sábado, junho 30, 2012

 

TOQUES DE AMOR TRANSFORMADOR


Deus nos sonha transformados,
Por suas mãos, modelados,
Até ser realidade
O sonho que Ele acalenta,
Para toda a humanidade.

Com que amor Ele me criou
E docemente tocou,
Quando em minha alma soprou,
E continua a tocar,
Na medida em que eu deixar,
Tendo em vista a obra-prima,
Para pôr no seu altar,
A dar graças e a louvar,
Sabendo que não sou digna!...

Afina, Senhor, afina,
Minha sensibilidade
E livra-me da rotina
Que me impede ser sensível
A todo o toque invisível
Da tua imensa bondade,
No profundo do meu ser,
Tocando e retocando,
Com paciência e amor,
Até mais me parecer
Contigo, Oleiro e Senhor!

Acolhendo cada toque
Que, na fé, é captado,
Leva-me a querer tocar-te,
Como quem se sente amado,
Feliz por retribuir,
Qual botão que ao sol sorri,
Quando, por ele, é beijado,
E, alegremente, exclamar:
-DEUS SEJA SEMPRE LOUVADO!
E, assim, testemunhar-te,
Sem medo, em todo o lado.

TOCA-ME, SENHOR!
MOLDA-ME, SENHOR,
ATÉ, CONTIGO, APRENDER,
COMO SER DOM DE AMOR!

Maria Lina da Silva, fmm
Lisboa, 30.6.2012

 
Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu tecto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. (cf. Mt 8,5-17)

Jesus é a Palavra de Deus criadora e salvadora
traduzida em palavra humana companheira.
Umas vezes sentimo-lo próximo e nos toca a mão,
outras basta ouvir a sua voz e logo se eleva o coração.
Mas é pela fé que com Ele nos relacionamos,
é nele confiando que indignamente o acolhemos.


A falta de fé leva-nos a confiar mais em águas bentas libertadoras,
do que nAquele que abençoa todas as coisas.
A falta de fé tem maior confiança nesta ou naquela imagem
do que Aquele que é a imagem invisível de Deus-Pai
e se torna presente na Eucaristia, na Bíblia proclamada,
nos sacramentos, no irmão que estende a mão.
A falta de fé leva-nos a investir mais em tentar convencer Deus
com sacrifícios, promessas e novenas,
do que entregar-nos confiantes nAquele que tudo pode,
que tudo conhece, tudo ama e quer salvar.


Senhor ao longo da minha vida
já me disseste tantas palavras redentoras
que deixei entrar e sair, sem a acolher e deixar fecundar.
Continua a falar ao coração dos vossos servos
porque sabemos que basta uma só palavra acolhida
para sermos curados e salvos.

sexta-feira, junho 29, 2012

 

Festa dos apóstolos São Pedro e São Paulo

És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu. (cf. Mt 16,13-19)

Celebramos hoje duas colunas da Igreja,
S. Pedro e S. Paulo, apóstolos pela graça de Deus.
Tudo nas suas vidas é um evangelho vivo,
uma boa notícia para todos nós.


Simão Pedro era um pescador, pouco letrado
que sonhava ser um discípulo perfeito e fiel,
mas que a cada momento tropeçava
nas lógicas do sucesso humano
e nas tramas do medo de sofrer.
Paulo é um fariseu letrado numa escola famosa da capital,
zeloso na prática da Lei e na fé ao Deus único,
até ao ponto de se tornar violento e intolerante,
mas a quem Jesus se revela como Luz que cega o orgulho
e faz dum perseguidor um apóstolo 
disposto a dar a vida por Ele.



Pedro é uma boa notícia para os que, 
não sendo muito letrados e naturais das margens do mundo,
têm um coração grande, embora inconstante e pecador,
pois o Senhor na sua graça
até das pedras pode fazer filhos de Abraão.

