sexta-feira, julho 31, 2026

 

6ª feira da 17ª semana do Tempo Comum, S. Inácio de Loiola (31 julho)

 



De onde Lhe vem esta sabedoria e este poder de 

fazer milagres? (cf. Mt 13, 54-58)

 

Jesus vem Deus, por meio de Maria e em colaboração com José.

O que se vê é o Filho do Carpinteiro,

o que se ouve é a sabedoria divina,

o que Ele faz são milagres que só podem vir de Deus.

Mas a presunção que O conhecem,

porque conhecem a sua família,

impede-os de acreditar Nele como enviado por Deus.

Esta cegueira presunçosa impede-os de se abrirem ao mistério.

 

As pessoas mais próximas são as que nos conhecem melhor,

mas também as que nos dão menos liberdade de crescermos.

Para os pais os filhos são sempre “os meus meninos”.

Às vezes, é bom os ficarem longe e crescerem como pessoas

e como profissionais, e depois voltarem para surpreender os pais,

que, com orgulho, lhe dizem: “não te conhecia esta faceta”!

Porque será que os migrantes acabam por se desenvolver mais fora

do que quando estavam por aqui a arrastar a vida?

A catalogação prende-nos na prateleira do já conhecido,

enquanto que o distanciamento nos dá liberdade para ser diferente.

 

Senhor Jesus, sabedoria do Pai com sotaque galileu,

vem ensinar-nos a ser livres e a penetrar no mistério divino

que se esconde nesses pés de caminho e olhar de compaixão.

Espírito Santo, dá-nos o dom da sabedoria que se abre ao mistério,

como se fosse a primeira vez que o encontro acontece.

S. Inácio de Loiola, mestre em discernir os espíritos,

ora para que também saibamos acolher a voz do Espírito

e rejeitar as vozes do mal vestido de anjo de luz

ou do capricho revestido de lei da natureza, do “eu sou assim”.


quinta-feira, julho 30, 2026

 

5ª feira da 17ª semana do Tempo Comum (30 julho)

 



O reino dos Céus é semelhante a uma rede. (cf. Mt 13, 47-53)

 

Na rede do Reino de Deus todos podem entrar:

há gente boa e gente menos bem intencionada.

Só na praia do fim do mundo,

é que os anjos enviados por Jesus

vão separar os justos dos injustos.

Uns ressuscitam para a vida e a comunhão dos santos,

outros ressuscitam para a morte,

pois já antes eram morte e não sabiam.

 

Hoje a imagem da rede é muito atual.

Fala-se da omnipresente “Internet”, rede digital,

que comunica global e anula as distâncias.

Fala-se da necessidade de trabalharmos em rede,

criando sinergias e ultrapassando barreias e individualismos.

Na Igreja fala-se em sinodalidade, em redes de escuta,

pois o Espírito Santo dá a todos o “sensus fidei”.

Fala-se da Igreja de portas abertas,

onde todos podem entrar e beber da Palavra que converte.

 

Bom Deus Trindade, que viveis em rede de amor,

que cria, cuida, faz aliança, cura, perdoa, salva,

sem olhar a quem, pois amais a todos igualmente.

Obrigado Jesus, porque me pescastes

e ainda não me rejeitastes,

pois esperas pacientemente a minha conversão.

Espírito Santo, inspira-me o caminho de Jesus,

para que possa no final ser digno de ser escolhido

para permanecer contigo, na alegria do amor.



quarta-feira, julho 29, 2026

 

4ª feira da 17ª semana do Tempo Comum, S. Marta, S. Maria e S. Lázaro (29 julho)

 



Acreditas nisto?». Disse-Lhe Marta: «Acredito, 

Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus» (cf. Jo 11, 19-27)

 

Jesus é a vida que ressuscita vidas.

Não é uma salvação apenas futura,

mas uma salvação que começa com o encontro,

brota da fé e gera discípulos e missionários.

Marta e Maria e Lázaro são três irmãos amigos,

que se tornaram discípulos de Jesus

e fizeram da sua casa a casa de Jesus e da Igreja.

A hospitalidade é sinal de um coração bom

e a fé é sinal de confiança total no Amigo da Vida.

