sexta-feira, novembro 30, 2012

 

Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.(cf. Mt 4,18-22)

O ser humano é todo ele vocação:
fomos chamados à vida pelo Criador,
fomos chamados à santidade pelo Espírito da graça,
fomos chamados à filiação divina pelo Filho de Deus,
fomos chamados ao matrimónio
pelo Deus do amor e da fecundidade,
fomos chamados à Missão evangelizadora
pelo Primeiro Missionário do Pai
que vê, confia, chama e envia a continuar a Missão de Deus,
fomos chamados à consagração de vida
por Aquele que sendo rico se fez pobre,
que sendo Senhor se fez servo obediente,
que sendo Amante por identidade, declarou amor a todos.

Passar a vida sem escutar o chamamento do Mais
é minguar no tempo em horizontes de sentido,
e perder a oportunidade de colaborar com Deus
no Seu projeto criador, renovador e divinizador da humanidade.

Senhor, obrigado pelo chamamento de André e de Pedro.
Obrigado pela multiplicidade de chamamentos
que continuas a confiar-nos.
Obrigado porque me chamaste, a mim, a ser mais,
diminuindo-me em gorduras de poder e seguranças passageiras.
Ajuda-nos a dizer sim com radicalidade e determinação,
a deixar tudo para Te seguirmos realmente.

quinta-feira, novembro 29, 2012

 

Então, hão-de ver o Filho do Homem vir numa nuvem com grande poder e glória. (cf. Lc 21,20-28)

As nuvens escuras impedem-nos de ver o sol de brilhar,
no entanto, ele está lá, com a mesma intensidade e calor.
A sabedoria da vida e a confiança na harmonia da natureza
fazem compreender que há outono e primavera,
inverno e verão, frio e calor, chuva e sol.
A nossa história pessoal de fé
e a história de salvação do povo de Deus,
relatada na bíblia e concretizada na história da Igreja,
mostra que Deus está presente na vida e nela atua,
mesmo quando não nos apercebemos
ou parece que está a dormir no barco em tormenta.

Só a fé nos faz ver o Invisível
e confiar nAquele que selou connosco
uma aliança eterna, para além das nuvens do pecado.

Senhor Jesus, obrigado porque estás ao nosso lado
e nos amas com amor livre e libertador.
Obrigado porque, quando a dúvida nos cega
e o egoísmo nos distrai e absorve,
Tu esperas paciente e ativamente
que voltemos e abramos o nosso coração à Verdade.
Nestes tempos de crise e turbulência,
abre os olhos do nosso coração
à esperança e à conversão de vida.

quarta-feira, novembro 28, 2012

 

Assim, tereis ocasião de dar testemunho. (cf. Lc 21,12-19)

Dar testemunho de Jesus Cristo
supõe encontro jubiloso, adesão livre e seguimento fiel,
que crie a diferença e seja válido em todas as situações.

Há países em que a prática da fé gera nos outros
medo e perseguição violenta pelas armas e pelas leis.
Há outros, que em nome da modernidade e da liberdade,
pretendem anular a força renovadora do cristianismo,
ridicularizando e acusando de conservadoras e antiquadas
as práticas religiosas e os valores éticos da Igreja.
O resultado tem sido que algumas posições
geradoras de morte, de injustiça e de enfraquecimento da família,
ganharam foros de cidadania pública
e a religião cristã recuou para o domínio da privacidade,
do relativismo prático e das catacumbas da piedade.

Senhor Jesus, Testemunha fiel da Verdade de Deus,
ajuda-nos a ser constantes e convictos
no testemunho da Tua Boa Nova redentora
para o mundo de hoje que anseia pelo infinito.
Liberta-nos do medo de sermos diferentes,
que abafa a alegria de acreditar no Evangelho,
e nos torna camaleões, especialistas em camuflagem.
Aumenta em nós a fé e a paixão por Te seguir
neste tempo em que somos chamados a fazer parte
do grupo que promove uma nova evangelização,
se medo nem fundamentalismos militantes.

terça-feira, novembro 27, 2012

 

Virá o dia em que, de tudo isto que estais a contemplar, não ficará pedra sobre pedra.(cf. Lc 21,4-11)

Nada do que construímos é eterno,
a não ser aquilo que o próprio Deus constrói em nós,
com a areia do nosso serviço humilde,
o ferro da nossa fé frágil,
a água da graça que jorra de Cristo
e o cimento do amor que tudo une e fortifica.

