quarta-feira, maio 24, 2017

 

4ª feira da 6ª semana da Páscoa


Vejo que sois em tudo extremamente religiosos. (cf. At 17,15.22-18,1)

Deus fez-nos com sede e aptidão para O buscarmos.
As marcas de Deus estão escondidas em toda a parte.
O mistério que nos surpreende e não sabemos explicar,
leva-nos à sentir o pulsar de Alguém bom que nos acompanha!
A beleza espontânea de uma montanha semeada de cor e de vida,
leva-nos a pressentir a existência de um Pastor artista que nos precede!
A dedicação e o carinho gratuito de alguém pelo outro
leva-nos a perceber que o que nos faz divinos é o amor!
Mas o medo e o desejo de ser omnipotente
leva-nos a confiar no primeiro elixir que nos vendem
ou a entrar no pensamento mágico, ritualista e miraculoso.
Só quando Deus toma rosto em Jesus e se revela Evangelho,
servo, pastor, cordeiro oferecido, fraqueza de violência
e rocha-fonte de misericórdia inesgotável,
é que as marcas de Deus começam a fazer sentido 
e a miragem do ouro e da prata se desvanecem!

A geração do pensamento positivista e materialista
traz em si o borralho aceso de uma religiosidade latente.
Ela se manifesta quando o stress busca a uma paz interior,
a depressão nos assalta e perturba o ritmo diário,
a pouca sorte faz uma síntese vítimizadora do desconhecido,
uma doença incurável nos abala as seguranças...
Nessa alturas a religiosidade reacende-se 
e entra-se no mistério de soluções alternativas:
meditação de ginásio, ioga, reiki, bruxas, cartomancia
espiritismo, promessas, pessoas de virtude...
É uma religiosidade de supermercado subterrâneo, 
que busca energias positivas, espirituais e poderosas,
não a descoberta de si mesmo no encontro com um Deus pessoal,
que nos mova à revisão de vida e à conversão e à esperança!

Senhor, Pai criador e beleza insondável,
fragmentada neste mundo maravilhoso que nos deste,
dá-nos o dom da contemplação e do louvor
que brota de um coração agradecido e agraciado!
Cristo, rosto humano da divindade escondida,
envia-nos o teu Espírito para nos ajudar a acolher-Te como Salvador
e em Ti encontrar a força e o caminho para confiar sempre,
mesmo quando a solidão dói e a ingratidão sangra!
Faz da Igreja luzeiro que dá rosto à sede de Te procurar,
para que a religiosidade vaga e abstrata que respiramos,
possa ter a boa nova de um rosto e de um encontro
que se faz oração, liturgia, serviço, caridade, justiça,
e ousadia de carregar a própria cruz e de ser cirineu dos mais fracos. 

terça-feira, maio 23, 2017

 

3ª feira da 6ª semana da Páscoa


Sentiu-se um tremor de terra tão grande que abalou os alicerces da prisão. (cf. At 16,22-34)

As trevas da prisão foram iluminadas pelas luz da fé.
Paulo e Silas, no pico da noite, oram e louvam o Senhor!
Os presos são evangelizados e, embora livres, não fogem,
porque a liberdade não depende do lugar, mas da atitude interior!
O carcereiro acaba por descobrir que precisa desta luz da fé de Paulo,
pois afinal o guardador de presos é o que está mais prisioneiro!
Quando recebe a luz da fé, começa a compadecer-se das feridas,
a convidar para a sua mesa, a libertar toda a sua família.
O Senhor é libertador e vence os alicerces das nossas amarras,
não com a força e o temor, mas com a luz da fé e da oração!

Perante a febre de violência que alastra pelo mundo,
brotam reações de defesa bélica, de gritos de guerra,
de promessas de repressão, de manifestações de poder.
Só que estas respostas não abalam os alicerces das prisões,
pelo contrário, as reforçam, criando castelos,
trincheiras, alianças ruidosas, milícias de combate!
A paz precisa de ser alimentada com fé e esperança,
com perdão e reconciliação, com diálogo e oração,
com justiça e compaixão, com mesa comum.
Corremos o risco de andarmos em guerras aos folhetins,
a ver quem é mais forte na violência e não na libertação!

Senhor, Deus da paz e Pão da libertação,
cura-nos de tudo o que nos amarra e alimenta a guerra,
que nos aprisiona e nos amarra ao egoísmo e ao mal.
Cristo, nossa paz e nossa reconciliação,
abala os alicerces das nossas prisões e ódios,
e ajuda-nos a ser obreiros da justiça, da não-violência e da paz.
Espírito de comunhão e dom de oração,
ensina-nos o louvor que liberta das lamúrias e evangeliza!
Dá-nos o dom da compaixão e do serviço da caridade,
para que não alimentemos caminhos de morte e de prisão.

segunda-feira, maio 22, 2017

 

2ª feira da 6ª semana da Páscoa – S. Rita de Cássia


Sentámo-nos e começámos a falar às mulheres ali reunidas. (cf. At 16,11-15)

Paulo e os companheiros entram na cidade de Filipos
e aí permanecem alguns dias para conhecerem a cidade,
pois a evangelização precisa de tempo e de preparação.
Por fim, resolvem começar pela periferia, na margem do rio,
com um grupo de mulheres reunidas em oração.
O Espírito de Deus conduz a missão, descentrada do poder,
despida de preconceito, aberta a todos os que abrem a porta à fé!

A Igreja europeia paulina começou feminina e periférica.
Hoje, continua com algumas destas caraterísticas,
não só na Europa, mas em todo o mundo.
A mulher tem um lugar fundamental na evangelização,
na catequese, no acolhimento, na animação litúrgica,
no serviço da caridade, nos movimentos.
A manutenção dos ministérios ordenados masculinos,
evita que a Igreja seja apenas de mulheres,
provoca um equilíbrio salutar e completar de géneros!
Não me parece que seja uma questão de poder,
pois o poder feminino na Igreja acontece naturalmente!