 

A fé em Jesus é um ato de esperança e de entrega,

que não espera para ver, mas vê o que espera,

porque acredita que Jesus não é apenas um nazareno,

mas o Filho de Deus, enviado pelo Pai a salvar-nos.

Quando pensamos ser o centro do mundo

é difícil aceitar que Alguém desça do Céu

e apareça tão simples e despojado,

sem marketing promocional que o idolatre.

E depois, não poder domina-lo com um comando,

deixa-nos desarmados e inseguros.

 

Senhor Jesus, eu creio em Ti, Filho de Deus encarnado,

mas aumenta a minha fé, pois também contagiado pela dúvida.

Ensina-nos a confiar mais em Ti do que nas nossas forças,

pois é quando a doença e a morte nos assaltam,

que é mais difícil acreditar que podemos sair do túmulo com vida.

S. Marta, S. Maria e S. Lázaro, amigos de Jesus,

orai para que também nós sejamos uma Betânia acolhedora,

quando Te comungamos na Eucaristia,

Te ouvimos no Evangelho, Te cuidamos no pobre,

Te amamos no diferente e nos reconciliamos na desavença.



terça-feira, julho 28, 2026

 

3ª feira da 17ª semana do Tempo Comum (28 julho)

 



Os justos brilharão como o sol no reino do seu Pai. (cf. Mt 13, 36-43)

 

Jesus, o Filho do Homem, veio semear trigo

no campo do mundo e no coração da humanidade.

As espigas deste trigo produzem justiça e santidade,

fé em Jesus e celebração da sua Páscoa,

alegria da paz e cuidado da vida em todas as suas etapas.

Mas ao lado da Palavra da vida, há outros que semeiam morte,

divisão, mentira, guerra, injustiça, medo, cegueira, idolatria.

É o joio que teima crescer ao lado do trigo

e, se for alimentado, abafa o trigo e não o deixa amadurecer.

 

O fim do mundo e o juízo final

deixaram de estar no horizonte da maioria da humanidade.

Vive-se o instante numa correria para novo instante,

com a superficialidade da emoção e precipício do nada,

pois sente-se a ansiedade e o desejo de mais novidade,

mas não se confia em nada nem em ninguém,

nem se espera recompensa ou condenação do que fez..

Parece que a iniquidade pode caminhar tranquilamente

nas praças do descontentamento, pois sem fé morre a esperança

e ser justo parece ridículo, coisas do passado!

 

Senhor Jesus, juiz dos vivos e dos mortos,

confio na tua misericórdia e reconheço o joio que há em mim.

Dá-me discernimento e determinação para saber rejeitar o joio do mal,

as inutilidades que o marketing me quer fazer sentir necessitado,

o erotismo que faz da afetividade uma indústria de prazer,

a intriga e desejo de poder que faz da relação um comércio que mata.

Espírito Santo, dá-me o desejo de ser santo e de ser trigo bom,

para que um dia o Filho do Homem me possa reconhecer

e recompensar na alegria da comunhão que não tem fronteiras

e permanece para a eternidade como um dom amado do Pai.



segunda-feira, julho 27, 2026

 

2ª feira da 17ª semana do Tempo Comum (27 julho)

 



O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento. (cf. Mt 13, 31-35)

 

O reino de Deus é silencioso e faz crescer,

como um fermento bom que levada a massa.

A Palavra de Deus é como um fermento

que transforma o adocicado dos sonhos egoístas

na realidade crua da vida que dá vida, do amor que doi.

Jesus é esse fermento novo da Páscoa,

Mestre sem gritar nem reprimir,

que com o seu exemplo e o seu Espírito,

fermenta vidas novas, discípulos missionários.

 

A Igreja existe para fermentar um novo mundo,

levedar a sociedade e a cultura a partir de dentro,

fazendo do poder serviço, da injustiça amor solidário,

das divisões e guerras comunhão e bem comum,

das mãos que ferem, mãos que abraçam e constroem.

A missão não é espetáculo em arenas barulhentas,

mas fermento de testemunho atraente e interpelador,

que cria uma nova cultura de respeito mútuo,

comunhão do diferente que se valorizam e estimam,

comunidade celebrativa na humildade da gratidão.

 

Senhor Jesus, Fermento pascal que nos contagias,

ajuda-nos a ser fermento humilde e perseverante

num mundo à deriva e em procura ofegante.