As casas, os impérios, os projetos de realização pessoal
são apenas meios para provarmos a nossa fidelidade a Deus.
Quando paramos no caminho
e nos entronizamos nas obras grandiosas que realizámos,
o orgulho cega-nos o entendimento
e encerramos a eternidade nas obras limitadas que temos.
E por aquilo que perece damos a vida,
perdemos o sono, mentimos, roubamos, agredimos os outros,
e fazemos desta vida uma ante-visão do inferno que cavamos.

Senhor Jesus, caminho seguro da imortalidade,
obrigado porque aceitaste perder-Te para salvar
os que querendo imortalizar-se a si mesmos, se perdem.
Ajuda-nos a caminhar na fé, com coração de esperança
e a fazer de cada instante uma semente de eternidade.

segunda-feira, novembro 26, 2012

 

Jesus levantou os olhos e viu...(cf. Lc 21,1-4)

Estamos na última semana do ano litúrgico.
É tempo de avaliar o caminho que fizemos, a luz que acolhemos,
o rumo que escolhemos, os frutos que demos,
aquilo que oferecemos ao Senhor e aos outros.
Demos do que sobejava ou demo-nos totalmente?
Caminhámos pela fé e a caridade
ou apenas forçados pelo medo e a necessidade?

Jesus vê o coração, conhece a alma das motivações.
Sofre quando nos vê distraídos e cegos
a papaguear orações a correr
a assistir a missas por dever e coração ausente,
a oferecer o que sobeja, como quem empresta com juros,
a ausentar-se do diálogo e da solidariedade
em delírio egocêntrico e narcisista.

Senhor Jesus que nos olhas com o coração
e nos vês com a transparência da verdade,
obrigado porque o Teu amor não se cansa nem amua
quando a mentira nos cega e a vanglória nos domina.
Ajuda-nos, Senhor, a ser como Tu, a dar-nos totalmente
e a oferecer tudo o que temos e somos
num verdadeiro ato de fé, esperança e caridade.

domingo, novembro 25, 2012

 

Festa de Cristo Rei


Respondeu-lhe Jesus: «É como dizes: Eu sou rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade.(cf. Jo 18,33b-37)

Reinar, para nós, é assumir e deter o poder uni-pessoal
sobre um determinado território, encargo, pessoas e bens.
O rei ou o chefe que foi coroado
para coordenar e administrar o bem comum,
acaba por se apoderar do reino
e formar um exército de violência e pressão
para se defender de possíveis concorrentes ao poder
ou opositores à sua vontade.
É o medo de se perder e a soberba de ter
que faz o rei amuralhar-se,
defender-se e atacar com violência e reinar com mentira.

Reinar para Jesus é uma Missão
que nasce dum Deus aberto, manso, destemido,
especialista em amor gratuito e universal.
No Seu Reino habita a Verdade
e o seu palácio é uma tenda de peregrino
que testemunha a alegria de recriar e perdoar.
O Seu exército são anjos da guarda
que dão força ao fraco e esperança ao oprimido,
pois formaram-se na escola do bem e do Bom Pastor.

Senhor Jesus, Rei e salvador das nossa vidas,
obrigado porque nos amas tanto
e, no trono da cruz, deste a vida por todos nós.
Obrigado porque és um Rei Servo,
vazio de poder porque pleno de amor.
Ajuda-nos a acreditar no poder redentor da misericórdia
e na força mansa do perdão sanador.
Vem, Senhor Jesus, e reina nos nossos corações,
nas nossa famílias, nas nossas empresas,
nas nossas comunidades eclesiais e no nosso mundo.

sábado, novembro 24, 2012

 

JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO


De um rio a outro rio,
De um mar a outro mar,
Dos vales até aos montes,
Nas montanhas e nas fontes,
No céu, na terra e no ar,
Se ouve uma voz cantar,
Em tom vibrante e em verso:
-CRISTO É REI DO UNIVERSO!

Tudo, o Pai Lhe confiou:
Terra, povos e nações.
E, embora sendo Deus,
Chega sem ostentação.
De todos se faz irmão,
De modo a instaurar o Reino
A partir dos corações,
Para O podermos servir
Em justiça e santidade,
Sendo servos por amor
Deste Rei que é o Senhor
E nos ama de verdade.
Seu projecto é salvar
O mundo e a humanidade.
Como vassalos fiéis,
Cumpramos as Suas leis
E os Seus preceitos de Vida,
Com fé e dedicação.
Assim, saborearemos
A paz que d’Ele nos vem
E o Seu amor sem medida.

