terça-feira, março 31, 2015

 

3ª feira da Semana Santa


Judas recebeu o bocado de pão e saiu imediatamente. Era noite. (cf. Jo 13,21-33.36-38)

Jesus entrega o “pão molhado” do seu corpo em sacrifício,
por aqueles que vivem na noite da traição e da infidelidade.
Judas, Pedro, cada um de nós, recebe os dons da sua graça,
aproveitamo-nos de Jesus, mas depois afastamo-nos dele
e traímo-Lo na noite dos nossos interesses desordenados.
Mas Jesus glorifica o Pai com a sua fidelidade,
persistindo em ser luz para quem escolhe caminhar nas trevas.
Quaresma é tempo para nos darmos conta de como somos amados!

A Semana Santa, para muitos, é ainda tempo de “desobriga”!
Faz-se a confissão de preceito, comunga-se na Páscoa
e depois é mais um ano de rotina, a frequentar outras mesas
e iluminados por fogueiras de escravos, numa noite sem lar.
Recebe-se o perdão sem medida, de Quem por nós deu a vida,
comunga-se o “pão molhado” da sua aliança eterna,
mas anulamo-lo imediatamente, afastando-nos de Jesus,
esquecendo a sua palavra, agindo como mestres de nós mesmos.
O resultado desta noite sem rumo e escondido de Deus,
é a mentira, a incoerência, a idolatria, a indiferença cega...

Senhor, “Pão molhado”, por nós crucificado
e a nós oferecido como Pão da vida e Luz que perdoa,
orienta os nossos passos e não nos deixes cair na tentação.
Obrigado porque, apesar de fugirmos de ti
para andarmos disfarçados na noite das nossas traições,
Tu vais connosco, silencioso e respeitoso, mas atuante,
porque tua missão é a todos salvar-nos.
Ajuda-nos a fazer desta Semana uma prova de amor,
um tempo de conversão, revestido de humildade e de verdade,

confiados na tua misericórdia e salvação.

segunda-feira, março 30, 2015

 

2ª feira da Semana Santa


Deixa-a em paz: ela tinha guardado o perfume para o dia da minha sepultura. (cf. Jo 12,1-12)

Jesus está a seis dias da sua oferta pascal
e refugia-se em Betânia, onde se alimenta de carinho.
Lázaro, o morto revivido, dá-lhe o calor da amizade à mesa,
Marta, a mulher disponível, dá-lhe o carinho do serviço,
Maria, a contemplativa, dá-lhe o carinho da unção perfumada.
Para enfrentar o deserto da paixão e do desamor,
é necessário preparar-se no oásis da hospitalidade e do amor.
Esta tríade fraterna são o sacramento visível do amor trinitário.

Às vezes parece que guardamos tudo para o dia da sepultura!
Enquanto vivia, não havia tempo para a visita nem para o diálogo,
não havia flores para oferecer, nem o perfume da oração...
parecia que não tinha família nem amigos!
Tudo estava guardado para o seu funeral e sepultura,
como se se desejasse festejar esse dia de despedida!
O pior é quando na relação com Deus se faz o mesmo
e se deixa tudo para o dia na nossa sepultura!
É preciso começar hoje o que adiamos para amanhã!

Senhor, Pão da vida que nos convidas a fortalecer na tua Mesa,
alimenta-nos com o dom do amor-louvor perfeito,
que perfuma a fraternidade e incensa a celebração.
Cristo, nossa Páscoa e nossa esperança,
ensina-nos a primeirear em iniciativas de amor,
enchendo de perfume a alegria dos nossos lares
e de serviço solidário as necessidades deste mundo.

Ajuda-nos a pôr em prática hoje o que o Espírito nos inspira. 

domingo, março 29, 2015

 

BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR!


Para louvar-Te, Senhor,
Na alegria e na dor,
Ensina-me a contemplar
E a interiorizar,
Em meu coração pecador,
Tua heróica doação,
Expressão do Teu amor,
Feito silêncio e perdão,
Por quem te insulta e ofende,
Fiel servo sofredor,
Que carregas, inocente,
Para libertar e salvar
Este mundo pecador,
Onde me sinto também,
Querendo aprender, contigo,
A semear paz e bem,
A todos, sem distinção,
E a amar o inimigo,
Que também é meu irmão.

Prepara meu coração
E desperta meus ouvidos,
Para acolher a Palavra,
Como chuva que, em mim, caia,
Fazendo germinar a semente
Do amor puro e inocente,
Que se dá a toda a gente,
Anima os desfalecidos
E alenta os abatidos,
Com a força da Tua graça,
Jorrando gratuitamente,
Da fonte do Teu amor,
Para dessedentar quem passa,
Seja pobre ou pecador.

Porque és o Deus dos vivos,
E, em Jesus, Teu amado Filho,
Te revelaste a salvar
Os tristes e oprimidos,
Quero levar o Teu nome,
A todo o que tenha fome
De justiça e liberdade,
De paz, ternura e bondade,
Pondo, em Ti, minha esperança,
Minha fé e confiança,
Se surgir a tempestade,
Porque és Luz no nevoeiro
E conduzes minha barca,
Com Tua mão de Timoneiro.

