terça-feira, julho 25, 2017

 

S. Tiago, Apóstolo


Andamos perplexos, mas não desesperados. (cf. 2 Cor 4,7-15)

Ser discípulo de Cristo é uma surpresa constante.
A participação na sua Páscoa deixa-nos perplexos,
pois o caminho largo e reto é substituído pelo estreito,
o Tabor pelo monte Calvário, o túmulo pela ressurreição.
Tiago, filho do Trovão, 
e sujeito de tantas intimidades com o Senhor,
é o primeiro dos apóstolos a ser martirizado.  
A fé deixa-nos perplexos, mas não desesperados!

Hoje os cristãos andam perplexos
por perseguições externas e escândalos internos.
Em certos países as vocações diminuíram,
os templos esvaziaram-se e a vida religiosa perdeu profecia.
O dinamismo missionário esmoreceu
e a máquina de propaganda contra a Igreja especializou-se.
Apesar de termos um Papa extraordinário
parece que andamos às escuras num sincretismo anárquico,
em que cada um petisca do que quer, 
no segredo da sua consciência.
Felizmente, quem conhece a Igreja universal,
sabe que o sol da esperança brota em muitos países ditos de missão!

Senhor, seguir-Te até à cruz da vitória sobre a morte,
deixa-nos perplexos, como peregrinos da fé.
Os valores do Reino de Deus são diferentes do mundo!
É difícil compreender o “entre vós não deve ser assim!”
Espírito Santo, aurora que ilumina a esperança,
ensina-nos a caminhar com vigilância, 
pois somos barro que transporta tesouros de graça.
Que o medo nunca nos paralise,
nem a perplexidade jamais nos desespere ou desanime.
S. Tiago, apóstolo destemido e íntimo do Senhor,
intercede para que sejamos uma Igreja viva, profética e missionária.

segunda-feira, julho 24, 2017

 

2ª feira da 16ª semana do Tempo Comum


Porque estás a bradar por Mim? Diz aos filhos de Israel que se ponham em marcha. (cf. Ex 14,5-18)

A oração é uma súplica que escuta a missão.
Deus não quer espetadores passivos da sua ação,
mas colaboradores confiantes da sua missão.
Moisés não pode ficar parado a bradar aos céus,
à espera que Deus os salve, mas escutar o que deve fazer
para que Deus os possa livrar do Faraó e dos seus guerreiros.
Deus não quer crianças, mas filhos obedientes à sua voz.
Jesus compreendeu isso no Jardim das Oliveiras:
“Pai, gostaria que afastasses de mim a paixão e a cruz,
mas faça-se a tua vontade e não a minha!”.

Assistimos hoje a umas espiritualidades milagreiras,
que pregam a inatividade perante o poder de Deus
e a esperança que Deus fará tudo o que podemos fazer.
Devemos pedir a cura e por-nos em marcha para o médico,
pedir a graça de um emprego e pôr-nos à procura dele,
pedir a paz e dispor-nos ao diálogo e ao perdão...
O Senhor deu-nos inteligência para pensar,
boca para falar, pés para andar, mãos para trabalhar.
A oração é para pedir a fé e escutar a vontade de Deus,
numa espiritualidade militante e missionária,
que escuta o que devemos fazer para Deus poder atuar.


Senhor, eis-me aqui, como servo nas tuas mãos,
que queres que eu faça para que o teu Reino venha,
a tua boa nova seja proclamada e o teu povo seja salvo?
Envia-nos o teu Espírito e abre-nos à sua ação,
para que seja Ele a rezar em nós e a conduzir os nossos passos.
Ajuda-nos a crescer até à maturidade de Apóstolos,
que nunca deixam de ser discípulos,
sempre disponíveis para se porem em marcha, em missão.

domingo, julho 23, 2017

 

16º Domingo do Tempo Comum


Agindo deste modo, ensinastes ao vosso povo que o justo deve ser humano. (cf. Sab 12,13.16-19)

Deus é forte e bondoso, paciente e misericordioso.
O seu Espírito age na criação de forma suave e profunda,
inspirando o projeto divino e a vida,
num diálogo inefável e complexo, onde o silêncio escuta.
Cristo, o Homem novo, Imagem perfeita do Pai,
aproxima-se com respeito, propõe aliança,
semeia o Reino de Deus, serve e reconstrói o que é desprezível;
em vez de condenar, procura a todos salvar, dando a vida.
Quanto temos a aprender com este Homem livre e amante!

As mudanças sustentadas, não se forçam, fermentam-se.
Os totalitarismos e ditaduras desumanizam as relações,
forçam igualdades, atemorizam a paz, limitam a liberdade.
O individualismo fecha a partilha, exalta o capricho,
ensurdece o grito de comunhão e diálogo do próximo.
O consumismo, que alimenta o mercado,
telecomanda inocentes, cria necessidades, massifica pessoas.
Com tudo isto, a caridade deixa de ser prioritária,
o bem comum passa a ser um direito sem deveres,
o perdão um bem escasso e em perigo de extinção!

Senhor, semeador de vida e fermentador de renovação,
fortalece o trigo de caridade que em nós semeaste,
para que não nos deixemos abafar pelo joio que deixámos crescer.
Dá-nos paciência e zelo apostólico para com o joio,
que vemos nos outros e em nós, sem julgarmos nem condenarmos,
mas fermentando relações de acolhimento, diálogo e perdão.
Espírito Santo, ensina-nos a oração que deseja ser Cristo
e a pedagogia missionária da correção fraterna.
Cristo, Homem verdadeiro, ensina-nos a ser justos e humanos!

sábado, julho 22, 2017

 

S. Maria Madalena


Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. (cf. 2 Cor 5,14-17)

Maria Madalena teve um encontro salvador com Jesus.
O Senhor libertou-a dos seus males e pecados,
e ela tornou-se uma fiel discípula no seguimento,
na cruz, na ressurreição e no anúncio da Boa Nova.
Deixa Magdala, cidade da Galileia, para seguir Jesus.
Não se deixa dominar pelo medo de perder a vida,
mas está junto à cruz, corre ligeira antes da aurora
à procura do Senhor e encontra-O no Jardim renovado 
por Aquele que abriu o túmulo e se torna Jardineiro da esperança.

A mulher é na Igreja e no mundo o coração e o serviço.
São elas que, a maioria das vezes, tomam a iniciativa,
enchem e sustentam as igrejas e os movimentos, 
testemunham Cristo nas periferias e na família,
dão catequeses e alimentam o serviço da caridade!
Se pudessem aceder ao ministério ordenado,
corríamos o risco de a Igreja se tornar apenas feminina,
numa autonomia de género empobrecedora.
Hoje há muita Maria Madalena a puxar para o encontro com Cristo, 
a desafiar homens, jovens e crianças a saírem de si.