Jesus é Rei e Senhor,
Do Seu povo Salvador,
Compassivo e clemente
Com o pobre e o pecador,
Graças ao Seu coração
Cheio de amor indulgente,
Terno, bom e paciente,
Que de nós se compadece.
À Sua voz, tudo acalma
E o próprio vento obedece.
Feliz, aquele que descobre
Que ser servo deste Rei,
É ser grande, santo e nobre.
Maria Lina da Silva, fmm
Lisboa, 24.11.2012

 

Nesta vida, os homens e as mulheres casam-se; mas aqueles que forem julgados dignos da vida futura e da ressurreição dos mortos não se casam, sejam homens ou mulheres, porque já não podem morrer. (cf. Lc 20,27-40)

Nesta vida, nasce-se, cresce-se e morre-se;
protege-se a vida, alimentando-a e curando-a;
multiplica-se a espécie pelo encontro de géneros diferentes.
Por isso, o casamento e a alimentação são tão importantes
e, se realizados com amor, paz, equilíbrio e fidelidade,
são a garantia de uma vida feliz e sustentável.
A baixa natalidade, as deficiências na soberania alimentar
e a instabilidade na relação matrimonial
colocam em causa a sustentabilidade desta vida.

É preciso aprender a viver esta vida com sustentabilidade
para podermos aspirar a uma vida para sempre,
pois nós fomos feitos para a eternidade.

O Céu e a ressurreição não são uma segunda edição idílica
da vida, no tempo e no espaço, deste planeta.
Um corpo eterno ao serviço dum filho de Deus
não precisa de comer nem casar-se, pois já não morre.
No Céu precisamos aprender a amar sem limites,
a ser livres sem medo nem condições,
a viver a vida divina sem censuras nem aditamentos,
a servir o bem comum sem egoísmo nem autismos.

Senhor, Deus da vida e da vida para sempre,
obrigado porque nos chamaste a ser filhos para a eternidade.
Obrigado pelo Teu Filho, Jesus, que veio ao nosso encontro
para nos ensinar o caminho da vida
e nos abrir a porta do Céu com a chave a da cruz.
Ajuda-nos a viver esta vida com sentido de eternidade
e aumenta em nós a fé na ressurreição,
com coerência de vida e corresponsabilidade.

sexta-feira, novembro 23, 2012

 

«Está escrito: A minha casa será casa de oração; mas vós fizestes dela um covil de ladrões.» (cf. Lc 19,45-48)

A Casa de Deus tem paredes de infinito
e altares de oferta de vida e de louvor.
Deus está em toda a parte e é Dom sem exclusão.
Cada lugar se pode tornar sagrado,
encontro de diálogo e escuta,
escada do Céu e porta de libertação.

Um templo é a casa comum dos que acreditam em Deus
e um sinal da presença dum Deus próximo,
que montou entre nós a sua tenda.
Mercantilizar este espaço é profanar o Santo Nome de Deus,
afastar os irmãos da oração e do silêncio de escuta,
negar a fé no Deus do amor e da graça.

Senhor Jesus, purifica o nosso coração
da relação interesseira e do ruído que nos cega
à Tua presença íntima, fundante e amiga.
Faz das nossas famílias e comunidades
Igrejas domésticas, viveiros de acolhimento,
que ajudem a crescer na comunhão e na solidariedade.
Abre-nos à compreensão da importância
da igreja paroquial e do santuário
como escolas de fraternidade e mesa de missão.
Dá pés de testemunho e mãos de semeador
à vossa Igreja disseminada pelo mundo,
para que cada cristão, onde quer que esteja,
seja um hino de louvor na Vossa presença.

quinta-feira, novembro 22, 2012

 

Quando Jesus Se aproximou de Jerusalém, ao ver a cidade, chorou sobre ela. (cf. Lc 19,41-44)

A cidade tornou-se lugar de atração de pessoas
e concentração de serviços.
Vive-se uma solidão aos encontrões,
uma segurança aferrolhada com medo dos ladrões,
uma proximidade virtual de pessoas em movimento.
E Deus, o sentido da vida, os valores, a alegria de viver?
Vão depender do sentimento do momento
e do horizonte subjetivo e relativista,
do ser obrigado ou dar notoriedade e poder.
A cidade precisa de ser humanizada e evangelizada.

Jesus conhece a cidade, o seu presente e o seu futuro.
Sabe que por este caminho não alcança a paz,
nem promove a felicidade e o amor.
Mas Jesus não desiste da cidade e morre por ela,
não a destrói nem a conquista à força,
reza por ela, chora o seu desvario e o seu pecado.
É assim, ainda hoje, com cada um de nós,
Jesus bate-nos à porta,
multiplica as suas mensagens de conversão,
e chora por nos ver correndo, como loucos teimosos,
para a nossa própria condenação e destruição.

