segunda-feira, novembro 29, 2021

 

2ª feira da 1ª semana do Advento

 


Do Oriente e do Ocidente virão muitos sentar-se à 

mesa, no reino dos Céus. (cf. Mt 8,5-11)

 

A fé e a caridade abrem as portas do Reino de Deus.

Somos povo de Deus, não por estatuto, mas por eleição.

A salvação de Cristo é uma graça não merecida,

mas só quando acolhida e vivida se torna efetiva.

Jesus já está no meio de nós e basta uma Palavra sua,

e a minha vida e a vida por quem intercedo será salva.

O “Vem, Senhor Jesus” do Advento é um apelo

à abertura da fé, esperança e caridade de quem ora!

 

Vemo-nos, muitas vezes, como coutos privados de Deus

e os outros, os que andam por outros ritos religiosos,

como filhos bastardos e condenados à perdição.

E depois surpreendemo-nos com a devoção e a consagração,

com o amor e a solidariedade, com a sabedoria e o perdão

que vemos naqueles de quem não esperávamos frutos tão elevados.

Por outro lado, constatamos que entre os que devíamos ter fé,

vemos secularização, entre os que devíamos brilhar pelo amor,

vemos egoísmo e falta de hospitalidade,

entre os que devíamos promover a paz, vemos a guerra!

 

Senhor, eu e todos os meus irmãos precisamos de ser curados.

Basta uma Palavra tua e todos poderemos ter acesso à tua graça!

Cura-nos de uma vida paralisada, fechada sobre nós mesmos,

incapaz de servir o amor e a justiça, entregue ao capricho!

Ajuda-nos a viver este Advento atentos ao próximo,

abertos à tua Palavra e ao teu perdão,

com o coração leve e pés de missão,

com mãos levantadas ao louvor e estendidas à reconciliação!


domingo, novembro 28, 2021

 

1º Domingo do Advento

 



Vigiai e orai em todo o tempo, para que possais 

comparecer diante do Filho do homem. (cf. Lc 21,25-28.34-36)

 

Vigiar é estar atento, tomar consciência,

precaver-se contra o que afeta negativamente a vida,

tomar decisões que evitem a repetição de erros.

Orar é buscar a Deus como salvador,

entrar em diálogo com Ele, escuta-Lo,

confiar Nele os nossos passos e acolher a sua graça.

Este é o programa deste Advento

com vista à esperança do encontro definitivo

da verdade do Amor!

 

A velocidade impede-nos de refletir,

pois tudo se apresenta com a urgência

de ser a oportunidade única de pegar ou largar!

Esta urgência procura levar à dependência,

e quando se acorda e se toma consciência do erro,

já está preso na armadilha da dependência e do irremediável!

É assim com o cigarro, o álcool ou outra droga, o jogo,

o sexo, o consumo, a internet, a mentira, o roubo…

 

Senhor, às vezes parece que tenho medo de parar,

com a desculpa de que não ter tempo,

mas talvez seja mais com o receio de constatar o sem rumo,

a desorganização, as falhas, as decisões erradas, o vazio…

Ajuda-me, Senhor, a aproveitar este Advento

para vigiar e orar, para silenciar e escutar,

para confrontar a vocação com a missão,

a aparência e a verdade da minha vida.


sábado, novembro 27, 2021

 

Sábado da 34ª semana do Tempo Comum

 


Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos 

corações se tornem pesados. (cf. Lc 21,34-36)

 

Para subir ao alto, precisamos de estar leves,

em comunhão de amor, livres para entender,

felizes por seguir e confiar Naquele que nos pode salvar.

A cegueira do impulso, a surdez do egoísmo

e o desnorte da ambição torna-nos o coração pesado,

que faz com que tudo o que seja sair de nós, canse!

Daí a advertência: “tende cuidado convosco,

parai para pensar e perceber o círculo de morte em que viveis.”