Senhor, obrigado por tanta Maria que colocaste no meu caminho,
que me ajudaram a perseverar com a sua oração,
o seu carinho, o seu serviço e o seu testemunho.
Cristo, só em Ti somos uma criatura nova,
sem guerras de sexos nem ideologias de género!
Somos tão diferentes e tão complementares!
Espírito Santo, comunhão enriquecedora na diversidade,
ajuda-nos a ser uma Igreja inclusiva, sensível,
com iniciativa missionária e serviço da caridade.
S. Maria Madalena, Apóstola dos Apóstolos, intercede por nós, 
para que sejamos bons discípulos e bons missionários.


sexta-feira, julho 21, 2017

 

6ª feira da 15ª semana do Tempo Comum – S. Lourenço de Brindes


Não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egipto. (cf. Ex 11,10-12,14)

O Senhor é a Páscoa da nossa salvação!
Ele passa durante a noite para fazer a sua justiça,
de forma personalizada, passando à porta de cada um.
Na Páscoa do Egito, o sangue é de cordeiros e cabritos,
na Páscoa de Cristo, é o próprio sangue oferecido na cruz,
que nos salva, nos alimenta e nos envia em missão.
Cristo é a nossa Páscoa e o Domingo o seu dia,
sempre disponível para nos convidar à mesa da Eucaristia
no Pão e Vinho da salvação, condimentados de misericórdia.
Só os corações endurecidos não entendem esta festa de amor!

As guerras matam massivamente inocentes e culpados.
Mesmo os “ataques cirúrgicos” acabam por destruir hospitais,
escolas, jardins infantis, farmácias, templos, casas de habitação.
O preconceito mete a todos no mesmo saco,
julgando e condenando o todo, sem conhecer as partes.
Os tratamentos de cancro destroem todas as células novas,
não distinguindo se são boas ou más.
O agir de Deus, pelo contrário, é personalizado,
e distingue um único justo numa cidade iníqua.
Mas quando olha a cidade, não procura forma como destruí-la,
mas a abordagem pedagógica e misericordiosa de a salvar! 

Senhor, a tua omnisciência é fruto da tua Páscoa,
pois passas continuamente pelo ADN do nosso coração!
Cristo, Páscoa do Emanuel e por isso Páscoa permanente,
a tua vida é uma oferta incansável e personalizada
por cada um de nós, movido pela compaixão.
Vem Espírito de misericórdia e de missão
e faz da nossa vida uma Páscoa de salvação,
de serviço de paz e de justiça, de diálogo de amor,
de oferta de perdão, de semear a esperança.
Ajuda-nos a descobrir a riqueza e a força da Eucaristia!

quinta-feira, julho 20, 2017

 

5ª feira da 15ª semana do Tempo Comum


O que Se chama “Eu sou” enviou-me a vós’. (cf. Ex 3,13-20)

O Deus de Abraão, Isaac e Jacob mantém o fogo do amor a arder
e revela-se a Moisés como o “Eu sou” fiel à sua aliança.
Deus é Palavra dada nas linhas tortas da história.
Cristo encarna esta Palavra e retoma todos os nomes anteriores:
Deus dos patriarcas, Filho da consolação, Emanuel,
“Eu Sou”, aliança eterna, Servo de Javé, Filho do Abba do Céu...
Hoje, Jesus permanece connosco e em cada sacramento nos diz: 
“Eu sou” a água viva, “Eu Sou” a doação de um Espírito divino, 
“Eu sou o Pão do Céu”, “Eu Sou” o remédio da misericórdia,
“Eu Sou” o amor que te torna fiel no matrimónio e no ministério,
“Eu sou” o que está sempre a teu lado no sofrimento e na alegria.

Um mundo sem Deus nota-se na dificuldade de dizer “Eu sou”.
O que foi ontem e o que será amanhã 
poderá nada a ter a ver com o que é hoje.
Por isso, “o hoje”, “o aqui e agora” é o que nos resta da existência.
Nesta insegurança do futuro, o presente aparece engarrafado,
sem fonte nem rio, onde não há verdade, mas apenas prazo de validade!
Por isso, tudo é dinâmico, tudo muda sem segurança de ser:
a identidade de género, a profissão, a nacionalidade,
o clube, o partido, a religião, a família, o emprego...
Hoje a “palavra dada” não é fidelidade e compromisso para sempre,
mas tem um contexto e um prazo de validade!

Senhor, que bom saber que o teu amor não passa,
a tua Palavra permanece eternamente,
a tua misericórdia não se cansa nem seca,
o teu fogo redentor não se apaga nem esmorece. 
Cristo, Rocha firme e âncora da nossa jangada,
envia-nos o teu Espírito e ensina-nos a permanecer em Ti,
como ramo da videira e canal da tua graça.
Liberta-nos da ilusão de ser cata-ventos ou parabólica insaciável,
sempre em busca de novidades para esconder o tédio sem sentido.
Dá-nos o dom e a alegria de sermos “Eu sou” fieis à tua missão!

quarta-feira, julho 19, 2017

 

4ª feira da 15ª semana do Tempo Comum


Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor numa chama ardente, do meio de uma sarça. (cf. Ex 3,1-6.9-12)

Moisés faz a experiência de Deus que vem ao encontro,
como fogo que não se consome numa sarça, como dom.
O amor de Deus vê e escuta o sofrimento do seu povo
e chama Moisés para ser instrumento da sua libertação.
A oração ajuda a ver a realidade e convoca para a missão!
É entrar no coração de Deus, concentrado na ovelha perdida
e não nas noventa e nove que se conservam sãs e salvas no aprisco.
Jesus é este fogo ardente na sarça ardente do Nazareno
que convoca os apóstolos como novos Moisés!

A vida cómoda, que nos absorve, afasta-nos dos que sofrem.
O importante é subir à montanha da minha realização pessoal,
da minha felicidade, do meu bem-estar, do meu sonho...
o resto é espetáculo, assunto de notícia e de estatística.
A concentração urbana acentua esta forma de viver:
vive-se só no meio de uma grande multidão em movimento,
como se fossem árvores sem rosto, nem boca, nem coração.
Às vezes, as catástrofes naturais despertam 
o fogo ardente da solidariedade, da centelha de Deus em nós!