Senhor Jesus, obrigado pelas Tuas lágrimas de amor,
choradas e rezadas por nós, ovelhas perdidas.
Obrigado, porque a Tua paixão pela cidade dos homens
continua sofrendo com a mesma intensidade e paciência.
Dá-nos, Senhor, o dom das lágrimas orantes pelos pecadores
e a graça da conversão verdadeira,
como resposta a tanto amor e preocupação por nós.

quarta-feira, novembro 21, 2012

 

Chamando dez dos seus servos, entregou-lhes dez minas e disse-lhes: 'Fazei render a mina até que eu volte.' (cf. Lc 19,11-28)

O dom da fé não é para esconder temerosamente
no lenço da nossa privacidade e comodismo,
é para fazê-lo render e multiplicar,
por meio do testemunho e do anúncio evangélico.

A fé que não se exercita e alimenta,
mingua e enfraquece, podendo mesmo sucumbir.
O tempo de espera da vinda do Senhor Jesus,
é tempo de trabalho no Reino de Deus
e de conquista daqueles que não querem Jesus como Rei.

A nova evangelização é uma tomada de consciência
deste “fazei render a mina até que eu volte”.
Despertar para o mandato missionário que recebemos,
redescobrindo a beleza de sermos servos de tal Senhor
e falar dele com uma vida de entusiasmo e confiança.

Senhor Jesus, obrigado porque confias em nós
a mina da Tua Missão e a administração dos Teus dons.
Obrigado, porque a Tua presença-ausência,
nos dá toda a liberdade de Te seguir ou negar.
Aumenta em nós a fé e o ardor de coração por Ti.
Dá-nos força para trabalharmos incansavelmente
para que a nossa fé seja fecunda
e a nossa vida estrela Polar que indica o rumo
e o caminho com esperança de eternidade. 

terça-feira, novembro 20, 2012

 

Jesus levantou os olhos e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa».(cf. Lc 19,1-10)

Zaqueu subiu a um sicómoro, porque se sentia pequeno
e queria ver e ser visto por Jesus.
Toda a sua vida se apoiou em próteses de engrandecimento:
dinheiro, poder, mentira, roubo...

Jesus desceu ao lugar dos pecadores e caminha pela cidade,
porque é grande e a sua santidade é medicina que cura,
pés que acolhem, coração que recria.
Jesus olha de baixo para cima
e vê num pecador público um filho de Abraão,
cheio de dinheiro, mas vazio de humanidade.
Para ficar em casa de Zaqueu, Jesus só coloca uma condição:
descer depressa, assumir a sua pequenez com esperança,
e na graça e generosidade de Jesus,
descobrir-se generoso e justo,
fazer a experiência da alegria do dom e da solidariedade.

O lugar onde nos situamos, enquanto caminhamos,
é muito importante para avaliarmos o que vemos.
Se fazemos parte da classe dos privilegiados,
dificilmente compreendemos a classe dos desfavorecidos.
Se nos julgamos perfeitos e santos,
dificilmente toleramos os pecadores e reincidentes.
Por isso, é que Jesus nos diz para descermos depressa
e enquanto não descermos, Ele não pode entrar em nossa casa.

Senhor Jesus, obrigado por teres descido à nossa condição
e Te teres feito pedinte de acolhimento, lugar de libertação.
Obrigado pelas vezes que tens batido à nossa porta
e a Tua salvação tem visitado a nossa vida de pecado.
Liberta-nos de todas as próteses de engrandecimento
e ajuda-nos a descer dos nossos pedestais honoríficos,
para podermos ver melhor, servir mais,
ser verdadeiramente felizes.

segunda-feira, novembro 19, 2012

 

Ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem misericórdia de mim!» (cf. Lc 18,35-43)

Quando a esperança fica eclipsada,
Jesus, nosso Salvador, tende misericórdia de nós.
Quando a impotência ganha força e a maldade se agiganta,
Jesus, nossa Rocha e salvação, tende piedade de nós.
Quando o pecado nos vence e a fé desfalece,
Jesus, Luz do mundo, tende piedade de nós.
Cura a nossa cegueira que nos baralha o andar
e faz-nos andar, mesmo que seja a coxear.