Senhor, conduz-nos com a força do teu Espírito,
para que nos abramos à novidade fraterna
com que nos quereis evangelizar!
Cristo, para quem só existem irmãos e irmãs,
sem barreiras de género, raça, classe social ou moral,
ajuda-nos a tratar com dignidade todas as pessoas.
Maria, Mãe da Igreja e rosto feminino do cristão,
ajuda-nos a alimentar uma Igreja mais inclusiva,
mais fraterna, mais justa, mais solidária.
Obrigado por tanto bem que, mulheres como Lídia,
têm feito à Igreja, à família e à sociedade!

domingo, maio 21, 2017

 

6º Domingo da Páscoa


Venerai Cristo Senhor... Mas seja com brandura e respeito, conservando uma boa consciência. (cf. Ped 3,15-18)

Cristo é o centro e o modelo da nossa vida.
Pela ação do seu Espírito, inspiramos-nos Nele,
vivemos em Igreja, damos testemunho Dele,
fazemos sua memória na liturgia e na vida!
O Espírito Santo não faz de nós atores de Cristo,
mas “Virgens Maria” que se deixam fecundar
e, conforme vão gerando Cristo para o mundo,
se vão transformando e conformando em Cristo!
Por isso, o verdadeiro santo não é um cruzado de arma na mão,
mas um irmão que dá a vida pela vida do irmão!

Na vida do dia a dia, muitas vezes deixamos de ser quem somos,
para nos transformarmos naquele que nos afeta,
positiva ou negativamente!
Assim, se alguém nos trata com docilidade, somos dóceis;
se alguém nos trata com agressividade, somos agressivos;
se alguém nos ama, respondemos com amor;
se alguém nos ofende, respondemos com ofensa!
A brandura e o respeito são atributos de Deus, 
revelados em Cristo e que se deviam manifestar nos cristãos. 
No entanto, perante a perseguição ou situações de poder,
os cristãos podem esquecer a brandura e o respeito
e tornar-se agressivos, dominadores e vingativos!

Senhor, bendito sejas por teres feito de cada batizado 
um filho de Deus e um templo do Espírito Santo. 
Sacia a nossa sede de Te conhecer, seguir, amar e anunciar! 
Já que queres que o Céu desça à Terra e o Espírito nos envolva em Deus, 
alarga a tenda do nosso coração, torna-o hospitaleiro, 
uma mesa grande onde todos tenham lugar, partilha e dignidade! 
Envia-nos o teu Espírito e assiste-nos 
para que nos libertemos da tentação de alimentarmos a ira e a vingança, 
ou usarmos o dom da vida para destruirmos a vida!
Faz de nós pedras vivas da tua Igreja, 
fecundados pela Palavra de Cristo,
para que sempre demos razões da nossa esperança,
com brandura e o respeito, boa consciência e justiça!

sábado, maio 20, 2017

 

Sábado da 5ª semana da Páscoa – S. Bernardino de Sena


Querendo Paulo levar Timóteo consigo, mandou-o circuncidar, por causa dos judeus que havia na região. (cf. At 16,1-10)

Timóteo é filho de uma judia que teve a ousadia de casar com um grego.
Paulo viu nele um bom companheiro, pois se tinha convertido a Cristo,
mas também um obstáculo à conversão do judeus,
pois o seu pai não o tinha circuncidado 
e aparecia como judeu não praticante!
Apesar de nesta viagem missionária Paulo anunciar a decisão de Jerusalém,
que não era preciso a circuncisão, Paulo manda-o circuncidar,
para que a questão de Timóteo não impeça a conversão do judeus!
A convicção submete-se à evangelização, a verdade à caridade,
pois o mais importante é que Cristo seja conhecido e amado
e afastar tudo aquilo que crie ruídos e perturbações na missão!

A comunhão e a missão é muitas vezes perturbada por posições rígidas,
mesmo em nome da ortodoxia e da pureza ritual litúrgica.
É neste âmbito que aparecem alguns sábios e especialistas,
que às vezes, com pouca caridade, criticam a religiosidade popular,
as liturgias menos cuidadas, as expressões de fé mais simples!
Alguns movimentos ou grupos eclesiais 
também sofrem destes tiques de superioridade,
julgando e criticando os outros como o fariseu ao publicano! 
Tantas coisas que nos desmotivam para a missão,
dividem e partidarizam a Igreja e a sua unidade!

Senhor da graça e da missão, eis-nos aqui, 
em noite iluminada pela visão da fé e pelo sonho da missão,
faz de nós discípulos humildes, obedientes e missionários.
Cristo, nosso caminho e nossa meta,
ajuda-nos a acertar o passo pelas pegadas do Evangelho!
Espírito Santo, luz que nos conduz nesta noite de esperança,
faz de nós uma Igreja evangelizada e evangelizadora,
capaz de antepor a luta pela verdade à ternura da caridade,
nesta peregrinação sagrada onde todos somos peregrinos da Verdade!

sexta-feira, maio 19, 2017

 

6ª feira da 5ª semana da Páscoa


O Espírito Santo e nós decidimos... (cf. At 15,22-31)

Deus não nos deixou órfãos, pois seria negar a sua paternidade!
Ele permanece connosco na Igreja, Corpo de Cristo,
e no Espírito Santo, luz que nos conduz na noite da fé.
Quando a Igreja se põe à escuta da vontade de Deus,
reza, alimenta-se da Palavra e escuta o testemunho das Igrejas.
Pouco a pouco vai-se formando uma comunhão na verdade,
um discernimento pacificador que estimula a fé,
anima para a missão e nos abre à novidade de Deus!
É assim que uma crise e um conflito se tornam num passo novo,
que abre as portas da Igreja para a evangelização universal!

Tanto na  Igreja como na sociedade, há pessoas que temem o diálogo,
com medo de perderem a segurança das suas certezas e poder!
Por isso, agem em combate, ensurdecem os ouvidos,
calam as vozes discordantes, ameaçam os opositores!
Outros sentem-se sábios-peregrinos na busca da verdade,
e, com humildade, procuram conselho, 
ouvem o contraditório, organizam fóruns,
criam espaços para consensos, respeitam a liberdade do diálogo,
rejeitam jogos de poder ou estratégias de divisão.
Quem tem fé, reza intensamente, 
submete-se ao discernimento do Espírito,
vive com esperança e relaciona-se com fraternidade.