Senhor, Coração ardente e atento ao que sofre e se perde,
ensina-nos a rezar, como quem se deixa atear pelo fogo do teu amor.
Cristo, novo Moisés, enviado pelo Pai a salvar as ovelhas perdidas,
envia-nos o teu Espírito que nos desafia a responder:
“Senhor eis aqui, podes enviar-me!”
Liberta-nos do comodismo que nos torna indiferentes,
insensíveis, espetadores, que se desculpam dizendo:
“Quem sou eu e que posso eu fazer para melhorar este mundo?”
Ajuda-nos a confiar mais em Ti do que nas nossas forças
e a fazer o pouco que podemos fazer com a tua ajuda!

terça-feira, julho 18, 2017

 

3ª feira da 15ª semana do Tempo Comum – B. Bartolomeu dos Mártires


O adotou como filho e lhe deu o nome de Moisés, dizendo: «Salvei-o das águas». (cf. Ex2,1-15a)

A filha do Faraó encheu-se de compaixão pelo menino que chora
e adota-o como filho, salvando-o das águas da morte,
porque também ela é filha de Deus, instrumento da sua compaixão.
Cristo é o Filho do Grande Faraó, o Pai da misericórdia,
que chama a cada um “Moisés”, pois nos salvou das águas da morte,
pela água da vida, que brota do seu lado, por meio do Batismo.
Jesus pede às famílias que amamentem os seus filhos de fé,
para que cresçam como filhos de Deus
e não como filhos da perdição, que usam a violência e a morte
para tentar endireitar e salvar este mundo!

O Mediterrâneo tornou-se um mar de morte.
O desespero coloca os refugiados nas mãos de traficantes,
que exploram a pobreza e o sonho de uma vida melhor,
e os colocam amontoados em barcaças frágeis,
abandonados à sorte e à incúria das ondas.
Uns acabam a boiar de morte nas águas,
outros são salvos das águas, como Moisés!
No meio destes heróis da esperança,
há crianças a chorar e há mães a amamentar!
Neste mar podemos encontram o melhor e o pior da humanidade!

Senhor, somos filhos da compaixão, imagens do teu coração,
mas às vezes o egoísmo afoga-nos o sentimento fraterno
e torna-nos indiferentes, espetadores da desgraça!
Ajuda-nos a ser como Jesus, teu Filho querido,
que desce às águas da morte para salvar das águas do pecado.
Envia-nos o teu Espírito e dá-nos um coração novo,
para que possamos ter muitos filhos adotivos “Moisés”,
que ajudamos a salvar das águas da morte
com a nossa compaixão, solidariedade,
testemunho de fé e evangelização.
S. Bartolomeu dos Mártires intercede por nós,
para que sejamos uma Igreja ao lado dos mais frágeis.

segunda-feira, julho 17, 2017

 

2ª feira da 15ª semana do Tempo Comum - BB. Inácio Azevedo e companheiros mártires


Temendo os filhos de Israel, sujeitaram-nos a duros trabalhos. (cf. Ex 1,8-14.22)

Deus não age por medo, mas unicamente por amor,
por isso, é livre, paciente e rico em misericórdia!
Deixa crescer trigo e joio, fortalecendo o trigo,
para apenas os julgar e separar na colheita final.
Quando os egípcios começaram a olhar os israelitas com medo,
começaram à defesa e ao ataque, a oprimir para enfraquecer,
aliando a injustiça e opressão ao assassínio dos inocentes.
O medo é mau conselheiro e gera irracionalidade e xenofobia!

Os fluxos migratórios geram desequilíbrios étnicos.
Aquilo que começou por ser uma solução laboral
para quem migra e para quem acolhe,
acaba por se afigurar como uma ameaça de grupos em confronto.
A questão demográfica acaba por ser fundamental,
quando o grupo que chega tem uma taxa de natalidade maior
do que o país que acolhe e dá trabalho.
Começam então processos que dificultam a integração
e aumentam a marginalização em bairros étnicos fechados.
Hoje estamos a sentir um clima de medo e de revolta
que gera racismo, xenofobia, preconceito, violência.
O populismo gosta deste ambiente de medo,
explorando preconceitos, fechando portas, perseguindo diferenças.
O terrorismo aproveita este ambiente de medo e de confrontação
para recrutar ingénuos e os usar como agentes que se imolam para matar. 

Senhor, Pai de todos, que nos olhas para além dos muros que criamos,
ensina-nos a viver como irmãos, livres do medo para amar.
Cristo, Irmão e amigo de todos, que não és contra ninguém,
porque a todos amas e a todos queres salvar,
mostra-nos o caminho da convivência pacífica e do diálogo,
para que aprendamos a usar a energia e a força,
não para nos destruir, mas para nos ajudar e salvar.
Espírito Santo, colírio fraterno para ver o próximo
e força de comunhão forja a paz entre culturas e religiões,
liberta-nos do medo para que aprendamos a ser livres para amar.

domingo, julho 16, 2017

 

15º Domingo do Tempo Comum – Nossa Senhora do Carmo


Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. (cf. Rom 8,18-23)

Deus é um sonhador, um Pai assumido,
que em tudo e em todos vê um glorioso filho de Deus.
Por isso, semeia generosamente a sua Palavra
para fecundar de vida toda a criação.
A floresta inculta revela um Jardineiro exímio
pela diversidade, quantidade e equilíbrio!
O ser humano foi chamado a ser administrador deste jardim,
com coração de poeta, mãos de artista, sentido de irmão,
olhar de esperança, entranhas de mãe e colo de pai.
Que presente e que futuro estamos a engendrar?

Os países, ditos desenvolvidos, diminuíram a natalidade
com o pressuposto de aumentarem a qualidade de vida.
As casas aumentaram de espaço, mas encolheram de habitantes;
aumentou o conforto, mas diminuiu o tempo que dele se usufrui.
Imprimiu-se um ritmo acelerado e industrial na natureza,
que sofre as dores de uma maternidade precoce e exausta.
A criação sofre de stresse e de depressão por exploração!
O ser humano, que devia continuar a obra da criação,
está a provocar a destruição por excesso de ambição,
por não saber escutar os gemidos nem ler o sintomas.
Os rios, os oceanos, os desertos, a atmosfera...
esperam ansiosamente que os ajudemos a sobreviver!