Queremos confiar e a Tua mão sentir,
a paz reencontrar e a esperança florir,
porque no outono também há lírios do campo
e no inverno também florescem as amendoeiras.
Senhor Jesus, ressurreição e vida,
acorda em nós a aurora
e faz-nos caminhar à luz da verdade e do amor.

domingo, novembro 18, 2012

 

33º domingo do tempo comum


O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão(cf. Mc 13,24-32)

O templo de Herodes era grande e sumptuoso,
mas agora não passa dum muro de lamentações.
Os grandes reis e imperadores brilharam,
mas a morte apanhou-os e venceu-os,
e hoje são apenas figuras históricas,
recordação de estrelas que se apagaram.

Jesus fala-nos dum novo céu e duma nova terra,
habitada pela justiça e destinada à eternidade.
Fala-nos de “ver o Filho do Homem” para lá das nuvens
e escutar a Sua Palavra com recetores de fé.
fala-nos de eleitos conseguem perceber 
o que permanece e não passa,
no meio de tanto ruído e farol que encandeia.

Senhor Jesus, Juiz da Verdade e Luz do Ser,
ensina-nos a aprender a viver com fé e esperança.
Cura a cegueira da “glória do meu mundo” sem futuro,
e abre-nos à visão dos grandes santos,
que deram a vida e a encontraram,
lutando pelo “Teu mundo” e a “Tua esperança”.
Vem, Senhor Jesus, e conquista-nos a coração. 

sábado, novembro 17, 2012

 

EM TI, SENHOR, EU PONHO A MINHA ESPERANÇA


Perante um mundo em mudança
E em total insegurança,
Injustiça e falsidade,
Em quem pôr a minha esperança
Se não em Ti, Deus de Amor,
De justiça e de bondade,
Que acalmas a tempestade
E fazes brilhar o sol,
Repondo a harmonia,
No rosto do novo dia!

Tua Palavra de Vida,
A confiar, me convida,
Porque, nas horas de dor,
Te revelas Salvador,
E até do tempo Senhor,
Deus fiel, sempre presente,
Para animar todo o crente
Que coloca em Tuas mãos
Sua total confiança,
Sua paz e segurança,
Salvação e esperança.

Na noite, és claridade;
Bonança, na tempestade;
Na aflição, salvação,
Deus de infinita bondade
Que amas a humanidade
E a libertas por amor,
Continuando a Missão
De atento e Bom Pastor.

Assim, me ensinas, Senhor,
Presença viva de Amor,
Que Esperar é Confiar
E, em Ti, Acreditar,
Sabendo andar atenta
A tantos sinais de alerta,
Para me manter desperta
E sempre bem vigilante
Às mensagens que me envias
A toda a hora e instante.
Maria Lina da Silva, fmm – Lisboa,17.11.2012

 

Orar sempre, sem desfalecer. (cf. Lc 18,1-8)

Rezar significa colocar-nos nas mãos de Deus,
confiar-lhe a nossa vida, o nosso socorro, o nosso louvor.
Deus não é uma máquina de produtos
que basta carregar no botão da oração certa
e meter a moeda dum “pai-nosso” ou duma vela,
para recebermos logo o que precisamos.
Deus é uma Pessoa, que mais do que dar-nos coisas,
quer ser nosso Pai e recriar-nos filhos com coração de ouro.
E isso, não acontece numa relação interesseira e eventual,
precisa de tempo, fé-confiança, escuta atenta, abertura ao novo.

Orar com fé a Deus, Pai de Jesus Cristo,
é abrir as velas, que fazem andar a barca da nossa vida,
ao vento purificador do Espírito Santo
e deixar-nos conduzir pelo leme da palavra de Deus.

Senhor, neste tempo de linhas retas e altas velocidades,
ajuda-nos a aprender a saborear a eternidade,
a gastar tempo para contemplar a luz da santidade
e a estar aberto para escutar a palavra da verdade.
Ensina-nos a sábia paciência
de saber esperar e desejar amadurecer no amor.
Aumenta em nós a fé que acalma a angústia e a desconfiança,
para que aprendamos no tempo da oração,
a eternidade e a santidade que sonhaste para nós.

sexta-feira, novembro 16, 2012

 

Assim será no dia em que o Filho do Homem se revelar. Nesse dia, quem estiver no terraço e tiver as suas coisas em casa não desça para as tirar; e, do mesmo modo, quem estiver no campo não volte atrás. (cf. Lc 17,26-37)

Andamos tão ocupados com a nossa vida,
em ter mais que o outro,
em comprar a última novidade,
em assegurar o futuro,
em gozar a minha vida...
que nos esquecemos do essencial,
daquilo que dá beleza ao universo: a harmonia,
daquilo que dá cor à vida: o amor,
daquilo que dá sabor às relações: o perdão,
daquilo que dá luz ao invisível: a fé.

