quarta-feira, julho 31, 2013

 

4ª feira da 17ª semana do Tempo Comum – S. Inácio de Loiola

Não sabia que o seu rosto irradiava luz, depois de se encontrar com o Senhor. (cf. Ex 34,29-35)


O encontro com a Luz incendeia a vida de Moisés.
Sem se dar conta, o seu rosto refletia plenitude.
O encontro com o Senhor deixa marcas de paz
e boas novas de aliança que é necessário transmitir.
Moisés torna-se assim confidente de Deus
e Seu mensageiro junto do povo.
A sua vida peregrina entre duas paixões:
o amor de Deus onde procura luz e sabedoria
e o amor do povo a quem educa para a justiça e a liberdade.


Há muita gente que se vangloria de ser piedoso,
de rezar muito, ser muito praticante...
mas, como Moisés, devem ser os outros a notar
que vimos dum encontro luminoso com o Senhor:
pelo reflexo alegre do olhar,
a paz reconciliada do coração,
a bondade paciente do acolhimento,
a justiça misericordiosa da escuta,
a esperança profética do agir,
o testemunho evangélico coerente e disponível.


Senhor, Sol da Justiça e fonte de paz,
ilumina a nossa vida até à medula
e faz de nós círios pascais de esperança
no meio das trevas da morte e do sem sentido.
Ensina-nos a fazer de cada celebração
um encontro renovado e renovador,
para que saiamos diferentes e fortalecidos

para sermos reflexos da Luz, sem nos darmos conta.

terça-feira, julho 30, 2013

 

3ª feira da 17ª semana do Tempo Comum

Moisés ficou ali com o Senhor (...) E escreveu nas tábuas as palavras da aliança. (cf. Ex 33,7-11; 34,5b-9.28)

Moisés reserva uma tenda para o encontro com o Senhor.
É a Tenda da Reunião que fica fora do acampamento.
A montanha desceu à planície e envolveu-a com a Sua Nuvem,
para que o povo não esqueça a proximidade e distância,
do Seu Deus clemente e justo, libertador intangível.
As tábuas da aliança precisam de ser reescritas
em paciente intimidade e escuta de encontro,
pois a memória recebe interferências camufladas
dos sonhos de quem recorda e comunica.
Moisés precisa de se deixar regravar com o estilete do Amor,
para poder ser fiel à Aliança quando reescreve as tábuas.

Hoje vivemos numa espécie de gnose moderna.
Pensa-se que basta saber a doutrina
e fazer todo o percurso iniciático de catequese,
para passar o resto da vida a recordar currículos.
A memória é traiçoeira e recria novas alianças
com vozes subjetivas, mais recentes e impulsivas.
Se não encontramos a nossa “Tenda da Reunião”
e não promovemos encontros de escuta e conversão,
deixamo-nos guiar mais pelas vozes de encantamento,
do que pelo encanto duma Aliança eterna que nos surpreende.

Senhor que enviaste o Teu Filho
a montar a Sua Tenda no meio de nós,
como Pastor amigo que procura ovelhas perdidas,
abre os nossos olhos da fé à Tua presença
e os ouvidos do nosso coração à Palavra da Vida.
Que o Teu Espírito grave as nossas entranhas
com o suave perfume da Tua Lei do Amor
para que as sandálias se desfaçam em serviço fraterno
e o silêncio aprenda a escutar a Aliança

que nos faz voltar à Fonte do segredo da eternidade.

segunda-feira, julho 29, 2013

 

2ª feira da 17ª semana do Tempo Comum – S. Marta

Faz-nos um deus que vá à nossa frente. (cf. Ex 32,15-24.30-34)

Moisés está no Monte Sinai
a deixar-se gravar pela Aliança do Senhor.
É um processo que leva tempo e intimidade.
O povo, na planície, cansa-se de esperar
e quer um deus mais brilhante e domesticável.
Pede a Araão que lhes faça um besouro de ouro,
que possam ver, tocar e manobrar com rituais.
É um deus animal, pequeno e imóvel,
que tem olhos mas não vê,
tem boca mas não fala, tem ouvidos mas não ouve.
É difícil seguir um Deus Mistério e grandioso,
libertador e formador de liberdade e justiça!

Seguir Jesus é entrar numa aventura.
É aprender a sair de si mesmo para gatinhar liberdade,
em joelhos de humildade e confiança
e mãos dadas de justiça e amor.
Hoje fala-se muito de espiritualidade e amuletos,
numa busca de segurança sem compromisso.
É uma religiosidade à medida de cada um,
individualista e que funciona apenas nas urgências.

Senhor, Deus da Aliança e promotor de maturidade,
fortalece a nossa busca de Mistério,
com a paciência de quem se prepara para viver na eternidade
e a obediência de quem quer aprender a ser Filho.
Liberta-nos da tentação de fabricarmos deuses de ouro,
que nos tranquilizam, mas não nos salvam.

Guia-nos e alimenta-nos com a insondável luz da fé.

domingo, julho 28, 2013

 

17º Domingo do Tempo Comum

Atrevo-me a falar ao meu Senhor, eu que não passo de pó e cinza. (Gn 18,20-32)

Na oração o pó, animado pelo abraço eterno de Deus,
atreve-se a falar confiadamente ao seu Senhor.
É um diálogo humanamente impossível,
mas divinamente buscado pelo “Faça-se” criador
que eleva as criaturas à condição de filhos amados.
Por isso, a oração é um dom do Espírito divino
que empresta a Palavra a este pó cinzento
e nos coloca o desejo de pulsar o coração
ao ritmo dum coração grande, eterno e uterino.
É por isso que a oração necessita de tempo,
de silêncio, intimidade e pés descalços diante do Mistério.