Pai nosso, Fonte de vida e semeador jardineiro,
faz de nós campo arável e fecundo,
onde a tua Palavra possa encontrar tempo para crescer,
coragem para retirar as ervas daninhas 
e podar os rebentos vaidosos e estéreis 
que impedem a maternidade de frutos abundantes e bons.
Cristo, Palavra semeada na história em condução descontrolada,
dá-nos o teu Espírito de sabedoria e de santidade,
e liberta-nos das nossas escravaturas
que impedem que nasça a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.
Ajuda-nos a discernir aquilo que deixamos semear na nossa vida,
para que não demos à luz monstruosidades e injustiças.
Nossa Senhor do Carmo, Mãe do silêncio e da contemplação,
ensina-nos a dar à luz filhos de Deus e servos da paz.

sábado, julho 15, 2017

 

Sábado da 14ª semana do Tempo Comum – S. Boaventura


Vós tivestes a intenção de me fazer mal, mas Deus, nos seus desígnios, converteu-o em bem. (cf. Gen 49, 29-32; 50, 15-26a)

Deus criou a humanidade livre e criativa,
para amar à sua imagem se semelhança,
no entanto, o pecado quebrou o descanso de Deus,
que passa a vida a reparar o mal feito e a proteger o inocente.
Se não fosse a misericórdia infinita e providente de Deus,
que seria da história, da esperança e dos mais frágeis?
Jesus apresenta-se como carpinteiro dum mundo em ruínas,
que transforma sepulcros caiados em jardins perfumados de vida.
Os seus discípulos têm a missão de seguir o Mestre,
ensinando a ver o mundo com o olhar profético da fé
e a reparar as brechas solitárias com a paciência do coração.

O mal existe e muitos têm intenção de fazer o mal.
O rio da inveja e do rancor arrasta para a vingança e a mentira.
A corrente do amor solidário semeia a paz e a justiça,
pois fraterniza as relações e fortalece a confiança.
Uns parecem cogumelos disfarçados de petisco,
mas mortíferos na mesa da festa;
outros são como a figueira acolhedora e silenciosa,
que dá sombra e frutos doces no pino do verão.
Deus anda como Mãe e Pai de filhos traquinas e imprudentes,
a curar as feridas que fazem e provocam nos outros e na natureza.
Não há bruxo do mal que vença o Reparador do Bem!

Senhor, Pai bom e paciente com as nossas aventuras adolescentes,
é a tua providência que nos salva e nos protege do mal.
Cristo, Água esperançosa a regar este deserto arenoso,
cura-nos de todo o mal e faz de nós canais da tua graça.
Espírito Santo, Mestre em escrever direito nas linhas tortas da nossa vida,
ensina-nos a olhar a história com esperança
e a sermos obreiros e embaixadores da paz e da salvação.
Ensina-nos a arte de ser restaurador, escultor, carpinteiro, reciclador,
médico, pedagogo da vida e cozinheiro da esperança!
S. Boaventura, mestre da fé e servo do carisma franciscano,
roga para que saibamos ser sábios, humildes e fiéis à nossa missão.

sexta-feira, julho 14, 2017

 

6ª feira da 14ª semana do Tempo Comum – S. Camilo de Lelis


Disse-lhe Deus numa visão noturna: «Jacob! Jacob!». Ele respondeu: «Aqui estou». (cf. Gen 46, 1-7.28-30)

Deus é o “Eu sou”, o “Eu estou”, o “Eu te acompanho e salvo”,
embora seja noite e a visão só alcance a voz da fé!
Foi assim com Jacob quando desceu ao Egito,
foi assim com Moisés quando conduziu o povo à Terra prometida,
foi assim com Jesus, Cordeiro de Deus, manso e vencedor,
é assim com os cristãos, enviados como cordeiros para o meio de lobos.
Não temos que temer o que vemos e nos atemoriza,
mas confiar Naquele que é, que era e que há-de vir!
O tempo dói quando o inverno sopra e a tempestade balança,
mas a perseverança faz-nos esperar o encontro libertador!

O corpo está presente, como poço insaciável,
mas dificilmente diz “aqui estou!”, quando é chamado.
Está presente na oração, mas ausente no coração,
já que “onde estiver o teu tesouro aí estará o teu coração!”.
Está presente em casa, como hóspede de direitos,
mas ausente de diálogo, de serviço e de partilha.
Está presente na sociedade, como espetador e comentador,
mas ausente de compromisso e de solidariedade.
Mas há por aí uns solitários felizes,
que conseguem estar onde estão, sem ruído,
e sustêm a vida e a paz, com perseverança e confiança,
fazendo a amendoeira florir no inverno inóspito!

Senhor, mais uma vez tomo consciência que Tu estás,
enquanto eu durmo tranquilamente na minha cama!
Como é bom acordar e dizer “aqui estou” Àquele que está,
na ternura da aurora dum nevoeiro que promete sol!
Cristo que permaneces connosco , como Emanuel,
ajuda-me a ter raízes de peregrino, em vez de asas de fugitivo!
Que o teu Espírito nos conduza por caminhos da vida,
com a simplicidade das pombas e a prudência das serpentes,
confiando que “tudo concorre para o bem dos que Te amam!”. 
S. Camilo de Lelis, intercede para que muitos jovens
possam responder “Aqui estou, Senhor, podes contar comigo!”

quinta-feira, julho 13, 2017

 

5ª feira da 14ª semana do Tempo Comum


Eu sou José, o vosso irmão que vendestes para o Egipto. (cf. Gen 44, 18-21.23b-29; 45, 1-5)

Deus é fidelidade e misericórdia.
Por mais que O neguemos como Criador,
por mais que O rejeitemos como Senhor,
por mais que O recusemos como Salvador,
Deus continua a ser o nosso Pai providente,
o nosso Irmão e Cordeiro misericordioso,
o nosso Alento e Fonte de Amor.
José do Egito é uma pálida e surpreendente imagem
de Jesus Cristo, que após ser abandonado na morte da cruz,
volta aos seus, ressuscitado, e lhes dá a sua paz!

A traição e a injustiça contagia-nos com o seu mal.
Assim, facilmente um abusado sexualmente
se torna num abusador-predador sexual.
Um cônjuge traído pelo parceiro se vinga traindo.
Alguém que sofre marginalização ou xenofobia
se torna violento e racista, numa guerra urbana.
Famílias desavindas, embora fisicamente vizinhas,
se tornam distante, chegando a negar os laços de sangue.
Temos que crescer muito em humanidade
para chegarmos à estatura de Jesus ou mesmo de José,
e nunca perdermos a paz, a ternura e a fraternidade!