Deus fala de muitas maneiras,
avisa-nos e alerta-nos de muitas formas.
Sofremos, batemos com a cabeça,
mas, como no tempo de Noé ou de Lot,
não nos damos conta da hora da nossa salvação.
E nessa hora, ainda queremos voltar atrás
para salvar as nossas coisas, as nossas terras...
em vez de nos arrependermos,
nos convertermos à vida
e acolhermos o abraço misericordioso de Jesus.

Senhor Jesus, obrigado porque não Te cansas de nos avisar,
de nos tentar despertar para a verdade da vida.
Obrigado pelas vezes sem fim em que me acolheste e protegeste,
após ter voltado para trás, me ter esbarrado com o ressentimento.
Senhor ajuda-nos a viver despertos e vigilantes,
a fazer o exame de consciência que nos faz ver o óbvio,
a meditar e a parar para saber para onde caminhamos,
a libertar dos rancores passados que nos apodrecem a paz. 

quinta-feira, novembro 15, 2012

 

Ninguém poderá afirmar: 'Ei-lo aqui' ou 'Ei-lo ali', pois o Reino de Deus está entre vós.(cf. Lc 17,20-25)

A aventura do SER faz-se de relações humanas,
inspiradas pelo Espírito de Jesus Cristo
que fazem de cada instante um altar de louvor a Deus
e de cada espaço um turíbulo que perfuma o ambiente de paz.

O Reino de Deus não se veste de mantos de rei
nem com coroas de herói, nem com cetros de poder,
nem tronos de fama, nem tapetes de palmas.
O Reino de Deus inspira a vida com a verdade dos valores,
move-se no silêncio do fermento do amor,
tempera a vida com o sal da justiça,
dá frutos gostosos de viver, mas sem aspeto comercial.
O Reino de Deus não se esgota numa pessoa nem num guru,
mas vive-se em comunidade e em comunhão
e e contribui para a construção do Corpo de Cristo vivo e atual.

Senhor Jesus obrigado porque nos trazes o Reino Deus.
Obrigado porque o fizeste na nossa carne
e o continuas a realizar como peregrino da esperança.
Ajuda-nos a colher Boa Nova tão grande e tão simples.
Faz da nossa vida um louvor agradável a Deus
e da nossa convivência comunhão de amor
e vislumbre daquilo que permanece para a eternidade. 

quarta-feira, novembro 14, 2012

 

Não foram dez os que ficaram purificados? Onde estão os outros nove? (Lc 17,11-19)

Na hora da aflição pedimos, suplicamos,
quando tudo vai bem, esquecemos Quem nos valeu.
Antes dos exames acendemos uma vela e rezamos,
no resto do ano vivemos a leste da questão de Deus.
Quando somos crianças vamos à catequese
e até somos capazes de ser acólitos ou escuteiros,
durante a juventude e idade adulta,
enchemo-nos de nós mesmos e sentimo-nos super-heróis
e cortamos Deus da nossa agenda.

A fonte disse à nascente: não te vejo nem sei como és,
só sei que sem ti nada sou e de ti tudo recebo.
O painel solar disse ao sol: o teu olhar me aquece o coração
e me enche de energia que partilho com os homens.
A torre eólica disse ao vento: que bom que chegaste,
não te vejo, mas és forte e me libertas da minha inércia.

Senhor Jesus obrigado porque nos curas das nossas lepras
e nos purificas do nosso pecado ao longo do nosso caminho.
Perdoa as vezes em que te desfigurámos em “deus bombeiro”
a quem recorremos apenas quando nos sentimos aflitos.
Vós sois o “Deus companheiro”,
sempre presente de forma silenciosa e operante.
Aumenta em nós a fé que Te faz ver
e dá-nos o dom do agradecimento e do louvor
cada dia da nossa vida.

terça-feira, novembro 13, 2012

 

Terá de agradecer ao servo por lhe ter feito o que mandou? (cf. Lc 17,7-10)

A formação para a gratuidade está em perigo
quando um simples beijo tem que se comprar.
O compromisso com o dever cumprido fica em causa,
quando a motivação para o estudo pressupõe a pergunta:
o que é que me dás se eu passar de ano?
A corresponsabilidade pelo bem comum fica sem fundamento,
quando para colaborar nos serviços domésticos
é preciso pagar uma mesada.
Quando se cresce a inchar de direitos e minguar de deveres,
dificilmente se aprende a “vestir a camisola”
e a dar a vida por alguém ou por uma causa.
Talvez por isso, hoje são tão frágeis e interesseiras
as relações humanas, sociais, laborais, políticas e religiosas.