A oração precisa de aprendizagem e fé.
Não necessita de palavras mágicas e poderosas,
como se o segredo estivesse nas fórmulas
e não na atitude e na busca de comunhão.
Precisa de fé para ver a presença invisível,
mas pessoal e envolvente da Aliança.
Carece de aprendizagem que ensine
a sintonizar com a frequência em que Deus fala
e a compreender a linguagem do amor
que brota dos sinais, moções e silêncios.

Senhor, Pai Santo e beijo de vida,
envia-nos o Teu Espírito que faz brotar em nós
o gemido inefável dos filhos queridos na graça.
Senhor Jesus, coração amado,
em permanente comunhão com o Pai,
que na cruz e no batismo nos fizeste renascer filhos
que crucificam o medo e o pecado,
ensina-nos a orar, animados pela confiança filial

e pela amizade fraterna e solidária.

sábado, julho 27, 2013

 

ORAR COM CONFIANÇA FILIAL


A oração me aproxima
De Deus, Pai do terno amor,
Que olha com imensa bondade
Esta pobre humanidade,
Num acto potenciador
Dos sonhos e da vontade
Impressos no coração,
Pela mão do próprio Deus,
Como escada para os céus,
Para os filhos de Abraão
Que O sirvam em cada irmão.
A oração me transporta
A Deus que me criou e ama,
E, pela mão de Jesus,
Me guia e me conduz
Ao prado da vida abundante,
Onde Ele me ensina a orar,
A servir e a amar,
Fielmente, até à cruz,
Para defender a vida
E construir o Teu Reino
De justiça, paz e amor,
Graças à força da Fé,
Haurida na oração
Que me faz manter de pé
E dá luz à minha vida,
Para Te revelar na acção.
Ensina-me, bom Senhor,
A escutar-Te confiante,
Atenta, a cada instante,
À Tua voz que me embala
E a noite dos medos cala,
Como criança pequena
Que de soluçar termina,
No colo da Mãe que a mima,
Com ternura, amor e estima,
Deixando-a ouvir a canção
Do pulsar do coração,
Numa filial relação.
COMO NÃO CONFIAR, SEMPRE,
NESTE DEUS QUE É PAI E MÃE,
E FAZER DA SUA VOZ
O LÁ DA VIDA E DA ACÇÃO,
TENTANDO AFINAR MEUS PASSOS
PELO SEU DIAPASÃO,
DE AMOR E SALVAÇÃO?!


Maria Lina da Silva, fmm
Lisboa, 27.7.2013     

 

Sábado da 16ª semana do Tempo Comum

Mandou que alguns jovens israelitas oferecessem (…) sacrifícios pacíficos ao Senhor. (cf. Ex 24,3-8)

A Lei constitucional dum povo peregrino e livre,
brota do Monte Sinai, sintonizado com o Amor Primeiro,
capacitando estes buscadores duma terra sem males,
para viverem em aliança pacífica com Deus
e em fraternidade justa e amiga com as criaturas.
Moisés envolve os jovens no acolhimento da Palavra
e compromete-os na oferta de sacrifícios ao Senhor.
Serão eles que, hoje e no futuro, assegurarão a Aliança:
“Faremos tudo o que o Senhor nos ordenou”.

As Jornada Mundiais da Juventude,
a catequese e a pastoral juvenil em geral,
não podem ser momentos de animação emocional
ou de entretimento esporádico à volta do nome de Jesus.
Devem aprofundar raízes, proporcionar respostas,
comprometer suor solidário,
silenciar ruídos e discernir escutas,
fortalecer fidelidades, iluminar a fé calejada.

Senhor Jesus, que selaste com o próprio sangue
a nova e eterna Aliança no altar da injustiça
e nos amaste até ao fim, mesmo na solidão do abandono,
ensina-nos a ser fieis sem desânimos nem fugas.
Que o Teu Espírito nos dê um coração novo
para que o “Ámen” ritual frutifique em fidelidade.
Ensina-nos a envolver os jovens,
com o seu sangue e força de aventura,
na construção de alianças de fé e de amor,
com a marca da coerência e da verdade,
calejada de lutar contra as ondas massificadoras

que abafam a originalidade duma felicidade sustentável.  

sexta-feira, julho 26, 2013

 

6ª feira da 16ª semana do tempo Comum, S. Joaquim e S. Ana

Uso de misericórdia até à milésima geração para com aqueles que Me amam. (cf. Ex 20,1-17)

Deus aponta limites para que a liberdade
não se transforme em servidão: os dez Mandamentos.
São dez “Nãos” que nos afastam do Deus libertador
e degradam as relações de fraternidade com os outros.
Estas dez proibições sinalizam perigo de morte
para o fundamento da Aliança e da liberdade:
amar a Deus no Seu mistério e proximidade,
amar os outros como irmãos e na sua integridade.

