quinta-feira, março 05, 2026

 

5ª feira da 2ª semana da Quaresma (5 março)

 



Para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. (cf. Lc 16, 19-31)

 

Deus envia os seus profetas e o próprio Filho,

para nos prevenir e alertar da vida que levamos

e, uma vez convertidos,

não irmos para o lugar do tormento eterno.

Deu-nos a aliança como caminho da vida e do amor,

enviou-nos os profetas como voz incomoda,

mas que revela a verdade duma vida de festas egoístas,

sem lugar para partilhar, ao menos, o que sobra com o pobre.

Jesus é o enviado de Deus que enviamos para a morte

e ressuscitou para nos desafiar à conversão

e evitarmos a condenação eterna.

 

Temos a Palavra de Deus, dom de luz para os nossos passos,

alerta de amor que pede conversão para a nossa salvação.

Não é uma questão apenas espiritual, entre mim e Deus,

mas é uma questão relacional, que nos envolve na vida dos frágeis

como parte da resposta que eles suplicam a Deus.

A questão da fome no mundo é um problema de fé,

de correspondência ao amor de Deus

que se multiplica em pequenos gestos,

motivados pelo coração compadecido,

que descobre no pobre um enviado de Deus

a salvar-me pela partilha e pelo cuidado.

 

Senhor, obrigado pelos avisos que nos envias,

no desafio do pobre que nos bate à porta

e do frágil que precisa de cuidado e ajuda.

Perdoa as vezes que somos como aquele rico indiferente,

que não se dá conta do fosso que constrói e divide a humanidade,

entre os privilegiados e os desgraçados,

mundos paralelos que coexistem lado a lado.

Ajuda-me Senhor a ser alguém que previne do pecado,

meditando e rezando a Bíblia, como luz nas trevas.



quarta-feira, março 04, 2026

 

4ª feira da 2ª semana da Quaresma (4 março)

 



Será como o Filho do homem, que veio para servir 

e dar a vida pela redenção dos homens. (cf. Mt 20, 17-28)

 

O poder do amor não pretende fazer sentir o seu poder,

mas, de forma despercebida,

servir a vida pela redenção de todos.

É assim que atua a providência divina,

foi assim que o Filho de Deus encarnou,

foi assim que Jesus anunciou o reino de Deus

e deu a vida em Jerusalém na cruz inocente,

amando-nos até ao fim de forma incondicional.

Os discípulos de Jesus devem ser como Ele

e purificar o desejo de poder e de prazer.

 

Há cristãos que sonham com o poder e a fama,

como se fossem discípulos de Herodes e de Pilatos.

Nestes tudo é negociável: a justiça, a verdade,

o seu humano, a palavra dada, a guerra e a paz.

Há pastores da Igreja que,

embora preguem a humildade e o serviço,

buscam cargos de poder e fogem da profecia,

procurando o carreirismo revestido de veste sagrada.

 

Senhor, que viestes para servir e não para ser servido,

ensina-nos este caminho da humildade e do cuidado,

e a ser na terra o testemunho de Cristo que serve

e dá a vida pela salvação de todos os pecadores.

Espírito Santo, faz que a nossa vida seja profecia viva,

imagem verdadeira e atual de Cristo-servo

que nos diz na Eucaristia: “Este é o meu corpo…

este é o meu sangue, entregue pela salvação de todos”.



terça-feira, março 03, 2026

 

3ª feira da 2ª semana da Quaresma

 



Eles dizem e não fazem. (cf. Mt 23, 1-12)

 

Deus é Palavra que cria e faz aliança.

É fidelidade que jorra misericórdia e perdão.

É missão que envia o seu Filho no Espírito Santo,

Profecia que encarna no seio de Maria,

Palavra que diz e faz com a autoridade da coerência.

Ele é o mesmo na eternidade e no tempo,

na cruz da dor e da traição e nos horto da ressurreição,

na Igreja que perdura no tempo e nos sacramentos de vida.