Senhor, nosso Pai e Criador, 
a nossa paz assenta na tua fidelidade,
porque mesmo que não vivamos como filhos,
Tu continuas a ser nosso Pai e a esperar-nos para a festa.
Senhor, nosso Irmão eternamente gerado,
louvado sejas pela aliança eterna e graciosa,
com que nos tratas e renovas em cada sacramento.
Senhor, Espírito de santidade e de comunhão,
louvado sejas porque habitas nesta barca perdida
e nos ensinas o rumo de ser Filho de Deus,
discípulo de Jesus e enviado a anunciar o Reino de Deus.
Ensina-nos a dar de graça o que recebemos de graça!

quarta-feira, julho 12, 2017

 

4ª feira da 14ª semana do tempo Comum


Estamos a pagar o que fizemos ao nosso irmão. (cf. Gen 41, 55-57; 42, 5-7a.17-24a)

Deus não quer que ninguém se perca,
por isso, é misericordioso, clemente e compassivo.
A vida de Deus é uma missão redentora
que tem a fidelidade da eternidade e a paciência do tempo.
José, vendido pelos irmãos e protegido por Deus,
distribui o pão da vida e a festa do perdão,
àqueles que ficaram indiferentes às suas súplicas de piedade.
É uma imagem do Filho de Deus, desprezado e perseguido,
que dá a vida por aqueles que o matam
e envia os seus discípulos a continuar a sua Missão redentora.

Entretidos com Hoje, esquecemos a solidariedade de gerações.
Exploramos ao máximo os recursos naturais hoje,
levando os nossos irmãos do futuro a pagar o que fizemos ao planeta.
As alterações climáticas, os fenómenos meteorológicos destruidores,
a desertificação, a poluição dos solos e dos oceanos e o aquecimento global,
são apenas algumas das consequências da ambição descontrolada.
A exploração ideológica e consumista dos mais frágeis,
entre eles as crianças e os jovens, comprometem o futuro,
a ética, o discernimento, o bem comum e a esperança.
A descaraterização da família, a dependência do consumo,
a liberalização da sexualidade, das drogas, do aborto e da eutanásia, 
a virtualização das relações, são apenas alguns dos sintomas 
de uma sociedade doente e inconsciente do que faz com o irmão.
A generalização da guerra e da violência, os muros levantados,
os afogamentos em desespero à procura de uma terra com esperança
e o aprofundamento do fosso estrutural entre os mais ricos e os miseráveis... 
são mais uns tantos sinais da indiferença em que nos sentimos confortados.

Senhor, se não fosses a Bondade que nos sustém,
que seria de nós, que seria do nosso planeta, do nosso futuro?
Cristo, que como José do Egito, nos serves o Pão da Vida
e o perdão que reconcilia de forma generosa e fraterna,
ensina-nos a ser misericordiosos e compassivos,
para que demos um sabor novo às relações e à paz.
Espírito Santo, luz de discernimento que nos falas baixinho,
conduz os nossos passos para Cristo e em Cristo,
para que demos o nosso contributo para um mundo melhor.
Faz-nos sensíveis, principalmente com os mais fracos e desprotegidos,
nunca nos aproveitando da nossa posição de força.

terça-feira, julho 11, 2017

 

S. Bento, Abade, Padroeiro da Europa


Da boca do Senhor procedem o saber e a prudência. (cf. Prov 2,1-9)

Deus ensina-nos a sabedoria e a prudência.
A sua boca é uma luz que conduz à paz e ao amor,
preenchendo o sentido que saboreia o bem e o belo.
A sua Palavra é uma mão conselheira que ensina a prudência,
usa a hora certa para falar e agir,
tem travão e acelerador no volante das relações.
Une a sabedoria à santidade, a autoridade à humildade,
o silêncio à escuta, o trabalho à contemplação,
a vida comunitária à alegria de estar só acompanhado....
Foi esta a descoberta de Bento de Núrcia,
criando oásis de louvor e de renovação, segundo a sabedoria de Deus.

O grande desafio, hoje, é ligar o saber à prudência,
a ciência à ética, a inteligência à razão e ao coração.
Mete medo ver pessoas imprudentes com muito poder,
com muito saber, que se apoderaram da árvore da vida.
Feitos à imagem e semelhança de Deus,
somos aventureiros que decifram os mistérios da vida.
Assim, a investigação científica pode tornar-se 
um meio para curar doenças ou para as provocar,
para salvar o mundo ou para o destruir,
para combater a pobreza ou para a aumentar.
A ciência sem valores e sem a prudência da caridade
é uma caixa de pandora nas mãos de uma criança incauta!

Senhor, Palavra que nos espera na eternidade do tempo,
ensina-nos a sentar ajoelhados à escuta da sabedoria,
que nos traz a paz, ilumina o caminho, 
e semeia o amor no deserto da cidade em reboliço.
Cristo, Mestre do encontro, que nos convidas à tua mesa
a saborear a vida na simplicidade da verdade,
liberta-nos do anseio de devorar que nos obesa.
Espírito de sabedoria e de prudência,
liberta-nos dos critérios do interesse egoísta,
e guia os nossos passos na paz e na ética da santidade.
S. Bento, Mestre do equilíbrio de vida,
ensina-nos a fugir da voragem da vida que estonteia,
para sermos fermento de vida renovada e alternativa.

segunda-feira, julho 10, 2017

 

2ª feira da 14ª semana do Tempo Comum


Quando Jacob despertou do sono, disse: «Realmente o Senhor está neste lugar e eu não o sabia». (Cf. Gen 28,10-22a)

Deus revela-se no sonho da esperança,
como casa de Deus e escada do Céu,
que fala aliança e promete fidelidade.
Jacob fez a experiência da surpresa de Deus-connosco
que se revela no seu caminho 
e dá continuidade à história de salvação.
O Filho de Deus desceu à Terra pela escada do sim de Maria e José
e revela-se habitação de Deus que caminha connosco,
cura as hemorragias que nos adoecem 
e ressuscita os filhos adormecidos na ansiedade de vencer.
A escada já não é um lugar, mas uma Pessoa: Jesus!

Há lugares que nos fazem sonhar com Deus:
um santuário, um mosteiro, uma capela do Santíssimo,
uma imagem de Maria ou de um santo da nossa devoção...
Há pessoas que nos fazem sonhar com Deus:
uma fé que fala pela vida de santidade e de paz,
uma entrega gratuita ao amor que serve sem medida,
uma escuta que acolhe e dá esperança,
um olhar que cria reconciliação e lança pontes...
São alguns do sinais da presença de Deus
nas linhas tortas da nossa vida e no ruído parabólico,
apaziguado por analgésicos ou drogas de evasão.
A falta de fé transforma muitos sonhos em pesadelos!