Senhor, louvado sejas pela luz do teu Espírito,
pois é à luz desta Luz que entrevemos a verdade e a paz!
Cristo, nossa força e salvação, caminho certo para o Pai,
aceita-nos como teus discípulos e ensina-nos a ser 
filhos de Deus na cidadania terrena, construída com suor.
Espírito Santo, nuvem luminosa que precisamos escutar,
conduz a Igreja de Cristo para a comunhão de Igrejas,
que falam línguas e vestem cores diferentes
em cada comunidade local desta Igreja universal!
Ensina-nos a busca inquieta e comunitária da Verdade
e liberta-nos da ansiedade da luta pelo poder e influência!

quinta-feira, maio 18, 2017

 

5ª feira da 5ª semana da Páscoa – S. João I


Deus não fez qualquer distinção entre nós e eles, porque purificou os seus corações pela fé. (cf. At 15,7-21)

Deus não distingue os povos pela sua nacionalidade,
mas as pessoas pela fé e pela verdade da caridade!
Por isso, desde sempre, Deus quis consagrar todos os povos
ao culto espiritual e agradável, que louva a Deus com o coração,
com a justiça, com a fidelidade e a misericórdia!
Cristo é o Caminho, a Verdade e Vida,
o Sacerdote que conduz todos os povos ao Pai,
o Pastor que procura as ovelhas perdidas de todos os redis!
A Igreja deve ser sacramento deste amor pastoral de Cristo,
promovendo a missão entre todos os povos,
anunciando a Cristo e não a sua cultura e tradições!
Por isso, o missionário ao evangelizar, também fica evangelizado!

Os meios de comunicação social globalizam a relação,
por isso, hoje podemos conhecer melhor todos os povos.
No entanto, alguns povos ou grupos sociais
só são notícia pelos piores motivos, o que agrava o preconceito,
confirma a xenofobia e desequilibra a visão da igualdade!
O turismo nos países mais pobres, 
acaba por ser feito em resorts de luxo que, 
pelo contraste com as condições em que vive o povo, 
o inferiorizam ainda mais!
O missionário, que vive no meio do povo,
sofre e celebra com ele a partir da hospitalidade,
acaba por ficar evangelizado pela nobreza de alma, 
pela gratuitidade da alegria, pela fome da Palavra de Deus!

Senhor, Pai e salvador de todos,
ajuda-nos a entrar neste projeto redentor
com o coração fraterno e aberto às surpresas do Espírito!
Cristo, Filho de Deus que te fizeste Irmão de todos
e por todos deste a vida, para que todos tenham vida,
ajuda-nos a ser uma Igreja missionária e solidária,
que dá e recebe, que evangeliza e é evangelizada!
Obrigado pelo dom da minha experiência missionária
em Angola e no Brasil, surpresa espiritual que me fez tão bem!
Envia-nos o teu Espírito e liberta-nos do preconceito,
para que possamos acolher o outro diferente 
como companheiro desta peregrinação da Verdade!

quarta-feira, maio 17, 2017

 

4ª feira da 5ª semana da Páscoa


Então os Apóstolos e os anciãos reuniram-se para examinar o assunto. (cf. At 15,1-6)

Jesus é a videira com raízes no Céu e cepa na Terra,
que nos quer enxertar a todos, para que demos bons frutos.
Deus - o Pai, o Filho e o Espírito – é o Agricultor,
que nos poda o que não dá fruto, cura o que está doente, 
rega o que está esmorecer, aduba o que está fraco.
Os frutos são: a evangelização que fecunda novos ramos,
o amor solidário e fraterno, a esperança que resiste às dificuldades,
a comunhão que se constrói em diálogo e em oração,
o desejo de santidade numa conversão viva e humilde,
a fé inquieta, sempre aberta às novidades do Espírito!
A passagem do judaísmo cristão para o helenismo cristão
foi um momento de crise e de crescimento na Igreja,
porque se escolheu a via da sinodalidade e não o da guerra de poder!

As mudança na sociedade e as contribuições das novas Igrejas
trazem novas formas de viver o cristianismo,
de celebrar a fé, de organizar os ministérios e novos carismas.
A solução não é agarrar-nos ao passado
nem aderir de olhos fechados às últimas novidades,
mas buscar em tudo isto os frutos de Cristo,
discernir a vontade de Deus e os sinais dos tempos,
em encontros sinodais de diálogo humilde e atento!
O Vaticano II e os muitos sínodos promovidos pela Igreja 
são expressão de que a Igreja é de Deus e não de um grupo!
A divisão institucionalizada, as intrigas de poder, a calúnia e o medo
não são sinais do Espírito de Deus, mas do diabo!
Podemos pensar diferente, mas somos discípulos do Caminho,
por isso a Verdade está sempre à nossa frente
e só em Igreja a podemos vislumbrar!

Senhor, Verdade eterna, cremos em Ti!
Deus, Nossa força e salvação, esperamos em Ti!
Deus, bondade infinita, amas-Te de todo o coração!
Enviaste o Verbo, salvador do mundo, 
faz que Nele sejamos todos um!
Faz-nos obedientes à voz do Espírito que nos propõe a Verdade,
e mantém-nos sempre discípulos, sempre inquietos e atentos,
com a humildade dos iniciantes e a fidelidade dos anciãos!
Ajuda-nos a ser uma Igreja, comunhão de irmãos,
que se amam na diferença e dão frutos de caridade!

terça-feira, maio 16, 2017

 

3ª feira da 5ª semana da Páscoa


Contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos gentios a porta da fé. (cf. At 14,19-28)

A missão de Deus é um partir do Pai e voltar ao Pai.
É partir sem abandonar, voltar para narrar,
convocar para louvar, entregar-se para salvar!
É assim com Jesus, é assim com o Espírito Santo,
é assim com os apóstolos, deve ser assim connosco!
É Deus quem age por meio de nós e nos outros,
sustentando-nos em missão e abrindo os outros à fé! 
A Igreja que envia precisa do vento novo das Igrejas novas 
para reavivar o fogo da sua missionariedade!

As Igrejas mais antigas e enviadoras de missionários,
precisam do testemunho desses missionários
para reavivar o que está adormecido e evangelizar a rotina.
A primeira evangelização torna-se nova evangelização,
quando se alimenta a comunhão de Igrejas, 
a narrativa missionária, a solidariedade, o envio e o acolhimento.
Todos estamos em missão, 
entre o óbolo da viúva e a partilha do que nos sobra, 
sentados, de cajado na mão, à mesma Mesa do Cordeiro!