Maria Lina da Silva, fmm

Lisboa, 29-03.2015

 

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor


Ela fez o que estava ao seu alcance. (cf. Mc 14,1-15,47)

Jesus atua a partir da misericórdia, como Servo de Javé.
Cada um colabora, no que está ao seu alcance, para a sua Páscoa:
uns emprestando um jumento, outros colocando capas e verdura;
uns aclamando-O rei, outros dando-lhe hospitalidade;
uma mulher ungindo-O com perfume de alabastro,
uns discípulos preparando-lhe a sala para a Páscoa;
Cristo entregando a sua vida para selar a Nova aliança.
Cada um faz o que está ao alcance do seu coração:
Jesus sofre o pavor e a angústia da morte, rezando ao “Abba”,
Pedro, Tiago e João, dormindo quando deviam vigiar e orar;
Judas entrega-O com um beijo de traição,
os discípulos abandonam-nO, deixando-O só;
Pedro promete-lhe ser-lhe fiel e nega-O três vezes;
as autoridades judaicas e romanas condenam-nO à morte,
os soldados torturam-no, o Cinereu ajuda-O a levar a cruz;
algumas mulheres seguem-nO e contemplam-nO ao longe,
os que passam escarnecem e desafiam-nO a sair da cruz.
Jesus sofre o desamor, abrindo o Céu com a chave do amor!

Ninguém salva o mundo sozinho, esta é obra de Deus,
com a colaboração de cada um de nós.
Dentro daquilo que está ao nosso alcance, o que fazemos?
Colaboramos, promovendo a hospitalidade, a paz e a partilha,
ou traindo o irmão, levantando falsos testemunhos,
torturando com palavras e atos, humilhando,
promovendo a morte e a injustiça?
Ou ficamos impávidos e serenos, perante o sofrimento,
dormindo tranquilamente no leito da nossa indiferença?

Senhor Jesus, Servo de Deus provado no fogo do sofrimento,
alimenta-nos com o Pão dos fortes e ajuda-nos a ser fiéis,
sem fugas nem traições, porque sem ti ficamos vazios.
Envia-nos o teu Espírito e ajuda-nos a entrar nesta Semana Santa,
com os ramos do louvor e da conversão,
com os archotes da fé que alumiam a contemplação,
com o silêncio dos ruídos que impedem escutar o Teu amor.
Ensina-nos da fazer o que está ao nosso alcance

e a agir segundo a tua aliança, seguindo-Te solidários até à cruz.

sábado, março 28, 2015

 

Sábado da 5ª semana da Quaresma


A partir desse dia, decidiram matar Jesus. (cf. Jo 11,45-56)

Jesus é a Vida que faz ressuscitar Lázaro, seu amigo,
mas também está disponível por dar vida nova a todos,
mesmo àqueles que são seus inimigos e O querem matar.
Os instalados no poder têm medo de o perder
e, por isso, vêem em Jesus uma ameaça e decidem mata-Lo.
O medo e a inveja torna-os militantes da morte!
A “Hora de Jesus” não é de morte ou condenação,
mas de doação de si mesmo, de aliança para sempre.

O desejo de ser livre e de não ter problemas de consciência,
leva muita gente a decidir a afastar-se de Jesus
ou mesmo de combate-Lo, com o plano de bani-Lo da história.
Na juventude prefere-se ouvir a voz da aventura dos impulsos
do que a voz da racionalidade e da ética do bem.
Na vida profissional prefere-se escutar a voz do sucesso
do que a voz do gemido reprimido e da fraternidade esquecida.
Sente-se a fúria de ventos adversos à fé em Jesus
e pressões para bani-Lo da história e da sociedade,
mas, hoje como ontem, Jesus é a vida que vence a morte!

Senhor Jesus, coração gerador de vida, dando a vida,
dá-nos um coração novo, amante e fecundo de vida.
Perdoa todas a vezes em que, para fazermos o que queremos,
decidimos esquecer-Te, afastar-nos de Ti, ignorar-Te.
Envia-nos o teu Espírito de discernimento do bem
e ajuda-nos a semear vida nas nossas relações.
Faz brotar em nós o louvor perfeito que oferece ternura,

comunica perdão, eleva o desanimado, serve o frágil.

sexta-feira, março 27, 2015

 

6ª feira da 5ª semana da Quaresma


Embora não acrediteis em Mim, acreditai nas minhas obras. (cf. Jo 10,31-42)

Jesus foi consagrado e enviado pelo Pai ao mundo
para revelar as obras de Deus e o seu coração.
É a Palavra que faz o que proclama e é o que diz.
Por isso, quem vê e escuta Jesus, vê e escuta a Deus.
A sua filiação divina é uma comunhão perfeita com o Pai.
Acreditar em Jesus, o filho de Deus em missão de salvação,
é acreditar em Deus e acolher a sua aliança e misericórdia.
A Cristo não devemos apedrejar ou tentar calar,
mas seguir, imitar, acreditar, louvar e adorar.

Perde-se demasiado tempo com planos teóricos,
relatórios complexos, burocracias especializadas,
doutrinas exatas, rituais ao centímetro, consumo às cegas,
horas laborais sem relógio, passatempos sem critério...
e deixamos secar, por falta de cuidado, a alegria de viver,
o diálogo de escuta, a oração de contemplação,
o amor traduzido em obras concretas e gratuitas...
Quaresma é tempo para deixarmos de nos refugiar em palavras
e esconder-nos na mentira, para darmos frutos de conversão.