As leis são exteriores e movem pelo temor do castigo.
Se não estiverem aliadas a uma verdadeira adesão de amor,
tornam-nos especialistas em fugas, representações,
estratagemas de engano, arte de escondimento.
Fazem-nos pensar que é mais importante parecer do que ser,
saber roubar do que aprender a trabalhar,
encontrar fugas à Lei do que cumpri-la.
Por isso, as leis e os mandamentos sem amor,
matam a verdade e tornam pesado o seguimento.

Senhor Jesus, inflama-nos com o fogo do Teu Espírito
que alimenta o amor e nos faz crescer na verdade,
para que possamos descobrir a beleza e a alegria
de Te seguir e Te servir nos nossos irmãos.
Liberta-nos das seguranças externas das fortalezas do NÃO,
para que descubramos a aventura das pontes do SIM ao bem.
Nas nascentes do Teu Sim, em proposta de Aliança,

torna-nos fontes de vida nova, florida de sementes de amor.

quinta-feira, julho 25, 2013

 

4ª feira, Festa de S. Tiago, Apóstolo

Andamos perplexos, mas não desesperados; (cf. 2 Cor 4,7-15)

O seguimento de Jesus é uma aventura,
que decorre de surpresa em surpresa,
entre aquilo que são as nossas expetativas e as de Deus.
Jesus segue o caminho do serviço, podendo dominar,
da doação de vida, podendo viver à custa dos outros,
da não violência, tendo na sua mão todo o poder,
da misericórdia e do perdão, podendo condenar e castigar.
A perplexidade nasce do desencontro entre
as bem-aventuranças de Jesus e os ideais de felicidade humanos.

Apreciamos a docilidade de Cristo para com os pecadores,
mas perdemos a cabeça perante o que mente,
o que nos trai, falha na sua palavra, é inconstante.
Admiramos a Sua total confiança no amor do Pai,
mas desesperamos quando Deus não faz a nossa vontade
e permite que passemos por provas de dor, fracasso,
cruz, perseguição, doença ou perda de pessoas queridas.
Aderimos a Cristo, sonhando ser protegidos e beneficiados,
mas desesperamos quando vemos
que Deus não se coloca ao nosso serviço,
e invejamos a sorte dos que prosperam na vida,
apesar de não serem praticantes nem aparentemente bons.

Senhor Jesus, nesta festa de S. Tiago,
o primeiro dos apóstolos a ser morto por causa da sua fé,
ensina-nos a fazer o caminho misterioso e divino
do desejo de ser o primeiro em honras e poder
para a descoberta da felicidade de ser o primeiro
na fidelidade e na constância, mesmo nas dificuldades.
Perante a perplexidade do Teu seguimento,
que nos obriga a nascer de novo cada dia,
fortalece-nos na solidão de ser diferente e impotente no amor,
e ilumina a nossa esperança e a nossa busca

com o dom da fé e do Espírito que conhece a meta. 

quarta-feira, julho 24, 2013

 

4ª feira da 16ª semana do Tempo Comum

Vou fazer que chova para vós pão do céu (cf. Ex 16,1-5.9-15)

Deus quer um povo livre e fiel,
capaz de sonhar para além dum estômago cheio.
O deserto e as privações inflacionam a liberdade
e murmuram contra Deus e contra Moisés e Araão.
Estão dispostos a vender a sua liberdade
por uma panela de carne e o pão duma opressão escrava.
Deus envia-lhes o Maná, o pão nosso de cada dia,
que chove da Nuvem da Glória do Senhor,
cada manhã, como orvalho que fecunda um povo novo.
Devem aprender a alimentar-se deste pão do céu,
acompanhado pelo sustento da Palavra e da Aliança.

As necessidades primárias vêm acompanhadas
duma sensação de desconforto
e compensadas por uma sensação de prazer.
Determinam o instinto de sobrevivência (fome e dor)
e de continuidade da espécie (impulso sexual).
O desafio do ser humano é fazer destas necessidades,
que determinam toda a vida animal,
numa oportunidade de satisfação de outras necessidades
mais humanas e libertadoras, mais espirituais e redentoras:
a mesa como lugar de encontro, convivência e fraternidade,
a sexualidade como expressão dum amor unitivo,
gratuito e fiel que transforma dois seres diferentes,
numa família única, solidária e fecunda.
A tentação, perante os desertos e as privações novas,
é querer voltar atrás, regredir à condição de dependência
dum seio materno pequeno e limitado,
mas confortável e alimentado de olhos fechados.

Senhor, Pão vivo descido do Céu,
ensina-nos a aprender, na Tua mesa da Palavra e do Corpo,
a comungar a esperança e a fortalecer a fraternidade.
Faz-nos crescer até à maturidade de filhos de Deus,
livres de tudo, de todos e até de nós mesmos, para amar,
capazes de enfrentar os desertos e os fracassos,
pois confiamos que a meta não está em voltar atrás,
mas em prosseguir sob a Nuvem da promessa e da fé.


terça-feira, julho 23, 2013

 

3ª feira da 16ª semana do Tempo Comum - S. Brígida

Vivo animado pela fé no Filho de Deus. (cf. Gal 2,19-20)

O Amor de Deus manifestou-se na vida de Jesus.
O omnipotente fez-se servo da vida para todos.
O omnisciente amou fielmente quem o havia de trair.
O eterno fez-se tempo para abrir o tempo à eternidade.
O amor entregou-se por nós, crucificando o egoísmo.
Jesus serviu-nos a sua Páscoa em pão de salvação
e deu-nos o Seu Espírito em alento de vida nova.
Como Paulo, podemos viver na cidade dos homens,
animados pela fé em Jesus, vivendo como Filhos de Deus.
Assim, o amor de Deus pode continuar a encarnar no tempo
e a florir Cristo em cada cristão, perfumando o mundo,
duma esperança nova em construção,
no calvário da fidelidade e do perdão.