 

A palavra é muitas vezes doutrina para os outros praticarem

e não testemunho natural da alegria de escutar e amar.

Há grandes oradores e mestres da palavra,

que comentam jogos sem saberem jogar;

analisam políticas sem soluções a dar,

apontam o dedo condenatório como santos fossem.

Os meios de comunicação enfatizam a palavra,

pois a opinião é um direito que ninguém quer abdicar.

Mesmo na Igreja há muita incoerência

que corrói a credibilidade dos valores evangélicos pregados.

 

Senhor, Palavra encarnada na fidelidade do amor,

ensina-nos a humildade de sermos irmãos,

independentemente do serviço que prestamos

na política, na escola, na empresa, no clube, na Igreja.

Liberta-nos do engano de julgar que falar bem é suficiente,

deixando na sombra as sombras que nos envergonham

e contradizem os valores que defendemos e apregoamos.

Dá-nos a sabedoria da humildade e do respeito mútuo.



segunda-feira, março 02, 2026

 

2ª feira da 2ª semana da Quaresma (2 março)

 



A medida que usardes com os outros será usada 

também convosco. (cf. Lc 6, 36-38)

 

Deus surpreende-nos como medida sem medida,

misericórdia infinita que chove sobre a criação

e fecunda a esperança com um coração de Pai.

Jesus é a boa medida, a transbordar de fidelidade,

que se dá totalmente para a todos salvar.

O Espírito Santo é a boa medida,

que não conhecemos o princípio e o fim,

só sabemos que enche a terra e se faz luz e profecia,

permanecendo de forma invisível e permanente

sobre os que Ele quer, quando quer e como quer.

 

A vida constrói medidas para os outros

que um dia serão a medida que será usada para nós.

Os que nunca partilham nada por soberba e avareza,

serão surpreendidos na vida e na eternidade de mãos vazias.

Os que excluem os mais frágeis ou os inimigos,

serão considerados excluídos da comunhão do paraíso.

Os que usam a medida da vingança e do rancor,

serão surpreendidos sem conhecerem a misericórdia,

pois nunca a usaram nem a partilharam com ninguém.

 

Querido Pai, Filho e Espírito Santo,

que sois sempre a boa medida, generosa e infinita,

incondicional e sem fronteiras, que só sabe amar.

Abre-nos a esse amor, que para os outros usa a medida

que gostaríamos que usassem para nós,

no presente e na hora da verdade, porque é eterna.

Ensina-nos a generosidade do amor e do perdão,

que nos faz ser fraternos e compassivos,

preferindo sempre a paz e o cuidado da fragilidade.



domingo, março 01, 2026

 

2º Domingo da Quaresma (1 março)

 



Da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho muito amado. Escutai-O (Cf. Mt 17, 1-9)

 

Do Céu desce o mistério que nos envolve na nuvem,

luminosa e sombreada, onde a fé vê pela escuta da sua Voz.

Voz do Invisível que aponta para o Visível,

Palavra de Deus com sotaque galileu.

Jesus não é o que imaginávamos,

mas revela-se perplexidade, aliança que carrega infidelidades

e oferta que se doa numa cruz para que todos tenham vida.

Jesus compreende-se quando a fé se vê com o coração

e a inteligência faz memória da Lei e dos profetas.

Subir ao monte com Jesus é transfigurar a perplexidade da vida

numa história de salvação, com sentido e ressurreição.

 

No caminho do sucesso sem altos e baixos,

não há lugar para um Messias manso e humilde,

que resiste à violência e se entrega nas mãos da injustiça,

orando pelos que O perseguem e atraiçoam

e, até na cruz, encontra lugar de missão a consumar.

Mas ver a dor e a deficiência a partir do alto,

é transfigurar os frutos que em nós produz

de serviço, cuidado, compaixão, fidelidade e amor.

 

Senhor, andamos envolvidos nas preocupações da vida,

alimentados de ansiedade, desejo de poder e sucesso,

de ruído e velocidade, sem tempo para parar

e subir da rotina, guiados pela Palavra que é Jesus.