Paulo é uma boa notícia para aqueles que, 
pensam saber tudo sobre Deus
e entram até em fundamentalismos violentos e intolerantes,
e nas quedas e humilhações da própria fragilidade humana,
Jesus se vai fazendo Luz que os faz ver o mundo
com os Seus olhos maternos e acolhedores.


Senhor Jesus que nos chamaste a ser apóstolos hoje,
salva-nos pela tua graça e cura o nosso pecado,
para que como Pedro e Paulo,
possamos anunciar o Evangelho da misericórdia,
que sentimos na história da nossa vida,
a todos os que Te procuram sem Te conhecerem.

quinta-feira, junho 28, 2012

 
Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor' entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu. (Cf. Mt 7,21-29)

Ser cristão é procurar viver como Cristo,
formando bem a sua consciência moral,
interiorizando valores,
alimentando a sua fé na palavra de Deus e na oração,
levando Cristo para a vida quotidiana.
É assim que se vão formando os alicerces da fé
que poderão resistir às tempestades das provações
e às investidas do caminho fácil, largo e rápido.


É difícil adquirir uma boa base de valores cristãos
numa família onde não há presença de amor conjugal,
nem fé visível, nem integridade moral,
nem solidariedade como o pão de cada dia.
É difícil criar raízes em Cristo 
apenas com uma hora de catequese por semana,
muitas vezes teórica e fundada no entretimento,
e com catequistas que parecem mais professores 
do que testemunhas que partilham a sua fé.
É difícil investir no que não se vê
e ter a paciência e o planos formativos de longo prazo,
quando a cultura atual valoriza o hoje e o facilitismo,
dando a ideia de que o importante é construir a casa,
mesmo que seja sobre a areia da inconstância
e a superficialidade do relativismo.


Senhor Jesus, quantas vezes te chamo "Senhor"
e não te obedeço nem te sigo.
Aumenta em nós a fé e a abundância da tua Palavra,
para que a nossa vida possa dar frutos,
enraizados e alicerçados na luz do Teu Caminho.


quarta-feira, junho 27, 2012

 
"Acautelai-vos dos falsos profetas... pelos seus frutos os conhecereis" (cf. Mt 7,15-20)

Uma coisa é o que somos de facto,
outra é o que pretendemos mostrar que somos.
Nos bastidores do palco da vida,
revelamos o que somos de facto
e muitas vezes, para admiração nossa e dos outros,
damos "frutos" que não condizem nada
com o personagem que representamos.
São os escândalos públicos que vão despontando
ao nível político, social, familiar e religioso.

Jesus diz-nos para nos "acautelarmos",
dos outros, pois as aparências iludem,
mas também de nós mesmos
pois de tanto representar,
acabamos por pensar que basta ser bom artista,
pois é isto que está a dar!

Senhor Jesus, Caminho, Verdade e Vida,
acolhe-nos na escola da verdade
e ajuda-nos a ser santos na humildade
de quem quer crescer na beleza escondida da conversão.

terça-feira, junho 26, 2012

 
«Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele. (cf. Mt 7,6.12-14)

A porta por onde todos entram e saem, sem critério,
deixa de ser porta e passa a ser simples passagem.
O caminho espaçoso, à medida dos meus desejos
e que corre segundo o movimento da grande massa,
é cómodo e segue a moda, mas no final
encontramo-nos com um planeta doente e depredado,
um país endividado e corrupto,
uma família frágil e fragmentada,
uma sociedade sem ética nem valores...


Não se trata de olhar o mundo de forma maniqueísta:
aqui estão os bons e ali estão os maus,
como se bastasse ser batizado para viver como cristão,
ou ter casado na Igreja para ser fiel ao matrimónio
ou ainda ser ordenado sacerdote para ser bom pastor.
Em cada estado de vida e em cada momento
é preciso optar por entrar pela porta estreita da verdade
e pelo caminho apertado do amor e da fidelidade.