Senhor Jesus, Palavra coerente e transparente do Pai,
dá-nos o dom duma conversão sincera e verdadeira.
Cristo, Árvore da vida que alimenta a esperança,
cuida deste rebento, poda-o da mentira, purifica-o do mal,
e ensina-nos a dar frutos dignos de filhos de Deus.
Fortalece-nos com o Pão da vida e transforma-nos em Ti,
para que demos frutos de paz e de amor no profano da vida

e assim consagremos a vida a tornar sagrado cada momento.

quinta-feira, março 26, 2015

 

5ª feira da 5ª semana da Quaresma


Se Eu Me glorificar a Mim próprio, a minha glória não vale nada. (cf. Jo 8,51-59)

Jesus não busca a glória dos homens, nem de si mesmo,
mas, sob a nuvem da fé, procura apenas a glória do Pai.
Na esteira de Abraão, Jesus acolhe a promessa como presente
e desafia-nos a acreditar na sua Palavra de vida,
pois Ele é a Palavra de Deus traduzida em humanidade.
A promessa revelou-se “hoje”, embora seja noite,
e só a luz da fé nos ilumina e o calor do amor nos move.

Com a globalização, o mundo tornou-se uma feira de vaidades!
Com o desejo de dar nas vistas, de dizer: “eu existo e sou único”,
fazem-se malabarismos extravagantes e expõem-se privacidades
que em nada contribuem para o bem pessoal e da humanidade.
O que se sente esquecido ou marginalizado,
veste-se de luto ou de palhaço, à espera de ser amado ou odiado,
pois o que importa é ser notado!
Como é efémera e balofa a glória autoexaltada
nesta feira de estrelas cadentes e sem futuro!

Senhor, origem e fim, sustento e redenção de toda a existência,
como a Abraão, dá-nos o dom da fé e da adesão à tua aliança.
Cristo, nossa esperança e salvação, encarnada na nossa condição,
faz de nós ouvintes da tua Palavra e praticantes do teu amor.
Liberta-nos do afã do autoelogio no curriculum e na vida,
para que trabalhemos mais pelo bem e pela paz do mundo

e pela glória e louvor da Santíssima Trindade.

quarta-feira, março 25, 2015

 

Anunciação do Senhor


Faça-se em mim segundo a tua palavra. (cf. Lc 1,26-38)

Deus pensou em Maria, como colaboradora da redenção.
Anuncia-lhe o seu projeto e propõe-lhe uma aliança,
em diálogo livre e acolhido na nuvem da fé.
E a nova Eva respondeu como filha, antes da queda,
deixando-se fecundar pelo Espírito de Deus.
E a “cheia de graça” fica grávida de Deus,
envolvida na sombra da fé que gere a Luz.
Mistério insondável que ao “faça-se” criacional de Deus
responde “faça-se em mim, segundo a tua palavra”!

Deus é sempre o mesmo e também hoje busca
um “faça-se em mim segundo a tua palavra”.
Mas ser como Maria, hoje, é andar em contracorrente,
pois todos sonhamos que tudo se faça
“segundo a minha vontade e ao meu gosto”.
Assim, não vou à minha paróquia porque prefiro outra;
decido não ir à missa ao domingo, porque não me apetece;
faço aborto porque não quero ter este filho;
não quero casar porque quero ser livre e fazer o que quero,
limitando-me a ter umas aventuras descomprometidas...
Como estamos longe desta nova Eva, aberta ao Amor!

Senhor, todo-poderoso e respeitoso da nossa vontade,
enche-nos com a tua graça e purifica-nos do nosso egoísmo.
Cristo, que encarnaste para cumprir a vontade de quem Te enviou,
fortalece a nossa fé e dá-nos o dom da escuta da tua Palavra,
para dizermos sim à vocação e missão que para nós sonhaste.
Enche-nos com a sombra do teu Espírito e protege-nos do mal,
para, como Maria, o nosso “faça-se” coincida com o teu “faça-se”.

Maria, Mãe do Verbo Divino, faz o nosso coração semelhante ao Teu.

terça-feira, março 24, 2015

 

3ª feira da 5ª semana da Quaresma


Se não acreditardes que ‘Eu sou’, morrereis nos vossos pecados. (cf. Jo 8,21-30)

Jesus é o Filho de Deus enviado para salvar o mundo.
Deus fez-se homem e a Palavra tornou-se clara,
tão próxima e com sotaque galileu,embora com perfume a Céu,
que até custa acreditar que é o próprio Deus a falar-nos.
No entanto, só contemplando a misericórdia a sangrar de amor,
podemos dar-nos conta de como andamos longe e errantes,
distraídos com guerras, busca de tesouros e ventres principescos.

Há a tendência de procurar um espelho encantado
que nos confirme o ego duvidoso e nos repita
que não há ninguém mais belo e perfeito do que eu!
Assim, fugimos do silêncio que nos permite ouvir o vazio;
evitamos profetas que nos incomodem a rotina;
juntamo-nos com os que pensam como nós
para evitar pensar, mudar, olhar o outro lado;
temos alergia a quem nos diz a verdade
e nos põe a caminhar numa conversão de excelência.
Somos peregrinos da verdade e contentamo-nos com a dúvida!