Senhor, fonte de paz, que nos inquietas e pões em missão,
fortalece os nossos pés acomodados e cheios de artrose,
e torna-nos atletas do Evangelho e embaixadores da esperança.
Espírito Santo, que pairas sobre a criação como luz que ilumina,
dá-nos um coração disponível e confiante para partir em missão,
com um coração de pastor e mãos humildes de irmão!
Abre-nos ao fogo novo e jovial que brisa das Igrejas jovens,
para que as nossas Igrejas envelhecidas e rotinadas,
possam ganhar nova vida, novo ânimo, nova esperança.
S. Maria, Mãe da esperança, faz-nos participantes da hora de Deus!

segunda-feira, maio 15, 2017

 

2ª feira da 5ª semana da Páscoa


Nós somos homens como vós e vimos anunciar-vos que deveis voltar-vos para o Deus vivo. (cf. At 14,5-18)

Há um só Deus que fez o Céu e a Terra,
mas Deus permitiu que cada um, na sua liberdade e cegueira,
seguisse os seus caminhos de busca do Amor que os sustenta!
Ao povo de Israel foi-se revelando e propondo uma aliança,
até que enviou o próprio Filho, em carne humana,
para habitar no meio de nós e nos anunciar o Evangelho.
Deu-nos o seu Espírito e enviou-nos a todos os povos
a testemunhar a luz da verdade e a generosidade da graça redentora.
Aqueles que, como Paulo e Barnabé, creem no Evangelho,
manifestam Cristo e a força do Espírito Santo,
na surpresa da santidade e da ternura fraterna!

Na recente visita do papa a Fátima,
muita gente queria vê-lo, toca-lo, ouvi-lo.
Quem o conseguiu, emocionou-se, tirou fotos,
fez vídeos, contou aos amigos com orgulho.
O papa, de muitas formas, tentou dizer-nos:
não fixem os olhos em mim, mas nAquele que me dá vida,
no Evangelho em que eu acredito, no Mestre que sigo!
O mesmo nos diz sobre Maria e os santos:
olhai para eles, para verdes que é possível ser santo,
quando confiamos como eles confiaram,
amamos como eles amaram,
perdoaram como eles perdoaram!
Não veneremos pessoas, mas sigamos o seu modelo de vida
e confiemos em Quem eles confiaram!

Senhor, Meu Deus e nosso tudo, como sois grande e misterioso,
misericordioso e libertador, surpreendente e amigo!
Cristo, nossa salvação, enviada pelo Céu,
para colocar a caminhar quem anda coxo de fé
e doente do pecado idolátrico e enganador,
cura a nossa cegueira e dá-nos pés cristãos,
coração compassivo, olhar misericordioso,
palavras de verdade e ouvidos de empatia!
Espírito Santo, luz que nos faz ver em Deus e ver a Deus,
faz-nos memória viva da boa nova de Jesus,
humilde e peregrina, sem tentações idolátricas,
sempre apontando para Aquele que nos dá vida a todos!

domingo, maio 14, 2017

 

5º Domingo da Páscoa – Semana da Vida


Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva. (cf. 1 Ped 2,4-9)

Jesus é o caminho seguro para chegar ao Pai.
Ele é a Rocha fiel que faz de cada um de nós pedras vivas
e caminho que aponta para o Caminho do seu Evangelho.
Aproximar-se dEle é encontrar-se com Deus,
participar no seu sacerdócio santo, na sua santidade,
na sua salvação, na sua profecia da verdade!
Pela ação do Espírito Santo, as pedras dispersas e inábeis,
tornam-se pedras vivas de um grande templo espiritual,
sem propriedade privada nem nacional,
tão grande que chega ao Céu e abarca toda a criação!
Cada um faz apenas a sua parte em comunhão
e juntos assumimos a missão de Cristo!

A participação na Igreja e na sociedade é carismática e ministerial.
Deve respeitar-se o princípio da solidariedade e da subsidiaridade.
O monopólio de funções ou a indiferença,
tornam-nos pedras mortas ou de tropeço
que impedem a Igreja ser um corpo ou um templo vivo!
Quanto mais ministerial for a Igreja, 
maior é a participação de todos, segundo o seu carisma,
menor é o protagonismo pessoal que eclipsa a comunidade!
Aproximando-nos de Jesus, descobrimos que a pedra angular
muitas vezes está no alicerce, invisível mas sustentadora!

Senhor, Palavra do Pai, que nos conduz à vida,
sacia-nos com a tua verdade e conduz os nossos passos.
Cristo, Pão da vida, que fortalece os nossos joelhos vacilantes,
mostra-nos a nossa vocação, o que queres de nós
para que possamos tornar-nos pedras vivas da tua Igreja.
Espírito Santo, luz interior que nos ensina a amar e a servir,
ajuda-nos a discernir os caminhos de Cristo nas encruzilhadas da vida,
para que não nos percamos a dormitar na indiferença,
mas vivamos em comunhão e façamos as obras de Cristo!
S. Maria, Mãe da Igreja, ensina-nos a ser um humilde servo
do Corpo de Cristo, presente na Igreja que vive em cada lugar!

sábado, maio 13, 2017

 

Nossa Senhora de Fátima


Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol. (Cf.  Ap 11, 19a; 12, 1-6a.10ab)

A Cova da Iria vestiu-se de luz e de festa,
regada de lágrimas de emoção e conversão,
num silencio orante, à volta do seu Pastor 
e dos seus representantes, de Maria, nossa Mãe, 
dos pastorinhos, nossos pequenos grandes santos!
É uma grande multidão reunida de todos os pontos da Terra,
num pentecostes renovado e numa paz reencontrada.
O Céu desceu à Terra e aqueceu-nos o coração,
sentados à mesma mesa da nossa salvação!

A grande afluência de povo 
às celebrações do centenário das aparições de Fátima
revelam uma grande procura de Deus!
Para muitos, ver o Papa e estar na canonização,
é mais uns créditos para o seu curriculum de vida,
registado com fotos e vídeos, nas redes sociais;
para outros, será uma redescoberta da fé e da conversão,
um começar de novo, um reencontrar-se com a verdade do Amor!
Um santuário é um espaço aberto, acolhedor,
misericordioso, resposta livre para buscas diversificadas.
Há decerto, muita semente que cai em caminho duro,
muita peregrinação semeada em terreno pedregoso ou com espinhos,
mas a esperança está na terra boa dum pequeno resto,
que dá 30, 60 e 100 por uma!

Senhor, como é bom estar conTigo
e sentir a tua presença no fervor da fé do irmão!
Cristo, obrigado pelo dom da tua Mãe,
que nos fala ao coração e nos aponta para Ti!
Espírito Santo, luz que nos envolve em Deus
e nos faz ver a grandeza da misericórdia 
com que somos amados e trabalhados,
ajuda-nos a aproveitar este Pentecostes para nos convertermos
e sermos santos como Francisco e Jacinta Marto!
Protege o Papa Francisco e ajuda-o a conduzir a tua Igreja!
S. Francisco e Jacinta Marto, rogai por nós
e pela paz deste mundo efervescente de violência!

sexta-feira, maio 12, 2017

 

6ª feira da 4ª semana da Páscoa – B. Joana da Portugal


‘Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei’. (cf At 13,26-33)

Deus é essencialmente Pai, num hoje sempre renovado.
O seu amor, por mais que seja desamado, não deixa de amar
e gera o Filho cada hoje alegremente atualizado.
O seu sonho é ser Pai de todas as criaturas
e, por isso, enviou o Filho a ensina-los a ser filhos
e o Espírito a recriar o que se perdeu à imagem do Filho!
Como é belo saber que Deus nunca nos nega a sua paternidade,
que cada instante é uma renovada declaração de amor,
num colo que nos sustenta e num abraço misericordioso!