Senhor Jesus eu creio que Tu és a Porta estreita
por onde devo entrar em cada segundo da minha vida.
Eu acredito que és O Caminho apertado 
que nos conduz à vida para mim e para todos.
Ajuda-nos a emagrecer o nosso orgulho
e relativismo onde tudo cabe e é possível.
Abre os nossos olhos para saberemos fazer as escolhas certas.
Purifica o nosso coração para persistirmos
no caminho apertado do serviço e do amor à Vida para Todos.


segunda-feira, junho 25, 2012

 
Porque olhas o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua? (cf. Mt 7,1-5)

Estamos constantemente a processar juízos sobre os outros.
Olhamos e tiramos conclusões,
uma vezes condenando-os, outras vezes idealizando-os.
Quase sempre generalizando o que é factual
e confirmando preconceitos que filtram o nosso olhar.

É porque vemos caras e não corações,
aparências e não motivações íntimas,
que Jesus nos pede para não julgar o outro!
Devemos começar por retirar a "trave" que nos turva o olhar
para depois podermos pretender e retirar o argueiro
que incomoda a visão do nosso irmão. 

Senhor Jesus, dá-nos um coração humilde
capaz de admitir e tentar retirar 
as "traves" que nos impedem a conversão.
Liberta-nos da trave do orgulho e do medo 
de admitirmos que não somos perfeitos.
Faz de nós peregrinos da verdade
e cria em nós um espírito novo,
amigo da coerência pessoal e fraterno na relação.

domingo, junho 24, 2012

 

Festa do Nascimento de João Batista

O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se. E foi habitar no deserto até ao dia em que se manifestou a Israel. (cf. Lc 1,57-66.80)

Hoje as crianças crescem mais em altura e largura,
há cada vez mais obesos e jovens que parecem cedros,
mas nem sempre este crescimento físico e intelectual
é acompanhado pela maturidade psicológica
e pela excelência espiritual.
Por isso, se investe tanto na publicidade consumista,
se gasta tanto no passatempo nocturno,
se perdem tantos em dependências ilusórias e auto-destrutivas.

João Batista cresceu como profeta da coerência e da verdade,
no deserto da provação e da simplicidade,
no silêncio do encontro e da escuta de Deus,
na fidelidade a valores e ideais que não secam,
na resistência a miragens ilusórias.
É uma pessoa íntegra, com coluna vertebral
e clareza de missão: preparar a vinda do Messias!
Sente-se chamado desde o seio materno a ser João:
"Deus é graça e misericórdia"!

Senhor, obrigado porque também, desde o seio materno
nos chamastes a colaborar com o Teu projecto.
Ensina-nos, como a João Batista, a voltar ao deserto 
na cidade dos ruídos e das luzes artificiais,
no mundo virtual e da multidão solitária,
no marketing de marioneta e nos sonhos de fadas enganadores.
Ensina-nos a andar no caminho da conversão
e do encontro com o Deus da Vida.

sábado, junho 23, 2012

 

JOÃO BAPTISTA, PRECURSOR DE JESUS


Deus o chamou e abençoou,
Já desde o seio materno,
Para o fazer Profeta
A apontar para Jesus,
Caminho, Verdade e Luz,
De quem ele próprio confessa
Não ser digno de desatar
A correia das sandálias,
Do enviado de Deus,
Que vem a todos salvar
E reunir, num só povo,
Os povos do mundo inteiro,
Ao fazer-nos irmãos seus.

A presença de Jesus,
Fez exultar de alegria
João no ventre da mãe,
Pois quando a Virgem Maria
Visitou Santa Isabel,
ia grávida, também.

Assumiu, cedo, a Missão
De preparar os caminhos
A Jesus que vem trazer
A todos a Salvação.
Disse-se voz do deserto,
Em nome d’Aquele que clama:
A SALVAÇÃO ESTÁ PERTO!...

Com a vida centrada em Deus,
Fez chegar aos corações
A Palavra do Senhor,
Como Luz vinda dos céus,
A iluminar as nações
Que ansiavam ver chegar
O Messias Salvador,
Que a todos vem libertar
Da escravidão do pecado,
Como filho de Deus Amor.