Ser cristão não pode ser hoje sim e amanhã não,
nem simples arrastar de tradição,
nem identidade fluída à minha imagem recriada.
Ser cristão é confiar na Palavra do Mestre que nos conduz,
é aceitar tratar-se pelo Médico em transplantes de coração,
é alimentar-se do Pão da partilha e do vinho feliz da doação,
é deixar-se possuir e conduzir pelo Espírito da Santidade
mesmo peregrinando em espinhos de injustiça
e por precipícios de encantamento mortíferos e enganadores.

Senhor Jesus, eu creio em Ti, mas aumenta a minha fé.
Alimenta e fortalece em nós a saudade de Deus,
de tal forma, que recriemos já aqui o Céu esquecido.
Liberta-nos da tentação de procurarmos ensaiar novas vias,
pois sabemos que a Tua solução de Amor crucificado
é o Caminho certo e seguro para vencermos a morte
e abrirmos a porta da vida, divinamente amada para sempre.
S. Brígida, padroeira da Europa, ensina-nos a viver no mundo

em união perfeita e visão libertadora de Jesus crucificado.

segunda-feira, julho 22, 2013

 

2ª feira da 16ª semana do Tempo Comum

Não era isto que te dizíamos no Egito: ‘(...) mais vale servir os egípcios que morrer no deserto’?». (Ex 14,5-18)

O caminho da libertação traz riscos e exige fé.
Parece mais fácil e seguro permanecer onde se está,
mesmo que seja na escravatura e na opressão do mal,
do que decidir-se a começar algo novo e libertador.
É o medo de morrer no deserto do desconhecido,
de se entregar nas mãos dAquele que permite a perseguição
e exige que levantemos o acampamento
e nos ponhamos em marcha na fé,
sem sabermos como vamos passar o mar,
nem como vamos escapar dos nossos perseguidores.
A fé precisa da oração confiante,
mas também que façamos tudo o que podemos e devemos fazer.

A situação de pecado e de dependência
cava em nós a sensação de servidão e de limitação,
mas também o medo e a incapacidade de mudança.
Custa ser dependente das drogas, do sexo ou da mentira,
custa viver preso a fobias ou a rancores purulentos do passado,
mas custa ainda mais desinstalar-nos do comodismo da escravidão,
pois o Demónio convence-nos que não podemos sair desta
e é arriscado o caminho da conversão.

Senhor, Libertador e Salvador de todas as servidões,
dá-nos a audácia de arriscarmos levantar-nos
e começarmos uma vida nova, confiados apenas em Ti.
Fortalece os nossos pés anestesiados e amarrados,
para que possam aprender a caminhar na noite e no dia,
no mar e em terra, por caminhos novos e libertadores,
mesmo doridos e cansados de lutar no deserto da fé.
Aumenta a nossa confiança em Ti e liberta-nos da saudade do pecado,
que nos faz olhar para trás a cada desafio desconhecido,
para podermos crescer até à estatura do Homem Novo

que faz da cruz a passagem para a libertação definitiva.

domingo, julho 21, 2013

 

16º Domingo do Tempo Comum

Cristo no meio de vós, esperança da glória. (Cf. Col 1,24-28)

Deus, no seu amor pastoral, surpreende-nos próximo.
A Sua Glória revestiu-se de humildade peregrina,
mendicante de hospitalidade acolhedora.
Tudo e todos lhe pertencemos,
mas Deus só quer tomar posse e entrar
nos corações que O convidam e acolhem como Senhor.
Como Abraão é preciso estar atento e correr ao encontro,
prostrar-se e suplicar que entre,
oferecer o melhor de si e do que tem
escutar a Sua palavra de bênção e de esperança.
Não basta acolher Jesus como amigo famoso,
como fez Marta, atarefada em brilhar no bem acolher;
é preciso hospedar Jesus como Messias e Mestre,
e sentar-se aos Seus pés como discípulo sedento de Luz.

Cristo continua no meio de nós escondido,
à espera dum coração de criança,
ansioso de crescer e capaz de ver o invisível,
que se alegre com a Sua presença e O convide a entrar,
como amigo e mestre na arte de ser e amar.
Quando todos acham que sabem tudo, é difícil aprender.
Quando todos se sentem senhores, é difícil ser discípulo.
Quando todos querem apenas possuir, é difícil querer Ser.
Quando todos querem falar, é difícil fazer silêncio e escutar.
Quando todos olham apenas para si, é difícil erguer os olhos,
correr ao encontro do outro e acolhe-lo como irmão e Senhor.