Senhor, Palavra libertadora, purifica-nos com a tua misericórdia.
Cristo, elevado como espelho e luz da verdade,
ensina-nos a contemplar-Te, apaixonado e a sofrer
de nos ver perdidos e acomodados no nosso mau viver.
Faz-nos ver a nossa cruz na tua cruz

e como nos amas, apesar da nossa infidelidade.

segunda-feira, março 23, 2015

 

2ª feira da 5ª semana da Quaresma


Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra. (cf. Jo 8,1-11)

Jesus acolhe o pecador e combate o pecado.
O pior pecado é a falta de caridade para com o irmão
e a pretensão de ser juiz implacável de quem erra.
É esta posição altiva e cruel que faz de nós juízes dos outros,
murmuradores que desfeiam a sua imagem,
dedos apontados que acusam e condenam o irmão.
Jesus veio salvar o que anda perdido e não condenar,
e este é o caminho que devemos seguir se queremos ser Jesus.

Quanto mais centrados em nós mesmos,
mais agressivos e cruéis para com os outros.
No exame de consciência examinamos os pecados dos outros,
em vez de nos deixarmos examinar pela Palavra de Deus.
Nas conversas e coscuvilhices murmuramos dos outros
e apontamos, com dedo inquisidor e condenatório,
os defeitos, fraquezas e erros dos outros.
Na confissão, desculpamo-nos a nós mesmos
e desfiamos os pecados dos que connosco fazem caminho.
A vanglória vestiu a toga de juiz e senta-se no tribunal do mundo,
como se não estivéssemos todos no mesmo barco da infidelidade.

Senhor, Pai de misericórdia e coração de médico,
cura-nos da cegueira que faz de nós juízes dos outros.
Cristo, bom pastor que buscas ovelhas perdidas e feridas,
obrigado por tanta misericórdia e paciente compreensão,
que te faz estar sempre de braços abertos para nos dares o perdão.
Espírito de discernimento e compaixão, dá-nos a tua luz,
para que com humildade façamos o “nosso” exame de consciência,

e aproveitemos este tempo para a verdadeira conversão.

domingo, março 22, 2015

 

DÁ-ME, SENHOR, UM CORAÇÃO PURO!


Tu, que, por amor, gravaste
Tua Lei, no fundo do meu ser,
Para bem Te conhecer,
E nova Aliança firmaste,
Para caminhar seguro,
Sem vacilar no escuro,
Te servir e bendizer,
Dá-me um coração puro,
Sempre sensível e aberto,
Ao Teu amor e à Luz,
Que jorra da Cruz de Jesus,
Luz que à Tua Paz conduz,
Quer caminhe no deserto,
Quer viva atento e desperto
À Palavra que me guia
E alenta meu coração,
Com um sinal interior
Da Tua divina mão,
Que me ampara e orienta,
Como um dia a Abraão,
Para a terra prometida
De paz e libertação.

Dá-me um espírito firme,
Na justiça e na bondade,
E livre da iniquidade,
Porque purificado
De todo o erro e pecado,
Na Tua misericórdia,
Para viver, sem cessar
Esforçada em cultivar,
Com o dom da Tua graça
E a Palavra meditada,
Avidamente, assimilada,
Gestos de amor e concórdia,
Compreensão e perdão,
Como migalhas de vida,
Que Tu transformas no Pão,
Amassado por Jesus,
Na Sua dura paixão,
E oferecido, na Cruz,
Para nossa salvação.

DÁ-ME UM CORAÇÃO,
GENEROSO E CONFIANTE,
PARA ACEITAR SER GRÃO
À TERRA, POR TI, LANÇADO,
PRODUZINDO FRUTO ABUNDANTE,
QUE, NO TEU PLANO DE AMOR,
TE RENDA GLÓRIA E LOUVOR,
E ALEGRIA DO IRMÃO,
DESPRESADO E ESFOMEADO,
PARA QUE, POR TODOS SEJAS,
CONHECIDO E MUITO AMADO.

Maria Lina da Silva, fmm-Lisboa, 22.03.2015

 

Domingo da 5ª semana da Quaresma


Se alguém Me quiser servir, que Me siga. (cf. Jo 12,20-33)

Jesus é a nova e eterna aliança a salvar a história.
Nada nem ninguém fica excluído desta bênção,
porque Jesus ama-nos como um dom que jorra
e rega os desertos áridos dos nossos corações empedernidos.
É duro amar quem não nos ama e dar a vida por ele,
mas é nessa prova sofrida que se revela o perfeito amor.
Servir Jesus não é ver um espetáculo, onde o herói atua,
mas é querer ser semente e aceitar morrer para dar fruto.
É viver como Jesus, seguindo-O, totalmente descentrado de si.

Há cristãos que falam da Igreja como se não fizessem parte.
Não se sentem membros deste corpo e julgam-na a partir de fora.
Outros gostam de “ver Jesus” em procissões de passos,
ou em missas espetáculo, encomendadas a seu gosto.
Outros acham que basta cumprir uns preceitos e rituais
para servir Jesus, mas não O querem seguir no amor crucificado.
Seguir Jesus é tornar-se discípulo na arte de amar sem medida,
resistindo à tentação de fugir quando o desamor sabe a ingratidão.
É seguir Jesus até à cruz e com Ele aprender a amar até ao fim
e dar a vida por quem não sabe amar e contamina as relações.