Ensina-me, São João,
A ser digna da Missão
A que o Senhor me chama,
Revelando a toda a gente
O quanto Deus Pai nos ama.
Maria Lina da Silva, fmm – Lisboa, 23.6.2012  

 
«Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.» (cf. Mt 6,24-34)

Jesus chama ao dinheiro um "senhor", 
um ídolo divinizado, não porque o seja de fato, 
mas porque assim o servimos, na realidade.
É porque não confiamos na Divina providência
que nos preocupamos tanto com o amanhã
e colocamos todo a nossa segurança
no dinheiro guardado para o sustento do futuro.
A crise atual gera pânico e medo global
porque perdemos a segurança no amanhã!


Jesus convida-nos a contemplar a natureza
e a perceber que o Pai do céu cuida de nós
com detalhe e com arte, em personalizado amor.
Servir a Deus é procurar primeiro o Reino de Deus
e investir mais na justiça e na fraternidade,
na partilha, na festa e na qualidade das relações,
na doação pelo trabalho e pelo cuidado da criação,
na fé e confiança no Deus da Vida.


Senhor Jesus como é difícil ter um coração virgem,
sem tentações e quedas de servirmos o ídolo "Dinheiro".
Liberta-nos das azias do medo do amanhã
e enche-nos da paz que nasce em saber-nos filhos
dum Deus que é Pai Providente e que jamais falta.

sexta-feira, junho 22, 2012

 
Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. (cf. Mt 6,19-23)

O meu tesouro é tudo aquilo que eu procuro,
guardo e protejo com todas as forças,
no qual coloco toda a minha esperança,
que me tira o sono e me dá alegria,
e quando o perco caio no desespero e depressão.
É o amor da minha vida 
que sobreponho a todos os outros amores.
É por isso que Jesus nos alerta 
para as escolhas, conscientes ou não, que fazemos.


Um solteiro cujo objetivo é ter emprego, casa, carro...
deixa o casamento e o ter filhos para segundo ou terceiro plano. 
Uma pessoa casada, cujo objetivo é a realização pessoal,
facilmente valoriza mais o trabalho e as relações sociais,
do que a família e o tempo gratuito a cultivar carinho.
Um consagrado que seja consumo-dependente,
dificilmente poderá ser fiel ao voto de pobreza.
Um cristão que não ame verdadeiramente Jesus,
jamais se poderá concentrar em Deus
e orar sem se distrair e ausentar para o "seu tesouro".


Senhor Jesus ajuda-nos a concentrar todo o nosso coração,
em tesouros que permaneçam para sempre
e pelos quais valha a pena dar a vida.
Liberta-nos dos falsos ídolos que nos ofuscam o olhar
e desumanizam as relações e a qualidade de vida.

quinta-feira, junho 21, 2012

 
Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos. (cf. Mt 6,7-15)

"Saber rezar" não é o mesmo que "saber orações de cor".
Ser atendido não depende das vezes que repetimos o pedido,
nem das palavras "mágicas" e "certas" que temos que dizer.
Rezar muito não é ter assunto para muito tempo,
nem uma simples repetição de "Pai-nossos" e "Ave-Marias".
Deus não precisa que o informemos das nossas necessidades,
pois Ele bem as conhece e sabe como geme o nosso coração.


Jesus ensina-nos a rezar como Ele,
numa atitude de Fé, confiança e amor filial,
a um Deus que é o nosso querido papá,
a quem reconhecemos e agradecemos
toda a bondade e grandeza eterna.
Por isso, queremos ser como Ele e que Ele reine em nós,
fazendo a sua vontade e manifestando em nós a sua santidade.
Orar é colocar-nos em relação com Deus Trindade
e sentir todo o mundo e cada pessoa um irmão,
pedindo por nós e por todos,
o pão de cada dia, pois Deus nunca falta,
o perdão e a capacidade de perdoar,
a força e o discernimento para vencer a tentação
e a proteção contra o mal.