Senhor Jesus andamos tão distraídos e ocupados
que até nos esquecemos de Ti,
apesar de permaneceres pacientemente ao nosso lado.
Dá-nos o dom do acolhimento apaixonado
e fecunda a nossa vida de amor solidário.
Ensina-nos a fazer do nosso dia
uma rotina sempre nova de Encontro que gera encontros,
de Diálogo aberto que modela os diálogos quotidianos,
de Amizade profunda que ensina a amar verdadeiramente.
Cura a nossa cegueira e abre os olhos do nosso coração,

para que, vazios de nós, haja espaço para Ti e para o outros.

sábado, julho 20, 2013

 

ESCUTA HOSPITALEIRA


Num mundo de egoísmo
De medo e desconfiança,
O Deus da eterna Aliança
Nos abre novo caminho
De vida e relação,
Ensinando-nos a escutar
Todo o que, por nós passar,
E, na fé, o hospedar,
Na tenda do coração,
A exemplo de Abraão
E de Maria, irmã de Marta
Que, de joelhos bebia,
Numa escuta hospitaleira,
O que Jesus lhe dizia.

Quero tomar consciência
Da Tua presença em mim
E no que passa por mim,
Para dar toda a atenção
À Tua voz que me fala
E alenta o meu coração,
Mas também me desafia
A, com igual alegria,
Escutar e acolher
Aquele que me envias,
De qualquer povo ou nação,
Em quem vejo me visitas
E convidas a alargar
A tenda do coração,
Para, em Teu nome, acolher
O próximo, meu irmão.

Com que atenção e bondade,
Respeito e hospitalidade,
Lanço o meu fraterno olhar
A quem, na rua, encontrar
Ou bater à minha porta,
Carente de amor e de pão
E de uma cara feliz,
Alegre e bem-disposta
Que o faça sentir irmão
E permita experimentar
O pulsar do coração
De Cristo a peregrinar,
Percorrendo a terra inteira,
A propor à humanidade
O dom da hospitalidade?

Maria Lina da Silva, fmm

Lisboa, 20.7.2013

 

Sábado da 15ª semana do Tempo Comum (20 de julho)

Foi uma noite de vigília para o Senhor (...) Será uma noite de vigília consagrada ao Senhor. (cf. Ex 12,37-42)

Deus trabalha noite e dia para libertar o seu povo da escravidão.
A história da salvação é uma paciente vigília,
em que o Senhor renuncia ao seu repouso eterno, o 7º Dia,
para nos salvar a todos e nos libertar da injustiça e da morte.
Amor com amor se paga,
neste negócio gratuito que anseia pelo 8º Dia,
em que os cacos desajeitados e perdidos do egoísmo
são reconstruidos e recriados em obras primas
que recuperam a imagem e a dignidade do seu Criador.
À vigília do Senhor deve corresponder uma vigília para o Senhor,
para que a memória, a celebração e o louvor
possam apressar o nosso êxodo libertador.

Hoje a vida está cheia de longas vigílias
que trocam o dia pela noite, o Sol pelo néon,
a libertação do outro pelo divertimento de si,
o culto do Senhor da Vida pela veneração dos ídolos de morte.
Não são vigílias de memória mas de esquecimento,
nem noites de libertação mas de ilusão.
Adormecemos para o outro e para Deus,
por isso, quando despertamos,
continuamos servos de nós mesmos.

Senhor, que nos libertas na noite do nosso pecado,
em pacientes e incansáveis vigílias de Pastor,
que se esquece de si mesmo para salvar o Seu rebanho,
ensina-nos a vigiar contigo e em Ti pelos irmãos
para que seja Páscoa permanente.
Liberta-nos do cansaço que nos faz desistir dos outros
e do sono que não resiste ao Teu silêncio

e se cansa de Te procurar escondido na noite da fé.

sexta-feira, julho 19, 2013

 

6ª feira da 15ª semana do Tempo Comum

É a Páscoa do Senhor. Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egito. (cf. Ex 11,10-12,14)

Moisés e Araão vão pressionando o faraó,
de muitas formas, para que deixe partir o seu povo.
O medo que tinha levado o faraó a oprimir este povo,
transforma-se agora em estratégia para não o perder
como base de trabalho barato para sustentar a sua economia.
Neste sentido, é uma luta entre o Deus da vida,
que procura libertar o Seu povo da escravidão,
e os deuses da ambição e do poder material,
que para alcançar os seus fins,
endurecem o coração e sacrificam vidas humanas.
Deus passa, durante a noite de Páscoa, como justiça de luz.
Os que têm a marca do sangue do cordeiro são salvos,
os que se alimentam e crescem à custa de vidas humanas,
são denunciados e castigados com a morte do primogénito.

Hoje continua este combate entre o Deus da Vida
e os ídolos dourados que vivem do sangue de sacrifícios:
o tráfico de seres humanos como trabalho escravo,
a exploração sexual, o comércio de órgãos,
a dependência e o negócio da droga...
As notícias destes sacrifícios dão-se em números frios
de pessoas que desaparecem e desfalecem,
de migrantes explorados e enganados...
ao lado de gente sem escrúpulos
que enriquece e se organiza em máfias poderosas
que dominam pela força do medo e da destruição.

Senhor, que anseias pela Páscoa permanente de libertação,
liberta-nos da tirania do medo e do pecado
e cura-nos da injustiça instalada e alimentada.
Que a celebração da Eucaristia da Tua Páscoa Nova
transforme as mãos calejadas de insensibilidade e ódio
em abraços fraternos de paz e sorrisos libertadores de justiça.
Faz-nos compreender o que significa realmente

que preferes a misericórdia ao sacrifício.

quinta-feira, julho 18, 2013

 

5ª feira da 15ª semana do Tempo Comum

O que Se chama “Eu sou” enviou-me a vós’». (cf. Ex 3,13-20)

Deus é a Vida que arde de Amor eternamente,
por isso, pode dizer que é o “Deus dos pais”,
o “Deus da promessa verdadeira”,
o “Deus da Aliança fiel”,
o “Deus libertador dos oprimidos”,
o “Deus que vê claramente, escuta, chama, envia...”
Ele é o “Eu sou o que sou” em si e para nós,
que permanece para lá do mistério e se revela,
que vive na eternidade e nos acompanha no tempo.
Moisés e cada um de nós que escuta a Sua voz
é um enviado do “Eu Sou” aos que se sentem “não sou”,
para os libertar da opressão que os aniquila e esvazia
da alegria de viver e da certeza de não ser esquecido.