Senhor, aliança eterna e sofrida dum amor que propõe
e espera imprimir em cada célula o ideal de frutificar o amor.
Cristo, enviado do Pai a ser semente de vida nova,
obrigado porque não desististe, nem ontem nem hoje,
de amar amores não correspondidos, doentes de egoísmo.
Envia-nos o teu Espírito e dá-nos o dom dum seguimento fiel,
que saiba ser grão de trigo e aceita ser lançado à terra,
não desanimado e desesperançado da vida, como suicídio,
mas porque acredita que é dando a vida que frutifica
e se torna alimento de quem anda anémico e perdido.

Dá-nos Senhor, um coração puro e cura-nos do pecado!

sábado, março 21, 2015

 

Sábado da 4ª semana da Quaresma


Houve assim desacordo entre a multidão a respeito de Jesus. (cf. Jo 7,40-53)

Jesus é a surpresa de Deus para a humanidade.
Esperava-se um porta-voz da Palavra e veio a Palavra;
imaginava-se um rei-messias, vindo da Judeia,
e veio o Filho de Deus, que habitava na Galileia;
Perante Jesus não se pode ficar indiferente:
ou se acolhe ou se rejeita,
ou se ama e segue ou se odeia e persegue.
Quaresma é tempo de opção perante Jesus,
nEle se aprende o louvor perfeito e o amor verdadeiro.

O desacordo sobre Jesus é uma constante na história.
Há os que O seguem e a Ele consagram a sua vida;
há os que nEle acreditam e se batizam mergulhados de fé;
há os que O admiram como homem, mas não O seguem;
há os que O aceitam entre os grandes profetas, mas não ao adoram;
há os que a ciência e o laicismo os conduzem à suspeita
ou mesmo ao agnosticismo, que pode tomar formas militantes;
há os indiferentes, entretidos com o presente e o ventre.
Quem é Jesus para mim? Aceito ou rejeito a sua salvação?

Jesus, presença amiga e libertadora, ilumina a nossa vida
e abre-nos à novidade da tua revelação, tal como és
e não como Te imaginamos ou criamos à nossa semelhança.
Cristo, Pão da vida, alimenta a nossa fé
para que o nosso seguimento seja pleno e sem resistências.
Dá-nos o dom duma conversão profunda e evangelizadora,

para que o nosso testemunho ajude outros a abrirem-se à fé.

sexta-feira, março 20, 2015

 

6ª feira da 4ª semana da Quaresma


Procuravam dar-Lhe a morte. (cf. Jo 7,1-2.10-25-30)

Quem vive na morte, procura dar a morte,
porque isso é a única coisa que tem para dar.
Jesus é o enviado da Vida, vive na Vida
e luta contra a morte, dando a vida.
Os que pretendem dar-lhe a morte nada podem,
porque é a “hora de Deus” quem dirige a história.
E quando a “hora da cruz” dá frutos de nova aliança,
não são os que vivem na morte que lhe dão a morte,
mas é a Fonte da vida que se oferece totalmente
e dá a sua vida para os regenerar da morte.
É esta a proposta que Jesus nos faz nesta Quaresma!

Cada um de nós produz frutos, uns são de vida,
outros são de morte, uns fazem a paz, outros a guerra,
uns constroem esperança, outros adoecem o horizonte,
uns criam comunhão, outros semeiam divisão...
É tempo de examinarmos a nossa vida,
olhando para o que “damos”, descobrimos o que “temos”,
constatando o que geramos, identificamos a nossa missão.
Quem está em Cristo dá vida à morte, na hora certa!

Senhor da vida eterna, que curas a torrente da morte,
continua a cuidar desta árvore cheia de galhos secos,
para que dê frutos de vida e não de morte.
Jesus, que transformaste a árvore de morte
em cruz triunfante que jorra vida para toda a criação,
dá-nos o dom da tua graça e a Vida que gera vida.
Espírito de discernimento, desperta-nos para a hora de Deus,
para que não colecionemos dias à espera de presas,

mas façamos da vida um semear de fraternidades.

quinta-feira, março 19, 2015

 

S. José, Esposo da Virgem Santa Maria


Ela dará à luz um filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus. (cf. Mt 1,16.18-21.24a)

Deus busca colaboradores justos e fieis
para concretizar o seu plano de salvação da humanidade.
Em Maria encontra a Mãe para enviar o seu Filho,
em José encontra um servo fiel e justo que O acolhe como Jesus.
José vê-se envolvido por uma noite luminosa,
onde o sonho o desperta para o mistério da ação de Deus.
Só a fé o conduz, numa amabilidade cuidadora,
feita de silêncios confiantes e mãos calejadas.
José é um facilitador da Palavra, sem ruídos que distraiam.

A adoção não é apenas o resultado dum processo jurídico,
mas é, acima de tudo, o fruto de um coração acolhedor e amável.
Mesmo quando o filho é biológico, precisa de ser adotado
como filho único e livre, sem projeções nem manipulações.
O filho não desejado ou a suspeita sobre a sua paternidade
levam à frieza e agressividade no trato e no olhar,
fazendo-lhe notar que não foi esperado nem é amado!
Um professor, um médico, um padre, um advogado...
fazem a diferença quando deixam de trabalhar apenas por interesse
e passam a adotar o outro como amigo, como filho, como irmão.
S. José tem muito a ensinar-nos na arte de cuidar!