Senhor nosso Pai querido,
Jesus nosso Irmão Maior e salvador,
Espírito de santidade e de comunhão
como é bom saber que o vosso perfume nos inunda
e a vossa luz nos aquece e faz caminhar como irmãos.
Nós confiamos em Vós.
Obrigado por nos amas tanto
e nos queres ajudar a abrir à beleza e à grandeza do Céu
e à missão de fazer a Terra respirar fraternidade.

quarta-feira, junho 20, 2012

 
O teu Pai, que vê no oculto, há-de recompensar-te. (cf. Mt 6,1-6.16-18)

As redes sociais vivem da necessidade de mostrar-se,
partilhar intimidades, fazer amigos, encontro de solidões.
Há formas de monitorizar visitas, os "gosto" e as "partilhas".
Tudo isto pode reforçar "uma vida para que outros vejam".
Este é o grande perigo e a grande oportunidade das redes sociais!
Tudo depende do que eu faço no oculto,
que só eu e Deus conhecemos,
e da coerência entre o publicitado e o ocultado.


Jesus manda-nos rezar ao Deus escondido,
no secreto quarto da nossa intimidade,
num ambiente de fé e de amor filial.
Jesus pede-nos que jejuemos para Deus,
num esforço de libertação de nós mesmos
e de solidariedade com os irmãos mais necessitados.
Jesus exorta-nos a darmos esmola sem trombeta,
a sermos solidários sem publicidade,
pois devemos parecer-nos com Deus
que nos dá tudo sem nos apercebermos. 


Jesus, amigo escondido por amor,
ajuda-nos a ser puros, santos e verdadeiros no oculto,
para que o que partilhamos 
seja apenas um aperitivo do que vivemos realmente.

terça-feira, junho 19, 2012

 
«Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. (cf Mt 5,43-48)

O caminho que Jesus nos propõe é imitar Deus
que manda o sol e a chuva para todos,
sem divisão nem exclusão entre bons e maus.
Amar divinamente não é um negócio de afetos,
cuja paixão se alimenta de recompensas.


Amar é viver como filho dum Pai grande
que nos amou primeiro e que nos ama eternamente.
Amar é "contra trancas e barrancas",
mesmo sofrendo perseguições e traições,
querer salvar o outro e rezar por ele.
Amar é aprender a viver como Jesus,
o Filho perfeito do Pai grande em misericórdia.
Amar é abandonar o papel de vítima
e redescobrir em nós uma nascente, 
fogo inextinguível de bem-querer.
Amar é acreditar que só quem ama é forte
e só o amor salva da violência e da maldade empedernida.


Senhor Jesus que nos chamas a ser coração,
ensina-nos o difícil caminho do amor e da misericórdia,
e guia-nos com o Teu Espírito que acalma o mar
e faz brotar vida generosa no deserto do ódio.

segunda-feira, junho 18, 2012

 
«Ouvistes o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, digo-vos: Não oponhais resistência ao mau. (cf- Mt 5,38-42)

Perante uma reacção de violência desordenada,
a vingança retribuitiva foi já um grande avanço.
Quando uma pessoa, família ou país se sente ofendido,
a tendência é querer mostrar ao ofensor
que é mais forte que ele e tentar meter-lhe medo
com uma vingança que lhe sirva de emenda.
Com isto gera-se um ciclo de violência 
desumana e destruidora. 
A justiça civil tenta colocar em prática
o espírito da lei do "dente por dente", criando regras comuns, 
aplicadas não pelo próprio, mas por juízes,
e cuja pena não é a retribuição do mesmo ato,
mas com penas de prisão e coimas em dinheiro ou trabalho.