A vida tornou-se demasiado volátil e instável.
O que era ontem, surpreende-nos com outra face hoje,
desde o governo aos partidos, das leis à ética,
da amizade ao amor matrimonial,
dos mercados às tecnologias, do ambiente ao clima...
Ninguém pode dizer “eu sou sem termo”,
porque a verdade de hoje já não é a da amanhã.
Isto torna-nos inseguros, céticos, deprimidos, irracionais...
Sem a voz e a fé no “Eu Sou”
que tem o nosso nome gravado no Seu Coração palpitante,
a vida torna-se um “não sou” absurdo,
que corre à deriva de miragem em miragem.

Senhor, Rocha firme e Fonte permanecente de Vida,
liberta-nos de tudo o que escava o “não sou” em nós.
Senhor, Memória duma Aliança que permanece
e vitória duma Páscoa que nos salva,
envia-nos a ser recordação viva e permanente do “Eu sou”:
eu sou amado, eu sou perdoado, eu sou salvo,
eu sou irmão lado-a-lado, eu sou cuidador da criação,
eu sou peregrino da verdade e cajado de esperança,
eu sou sonho acarinhado em abraço escondido,
eu sou chamado a ser filho de Deus,
eu sou mortal a aprender a viver a divina eternidade.

Abre-nos ao Teu “Eu Sou”, para que sejam tudo em Ti.

quarta-feira, julho 17, 2013

 

4ª feira da 15ª semana do tempo Comum

Então Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés, Moisés!» (cf. Ex 3,1-6.9-12)

Moisés, fugido dos perigos do Egito, instalou-se em Madiã:
casou-se e vive tranquilamente no seu mundo.
De tão ocupado consigo mesmo e as suas coisas,
esqueceu-se do seu povo e do sofrimento em que vivia.
Mas Deus não se esquece do que sofre e suplica.
É como uma chama ardente de amor que não se consome
que vem ao encontro de Moisés para o recordar,
manifestando-se numa sarça, alimento dos seus rebanhos,
mas também silvado que esconde mistério e vida interior.
Deus chama Moisés e envia-o
como pastor e libertador de outros rebanhos
que vivem presos em silvados de opressão e escravatura.

A história pessoal de cada um decorre
entre o equilíbrio difícil do amor de si e do amor dos outros,
do viver a “sua vida” sem esquecer o barco comum,
de escutar os apelos a trabalhar pelo pão de cada dia,
sem esquecer os que clamam por um pedaço de solidariedade,
de estar atento às sarças ardentes que nos despertam
para a fé e o compromisso solidário e libertador.
O esquecimento do outro que sofre
e a fuga e alheamento das situações de injustiça,
como se vivêssemos noutro mundo lunático,
é o grande perigo de obesidade individualista
que destrói a sensibilidade pelo outro
e nos adormece a fé no Deus da Vida.

Senhor, Fogo de Amor que não se apaga
e vens ao nosso encontro nos silvados das nossas ocupações,
atea em nós essa chama que vê e escuta os gemidos dos irmãos.
Alarga os horizontes das nossas preocupações
e faz-nos instrumentos da Tua libertação.
Abre os nossos olhos aos sinais da Tua presença

e aviva em nós a memória de que somos todos irmãos.

terça-feira, julho 16, 2013

 

3ª feira da 15ª semana do Tempo Comum

Deu-lhe o nome de Moisés, dizendo: «Salvei-o das águas» (cf. Ex 2,1-15a)

Deus vai preparando um libertador para Israel:
filho da tribo de Levi, uma família de consagrados,
salvo das águas da morte pela própria filha do Faraó,
enraizado na fé hebraica pela mãe, que o amamenta,
educado como líder pela filha do Faraó, que o adota.
Moisés vai crescendo dividido,
entre a condição privilegiada de filho do Faraó,
e o sentimento de irmão dos hebreus oprimidos.
A prática vai-lhe mostrar a dura realidade:
não se pode servir a dois senhores, ao mesmo tempo.
Como ainda não estava maduro para optar por uma identidade,
fugiu do Egito para as montanhas de Madiã.

Hoje, generalizou-se a ideia que podemos ser tudo,
ao mesmo tempo: ser jovem e adulto,
comprometido e descomprometido,
viver como casado e solteiro, ser verdadeiro e mentiroso,
ter vida privada e vida pública contraditória,
praticar ritos cristãos e viver uma ética não cristã...
É a esquizofrenia cultural elevada à qualidade de ideal,
neste mundo de liberdade criativa e caprichosa,
em que cada um se sente no direito de ser e não ser,
quando e como pode e deseja ser ou parecer.