Espírito Santo, luz que nos faz ver a luz da verdade

no meio da nuvem luminosa do mistério da fé,

ensina-nos a olhar a vida a partir do Deus da esperança

e a transfigurar os frutos de vida

que no inverno querem e podem ser primavera.

Ajuda-nos a fazer desta Quaresma um subir ao monte Contigo.



sábado, fevereiro 28, 2026

 

Sábado da 1ª semana da Quaresma (28 fevereiro)

 




Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e 

orai por aqueles que vos perseguem. (cf.Mt 5, 43-48)

 

Deus ama-nos a todos, bons e maus,

e sobre todos manifesta a sua providência.

O pecado é como uma lança que abre o coração de Deus

e faz brotar dele graça e misericórdia sobre os pecadores.

É esta “feliz culpa” que cantamos na Vigília Pascal,

que nos deu tão grande salvador na nossa carne.

Jesus reza na cruz pelos que O matam.

 

Queixamo-nos do mau comportamento dos outros,

para justificarmos a nossa resposta de vingança aos outros.

Cada um dá o que tem no seu coração:

quem é bom é capaz de rezar pelos que lhe fazem mal;

quem é mau imita o que o ofende tornando-se pior que ele.

Quem segue Jesus, procura imita-Lo como S. Estêvão,

e é capaz de perdoar a quem o ofende e de rezar por ele.

Vê num pecador um irmão a salvar e não a condenar.

 

Deus de amor e da paz, a facilidade com que alguns fazem a guerra,

revolta-nos e dá-nos vontade de Te pedir que caia fogo do Céu,

mas Tu repreendes-nos e dizes-nos que devemos ir por outro caminho.

Hoje queremos pedir-te por todos os nossos irmãos violentos,

injustos, opressores, ladrões, egoístas, mentirosos,

para que o teu Espírito os faça ver no precipício onde andam

e se convertam à fraternidade, à compaixão, à paz e a Cristo.

Dá-nos a graça de sermos capazes de transformar a ofensa

numa oportunidade de nos revelarmos irmãos e discípulos de Jesus.



sexta-feira, fevereiro 27, 2026

 

6ª feira da 1ª semana da Quaresma (27 fevereiro)

 



Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e vem 

depois apresentar a tua oferta. (cf. Mt 5, 20-26)

 

Deus sente-se triste quando há guerra entre nós,

porque Ele é o Pai da comunhão, do diálogo, do perdão e da paz.

Fica triste por ver-nos pecar contra Ele,

mas mais triste ainda quando nos falta a compaixão,

o cuidado no falar, a partilha na carência,

o rancor no desencontro, a injustiça na desigualdade.

A capacidade de reconciliação entre pessoas próximas

é um sinal da compreensão da fé e do amor que vem de Deus.

 

Há gente que se dá muito bem com os de fora,

mas é frio e agressivo para com os de dentro.

Há pessoas que são muito espirituais na igreja,

mas incapazes de perdoar a quem os ofenderam,

de lhes oferecer uma palavra terna de reconciliação.

Há gente, que é muito devota e de prática frequente da missa,

mas se recusa acolher e cuidar do pobre e do estrangeiro,

fazendo dele bode expiatório de todos os males da sociedade.

Até parece que para Deus reservam vinho de primeira

e para o próximo reservam vinagre, acusações e desprezo.

 

Bendito sejas Jesus, encarnação do espírito da lei,

que nos elevaste à dignidade de filhos de Deus,

quando merecíamos ser condenados no tribunal da condenação.

Bendito sejas, Espírito Santo, que resumes a Lei ao amor,

e nos dás a sensibilidade da fraternidade e da reconciliação,

nas pequenas coisas do dia a dia.

Obrigado, porque nos reconciliastes com o Pai,

assumindo ser nosso advogado

e tomando sobe Ti as nossas culpas.

Dá-nos um coração bom e misericordioso, como o teu,

para Te amarmos sobre todas as coisas

e ao próximo como a nós mesmos.



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