 

No coração de cada um de nós palpitam bons desejos,

mas na hora de agir custa-nos optar, sentimo-nos pesados!

Devia estar mais com a família, mas as preocupações da vida

fazem-me adiar a gratuitidade de estar sem cronómetro.

Gostava de telefonar ou visitar uma pessoa doente,

mas tenho tanto que fazer, que vou combinar outro dia.

Gostava de ser mais piedoso e de meditar mais,

mas quando me disponho, estou sempre distraído

a pensar noutras coisas que me preocupam.

Gostava de ser santo, mas o ressentimento,

o desejo de poder e o medo de sofrer, tornam-me incoerente…

 

Senhor Jesus, termina hoje mais um ano litúrgico.

Tanta coisa adiada na minha vida, tanto bem por fazer,

tanta coisa para arrumar, tanto perdão por manifestar,

tanta escuta atenta do outro para oferecer…

e o corpo a cansar-se, a necessitar de uma revisão!

Ajuda-me, Senhor, a ter cuidado comigo

para poder ter cuidado com aqueles a quem queres cuidar.

Dá-nos um coração leve para poder elevar-se,

embalado pela brisa suave do amor, da fé e da esperança.

 


sexta-feira, novembro 26, 2021

 

6ª feira da 34ª semana do Tempo Comum

 



Olhai a figueira e as outras árvores. (cf. Lc 21,29-33)

 

A criação é o livro onde aprendemos a ler o Autor.

A contemplação da natureza é uma forma de ouvir a Deus.

É entrar no caminho do “Reino de Deus é semelhante a…”.

Nós somos ao mesmo tempo surpreendidos pela natureza

e coautores que condicionam o seu desenvolvimento.

Numa árvore lemos a interferência do clima e da mão humana,

e a resiliência da natureza que se vai adaptando.

Nas árvores vemos a esperança de um Deus que nos ama!

 

Neste afã de consumir e de enriquecer em pouco tempo,

vemos árvores a serem abatidas e substituídas por pastagens,

monoculturas intensivas, árvores de crescimento rápido,

mineração anárquica e poluidora de solos…

E o que era biodiversidade exuberante,

passa pouco a pouco a ser deserto poeirento.

E as populações animais e humanas perdem o seu chão,

e vagueiam em busca de uma terra sem males.

Contemplar a natureza revela o pecado e o cuidado,

a beleza e o desencanto, o dinamismo de vida e o de morte!

 

Senhor da vida e da esperança, cremos em Ti!

Somos paladar e esponja de embeber,

somos cobiça e descontrole de possuir,

esquecendo que somos todos irmãos,

natureza e humanos, obra do mesmo Autor,

habitantes do mesmo jardim ou caixote de lixo.

Ajuda-nos a sabedoria da vida, o olhar penetrante,

a fraternidade confiante, a esperança da harmonia,

a beleza do respeito, o diálogo da purificação!


quinta-feira, novembro 25, 2021

 

5ª feira da 34ª semana do Tempo Comum

 


Erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa 

libertação está próxima. (cf. Lc 21,20-28)

 

O curso da história é crístico, é esperança,

porque o dinamismo do amor divino fez-se tempo.

Enquanto brilhar a cidade, luzir o ouro,

maravilhar o universo e o poder desnortear,

não dá para ver o Emanuel, Palavra silenciosa,

que nos acompanha como oxigénio invisível.

O que é desgraça para uns, poderá ser encontro

e hora de graça para os que vivem da fé

e aproveitam a crise para uma verdadeira conversão!

 

A velocidade em que andávamos e as certezas que tínhamos,

foram travadas e esfareladas por um simples vírus.

O “novo normal” é assobrado pela demasiada confiança

e pelo descuido, com que a imprudência nos precipita.

As mudanças climáticas gritam por cuidado e conversão,

mas a ambição rápida e egoísta aquece-nos a cabeça

e afunda-nos lentamente num deserto salgado.