Espírito Santo, dá-nos o dom de sermos presenta profética,

que substitui a propaganda  pelo testemunho alternativo,

que inspira paz e justiça, mas também fé e esperança em Jesus

que nos quer salvar, dando a vida na cruz.

Fermenta-me todo inteiro e transforma-me em massa mãe

para que possa fermentar outros que querem ser teus discípulos.



domingo, julho 26, 2026

 

17º Domingo do Tempo Comum, Dia dos Avós e idosos (26 julho)

 



O reino dos Céus é semelhante a um tesouro 

escondido num campo. (cf. Mt 13, 44-52)

 

Deus reina de forma escondida e respeitosa,

é um tesouro oculto que é preciso procurar,

com a confiança de um vedor que escava um poço.

Vemos muitas coisas lindas na natureza e na história,

mas o mais importante é invisível aos olhos da rotina:

a beleza do Artista, o cuidado que sustenta a vida,

a paciência da misericórdia divina,

a fidelidade à aliança que encarna na nossa carne em Jesus.

 

O marketing habituou-nos à ideia de que o tesouro é o que aparece,

por isso, é fundamental uma boa fotografia

e a exposição num palco visível por uma grande multidão.

Aquele que pensa que nada tem de valor a não ser o corpo

ou partes do corpo, mostram-no como o seu tesouro.

Aquele que é desconhecido, considera-se inexistente,

por isso, procura mostrar-se nas redes sociais,

muitas vezes nem sempre pelos melhores motivos.

E quando se descobre um tesouro muitos querem rouba-lo

em vez de o conquistar com o seu suor e esforço.

 

Querido Rei divino, bendito sejas por seres um tesouro escondido,

que tudo criaste com beleza e amor,

amor que não estanca nem se cansa,

mesmo que ao seu Filho rejeitem e crucifiquem.

Eu sou o teu campo onde escondes o teu tesouro,

não no que se vê e se envaidece,

mas no coração e na alma que faz o bem

com a alegria de querer ser como Jesus, teu Filho.

Faz de mim um buscador de tesouros escondidos,

no rosto enrugado dum idoso ou sujo de um pobre.

Obrigado pelos nossos avós, a reserva do tempo que necessitamos.



sábado, julho 25, 2026

 

Sábado, S. Tiago, apóstolo (25 julho)

 



Bebereis do meu cálice. (cf. Mt 20, 20-28)

 

Jesus veio numa missão arriscada,

pois aqueles que Ele quer salvar têm o coração duro,

não reconhecem Quem lhes quer bem e os quer salvar.

O seu cálice é de dor e de rejeição,

que não estanca a fonte do amor e de fidelidade à aliança.

Tiago, irmão de João e filho de Zebedeu,

foi o primeiro a beber deste cálice do martírio

e a participar na glória de ser como o Mestre,

capaz de dar a vida por Cristo e pelos irmãos.

 

Há o cálice do alcoólico que mata o bicho do vício,

mas que logo volta a ressurgir como se regasse a dependência.

Há o cálice que preenche o vazio do encontro

e solta a conversa e ri sobre tudo e sobre nada.

Há o cálice da dor e do cansaço que se bebe solitário,

olhando o horizonte enevoado numa miragem de encontro.

Há o cálice que festeja uma vitória, um objetivo alcançado,

como quem esquece as ansiedades de dar à luz algo finalmente.

Há o cálice que não se bebe, mas se traga duramente,

ao lado dum doente querido sem saber como o consolar.

 

Senhor Jesus, que por nosso amor quiseste beber o teu cálice,

sofrendo um amor não correspondido e agressivo,

que Te traiu, abandonou e crucificou injustamente,

mas não Te tirou a sede de nos amar e salvar desde sempre.

Ensina-nos a beber o cálice da fidelidade incondicional,

que acredita em Ti à beira da fonte ou nos vales tenebrosos,

e ama os irmãos, mesmo com o coração ferido de rejeição.

S. Tiago, amigo íntimo de Jesus, que foste o primeiro

a beber o cálice de Jesus como seu discípulo e apóstolo,

reza por cada um de nós, para que saibamos purificar a nossa fé

e dar a vida pelo teu Evangelho com alegria e fidelidade.



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