Jesus inaugura um novo espírito,
fundado no amor pro-ativo e na não violência:
amar em todas circunstâncias,
mesmo quando é perseguido injustamente!
Mostrar afabilidade perante o mau,
de forma que nada possa revelar em nós,
um turbilhão de violência escondida,
nem um baú de vingança irada,
nem um arsenal de guerra preparado 
para casos de vingança de honra ou de sangue!
Só assim o ciclo auto-sustentado de violência e de ódio
se pode estancar e transformar em gerador de vida e de paz!


Senhor, que na cruz nos mostras-te como funciona a nova lei,
ensina-nos o segredo do amor sem condições e sem limites.
e faz-nos obreiros da paz e da justiça, fundada no amor.


  

domingo, junho 17, 2012

 

11º Domingo do Tempo Comum

O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. (Mc 4,26-34)

Tudo o que é grande começa pequenino,
o que é importante é acreditar nele e investir nele, 
semeando e cuidando pacientemente.
É assim com as sementes que se lançam à terra,
é assim com a conceção de uma criança,
é assim com os grandes sonhos e projetos,
é assim a evangelização e a partilha da Palavra de Deus.


O grande erro dos nossos tempos
é pensar que tudo tem que ser rapidamente maduro.
Por isso, começaram a aparecer:
as plantas prontas a plantar e a logo darem fruto,
as aves criadas em aviários à pressa,
as comidas prontas a comer e vendidas ao quilo,
as casas pré-fabricadas,
a roupa com tamanhos e modelos standard já fabricadas...
Os bancos aproveitaram esta onda
e, no tempo da abundância, lançaram créditos
que criaram a ilusão ao que começava a vida
de que era possível ter logo tudo e pagar em suaves prestações.
Perdeu-se a sabedoria do saborear o processo,
de investir com esperança na preparação do futuro,
de saber esperar que as coisas se desenvolvam naturalmente.


Senhor Jesus que chegaste pequenino,
demoraste 30 anos a crescer e amadurecer Messias
e que, em três anos, semeaste com esperança a Palavra da Vida
juntos dos pobres, dos doentes, dos publicanos, das prostitutas...
ensina-nos a sabedoria do semeador paciente e confiante
e ajuda-nos a acreditar que neste mundo que parece terra estéril
a Tua Palavra pode germinar, crescer e dar fruto a seu tempo. 

sábado, junho 16, 2012

 

Imaculado Coração de Maria

Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. (cf. Lc 2,41-51)

Estamos no mês dos sagrados corações.
Ontem celebrámos o coração aberto de Jesus,
hoje celebramos o coração imaculado de Maria.


Todos nós guardamos coisas no coração:
pessoas que nos fazem bem ou mal,
acontecimentos que nos encheram o coração de alegria
ou o esvaziaram de confiança e de sentido;
o brilho nos olhos, fruto de gestos e atitudes,
ou as lágrimas sangradas de desespero e de raiva.
Às vezes o coração fica cego perante Deus
e chegamos a colocar em causa o Seu espaço no nosso coração.


Maria foi surpreendida pela graça de Deus,
nem sempre entendeu logo o alcance dos acontecimentos,
mas em vez de se esconder com medo, como Eva,
aguarda confiante o tempo de Deus,
sem julgar antecipadamente.
Não entende tudo sobre a forma de Jesus ser Messias,
mas guarda no seu coração até que Deus faça a pontuação.
Chora a morte inocente do seu Filho querido,
mas guarda-O no seu coração, esperando na sua palavra de Vida.
Permanece no meio da Igreja nascente
ensinando-a a esperar a hora de Deus,
em ambiente de oração, comunhão e esperança.
Maria tem um coração acolhedor e aberto
ao Deus das surpresas que vai escrevendo direito,
nas linhas tortas da nossa história e das nossas relações.


Maria do coração puro e confiante,
nascente de amor fiel, água viva da esperança,
ensina-nos a ecologia dum coração imaculado
e livra-nos a poluição do medo, da vingança, do desespero,
do narcisismo e desejo desumano.

sexta-feira, junho 15, 2012

 

AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


Coração Sagrado,
De Deus humanado,
Ardendo de amor,
Em Jesus salvador
Do fraco e do pecador,
Faz-me ser e agir,
Contemplando sempre
O teu Coração,
Aberto ao perdão,
Que me ensina a amar
Sem pôr condição,
Seja ao crente ou não,
Pois Tu,
me fizeste
Ver em cada rosto
Um rosto/irmão.

