começar pela oração e o olhar contemplativo,
e passando pelas relações com os outros e a natureza.
Liberta-nos, Senhor, da tirania do “eu posso, quero e mando”!