O ser humano experimenta uma certa falta de identidade.
Gosta de ser adulto, mas não quer deixar de ser criança;
quer casar, mas não quer deixar de ser solteiro;
quer consagrar-se, mas quer deixar algo de fora;
quer ser estar acompanhado, mas também quer ser estar só;
quer ser pai e mãe, mas também quer estar sem os filhos;
quer ser santo, mas também quer fazer as suas incursões no pecado!
A fidelidade é um ideal, mas a infidelidade também!
Gostaríamos de ser tudo, o mesmo e o contrário!
As férias, as festas, o carnaval são apenas algumas expressões
desta insatisfação de ser o que é e o medo de uma identidade fixa! 
Só Deus é o que é e é tudo, sem desejar ser o contrário,
nem se cansar de ser Pai-Mão, Irmão, aliança, comunhão!

Senhor, nosso Pai, louvado sejas pela tua misericórdia,
eternamente renovada, num hoje sem reticencias!
Cristo, Filho gémeo na fidelidade da Santíssima Trindade
que sustentas o Pai na sua paternidade,
ajuda-nos a ser fieis e alimenta o nosso seguimento dos teus passos.
Espírito Santo, comunhão de amor entre o Pai e o Filho,
envolve-nos nesse mistério de amor fiel
e recria-nos filhos de Deus à imagem do Filho! 
Maria, escolhida para Mãe, conduz-nos cada manhã,
para renovarmos a nossa filiação divina, num hoje renovado!

quinta-feira, maio 11, 2017

 

5ª feira da 4ª semana da Páscoa


Irmãos, se tendes alguma exortação a fazer ao povo, falai. (cf. At 13,13-25)

Barnabé e Paulo entram na sinagoga para rezar.
Sentam-se e esperam que os mandem falar.
É a humildade paciente que sabe esperar,
que Deus fale e que o outro o convide a falar.
Deus nada força pois respeita a nossa consciência,
e o evangelizador da mesma forma deve atuar:
caminhar com, testemunhar a alegria de acreditar
e esperar que o outro o convidar a falar
da sua esperança na novidade redentora de Jesus Cristo!
Que mistério este de ser semeador confiante no Evangelho!

A pastoral e a evangelização andam, muitas vezes,
ligadas à angústia da eficácia, da pressa e do medo.
Dá a impressão que desconfiamos da força da oração,
do poder transformador do Evangelho, da graça do Espírito.
Talvez por isso, colocamos a nossa confiança mais na oratória,
no marketing, na psicologia, nos métodos de convencimento.
Temos pressa de ver resultados e 
semeamos hoje e queremos colher amanhã, 
esquecendo-nos que Deus anda nesta missão desde a criação!

Senhor, semeador da aliança na história que balança,
louvado sejas pela paciência com que nos acompanhas,
pela misericórdia com que nos curas,
pela esperança com que nos dás a mão e nos levantas!
Espírito Santo, que bates à porta das pessoas disponíveis
e os inspiras profecias que jorram do coração do Amor,
louvado sejas por nos avisares da cegueira 
que nos faz andar aos tombos
e nos despertas para a luz que indica o rumo certo!
Cristo, nosso Irmão, que te assentas em oração
a lavar-nos os pés e a repartir o teu Pão,
louvado sejas pelo dom da tua vida entregue por nós
e por permaneceres connosco como Palavra de salvação. 
Ajuda-nos a ser uma Igreja que age como Deus!

quarta-feira, maio 10, 2017

 

4ª feira da 4ª semana da Páscoa


Estando eles a celebrar o culto do Senhor e a jejuar, disse-lhes o Espírito Santo. (cf. At 12,24-13,5a)

É o Espírito Santo que conduz a Igreja para Deus, por meio de Cristo.
A celebração comunitária da Eucaristia e o jejum
proporcionam que o Espírito fale e se escute,
chame e envie pessoas em missão evangelizadora.
Não envia os incómodos nem os piores,
mas o primeiro e último da lista dos profetas e doutores 
mais importantes duma comunidade nova e fecunda.
Barnabé e Paulo não se acomodam na cadeira do poder,
mas cingem os rins e tomam o bordão de semeadores da Palavra,
pois o Evangelho não é para guardar nem esconder, mas para anunciar!

O culto é muitas vezes visto como um dever a cumprir,
por isso, deseja-se que seja  leve, breve, interessante e indolor.
As facilidades de mobilidade, levam-nos a procurar
a missa que eu gosto, onde me sinto bem e não chateie.
O objetivo não é construir comunhão de irmãos,
escutar o Espírito Santo, abrir-nos à caridade e à missão,
mas ficar com a consciência tranquila! 
Entre os ministros sagrados e os consagrados, também pode haver
a tentação de ter uma morada permanente e de se agarrar ao poder,
fechando-se aos desafios missionários do Espírito!

Senhor Jesus, luz do mundo e salvação das nações,
dá-nos um coração de pastor e testemunho de semeador,
para que não fiquemos indiferentes às trevas do irmão
e nos entreguemos totalmente pela sua salvação!
Abre-nos à ação do teu Espírito 
para que o culto não seja simples ritos religiosos,
mas espaços comunitários procurados
de escuta, de silêncio, de louvor e de ação de graças,
de alimento de fé e memória de Cristo servo e missionário!
Ajuda-nos a tomar consciência de como entramos e de como saímos,
cada vez que vamos rezar ou participar na Eucaristia! 

terça-feira, maio 09, 2017

 

3ª feira da 4ª semana da Páscoa


Os irmãos que se tinham dispersado, devido à perseguição... anunciavam a palavra. (cf. At 11,19-26)

A Igreja perseguida tornou-se numa Igreja missionária.
Ao fugirem da violência, redescobrem a vocação da Igreja:
partir de si e pelo caminho anunciar Jesus Cristo,
evangelizar a todos, transformando uma desgraça numa graça!
Os cristãos perseguidos não transportam com eles o rancor,
mas a alegria de dar testemunho do Salvador em Quem acreditam!
Deus concorre em tudo para o bem daqueles que ama,
transformando a perseguição em missão,
aproveitando a ousadia de alguns para levar o Evangelho a todos!
Barnabé, enviado da Igreja-Mãe, confirma a nova Igreja de Antioquia,
consolida-a, organiza-a, e torna-a missionária!