Pai amável, obrigado porque nos criaste pelo poder da Palavra
e nos adotastes como filhos gravados no teu coração.
Cristo, Filho do Altíssimo, que nos adotaste como irmãos,
dando-nos à luz na fidelidade do teu amor até à cruz.
Espírito de santidade, dá novo alento à nossa fé
e ensina-nos a ser como José, justos e confiantes,
que sabem caminhar durante a noite à luz da tua Palavra.
S. José, dá-nos a tua mão de patrono e cuida de nós,

para que sejamos como Jesus e continuemos a sua missão.

quarta-feira, março 18, 2015

 

4ª feira da 4ª semana da Quaresma – S. Cirilo de Jerusalém


Meu Pai trabalha incessantemente e Eu também. (cf. Jo 5,17-30)

O Amor não descansa enquanto os filhos andarem perdidos,
ausentes de felicidade, armados de medo, fechados em si mesmo.
O Pai tudo faz para salvar os seus filhos e a criação,
sem forçar os que teimam resistir à luz,
sem desistir de enviar novos mensageiros e o próprio Filho.
Jesus, a manifestação plena do Amor, também não descansa
na sua missão de tudo fazer para que ninguém se perca.
Enquanto o homem, pelo pecado, destrói a criação e a fraternidade,
Jesus, pela Palavra da misericórdia, recria uma nova humanidade.

Só o amor nos compromete com um mundo melhor.
Quem não ama não sofre o gemido dum irmão,
nem a solidão dum idoso, nem a injustiça instalada,
nem a dependência suicida da droga e do jogo...
Só quem ama se compadece, perdoa, se esquece de si,
cuida do outro, vence a indiferença comodista.
Só quem ama conhece a Deus, segue Jesus e vive em missão!

Pai de bondade, nós te louvamos pelo teu amor fiel,
que nos ama sempre e eternamente, sem desistir de nós.
Cristo, imagem perfeita do amor do Pai, nós te louvamos
por estares ao nosso lado e caminhares connosco,
mesmo quando te viramos as costas e vivemos no pecado.
Dá-nos a luz do teu Espírito e a conversão do coração,
para que também nós trabalhemos incansavelmente

pela salvação de todos os que praticam as obras do mal.

terça-feira, março 17, 2015

 

3ª feira da 4ª semana da Quaresma – S. Patrício


Jesus perguntou-lhe: «Queres ser curado?» (cf. Jo 5,1-3a.5-16)

Jesus é o rio de água viva que nasce do coração do Pai.
Ele é a piscina que cura e vai ao encontro dos enfermos
que jazem, sem solidariedade, na sua enxerga de esquecimento.
Jesus é a iniciativa da misericórdia infinita e inesgotável
que nos propõe a sua salvação e nos manda levantar,
recriados na sua graça e fortalecidos com a surpresa do seu amor.
Ele é o Sábado vivo, com pés de peregrino e coração de médico,
que nos cura das paralisias do pecado e nos põe a caminho.

Vivemos numa sociedade em que os que têm poder e dinheiro
podem ter acesso à saúde, à educação, ao crédito e à justiça.
Quem é pobre e analfabeto é excluído e explorado,
e dificilmente encontra alguém que lhe dê uma mão
e o introduza na fila da saúde, na escola da educação,
no banco da justiça e na feira das oportunidades.
A Igreja deve ser como Jesus, proativa na busca dos jazidos,
que não se cansa de propor Jesus como salvador.

Senhor, Fonte da vida, purifica-nos do amor infecundo,
paralisado na enxerga do nosso egoísmo e desesperança.
Cristo, rio que na Igreja te fazes delta para regar toda a terra,
sacia a nossa sede de fé e fortalece o nosso coração missionário.
Faz da Igreja tenda de campanha, livre para caminhar
e ir ao encontro dos feridos e abandonados
que esperam quem seja solidário e os introduza na Água da vida,

Jesus, nossa Páscoa, Emanuel, médico e bom pastor.

segunda-feira, março 16, 2015

 

2ª feira da 4ª semana da Quaresma


Foi ter com Ele e pediu-Lhe que descesse a curar o seu filho, que estava a morrer. (cf. Jo 3,43-54)

Jesus desce à Galileia, à periferia do palco humano.
Os que pensam que O conhecem, rejeitam-nO como Messias,
os que ardem de amor pelos seus filhos doentes,
confiam nEle a sua salvação e convidam-nO a entrar na sua vida.
Mas a salvação de Jesus não depende da sua proximidade física,
mas da força da sua Palavra que cura, fortalece e ilumina.
A doença e a morte foram vencidas pela intercessão do pai
que confia a Jesus a cura e salvação do filho.

Vivemos num mundo onde há pessoas sãs e doentes,
que têm fé e que vivem sem esperança e sem rumo.
Se nos habita o amor e a fé de Deus, em Jesus,
cuidamos dos mais fracos e dos doentes,
intercedemos pelos que sofrem e vivem nas trevas do pecado,
interessamo-nos pelo irmão e colaboramos na salvação deste mundo.
Se nos deixamos contaminar pela indiferença e pela descrença,
cruzamos os braços e assistimos à agonia do mundo, impotentes.
Quaresma é tempo de nos reaproximarmos de Jesus,
de lhe falarmos e intercedermos pelos irmãos necessitados,
de nos pormos a caminho, guiados pela fé.