Aberto, na Cruz,
Ó doce Jesus,
Te deste até ao fim,
E pronto ficaste,
A acolher-me a mim,
Como protecção
E morada santa,
Onde aprendo a amar
E a perdoar,
Porque a carne é fraca,
Vendo em Ti o Oleiro,
Que conserta o vaso
E o faz, de novo,
Melhor que o primeiro.

Te louvo, Jesus,
Por teu coração,
Pronto a acolher
Quem te reconheça
Seu Deus e Senhor,
Que a todos ensina
QUE, AMAR, É VIVER!

Maria Lina da Silva, fmm
Lisboa, 15.6.2012

 

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Um dos soldados traspassou-lhe o peito com uma lança e logo brotou sangue e água. (cf. Jo 19,31-37)

As relações humanas têm momentos bons e menos bons.
Quando alguém é rejeitado ou injustamente condenado,
normalmente fecha-se amargurado e ressentido,
desconfiando de tudo o que é amor,
com medo de ser traído e sangrando de raiva.


Jesus foi traído pelos que escolheu como discípulos,
perseguido por aqueles que queria salvar,
abandonado pela multidão que O tinha aclamado rei,
condenado como um malfeitor,
Ele que passou a vida fazendo o bem.
Apesar de tudo, morreu com sede de amor,
orando confiante ao Pai na noite da sua solidão,
suplicando perdão para os que o matavam.
E quando o soldado abriu o seu coração com a lança,
encontrou uma fonte de vida
que continua a jorrar para todos os que nele crêem.


Jesus, coração aberto ao amor, sempre e até ao fim,
liberta-nos da raiva, do ressentimento e da vingança,
da exclusão, marginalização e indiferença,
e abre-nos ao amor constante e fiel,
fecundo e pacífico, 
tenda de encontro entre Deus e a humanidade, 
entre nós e toda a criação.

quinta-feira, junho 14, 2012

 
«Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu.» (Cf. Mt 5,20-26)

O sistema de justiça pode ser usado com dois fins:
apoiar-se nas leis para julgar se alguém é ou não culpado;
utilizar as possibilidades que a lei deixa 
para impedir que um culpado seja condenado.
Há mesmo advogados que se especializam 
em estudar formas de fuga à justiça
e grupos de pressão para que as leis tenham 
estas brechas de escape para o culpado.
Por outro lado, há inocentes
que são condenados em nome da letra da Lei.


Jesus chama-nos a viver outra justiça.
Matar não é apenas tirar, de vez, a vida do outro.
Eu posso matar alguém atingindo-o no seu bom nome,
ferindo-o com palavras e juízos temerários,
matando a sua auto-estima com violência física e psicológica,
enterrando-o vivo pelo silêncio e indiferença,
fazendo da vida de relação com o outro,
a antecâmara do inferno!


Senhor Jesus, alimenta as nossas relações humanas
com a sensibilidade pelo bem do outro,
a coragem do perdão que refaz os cacos da relação,
a caridade e a verdade como companheiras da justiça.

quarta-feira, junho 13, 2012

 

Festa de S. António

Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há de salgar? (cf. Mt 5,13-19)

Jesus manda-nos ser sal da terra
que dê sabor ao mundo, com peso e medida,
e que o conserve são, com doação em abundância. 
Se o cristão se corromper, como poderá temperar e curar?
Se o batizado for igual a todos, clone fiel da sua cultura,
como poderá fazer a diferença profética
e contribuir para a construção dum mundo redimido por Deus?