Alguns, nas dificuldades, concentram-se em si mesmos,
usando a astúcia e a mentira para sobreviverem e enriquecerem.
Esquecem valores, desistem de trabalhar honestamente,
usam da violência para destilar o seu ódio e se afirmarem,
arrumam a fé e a esperança até que melhores dias venham!
Outros partem com a esperança e a fé no coração
e transformam a emigração, o trabalho ambulante, 
a situação de refugiado ou uma doença, numa oportunidade
para continuar a acreditar, para testemunhar e celebrar a fé,
para anunciar Jesus, nosso salvador, às gentes hospedeiras!
É assim, que muitas Igrejas de países descristianizados,
estão a ser revitalizadas pela mobilidade de Igrejas vivas!

Senhor, Pai de toda a humanidade, que a todos amas
e a todos queres salvar com a nossa colaboração,
faz de nós cristãos fieis em todas as situações,
sem offshores, nem desistências, nem parêntesis!
Cristo, que nos envias a anunciar a Boa Nova a todos os povos, 
ajuda-nos a aproveitar todas a situações,
- trabalho, lazer, estudo, emigração, doença, internet...-
para sermos instrumentos da reconciliação e da paz,
da conversão, da misericórdia e da evangelização!
Espírito Santo, que a todos nos queres envolver no amor de Deus,
faz de nós pessoas de comunhão e de esperança,
nas surpresas da vida e nas sendas do desconhecido.

segunda-feira, maio 08, 2017

 

2ª feira da 4ª semana da Páscoa


‘Levanta-te, Pedro; mata e come’. (cf. At 11,1-18)

Ao criar o mundo, Deus viu que era tudo bom!
Não há animais ou pessoas impuras
ou impróprias para a comensalidade ou a salvação!
Todos somos necessitados da providência e misericórdia de Deus.
Para Deus todos somos suas criaturas, 
igualmente amadas e pastoreadas com o mesmo zelo. 
No Coração de Jesus, imagem gémea do Coração do Pai, 
todos os rebanhos lhe pertencem, por todos estremece de cuidados
e se dispõe a dar a vida para a todos salvar.
Pedro é chamado a adentrar-se neste oceano de misericórdia filial,
a matar o preconceito e a divisão, 
a sentar-se à mesma mesa da missão!

Hoje o mundo está muito dividido, embora globalizado.
A grande cidade é uma imagem da segregação de pessoas
e divisão entre ricos e pobres, cultos e incultos,
nacionais e estrangeiros, empregados e desempregados,
funcionais e disfuncionais, favorecidos e marginalizados,
bons e maus, religiosos e ateus, turistas e refugiados...
Na cidade os muros de divisão são invisíveis, mas reais;
neste mundo global começam a construir-se muralhas de resistência,
que defendem e atacam, em cruzadas que acirram o preconceito.
Felizmente, há Pedros que hoje escutam a voz do Senhor
e constroem pontes, alargam a hospitalidade,
corrigem o olhar, descem às periferias e aos campos de refugiados,
sentam-se à mesma mesa da fraternidade e da vida! 

Senhor, Pai de coração grande e entranhas maternas,
ajuda-nos a matar o preconceito e a xenofobia,
e a fazer a nossa parte na construção da globalização do amor!
Cristo, bom Pastor, que dás a vida por todas as ovelhas,
ajuda-nos a celebrar a Eucaristia como memória desta entrega
e compromisso de colaborar na tua missão de salvação universal.
Espírito Santo, dom generoso, que quer reavivar a todos,
ajuda-nos a ser uma Igreja livre de preconceitos e de medos,
sempre disponível para a comunhão,a justiça e a paz,
sempre pronta para dar testemunho do Evangelho da fraternidade!

domingo, maio 07, 2017

 

IV Domingo da Páscoa – Bom Pastor, Dia Mundial de Oração pelas Vocações, Dia da Mãe


Agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas. (1 Ped 2,20b-25)

O Filho de Deus veio ao mundo para nos salvar.
Revela o agir de Deus, 
que como pastor cuida das suas ovelhas,
conhece-as e sabe o nome de cada uma, ama-as ternamente!
Não julga ninguém, não desiste de nenhuma,
mas guia-as por sendas seguras e prados verdejantes.
Cuida das suas feridas, carrega aos ombros a mais frágil,
procura a desgarrada e perdida, 
enfrenta os ladrões com determinação,
dispondo-se a dar vida para que todos tenham vida!
É um pastor com coração de mãe,
que sem nada dizermos, olha para nós e sussurra: 
“O que se passa? Pareces triste!”

O funcionalismo de tudo faz um simples emprego.
Num emprego tem que se cumprir horários,
executar ordens, alcançar objetivos,
mas evita-se envolver o coração,
fazer as coisas por amor e total empenho!
A maioria opta por ser mercenário calculista e interesseiro!
Mesmo quando o serviço está ligado à educação e à religião,
também se corre o risco de fazer as coisas apenas por dever e interesse.
Surpreendentemente, é nas situações de deficiência,
de extrema pobreza, de voluntariado, de missão,
que aflora mais a dimensão materna e pastoral,
e as pessoas se esquecem que são empregados
e se tornam pais, mães, ombro amigo, sorriso paciente!

Senhor, Bom Pastor, com coração de Mãe e de Cordeiro,
como é bom acordar e sentir a oportunidade de mais um dia,
o chamamento a rezar e a cuidar do mais frágil,
o dom da tua Palavra e do Pão que fortifica a ternura!
Cristo, Pastor e guarda das nossas almas,
quanta misericórdia, quanto cuidado, quanta paciência
nessa Mão que nos conduz, nesse Abraço que nos reconcilia,
nessa Voz que nos envia a evangelizar as ovelhas desgarradas!
Envia-nos o teu Espírito e liberta-nos duma vida sem coração!
Obrigado pela mãe que me deste, sacramento deste coração do Pastor!
Obrigado pela Mãe que nos deste, que nos ama em Ti com amor!

sábado, maio 06, 2017

 

Sábado da 3ª semana da Páscoa


A Igreja consolidava-se e caminhava no temor do Senhor e crescia na consolação do Espírito Santo. (cf. At 9,31-42)

A Igreja é o corpo vivo do Senhor Jesus,
na pessoa dos crentes que celebram e vivem a sua memória.
Por isso, deve consolidar-se na glorificação do Pai, 
caminhar no discipulado de Jesus
e crescer na consolação do Espírito Santo.
A paralisia de Eneias e a morte de Tabita
são o símbolo das fragilidades em que a Igreja pode cair
e que os seus pastores, com oração e fé,
devem procurar curar e ressuscitar!
A ordem é a mesma de Jesus: “Levanta-te e anda!
Não fiques paralisado nem desesperado na morte do pecado!”