Precisamos de reaprender a viver o dom!

 

Senhor Jesus, Companheiro paciente e amigo de todas as horas,

na missão difícil de nos salvares e nos levares a erguer a cabeça,

pois fomos criados para sermos filhos de Deus

e não simples máquinas de trabalho e de consumo.

Espírito Santo, Luz que nos ajuda a ver o invisível

e a perceber o que permanece e tem valor,

ajuda-nos a viver como Jesus, como filhos de Deus,

até que Cristo seja tudo em todos!


quarta-feira, novembro 24, 2021

 

4ª feira da 34ª semana do Tempo Comum, S. André Dung-Lac e companheiros

 



Assim tereis ocasião de dar testemunho. (cf. Lc 21,12-19)

 

Sair de nós mesmos e anunciar Cristo,

expõe-nos ao contraditório e à perseguição.

O testemunho de vida, quando a existência fala de Cristo,

cria resistência, mas purifica a nossa fé e esperança.

Os mártires do Vietnam tiveram ocasião

de professar com a vida em Quem acreditavam.

As águas tépidas dum cristianismo morno e tímido,

não criam ocasião de dar testemunho diferenciador de Cristo!

 

Vivemos no Ocidente afirmações corajosas de ideais religiosos,

de tendências sexuais, de ideologias fundamentalistas,

de soluções psicológicas transformadoras, de novidades consumíveis…

Vemos depois a Igreja de Cristo muda e tímida,

fragilizada por escândalos de alguns, identificados com o todo,

olhada, por isso, com suspeita e desprezo.

Fala-se em espiritualidade e meditação,

mas não necessariamente cristã!

 

Senhor Jesus, cabe-nos a nós dar testemunho de que estás vivo,

e somos chamados a dar testemunho de Ti nesta sociedade.

Espírito Santo, ajuda-nos a ser fiéis sem arrogância,

a dar testemunho de Jesus por atração e não por obrigação.

Liberta-nos do medo e dos respeitos humanos.

Purifica-nos do pecado e de uma vida acomodada,

da incoerência e de uma piedade injusta.

S. André Dang-Lac e companheiros mártires,

rezai para que saibamos dar um bom testemunho de Cristo!


terça-feira, novembro 23, 2021

 

3ª feira da 34ª semana do Tempo Comum

 

Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra. (cf. Lc 21,5-11)

A fragilidade anda misturada com a força,

a bondade com a maldade, a humildade com a arrogância,

a justiça com a injustiça, a fé com a desconfiança,

a vida com a morte, o tempo com a eternidade…

Em Jesus se manifesta a fragilidade e a força de Deus,

o abaixamento e a oferta de vida até ao sangue,

o amor incondicional e a recusa insensata da aliança,

a revelação e o escondimento do mistério de Deus.

Tudo passa, só Deus é eterno e fiel para sempre.

 

Às vezes falamos como se fossemos a verdade,

e gritamos, tentamos silenciar, usamos de violência!

Outras vezes trabalhamos até à exaustão,

lutamos por conquistar o poder e o domínio,

gloriamo-nos das nossas conquistas,

deixamos algumas vítimas pelo caminho…

e ao virar da esquina todo o império tem pés de barro

e basta uma pandemia ou um acidente ou o avançar da idade

e tudo se desmorona, como pó levado pelo vento!

Tudo passa, só o amor fiel e livre permanece!

 

Senhor da vida e da eternidade, és porta para o infinito,

janela de esperança, cátedra do sentido, verdade que auguro.

Perdoa as vezes em que me perco

e me afasto da busca do que permanece,

encadeado pela ilusão do instante

que brilha como as estrelas cadentes!

Espírito Santo, guia-nos no discernimento da verdade,

e liberta-nos da ambição que cega o irmão

e a presença do Amor que nos salva e nos abraça,

como brisa suave que alenta e conduz!



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