Senhor, Céu aberto que nos esperas com fidelidade,
completa em nós a obra que começaste e o projeto que sonhaste!
Cristo, Caminho e Porta da Fonte do Amor,
obrigado por tanto dom sem publicidade,
pela vida que semeias e alimentas de paz,
pela misericórdia com que curas as nossas hemorragias,
pelas ressurreições que nos retiram do sono do vazio!
Espírito Santo, faz de nós morada  do Altíssimo
e pedras vivas do Templo de Cristo,
para que nos tornemos luas que refletem a imagem de Deus,
presente durante a noite da fé e do pecado!

domingo, julho 09, 2017

 

14º Domingo do Tempo Comum


Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente. (cf. Zac 9,9-10)

O Todo-poderoso vem ao nosso encontro,
com a doçura da misericórdia e a ternura da mansidão.
Aproxima-se humilde, sentado num jumentinho da Galileia,
combatendo o egoísmo e a desesperança com a arma da palavra,
animando uma vida nova com a luz suave do seu Espírito.
Ó como é simples é seu Evangelho, como é leve a sua liturgia,
como é radical o seu seguimento, como é belo o seu abraço!
Vem ao nosso encontro para nos colocar a ir ao seu encontro
na pessoa do irmão que precisa de mim,
da criatura que necessita de paz, na solidão que anseia por amor.
Que surpresa de Rei quando nos habituámos aos fanfarrões
que só ameaçam, agridem, condenam e humilham!

O poder, hoje, tem escala global, corpo em rede,
ambição universal, cabeça sem rosto, tentáculos sem número.
Ao nível de estados, o poder intimida pela força das armas,
pelos contratos ou cortes de relações económicas,
pelas muralhas de defesa e de ataque, alianças de bloqueio,
guerras informáticas, crivos alfandegários...
Ao nível empresarial, o poder usa as armas do marketing,
explora os mercados de trabalho barato e injusto,
alarga os mercados de venda, combatendo a concorrência.
Nesta lógica de poder, os fins justificam os meios,
baseados no medo e na mentira, embrulhada de verdade redentora.
O perigo é quando a Igreja entra nesta lógica
e renuncia a acreditar no Espírito de Jesus que a anima!

Senhor, manso e humilde de coração,
que vens ao nosso encontro como fonte de vida,
abre-nos à verdade simples e eterna que se esconde no quotidiano.
Envia-nos o teu Espírito e ajuda-nos a ver os sinais do Reino de Paz,
que sussurram no mais profundo da nossa consciência,
quando o silêncio dá lugar à escuta e o coração fica livre para amar.
Neste tempo de férias que abranda o ritmo,
dá-nos o dom do encontro, a graça da contemplação,
o descanso da ansiedade, a pacificação das tormentas rancorosas.

sábado, julho 08, 2017

 

Sábado da 13ª semana do tempo Comum


Quem és tu, meu filho? (cf. Gen 27,1-5.15-29)

A astúcia de Rebeca troca o primogénito pelo predileto.
Aproveita a cegueira de Isaac, para roubar a bênção de Isaú
para o seu filho mais novo, Jacob.
Esta narrativa não é um manual de más práticas,
mas o retrato de uma história de faz-de-conta
que vamos construindo, aproveitando-nos das fraquezas do outro.
A Deus ninguém engana, pois nos conhece o íntimo,
mas para que a verdade se revele por detrás do disfarce,
pergunta a cada um de nós: “Quem és tu, meu filho?”
A nossa oração é uma resposta a esta pergunta fundamental.
Jesus respondeu na cruz: “Eu sou Tu, no amor permaneço!”

A vida tornou-se uma arte de representar, de disfarce.
A mentira subiu ao pódio como instrumento de sobrevivência,
que já não nos rubra a pele nem nos envergonha a honra.
A maquilhagem, o culto do corpo, a cirurgia plástica,
a desculpa esfarrapada, a camuflagem, a decoração...
são alguns dos sintomas de uma forma de viver sem verdade.
O mais grave é que transportarmos esta forma de estar
para as relações familiares e para a espiritualidade.
Muitas vezes a confissão é uma tentativa de justificar,
de esconder, de passa-culpas, de auto-elogio.
Hoje o Senhor também nos pergunta: “Quem és tu, meu filho?”

Senhor, Tu sabes quem eu sou, uma manta de retalhos,
que Tu consertas e embelezas, para, sem mérito, agasalhar.
Louvado sejas pela arte com que governas a história,
sem desânimos nem desistências, perante a mentira e o engano,
levando em frente o teu projeto, apesar dos sepulcros caiados.
Cristo, Verdadeiro Filho e imagem do Pai,
obrigado porque confias em nós, pecadores,
e Te apresentas como Noivo desta Igreja,
entregando nestas mãos indignas os dons da tua graça.
Espírito Santo, Hóspede da verdade, que nos iluminas o caminho,
dá-nos discernimento e força para jejuarmos da mentira 
e sermos fieis na verdade e no amor que não tem limites.

sexta-feira, julho 07, 2017

 

6ª feira da 13ª semana do Tempo Comum


O Senhor, Deus do Céu, falou-me e fez-me o seguinte juramento: ‘Darei esta terra aos teus descendentes’. (cf. Gen 23, 1-4.19; 24, 1-8.62-67)

Abraão chega à sua velhice confiante na promessa.
Tinha recebido apenas Isaac como filho da promessa,
e esperava a possa da terra que habitava como migrante.
Para sepultar a sua esposa Sara, teve que comprar um túmulo!
Mas mesmo assim, Abraão continua confiante no Deus do Céu.
Assegura que Isaac, continuará nessa terra
para que se cumpra a promessa, quando Deus quiser!
Rebeca, a noiva de Isaac, é um dom de Deus, 
que anima Isaac a permanecer nessa terra com esperança.
Somos pessoas únicas e imprescindíveis na história,
mas a história não acaba connosco, é um rio de muitas gotas de água!

A urgência do instante retirou-nos o horizonte da história,
que continua, numa dinâmica sustentável e corporativa.
Somos parágrafos de um grande e surpreendente livro da vida
e não livros fechados numa prateleira sem nexo.
Esta falta de sentido sustentável da história 
explora os recursos naturais sem olhar ao equilíbrio ecológico,
agarra-se ao poder e ao emprego adquirido,
sem pensar no futuro dos mais jovens desempregados e precarizados!
O partidarismo eleitoralista governa a pequeno prazo
e impede consensos estruturais a médio e longo prazo.
Na base disto está a perda do sentido de fé, esperança e caridade!