A cama e o sofá são símbolos do sonho de chegar,
permanecer, acomodar-se, estacionar, sedentarizar-se!
Este sonho acompanha as pessoas mas também as instituições!
O “consolidar” deve ser complementado pelo “caminhar” e “crescer”,
se não corre o risco de se paralisar e morrer! 
É assim com o conhecimento, com a fé e com o amor! 
Que o digam as relações conjugais, as relações de amizade,
as dinâmicas empresariais e políticas,
os institutos de vida consagrada, as dioceses, as paróquias...
A vida é uma missão sempre renovada,
numa busca constante do ainda não e do ainda melhor!

Senhor, hoje que faço 33 anos de ordenação sacerdotal,
consolida o que em mim começaste,
com a tua Palavra, a tua graça e misericórdia!
Cristo, Bom Pastor que te fazes Companheiro e Caminho,
ensina-me a peregrinar na fidelidade e na humildade,
como servo de Deus e da salvação da humanidade!
Espírito Santo, consolador que fermenta e purifica o ardor,
faz-nos crescer até à estatura do nosso Mestre e Senhor,
discernindo a santidade, resistindo à maldade,
celebrando os louvores de Deus
e dando a vida, para que em Cristo, todos tenham vida!
Ajuda-me, Senhor, a presidir à Eucaristia mas também à caridade,
para que a vida se torne missão e glorifique a Santíssima Trindade!

sexta-feira, maio 05, 2017

 

6ª feira da 3ª semana da Páscoa


O Senhor chamou-o numa visão: «Ananias». Ele respondeu: «Eis-me aqui, Senhor» (cf. At 9,1-20)

O Senhor vem ao nosso encontro como um dom.
Envolve Saulo, o perseguidor, com a sua luz,
e deixa-se ver e ouvir pelo orante Ananias de Damasco.
O chamamento é uma escolha do Senhor Jesus
e não um prémio pelos nossos méritos e qualidades!
O Senhor é uma Palavra que ilumina e cura,
mas precisa de irmãos que a levem com fidelidade
e saibam dizer: “eis-me aqui, Senhor, podeis enviar-me!”
Quem ousa dizer “Sim” é um servente de mesa
que transporta em suas mãos trémulas e às vezes pouco limpas,
um manjar divino e eterno, em pratos de barro!

Estamos na semana de oração pelas vocações de especial consagração.
Hoje muita gente escuta a voz do Senhor,
mas, olhando para o que tem que dar,
não responde “eis-me aqui, Senhor, podeis enviar-me”,
mas “eu não sou capaz”, “não estou disposto a isso”,
“não quero comprometer-me para toda a vida”,
“isso dá muito trabalho e pouco retorno”,
“gosto de ter a minha vida e de ser livre”...
O medo, o egoísmo e falta de fé são muros que construimos
e nos impedem de nos pôr a caminho 
e de respondermos com generosidade à vocação do Senhor!

Senhor, Pai bondoso, que confias em nós a tua missão,
ajuda-nos a dizer sim e a sair do nosso conforto egoísta.
Cristo, que nos chamas pelo nosso nome a colaborar contigo,
perdoa as vezes em que adormecemos nos nossos caprichos
ou tememos as tempestades de alto mar.
Dá-nos a confiança e a generosidade do semeador
que acredita na fecundidade da terra e da semente.
Espírito Santo, unge-nos com a tua força e a tua luz,
para que sejamos discípulos missionários,
mais confiantes em Deus do que nas nossas forças e capacidades!
Abre o coração da nossa juventude à ousadia do sim a Deus,
do amor sem exceção aos irmãos, da entrega total à missão!

quinta-feira, maio 04, 2017

 

5ª feira da 3ª semana da Páscoa


O Espírito de Deus disse a Filipe: «Aproxima-te e acompanha esse carro». (cf. At 8,26-40)

O Espírito de Deus conduz sempre ao encontro,
numa missão de proximidade, acompanhamento,
anúncio da boa nova do Evangelho,
acolhimento do propósito de conversão e de salvação.
A proximidade não é invasiva nem impositiva,
mas caminha lado a lado, estabelece diálogo humilde,
pergunta o incompreensível, espera até ser convidado a entrar,
anuncia Jesus redentor a partir da situação concreta do outro.
Acompanha sem criar dependência  e sabe afastar-se para que cresça!
Este é o agir de Deus revelado em Jesus, seguido por Filipe, 
e que toda a Igreja deve imitar e reproduzir!

O modelo de família nuclear aliado à falta de tempo dos pais,
cria distâncias relacionais, 
delegando a proximidade e o acompanhamento em serviços contratados:
a escola, os meio de comunicação social, clubes...
Encontram-se ao fim de semana e à noite para comer e dormir,
mas durante o resto do tempo estão próximos e acompanhados por outros.
No meio empresarial e político, para assegurar a fidelização,
investe-se muito em laços de proximidade e acompanhamento,
por meio de campanhas marketing e tentação.
Nas relações humanas mais complexas e difíceis, 
rareia a paciência e falta o tempo para dialogar, escutar, acompanhar!
A solução mais fácil é desistir, afastar-se, criticar!