Senhor, que desceste do Céu para recriar o mundo,
aumenta a nossa fé na tua misericórdia infinita
e na força renovadora da tua Palavra.
Cristo, palavra-remédio que cura a indiferença
e aviva o amor pelo Pai e pelos irmãos que sofrem,
ajuda-nos a fazer desta Quaresma um percurso de conversão.
Senhor, nós te pedimos pelos nossos irmãos doentes,

da alma e do corpo, cura-os e ajuda-os viver na fé e no amor.

domingo, março 15, 2015

 

NINGUÉM PODE GLORIAR-SE


Alegremo-nos e cantemos,
Mas não nos orgulhemos,
Porque, em Cristo e por Cristo,
Fomos salvos do pecado.
Ele nos abre a porta dos céus,
Não por merecermos isto,
Mas por pura gratuidade,
Misericórdia e bondade,
Pois somos obra de Deus!

Saboreemos a alegria
Da esperança renovada
Que nos é oferecida,
No pão da Sua Palavra,
Escutada e meditada,
À mesa da Liturgia,
Em Jesus Eucaristia,
Graças ao dom da entrega
Do próprio Senhor Jesus,
Que, por nós morreu, na Cruz,
Onde, por amor nos salva
E liberta do pecado,
Para nossa salvação,
Plena e definitiva,
Em Cristo, Senhor Jesus,
Optando pela Luz
E a prática da Verdade,
Da Justiça e Caridade,
Ao longo da nossa vida.

Jesus veio para salvar
E não para condenar,
Abominando o pecado,
Mas nunca o pecador,
Porque Seu sonho é de amor,
De paz e libertação,
Ao fazer Sua, a vontade
Do Pai, para a humanidade,
Convidando-nos a avançar,
Em caminhada pascal,
Abertos ao Seu amor,
Como possibilidade
E até oportunidade
De transformar, em oásis,
Nosso deserto interior,
Que passa a produzir flores,
Belas e multicolores,
Sob a acção daquela Luz,
Sem ocaso, que é Jesus.

Maria Lina da Silva, fmm

Lisboa, 15.03.2015            

 

4º Domingo da Quaresma


O Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. (cf. Jo 3,14-21)

Deus é rico em misericórdia, por isso se entregou a nós no seu Filho,
amando-nos até ao fim, mesmo quando crucificámos a Palavra.
Contemplar a cruz é surpreender-nos com o amor incondicional,
como resposta à nossa violenta rejeição desta Luz
que revela a verdade das nossas obras más escondidas.
Fazer o percurso quaresmal, iluminados pelo farol da cruz,
é aproximar-nos desta Luz que revela os calvários que construímos,
os inocentes incómodos que crucificamos,
os dias e corações santos que profanamos.

Há formas de elevar o outro que são usadas para nos elevarmos:
os pais que investem nos filhos para a sua glória,
os donos dum circo que vêem a sua glória nos empregados,
um clube de futebol que compra caro um grande jogador,
aquele que cuida bem dos seus animais para melhor os vender...
Mas quando o amor é o motor que eleva o outro
não se contabilizam noites para cuidar do seu amado bebé,
perdoam-se birras e amuos, ausências e desilusões,
porque o único que conta é o bem do filho do seu coração!
O que é que nos move na nossa relação com o outro e com Deus?
É o amor ou o interesse? A creditamos que só o amor salva?

Pai de bondade e fonte inesgotável de misericórdia,
fecunda-nos com o teu amor e purifica-nos do egoísmo.
Pai, obrigado pelo teu Filho, transparência humana do teu amor,
dá-nos o dom do teu Espírito e ensina-nos a escutar
a Palavra da fidelidade que enviaste para nos salvar.
Cristo, nossa Páscoa que ilumina as trevas em que nos movemos,
dá-nos o dom duma verdadeira conversão

para que salvos por ti, possamos fazer as nossas obras em Deus.

sábado, março 14, 2015

 

Sábado da 3ª semana da Quaresma


Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens. (cf. Lc 1,9-14)

Jesus não veio julgar ou condenar o pecador,
mas anunciar-lhe a esperança e o caminho da salvação.
Esse caminho redentor passa pela humildade e a compaixão,
que se ajoelha perante Deus e dá a mão ao irmão pecador.
A comparação com os outros é perigosa,
quando parcial e sobranceira,
pois nos conduz ao orgulho de nós e ao desprezo dos outros.
Quando julgo e desprezo o outro, por mais piedoso que seja,
perdi o essencial, a chave que abre o Céu: a caridade.

A comparação que humilha e separa é uma arma mortífera:
os pais que dizem ao filho. “não és nada como o teu irmão”,
o professor que despreza os maus alunos e exalta os bons,
o crente que julga e acusa os não crentes de perdidos sem remédio,
o racismo que faz distinção de pessoas pela cor ou nacionalidade,
o universitário que menospreza o analfabeto e o pobre...
Tudo são manifestações de exclusão, sobranceria e vanglória.
E onde não há amor pelo irmão nem cuidado pela sua salvação,
não está a mão de Jesus, nem a misericórdia de Deus.