Senhor, que sendo Deus Te fizeste servo,
para, a partir de baixo e da raiz, nos elevares
à dignidade libertadora de filhos de Deus,
ensina-nos a crescer até à Tua estatura
de homem servo e livre para amar.
Dá-nos a coerência da fidelidade e do seguimento
em todos os dias e circunstâncias da nossa vida.
Liberta-nos da tentação de sermos “mornos”,
“lights”, “insípidos” e acomodados

a um relativismo tolerante, subjetivo e interesseiro.

segunda-feira, julho 15, 2013

 

2ª feira da 15ª semana do tempo Comum

Temendo os filhos de Israel, sujeitaram-nos a duros trabalhos. (cf. Ex 1,8-14.22)

O livro do Êxodo abre com a situação opressiva
do povo de Israel no Egito.
O novo faraó desconhecia José e temia o seu povo,
por isso, tentou enfraquece-los e controla-los
por meio de trabalhos forçados e do controle de natalidade.
Deus, apesar da injustiça instalada,
não se esquece do Seu povo e fortalece-o
com mão invisível e presença sofrida.

Hoje, a competitividade ganhou dimensão global.
Desvalorizou-se o trabalho
e desumanizaram-se as condições de produção
para que cresçam as exportações e o lucro.
Diminuiu-se a natalidade e liberalizou-se a sexualidade,
por isso, muitos fetos são deitados ao rio e ao lixo.
Deus continua hoje ao lado dos mais fracos,
a sustentar a esperança de quem é explorado
ou, simplesmente, é descartado como excedente,
até que o mundo acorde e recorde
que o melhor e mais belo é a justiça nas relações
e o que deve mover o mundo deve ser o amor
e não o medo nem a ganância cega.

Senhor, Pai amigo sempre ao lado dos teus filhos,
Irmão companheiro que sofres com o abatido
e escutas sangrando, silenciosamente,
os gemidos dos oprimidos,
faz de nós promotores da justiça e da paz
e samaritanos que socorrem os caídos na margem da vida.
Ajuda-nos a alimentar o motor do amor e da solidariedade

e a desacreditar os motores do medo e da indiferença.

domingo, julho 14, 2013

 

Domingo 15ª do Tempo Comum

Cristo Jesus é a imagem de Deus invisível. (cf. Col 1,15-20)

Deus, que é insondável no seu Mistério,
revela-se pelo Filho, encarnando em Jesus de Nazaré
e ilumina a nossa procura pela ação do Seu Espírito.
Jesus é a imagem de um Deus próximo e fraterno,
que habita no meio de nós, sem nos darmos conta,
que parece igual a nós, mas nos surpreende totalmente diferente,
não no aspeto, mas no ser, ver, julgar, cuidar, amar, perdoar, orar...
Jesus é, ao mesmo tempo, a imagem de Deus verdadeiro a buscar
e a imagem do homem pleno, em projeto de ser e viver.

Os caminhos para nos encontrarmos com Deus
são surpreendentemente ilimitados e incontáveis,
porque, depois de tanto buscarmos,
descobrimos que é Deus quem nos procura
com um amor eternamente maior!
Uns encontram-no no silêncio da montanha, como Elias,
outros no poço vazio do pecado, como o filho pródigo;
Uns buscam-no pelo caminho da justiça e da paz, como Romero,
outros buscam-no pelo caminho do zelo violento, como Saulo;
Deus está em toda a parte e se faz encontradiço,
revela-se quando o deixamos ser quem é
e esconde-se quando o queremos fazer à nossa imagem.

Senhor, Mistério insondável que nos habitas,
como Emanuel desconhecido de tão familiar,
liberta-nos das imagens fixas, acabadas e inventadas
dum Deus dinâmico, Mistério a desvelar-se eternamente.
Já que Jesus é a Tua Palavra e Imagem visível verdadeira,
concentra todo o nosso coração e a nossa confiança,
em contempla-Lo, escuta-Lo e segui-Lo.
Envia-nos o Teu Espírito de luz peregrina
quando nos sentamos e acolhemos Jesus como Mestre a escutar,
ou abrimos as portas da nossa intimidade para Ele nos curar,
ou O descobrimos próximo no desconhecido que geme compaixão.
Que na Eucaristia aprendamos a comungar o teu Filho

para que na vida saibamos viver e amar como irmãos.

sábado, julho 13, 2013

 

FAZER-SE PRÓXIMO POR AMOR


Ninguém há, sob os céus,
No ar, na terra ou no mar,
Tão próximo como Deus
Que nos criou e moldou,
Com as Suas próprias mãos,
À Sua imagem e semelhança,
Insuflando-nos Seu Espírito,
Marca de confiança,
Pertença e segurança,
De gratuidade e amor
Do nosso único Senhor.

Tão próximo, que, ao ver
A fraqueza e o pecado
Que tornou seu povo escravo,
Decidiu vir libertá-lo,
Na pessoa de Jesus,
Seu Filho muito amado,
Que, por nós morreu na cruz,
Revelando que o amor,
Gratuito e sem medida,
A Deus e ao irmão carente
De paz, justiça e perdão,
É óleo que cura e salva
O justo e o pecador,
Vítimas da humana traição,
Seja meu conhecido ou não,
Porque, em Cristo, é meu irmão.

Faz-me próxima, Senhor,
Na gratuidade e no amor,
Do irmão necessitado,
Em espírito e verdade,
Vivendo atenta e solícita
De toda a pessoa aflita,
Revelando -Te um Deus próximo,
Mais que o ar que respiramos,
Em quem nos movemos e existimos,
Porque sempre acreditamos
Que o Teu Amor nos alenta,
E é Luz no caminhar,
Na calma e na tormenta,
Até à paz do alto mar.