Senhor, a tua grandeza nos envolve em mistério
e o teu amor nos confunde com tanta proximidade,
como é grande a tua misericórdia e salvação!
Senhor Jesus, que Te tornar-te nosso Servo,
numa fidelidade aliada de Cordeiro imolado,
como é insondável este Pão que desceu do Céu 
e se entregou pela salvação do mundo!
Espírito Divino, proximidade interior que nos acompanhas,
nos guias e sussurras o louvor, o perdão e a missão,
como é libertadora a tua brisa suave que nos anima-nos
e nos convida a ser semelhantes a Cristo no amar e no agir!
Ajuda-nos a ser uma Igreja próxima e companheira
dos que andam à procura de respostas para a sua fé inquietante,
as suas questões de sentido, as suas dúvidas de esperança
e as suas resistências à reconciliação e à paz!

quarta-feira, maio 03, 2017

 

S. Filipe e S. Tiago, Apóstolos


Apareceu a Tiago e em último lugar, apareceu-me também a mim, como o abortivo. (cf 1 Cor 15,1-8)

Deus é espírito, mas, por amor, faz-se revelação.
O que era invisível, torna-se Rosto próximo em Cristo.
É o amor obediente e fiel do Filho que O torna Palavra do Pai,
coração misericordioso com pés de peregrino,
saudação de paz que sopra a ternura do Espírito Santo.
O Senhor apareceu a Tiago, aos apóstolos, a Saulo...
sempre como uma surpresa gratuita e revitalizadora,
que envia em missão e a ser extensão da Palavra divina.
A nossa fé passa pela experiência pessoal, mística e indigna,
do “Cristo que apareceu também a mim, como o abortivo”! 

O cristianismo é essencialmente experiência de Cristo vivo.
Tudo o resto, ritos, doutrinas, deveres, valores, atitudes...
devem ser expressão desta experiência e não o contrário!
Ir à missa porque os outros vão ou quando me apetece,
rezar apenas quando estou apertado e não sei para onde me virar,
cumprir deveres religiosos e morais por medo de ir para o inferno,
são tudo expressões religiosas pressionadas a partir de fora
e não movidas pelo entusiasmo que brota do amor a Cristo!
A nossa vida é uma história surpreendente de misericórdia
e não a soma de pontos que fomos conquistando esporadicamente!

Senhor, que rosto esplendoroso, apaixonado e divino,
nos mostras do Pai, quando nos lavas os pés
e abres os braços para ser crucificado e Te ofereceres por nós!
Cristo vivo, há quanto tempo sinto o teu perfume,
vejo as marcas de Alguém que me acompanha escondido,
de uma Brisa que refresca e aquece nos cansaços do dia,
de uma Luz que me conduz e levanta nas trevas da vida!
Que S. Filipe e S. Tiago intercedam por nós
e nos animem a confiar n’Aquele que seguiram,
anunciaram e pelo Qual deram as suas vidas!

terça-feira, maio 02, 2017

 

3ª feira da 3ª semana da Páscoa – S. Atanásio


Vejo o Céu aberto e o Filho do homem de pé à direita de Deus. (cf. At 7,51-8,1a)

Jesus é a chave do Céu, por esta porta se vê a esperança!
Já não é preciso arrombar o Céu, nem conquista-lo,
só precisamos escutar a Palavra que nos guia,
seguir o Caminho seguro, à luz da fé e do amor.
Estêvão vê a vitória sobre a morte e o rancor,
vislumbra a sua humanidade redimida
no “Filho do homem de pé à direita de Deus”!
Por isso, pode morrer reconciliado e em paz,
entregando o seu espírito nas mãos d’Aquele que salva! 

As novas religiosidades são pretensamente auto-redentoras,
excluem Deus do seu horizonte e da sua salvação.
Acreditam que é um determinado método de meditação,
práticas rituais, alimentos ou porções mágicas,
que nos vão purificando, espiritualizando, redimindo.
A reencarnação é uma crença ateia
que faz da história uma cíclica lotaria da sorte,
que tanto pode dar uma vida de cão como de rei!
A ressurreição é obra de Deus, como surpresa da graça,
realizada por Jesus, na entrega confiante da sua vida,
selando com a humanidade uma aliança eterna
de abrir o Céu a todos os que por Ele quiserem passar!

Senhor, cada manhã elevo os olhos ao Céu,
muitas vezes enevoado e sombrio
e confio que o Sol de Justiça nos vê, aquece e espera com amor!
Cristo, Palavra de vida, que desceste do Céu e para Ele nos conduzes,
aumenta a nossa fé e torna dócil o nosso coração,
para que saibamos dar testemunho da nossa esperança
em todos os momentos, como fez Estêvão!
Envia-nos o teu Espírito e exorciza o medo de morrer,
as dúvidas de fé, as vozes de encantamento e de ilusão!
Ajuda-nos a encontrar em Jesus a luz que nos faz ver a Terra,
o Pão que nos fortalece o perdão, a água que nos torna missão!

segunda-feira, maio 01, 2017

 

S. José Operário


O vosso trabalho, fazei-o de boa vontade, como quem serve ao Senhor e não aos homens. (cf. Col 3, 14-15.17.23-24)

Em Deus o trabalho é expressão de amor,
ternura que faz cada coisa única,
arte criativa que em cada detalhe põe a marca do Criador.
O dinamismo de liberdade faz de Deus 
um trabalhador incansável, um pastor atento,
um restaurador de dignidade, um salvador de náufragos,
um pedagogo da felicidade, um médico de campanha,
um carregador de cruzes alheias, um voluntário apaixonado!
Deus escolheu José, carpinteiro de Nazaré,
para com o seu exemplo e trabalho ensinar Jesus, seu Filho,
a elevar o trabalho à dignidade de missão concriadora com Deus!

O trabalho pode ser visto como um castigo ou uma inevitabilidade,
ou como uma oportunidade de usar as suas competências,
de ganhar dinheiro e independência financeira.
Quem se vê forçado a trabalhar andará sempre contrariado,
a fugir do esforço, a olhar para o fim do horário, 
o dia das folgas e das férias, e o aumento dos salários.
Quem trabalha por gosto e de boa vontade,
faz as coisas com alegria e com amor,
cria bom ambiente entre os colegas,
sente-se pedra viva no projeto de um mundo novo.
Quem trabalha com fé, sabe caldear oração e trabalho,
celebração e vida, semana e domingo, família e empresa,
profano e sagrado, projetos e liberdade!

Senhor, Coração que não se cansa em fazer o belo,
em recuperar o amável, em restaurar a felicidade,
continua a trabalhar em nós, a recriar-nos filhos de Deus,
a curar dependências, a forjar liberdade.
Cristo, Filho do Carpinteiro de mãos e pés calejados,
ensina-nos a ser obreiros de um mundo mais justo,
mais confiante no Pai e solidário na fraternidade.
Espírito Santo, ajuda-nos a santificar tudo o que é profano
e a dar glória a Deus com o trabalho de cada dia.
S. José, operário humano da filiação divina,
intercede para que a atividade humana seja dignificante
e colabore na majestosa e bela obra da Criação!

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