Senhor, Pai da história e meta da eternidade,
liberta-nos da miopia individualista e fechada,
que impede o diálogo de gerações e a sustentabilidade do bem comum.
Cristo, que vens como médico curar o que está doente
e recuperar o que está perdido,
ajuda-nos continuar a tua missão redentora
e a não sermos células anárquicas e cancerígenas
que estragam a alegria e a esperança da festa para todos.
Espírito Santo, dom da sabedoria, 
que nos despertas para a beleza de cada instante
e nos alargas os horizontes à fraternidade universal,
ajuda-nos a cumprir a nossa vocação com fidelidade!

quinta-feira, julho 06, 2017

 

5ª feira da 13ª semana do Tempo Comum – S. Maria Goretti


«Deus providenciará o cordeiro para o holocausto, meu filho». (cf. Gen 22,1-19)

Abraão é posto à prova por Deus: seria ele capaz de O amar 
sobre todas as coisas, mais do que ao seu filho?
Abraão, homem de fé e servo fiel ao seu Senhor,
parte para o monte “O Senhor providenciará!”
E Deus providenciou um carneiro para ser sacrificado
em vez de Isaac e de Abraão, 
pois oferecer o seu filho é oferecer-se a si mesmo, 
pois o seu filho era o único que tinha da promessa tão desejada.
A encarnação do Filho de Deus e a sua oferta no Monte Calvário,
é o Cordeiro que Deus providenciou, no qual o Pai se sacrificou,
oferecendo o seu Filho para salvar os seus cordeiros!
Jesus não vai enganado para a cruz, como Isaac,
Ele quer provar que o amor não morre e a sua aliança é eterna!

A fé na providência de Deus oscila entre a passividade esmoleira
e angústia do amanhã que reza: “o pão da velhice me dai hoje!”
A juventude prolongada vive da providência dos pais
e sonha com um lugar na função pública 
para viver da providência do Estado ou de algum emprego sem trabalho!
Outros prolongam a dependência, suportando a humilhação da esmola.
A falta de fé na providência de Deus e a solidão egoísta,
gera ansiedade, medo do futuro, febre de acumular para si,
fuga da dor, temor do compromisso, dificuldade em confiar.
Talvez por isso, hoje fala-se mais em separação, divórcio, abandono...
do que em fidelidade, perdão, entrega, serviço, sacrifício!

Senhor, Pai nosso, que providenciaste o teu Filho,
como Cordeiro oferecido para a nossa salvação,
louvado sejas pela tua aliança eterna de amor misericordioso.
Cristo, nosso Irmão, que livremente te ofereceste com o Pai,
carregando a cruz dos nossos pecados e abrindo-nos o Céu,
louvado sejas pelo teu Ámen em cada Eucaristia, 
em cada romper da aurora, em cada graça sacramental!
Espírito Santo, providência divina que nos habita,
dá-nos um coração generoso e confiante como o de Abraão,
e cura-nos das nossas paralisias, geradas pelo medo e pelo pecado.
S. Maria Goretti, jovem madura na fé e na oferta de si mesma,
ajuda-nos a prezar a castidade e alimentar a santidade.

quarta-feira, julho 05, 2017

 

4ª feira da 13ª semana do Tempo Comum


Sara notou que o filho dado a Abraão pela egípcia Agar brincava com o seu filho Isaac. (cf. Gen 21,5.8-20)

Deus é Pai de todos, pois a vida é a sua nascente.
As crianças estão para além das fronteiras,
aquém dos preconceitos, livres para brincar juntos.
Ismael e Isaac não distinguem entre escrava e livre,
são simplesmente crianças amigas, filhos de Abraão.
O medo de Sara é que expulsa Agar
e expõe mãe e filho aos perigos do deserto.
Deus suporta os maus humores dos adultos
e protege as crianças, o elo mais fraco.
Por alguma razão Jesus nos diz: 
“se não vos tornardes como as crianças, 
não entrareis no Reino dos Céus!”

Ismael e Isaac são pais de povos irmãos,
numa longa história de vizinhança em conflito.
Judeus e árabes e cristãos consideram-se filhos de Abraão,
mas têm dificuldade de se tratarem como irmãos.
Os medos, as desavenças, as vinganças e os preconceitos
passam-se de geração em geração, não deixando
que as crianças comecem algo novo a brincar à paz.
Há uns demónios que nos tornam violentos
e desfiguram o irmão, matando inocentes!
Enquanto isto, Deus continua a sonhar
com filhos que sejam capazes de viver na mesma casa,
brincar juntos, embora diferentes, cada um com a sua vocação.

Senhor, Pai grande, que a todos nos amas,
ajuda-nos a compreender a fraternidade na diferença,
o diálogo que perscruta a verdade,
a riqueza multicultural que constrói a comunhão.
Liberta-nos das heranças de conflitos e de medos,
para que comecemos capítulos novos da história,
na inocência da criança e no amor da misericórdia.
Senhor Jesus, liberta-nos dos demónios de agressividade 
que dividem, criam muros e alimentam comércio de armas.

terça-feira, julho 04, 2017

 

3ª feira da 13 ª semana do tempo Comum – S. Isabel de Portugal


Entretanto, a mulher de Lot olhou para trás e transformou-se numa estátua de sal. (cf. Gen 19,15-29)

Perante situações de pecado que contaminam a vida sã,
Deus recomenda-nos: “Levanta-te e foge, não olhes para trás”.
É isso que Deus disse a Lot, a Moisés, a Elias...
É isso que Jesus diz ao paralítico e ao pecador:
“Levanta-te, vai e não tornes a pecar!”
O pecado cria dependência e raízes,
por isso, arrasta consigo a saudade, a tentação de voltar a trás!
Santa Isabel é rainha da paz, dos pobres, da fé em Deus,
que tenta impedir que o seu marido e os seus filhos,
voltem para trás e se tornem estátuas de sal destrutivo!

Os mercados vivem da fidelização dos clientes
ou seja, da criação de dependências que turvam a liberdade.
Começa-se cedo na iniciação dos vícios,
para que, uma vez dependentes não sejam capazes de ser livres.
Assim, escuta-se muito: “tenho que deixar de fumar, de beber,
de ficar tempos sem fim na TV e internet, de ir a determinado lugar...”
mas esta-se constantemente a olhar para trás com saudades
e adia-se: “hoje ainda não, vou fazer isso amanhã!”
É assim que a vida se vai arrastando, como estátua de sal,
sem horizontes, sem esperança e sem confiança.
É tempo de abrir um novo capítulo da nossa história,
de começar de novo, de nascer para a liberdade, de mudar de vida!