Senhor, amor operante e fonte de misericórdia,
dá-nos a humildade de coração que vê nos erros dos outros
as nossas falhas e nos coloca no caminho da conversão.
Cristo, manso e humilde de coração, em busca das ovelhas perdidas,
transforma a nossa piedade em gestos concretos de amor pelo irmão.
Tem compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores
e liberta-nos da vanglória e do orgulho tentador

que nos cega a conversão e confessa só os pecados dos outros.

sexta-feira, março 13, 2015

 

6ª feira da 3ª semana da Quaresma


Não há nenhum mandamento maior que estes. (cf. Mc 12,28b-34)

Jesus ama de tal forma o seu Pai querido e os seus irmãos,
que o seu alimento é fazer a vontade do Pai
e a sua missão é salvar da morte todos os violentos,
mesmo que para isso tenha que dar a vida por eles.
Jesus é mestre em sacrifícios agradáveis ao Senhor,
porque escuta o pulsar do coração do Pai, numa busca constante,
e acolhe a sua vontade redentora com paixão e fidelidade.
Seguir Jesus é voltar-se para Deus e concentrar-se no seu amor.
Alimentar-se de Jesus é reaprender a ser filhos de Deus.

Amar intensamente a Deus e indiscriminadamente o irmão
é a maior e a fontal regra de vida de quem escuta a Deus.
Amar a Deus sem amar o irmão é uma falácia,
pois o coração, que não ama o que vê, não pode amar O que não vê.
Parece que andamos todos doentes de esquizofrenia,
pois os lábios que louvam piedosamente o Senhor
são os mesmos que murmuram, julgam e ofendem o irmão!
Somos como cata-ventos ao sabor dos impulsos que recebemos,
amamos os que nos amam, odiamos os que nos odeiam!

Senhor, misericordioso e fonte de todo o coração que ama,
obrigado porque cada célula da nossa vida
foi criada com detalhe e amor, fazendo de nós seres únicos!
Cristo, Filho totalmente identificado com o querer e agir do Pai,
envia-nos o teu Espírito e faz-nos pulsar ao ritmo de Deus.
Alimenta-nos com a tua Palavra e o teu Corpo,
purifica-nos do desamor com a oferta da tua graça,
liberta-nos dos ídolos que nos distraem

e dá-nos a tua mão que levanta e nos ensina a louvar.

quinta-feira, março 12, 2015

 

5ª feira da 3ª semana da Quaresma


Jesus estava a expulsar um demónio que era mudo. (cf. Lc 11,14-23)

Expulsar um demónio mudo é abrir os ouvidos do coração,
transformar corações empedernidos, autorreferentes e amuados
em corações acolhedores, reconciliados, confiantes e dialogantes.
O pecado fecha-nos sobre nós mesmos, num autismo surdo,
que só escuta a sua cobiça, os seus caprichos, a sua glória...
O pecado separa-nos de Deus e dos outros,
surdos e mudos de indiferença e altivez, feridos de orgulho.
É tempo de nos entregarmos a Cristo para que nos cure
e liberte da surdez à Palavra de Deus e da mudez ao irmão.

Desde criança que nos habituámos ao mutismo como arma:
quando queremos mostrar que estamos descontentes,
cheios de raiva, a vingança é cortar o diálogo, ficar mudo!
É assim que aparecem dias, semanas... de amuo familiar,
irmãos e vizinhos que não se falam anos sem termo,
clubes, partidos e nações que cortam relações...
Quando queremos fazer a nossa vontade adolescente,
fechamos os ouvidos aos conselhos dos pais e de Deus.
O Diabo (o que divide) gosta de nos ver surdos e amuados,
tristes e teimosos, amarrados ao nosso pecado.

Senhor, amor dialogante e reconciliador,
dá-nos o teu Espírito libertador e um coração novo.
Cristo, Palavra misericordiosa e abraço de perdão,
desarma-nos do mutismo que corta o diálogo
e da surdez que foge da escuta da Palavra de Deus.
Ensina-nos a perdoar e a dar passos de reconciliação,
fazendo da Quaresma tempo para reaprender o diálogo,

a oração, a conversão, o anúncio da boa nova da graça.

quarta-feira, março 11, 2015

 

4ª feira da 3ª semana da Quaresma


Aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus. (cf. Mt 5,17-19)

Os mandamentos do Senhor são sabedoria do coração,
luz para bem louvar a Deus e guia para sãs relações com os irmãos.
São uma boa nova para quem os pratica com fidelidade
e os ensina para que outros descubram a felicidade.
Jesus vem pratica-os como Filho confiante e irmão amante,
por isso, os pode ensinar como pedagogo da aliança.

Os mandamentos não são feitos à nossa medida,
mas à medida de Deus que nos ama desde toda a eternidade.
Todos são importantes, nenhum é menor ou descartável.
O relativismo vende a ideia que ser moderno é ser seletivo
e construir um decálogo que justifique os nossos comportamentos.
Assim espera-se que o Papa “seja moderno” e aprove:
o aborto, o adultério, o divórcio, a eutanásia, a injustiça...
Acha-se moderno ser “cristão não praticante” (3º mandamento),
cidadão não pagante (7º), falacioso no marketing (8º),
consumidor e traficante de drogas degradantes (5º)...

Senhor, Deus da aliança e da Palavra que salva e conduz,
obrigado pelo dom dos teus mandamentos
que refreiam os ímpetos dos nossos caprichos e impulsos.
Cristo, Aliança vivida como carta de Deus enviada a todos,
dá-nos o dom duma Quaresma com ouvido de discípulo,
joelhos de filho de Deus e coração de irmão.
Que o teu Espírito nos ensine a arte de surpreender o outro
com o respeito, o perdão, o cuidar da vida dos mais frágeis,

a hospitalidade jubilosa, a correção fraterna e a fé humilde.

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