Maria Lina da Silva, fmm- Lisboa, 13.07.2013     

 

Sábado da 14ª semana do tempo Comum

Vós tivestes a intenção de me fazer mal, mas Deus, nos seus desígnios, converteu-o em bem. (cf. Gn 49,29-32; 50,15-26a)

Deus é perito em transformar o mal em bem,
em revelar a Verdade no meio das nossas mentiras,
em fazer triunfar o amor sobre o ódio.
A História da Salvação está cheia de borrões desconexos
com os quais Deus vai fazendo pinturas únicas
que nos fazem reconciliar com o passado
e olhar o futuro com a esperança de quem é amado.
José perdoa aos irmãos porque, apesar do seu crime,
vê que Deus fez dele instrumento para salvar o seu povo.
Não parou num passado ferido e injusto,
mas fixou-se no presente brilhante e agraciado.

Há pessoas que vivem com feridas de estimação
e acariciam os seus ódios passados,
como quem guarda um tesouro escondido.
Contaminados por essa chaga infetada,
vivem revoltados, tristes, agressivos, deprimidos.
Odeiam o agressor, mas castigam-se a si mesmos,
carregando-o na memória e no desejo de vingança
em todos os instantes da sua vida.
José, filho de Jacob, Nelson Mandela,
Jesus Cristo na Cruz e tantos no Seu seguimento,
mostram que só perdoando de coração
se pode curar esta ferida pretérita e gangrenada,
e viver o presente como um dom de paz e felicidade.

Senhor da Vida e Remédio para a nossa salvação,
dá-nos o dom e a sabedoria de saber perdoar,
de despertarmos cada dia reconciliados,
porque já na véspera adormecemos tranquilos
na almofada da humildade compreensiva e confiante
e no colchão ortopédico do perdão que se dá e se recebe.

Faz-nos peritos da reconciliação e da paz.

sexta-feira, julho 12, 2013

 

6ª feira da 14ª semana do Tempo Comum

Eu próprio descerei contigo ao Egito e Eu próprio te farei regressar. (cf. Gn 46,1-7.28-30)

Deus manifesta-se a Jacob, em Bersabé,
para dizer que não é o Deus duma terra,
mas o Deus amigo e companheiro de pessoas concretas,
onde quer que estejam, comprometido com a sua sorte.
Deus está em toda a parte, porque tudo lhe pertence,
na emigração, no nomadismo ou no exílio,
no êxodo, na libertação e no sedentarismo.
A Fé e a fidelidade à Aliança, entre Deus e o seu povo,
são o verdadeiro chão que faz a diferença
e que enraíza a identidade na mobilidade.

As estradas globais da comunicação
transformaram o mundo numa aldeia.
Estamos em permanente viagem virtual ou real,
umas vezes como atores, outras como meros espetadores.
O desafio é aprendermos a viver em relação com o diverso,
em diálogo de enriquecimento mútuo,
sem perdermos a nossa identidade de pessoas únicas e amadas.
A cultura, a fé, a justiça e a bondade são o património-bagagem
que nunca podemos perder nestas viagens.
Deus é Aquele que encontramos sempre
nesta nossa constante mobilidade.

Senhor da Aliança, zeloso amigo peregrino,
mostra-nos a Tua face quando o caminho é incerto
e pacifica-nos com a Tua Palavra
quando o sol se esconde e tudo parece inverno.
Aumenta a nossa fé na Tua fidelidade
e ajuda-nos a construir contigo
uma história de salvação e libertação

que fecunde a vida com a esperança e a salvação.

quinta-feira, julho 11, 2013

 

Festa de S. Bento, Abade, Padroeiro da Europa

Meu filho, se aceitares as minhas palavras... compreenderás ... todos os caminhos da felicidade (cf. Prov 2,1-9)

Deus, ao criar-nos, deixou-nos a saudade
dum paraíso perdido, duma felicidade experimentada,
dum amor total, com sabor a paz, justiça e eternidade.
Esta saudade transforma-se em anseio e sonho,
perseguidos por caminhos de nevoeiro,
multiplicidade de braços dum grande rio
que se confundem com o leito verdadeiro,
num labirinto que precisa de bússola e sabedoria de orientação.
Deus, que é a origem e o fim deste desassossego,
é quem nos pode orientar com a Sua Palavra
e conduzir à felicidade perdida e sonhada.

A vida está cheia de ratoeiras de engano:
confundir plenitude com entulho de bens perecíveis,
trocar a Luz suave que ilumina pelo holofote que cega,
preferir um minuto de glória
ao paciente peregrinar para a eternidade,
construir castelos de medo e isolamento
em vez de pontes de reconciliação e comunhão...

Senhor, útero de Amor onde nascemos
e felicidade insatisfeita onde nos reencontramos,
ilumina os nossos passos com a verdade da Tua Palavra
e faz-nos peregrinos do Mistério que nos norteia.
Como S. Bento, dá-nos o equilíbrio entre o trabalho e a oração,
a ação e a contemplação, a escuta e o anúncio.
Que o Teu Espírito nos faça peritos
em identificar o único tesouro que permanece

entre uma panóplia de propostas enganadoras e brilhantes.

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