Senhor, que aceitas dormir tranquilamente na nossa barca,
salva-nos nas tormentas e aumenta a nossa fé durante o medo.
Obrigado porque nos envias o Espírito Santo e o Anjo da Guarda,
para nos avisar e animar a fugir das situações de pecado.
Fortalece a nossa vontade para nos libertarmos das dependências
que nos amarram a liberdade e corrompem a esperança.
Liberta-nos da tentação de voltar a trás,
da saudade do pecado que nos faz sofrer e inferniza a vida,
para que nos tornemos como Isabel, reis e rainhas da paz e do amor.
S. Isabel de Portugal, intercede pela paz no mundo,
para que muitos de nós continuemos a tua missão de reconciliação!

segunda-feira, julho 03, 2017

 

S. Tomé, Apóstolo


Para vos tornardes, no Espírito Santo, morada de Deus. (cf. Ef 2,19-22)

Os apóstolos conduzem-nos a Cristo
e Cristo constitui-nos em Igreja,
por meio do Arquiteto da comunhão, o Espírito Santo.
Como S. Tomé, fora da comunidade não vemos o Senhor,
mas pelo testemunho da comunidade e a misericórdia de Deus,
podemos regressar à comunhão e acreditar em Cristo,
sem ser necessário tocar as suas chagas e meter a mão no seu lado!
Fechado sobre mim mesmo, estou só,
aberto à fé em Cristo e à ação do Espírito, na comunhão da Igreja,
torno-me morada de Deus, pedra viva do Templo do Senhor.

O individualismo configura um cristianismo sem Igreja.
As pessoas vivem uma religiosidade
segundo a instabilidade dos seus desejos,
como se a Igreja e Deus fossem um supermercado religioso
a que recorro apenas quando sinto necessidade.
Como no supermercado, vai-se só, compra-se o que se quer,
rejeita-se o que não se gosta, e paga-se com uma esmola ou uma vela!
São os chamados “cristãos não praticantes”,
onde cada um é o seu sacerdote, a sua lei e a sua ética.
É assim que se é possível ser-se muito religioso individualmente
e um estranho e indiferente ao próximo e ao bem comum!
Seguir a Cristo em Igreja já é difícil, sozinho ainda mais!

Senhor, Criador que nos queres a todos como filhos,
louvado sejas por Jesus e pelo Espírito Santo,
que enviaste para nos integrar a todos na família de divina.
Cristo, Pedra Angular, onde todos nos seguramos
quando queremos renascer de novo e subir à filiação divina,
ensina-nos a alegria de viver em comunhão eclesial,
grandiosa e humilde, mãe e serva, mestra e discípula.
Espírito Santo, Luz que sacralizas o profano,
ajuda-nos a aproveitar o sacramento da Eucaristia,
como mesa da fraternidade e pão da comunhão.
S. Tomé, gémeo na descrença e na fé, onde todos nos revemos,
roga para que sejamos pedras vivas e missionárias da Igreja.

domingo, julho 02, 2017

 

13º Domingo do Tempo Comum


Considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus. (cf. Rom 6,3-4.8.11)

O pecado é uma fuga de Deus, da verdade, da fidelidade,
do amor ao outro, de nós mesmos, da justiça!
Morrer para o pecado é assumir o que se é, mesmo que doa,
carregar a nossa cruz e as nossas limitações,
aprender com Jesus a viver para Deus e para os outros.
Viver para Deus, em Cristo Jesus, 
é deixar-se possuir pelo seu Espírito,
elevar o coração para os valores que permanecem,
sem medo de se entregar, de confiar, de destilar misericórdia.
É aprender a ser hospitalidade da sua Palavra 
e do irmão que se aproxima e precisa de acolhimento.

Estranhamente, hoje há um certo orgulho em pecar:
passa-se a mensagem aos mais novos que fumar e beber
é coisa de gente grande e famosa
e quem o não fizer é menino da mamã, alfacinha de estufa.
“Viver para Deus” também não é compreendido, 
pois considera-se uma fuga da realidade,
um refúgio desnecessário num convento amuralhado, 
no entanto, quando batemos a esta porta, recebe-nos um sorriso!
“Carregar a própria cruz” também é latim incompreensível,
pois quer-se fazer o que ser quer, sem assumir as consequências.
O resultado é tornar-nos uma cruz para outros carregarem, 
seja porque são mais corajosos ou amam mais,
seja porque são obrigados ou a troco de um salário. 

Pai santo, obrigado porque a tua misericórdia nos sustenta,
a tua Palavra nos visita, o teu Filho nos salva.
Cristo, Rocha firme onde nos apoiamos e salvamos,
envia-nos o teu Espírito, Estrela interior que nos guia,
e conduz-nos, seguindo os teus passos e a tua missão.
Ensina-nos a não viver em fuga, mas em entrega,
a não sermos movidos pelo medo, mas pela confiança,
a não nos fecharmos em nós mesmos, mas sermos fonte de amor!

sábado, julho 01, 2017

 

Sábado da 12ª semana do Tempo Comum


Porque se riu Sara, pensando consigo: ‘Irei eu realmente dar à luz, agora que estou velha? (cf. Gen 18,1-15)

Deus não esquece a sua promessa
e no tempo do nada visita-nos com a sua bênção,
e torna o impossível esperança de dom.
Na hora da fé, não podemos olhar para as nossas limitações,
como Sara, que se comisera de si mesma e de Abraão
e se ri, descrente de Deus, como palavra vazia e serôdia!
A Misericórdia não se ri nem humilha o pecador,
mas carrega sobre si as nossas enfermidades
e oferece-se como dom confiante na Cruz, 
enquanto todos abanam a cabeça de coitadinho!

O riso é um sinal de alegria e de felicidade,
mas também uma expressão de nervosismo sarcástico,
de ironia humilhante e descrente, humor ridicularizante.
Perante o agir livre de Deus e da sua paciente misericórdia,
muitos riem-se desta fraqueza de Quem ama sem limites!
Como Deus não mete medo nem se deixa instrumentalizar,
muitos riem-se de quem reza e coloca toda a sua esperança em Deus,
que torna o futuro risonho e o presente um milagre possível.
Nesta sociedade secularizada, somos Sara descrente,
que se ri de si, dos outros e do poder de Deus!

Senhor, Visitador de tendas desesperadas e caducas,
visita-nos com a tua Palavra e toca-nos com a tua mão,
e fecunda a nossa vida com o sol da esperança e a brisa da fé.
Cristo, Enviado do Pai a carregar as nossas misérias,
entra em nossa casa e permanece no nosso coração,
para que o que jaz ressurja e a febre do mal nos deixe.
Espírito Santo, Hóspede divino no silêncio do encontro,
aumenta a nossa fé e ajuda-nos a continuar a rezar e a trabalhar
pelas vocações, pela salvação do mundo, pela joia da esperança.
Ensina-nos a alegria da fé, que combate o riso descrente e maldizente!

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