Se nos comprometemos, pelo batismo,
a seguir Jesus e O seguimos de coração,
nada fazemos de extraordinário,
estamos apenas a fazer aquilo que prometemos viver.
Se somos fieis até à morte no amor conjugal,
nada fazemos de fenomenal
pois foi isso que jurámos um ao outro.
Se levamos uma vida de consagração exemplar,
e a vivemos fraternamente em comunidade,
nada fazemos de fabuloso
pois foi isso que professámos perante Deus.
Se nos revestimos de sentimentos de Cristo
e condimentamos o quotidiano com os Seus valores,
nada fazemos de excecional
pois na Eucaristia O comungamos e nEle nos queremos assimilar.

Senhor Jesus eu te louvo, porque não nos devendo nada,
Te entregaste todo inteiro e em segundos de eternidade
para a nossa salvação e felicidade.
Obrigado pela gratuidade da Tua misericórdia,
silenciosa, superabundante, incondicional e para sempre.
Ajuda-nos a ser servos humildes e fieis
que agem apenas por amor e entrega enamorada
e não por dever forçado e mercado.

segunda-feira, novembro 12, 2012

 

Tende cuidado convosco! Se o teu irmão te ofender, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. (cf. Lc 17,1-6)

As relações humanas acontecem entre visões diferentes,
escolas de vida únicas, umas estimulantes outras traumatizantes.
É natural que haja medos e projeções à mistura,
desencontros e desentendimentos no caminho.
É o processo normal de sairmos do nosso mundo
para alargarmos o nosso horizonte familiar
e descobrirmos o mundo do outro desconhecido.
Às vezes custa-nos aceitar a posição do outro
e reagimos com agressividade que fere e azeda as relações.

Por isso, Jesus alerta-nos para termos cuidado
e aprendermos a curar feridas e a refazer relações.
O processo de cura é simples e exigente:
um sério exame de consciência,
coragem para ir ao encontro de quem nos ofendeu,
dialogar sobre o sucedido como irmão, não como juiz,
escutar e aceitar o arrependimento do outro
e perdoar de coração, sem guardar ressentimento.

Senhor Jesus, obrigado porque nos perdoas sempre
e nos amas como Pai e Mãe, como irmão enamorado.
Obrigado pelo sacramento da reconciliação
que nos deixaste como remédio da nossa fragilidade
e necessidade de crescimento no Teu seguimento.
Ajuda-nos a não nos fecharmos e amuarmos
no nosso ressentimento de feridos perfeitos.
Ensina-nos o caminho do diálogo e do perdão,
e faz de nós reconstrutores de relações,
médicos de feridas antigas e profundas
curadas e lavadas pelo amor, com marca “Cristo”.

domingo, novembro 11, 2012

 

32ª domingo do tempo comum


Todos deitaram do que lhes sobrava (cf. Mc 12,38-44)

Jesus diz que há os que roubam, parecendo que beneficiam;
há os que dão do que lhes sobra, com ostentação e propaganda;
há os que dão pouco e sem dar nas vistas,
mas dão tudo o que têm e, por isso, dão mais que todos os outros.
Jesus avisa-nos para termos cuidado e não nos deixarmos enganar,
investindo nas aparências e na arte de se pavonear,
pois Deus vê as motivações e sabe quem se entrega de coração.
É de amor que se fala e não de moedas que compram reputação!

Senhor Jesus, perdoa-me quando regateio e contabilizo
o tempo em que estou contigo em oração
e participo na Eucaristia como quem Te faz um favor
e te cobra méritos, mesmo se o coração está ausente!
Perdoa-me, quando perante um pobre,
procuro apenas o que me sobra para o despachar
e não o escuto para ver o que lhe faz falta, por o amar.
Ajuda-nos, Senhor, a dar-nos total e gratuitamente
como Tu te entregaste ao projeto e vontade do Pai.
Ensina-nos o caminho da confiança no Senhor do tesouro
e não no tesouro do Senhor,
do qual muitas vezes nos apropriamos.
Liberta-nos da avareza do tempo e das coisas
que nos engorda o orgulho de colesterol da indiferença
e nos congela o amor, distribuído em sobras e com juros altos.
Faz-nos beber na fonte do amor que tudo sustenta
e ajuda-nos a ser canal aberto e disponível
dum amor sem medida nem preço.

sábado, novembro 10, 2012

 

PARTILHA SOLIDÁRIA GERA MELHOR VIDA


Ao apelar à partilha
Jesus nos vem ensinar
Que uma coisa é o dar,
Outra é o sentimento,
Voz que fala no silêncio
Do íntimo do coração
E nos leva a partilhar
Até o pouco que se tem,
Porque o outro é meu irmão
E o meu pouco lhe vem,
Numa hora de aflição.