S. António é um sal que ainda continua a salgar!
Era "filho-de-algo" e, por Cristo, quis ser mendigo de todos.
Era doutor em teologia, mas simples e claro na pregação ao povo.
Sabia a Bíblia de cor e praticava-a com coerência.
Quis evangelizar os mouros e ser mártir em África 
e o Senhor fê-lo missionário em Itália e França.
Combateu o erro e a mentira, sem nunca perseguir o pecador.
Gastou a vida com tal intensidade 
que poucos anos bastaram para a todos salgar e purificar.
Agora não é de Lisboa nem de Pádua,
é de Deus e, por isso, é de todos nós,
com inspirador e intercessor de bondade,
de fidelidade e missão profética no mundo de hoje.


Senhor Jesus, ensina-nos a ser "antónios" hoje, 
fecundados pela Palavra de Deus
e libertos para te servir até ao fim.


terça-feira, junho 12, 2012

 
Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu. (cf. Mt 5,13-16)

Todos queremos brilhar diante de todos,
não tanto para glorificar a Deus,
mas para nós próprios sermos glorificados.
A pior sensação é sentir que "se esqueceram de mim".
Há, por isso, em todos um desejo oculto de brilhar,
nem que seja pelo brilho das trevas e do "nariz empinado".
Sim, porque também há anjos vestidos de luz que enganam!


Jesus manda-nos brilhar como luz DO mundo,
não com palavras e malabarismos espirituais,
mas com um modo de ser e estar no mundo,
que "fale" do "Homem Novo" que é Cristo
e aponte ao mundo um caminho alternativo
para viver feliz, solidário, justo e em paz,
e no coração a ternura dum amor divino.


Senhor Jesus, Vós que sois a Luz do Mundo,
incendeia a nossa vida de trevas,
e abre-nos à beleza de sermos generosos e autênticos
dispensores de luz de sentido e de vida nova em Deus.

segunda-feira, junho 11, 2012

 

S. Barnabé

Recebestes de graça, dai de graça. (Mc 10,7-13)

Celebramos hoje S. Barnabé, judeu natural de Chipre.
Colaborou com os apóstolos em Jerusalém 
e vendeu um terreno para dar o dinheiro aos pobres.
Era chamado "Filho da consolação".
Acolheu Paulo, após a sua conversão,
fez a ponte com a nova Igreja de Antioquia
e com Paulo integrou a primeira missão entre os não judeus.


É um homem livre em Cristo,
para consolar e anunciar, para vender e doar,
para unir e acolher o novo que brota do Espírito de Deus.
Recebeu de graça e deu-se de graça!


Senhor, neste mundo do salve-se quem puder,
ajuda-nos a ser "Barnabés", 
filhos da consolação e da libertação,
pontes de união e de comunhão,
instrumentos dóceis da ação do Espírito Santo.

domingo, junho 10, 2012

 

10º Domingo do Tempo Comum

Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode perdurar; e se uma família se dividir contra si mesma, essa família não pode subsistir. (cf. Mc 3,20-35)

Um país dividido é um país potencialmente falido.
O diálogo entre pensares diversos 
que se unem para encontrar juntos uma solução comum,
é a democracia dinâmica e operativa
que não se perde em jogos de poder partidário,
nem de interesses pessoais ou corporativos.
Quando cada um se quer salvar sozinho 
e não se une aos outros, para todos salvarem o barco comum,
o barco acaba por naufragar, 
com o sentimento de que este é o nosso fado.


Se a família não investe no diálogo e no amor mútuo
e não aproveita a riqueza da complementaridade
para construir um lar forte, jardim de alegria,
então a família não pode subsistir.
Investir em leis de facilitação de divórcio
ou de uniões frágeis e descomprometidas,
não contribui em nada para criar um espírito de comunhão.
É de novo o fado da inevitabilidade!


Senhor, que queres construir uma grande família humana
inclusiva e universal, fraterna e dignificadora,
ajuda-nos a caminhar na união e na procura do bem comum
e a aprender o difícil caminho do diálogo
que procura a verdade e o bem estar de todos.


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