Cuidado, alerta Jesus,
Com quem dá para se exibir
E mostrar ostentação,
Quer na praça, quer no templo,
Porque essa é sua intenção!

Mas, bem ao contrário destes,
A viúva de Sarepta,
Como a que foi orar ao Templo,
E que deu quanto tinha para si,
naquele momento,
São, para nós, o exemplo,
De quem ama e em Deus confia,
Sendo capazes de arriscar
Tudo dar para acolher
E, por amor, partilhar.
A estas, Deus abençoou
E tudo multiplicou,
Revelando-se a maquia
De quem dá, com alegria.

Por isso, os que socorrem
Os pobres e os aflictos,
Com generosa partilha,
São geradores de vida,
De justiça e caridade,
Para acabar com a miséria
Da nossa sociedade.

Dá-nos um coração,
Feliz por servir e amar,
E partilhar, sem medida,
Para que todo o irmão,
Tenha acesso a melhor vida.

Maria Lina da Silva, fmm
Lisboa, 10.11.2012

 

Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é infiel no pouco também é infiel no muito. (cf. Lc 16,9-15)

A fidelidade testa-se nas pequenas coisas
e manifesta-se na ribalta das grandes coisas.
Ser fiel é descobrir uma motivação vital e profunda
e confiar que é válida e verdadeira em todas as situações
e, por isso, empenha-se toda a vida em consegui-la e segui-la.

É-se fiel à família e à beleza do amor
se acreditamos que a construção deste projeto comum
é a forma mais sustentável de contribuir por um mundo melhor.
É-se fiel no trabalho, na ética e na política
se acreditamos que a boa administração das minhas energias,
e a saúde dos bens empresariais e públicos dependem,
na parte que me toca, das minhas pequenas decisões
e da transparência e justiça com que as tempero.
É-se fiel a Deus e à sua Palavra
se acreditamos que Ele é a luz dos nossos caminhos
e a fonte de todo o bem,
da minha salvação e da redenção do mundo.

Senhor Jesus, obrigado pela Tua fidelidade ao Pai,
fonte inesgotável de amor e paciência eterna de perdão.
Obrigado pela Tua fidelidade em 30 anos de Nazaré,
escola do quotidiano humano em mestrado de vida divina.
Obrigado pela Tua fidelidade, quando foste acolhido ou rejeitado,
amado ou perseguido, entronizado ou crucificado.
Obrigado pela Tua fidelidade, quando da morte ressuscitado,
continuaste companheiro escondido e amigo,
nas nossas tentativas de graça ou de pecado,
de solidão ou relação, de privado ou público.
Ajuda-nos, Senhor, a ser fiel nas pequenas coisas
e a seguir-Te em todos os momentos da nossa vida.

sexta-feira, novembro 09, 2012

 

Festa da dedicação da basílica de Latrão


«Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei!» (cf. Jo 2,13-22)

Hoje vivemos uma religiosidade “salada com tudo”.
Queremos experimentar tudo,
sem nos comprometermos radicalmente com nada.
Visitamos e peregrinamos santuários,
mas não queremos fazer da vida um santuário,
habitado pela santidade e oferecido em caridade.
A vida torna-se uma feira e a oração um negócio
que desconhece a conversão, o perdão, o amor gratuito.

O encontro com Cristo configura uma forma nova
de relação com Deus, de oração, de vida, de salvação.
Para que esta forma cristã de comunhão com Deus
cresça em nós e enforme todos os momentos da nossa vida,
é preciso destruirmos os outros templos de interesses
que construímos aos deuses, feitos à nossa imagem e semelhança.

Senhor Jesus, obrigado pela Tua relação filial com Deus,
baseada na confiança total e gratuita no Seu amor.
Agradeço-te a paciência e as propostas constantes
com que queres purificar de interesses egoístas
a nossa relação com Deus, com os outros e com a natureza.
Ajuda-nos a ter coragem e fé para nos abandonarmos em Ti,
para deixarmos que a Tua graça e o Teu Espírito
vá destruindo em nós os hábitos de velhas seguranças humanas
e construindo em nós uma habitação sagrada,
onde Deus e os outros encontrem espaço 
para o encontro e para gozo do diálogo e da escuta,
em sinfonia de eternidade e de vida nova.

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