sexta-feira, julho 10, 2026
6ª feira da 14ª semana do tempo Comum (10 julho)
Não sereis vós a falar, mas é o Espírito do vosso
Pai que falará em vós. (Cf. Mt 10, 16-23)
O Filho de Deus tomou a nossa carne no seio de Maria,
e nasceu Jesus de Nazaré, filho adotivo de José, o carpinteiro.
O Espírito Santo ungiu a nossa carne:
animando o nosso coração, falando pela nossa língua,
trabalhando e atuando pelas nossas mãos e os nossos pés.
Falar em nós é falar para nós e nós falarmos em nome de Deus.
Pelo Batismo, todos somos chamados a falar e a atuar como Jesus.
Numa cultura de opinião é difícil deixar falar o Espirito em nós.
Estamos cheios de convicções e pouco disponíveis para escutar,
dialogar, mudar de opinião, com medo do outro ficar por cima.
Entre tantos influenciadores de opinião,
tanta comunicação social tendenciosa, tanta falsa notícia,
é difícil ter uma opinião acertada, livre e aberta à verdade.
Por outro lado, o medo de ser diferente e rejeitado,
leva-nos a tentar perceber o que o outro quer ouvir
e não tanto a buscar o que Deus quer eu diga em seu nome.
A superficialidade apressada na abordagem das questões
é inimiga dum verdadeiro discernimento dos espíritos.
Bom Deus, obrigado por quereres utilizar o nosso corpo
para Te tornar presente na palavra e na graça
como epifania de Jesus vivo hoje.
Perdoa as vezes em que usamos a Palavra de Deus
para nosso interesse e tentamos neutralizar a sua força profética.
Espírito Santo, dá-nos o dom do discernimento dos espíritos
e o dom da fortaleza para vivermos e falarmos em nome de Deus,
continuando assim a missão de Jesus, apesar das perseguições.
quinta-feira, julho 09, 2026
5ª feira da 14ª semana do Tempo Comum (9 julho)
Ide e proclamai que está próximo o reino dos Céus. (cf. Mt 10, 7-15)
Jesus envia em missão, não em fuga ou turismo.
É partir, ir em nome de Jesus e proclamar o Reino de Deus.
Anunciar o Reino de Deus é proclamar testemunho,
seguimento de Jesus, dar razões da esperança que o anima,
viver e celebrar a liturgia com piedade e coerência.
É na vida de relação e comunhão, na humildade de servir,
na liberdade perante os ídolos, e na fé que respira e transpira
que se proclama que o Reino de Deus está próximo.
Estamos na época dos meios tecnológicos,
das lições estilo académico e teórico,
muitos palcos e identidades ao longo do dia.
A fragmentação resultante, torna a vida coerente
mais com circunstância e o protocole,
do que a identidade cristã como profecia e testemunho.
Missão não é uma arte de oratória,
mas uma vida-mensagem que fala por si.
Bom Deus, que nos envias a evangelizar,
anima-nos com o teu Espírito,
para que revestidos de Cristo, O saibamos imitar
e anunciar em todas as circunstâncias.
Espírito Santo, dá-nos o dom da profecia,
para que livres da idolatria do poder e da riqueza,
saibamos ser o Evangelho vivo que todos podem ler.
quarta-feira, julho 08, 2026
4ª feira da 14ª semana do Tempo Comum (8 julho)
Jesus chamou a Si os seus Doze discípulos e…
enviou estes Doze. (cf. Mt 10, 1-7)
Jesus chama a si, não para si,
mas para os enviar em nome de si.
Os Doze vão beber da Palavra, para poderem dar a Palavra,
que já não é deles, mas do Mestre que os envia.
Tudo em Jesus é Palavra viva e de Deus,
que a intimidade discipular faz germinar em missão.
É preciso estar com Jesus para partir com Jesus
e continuar a sua missão, no mesmo Espírito.
A secularização crescente afasta-nos de Jesus.
Com o medo de ficar dependente e “beato”,
evita-se “perder tempo”, com a oração e a meditação.
Procura-se para isso cultivar o espírito,
conhecer muitas teorias e oratória,
saber fazer meticulosamente os ritos litúrgicos,
ser sociável e agradar a todos, ter sucesso na administração.
Pode-se exagerar na gula e no consumo de bebidas,
mas tem que se ser muito restrito na oração e meditação!
Obrigado, Senhor Jesus, por nos teres chamado a estar contigo
e a participar na tua missão, como teus enviados a evangelizar.
Perdoa a nossa instabilidade e impaciência em estar contigo
e vontade imatura de querer ser teu missionário,
quando o coração às vezes está vazio de intimidade
e cheio de necessidade de ambição e de sucesso.
Espírito Santo, dá-nos o dom da fé e da sabedoria
que nasce da comunhão com Jesus e a sua Palavra,
para que sejamos peregrinos do coração do outro,
com a mesma humildade e alegria de dar a boa notícia que salva.
terça-feira, julho 07, 2026
3ª feira da 14ª semana do Tempo Comum (7 julho)
Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores
para a sua seara. (cf. Mt 9, 32-38)
Deus é o Senhor da seara, o criador de todas as coisas.
Ele é também quem chama colaboradores para a sua missão.
Esta missão, não é um emprego religioso ou um pedestal elevatório,
mas é deixar-se cativar pelo mesmo amor às ovelhas sem pastor,
com o mesmo coração compassivo que Jesus nos revela.
Pedir ao Pai que mande trabalhadores para a sua messe,
não é recordar-lhe aquilo que precisamos,
mas recordar-nos o empenho e dedicação que devemos ter
para que todos se salvem e acolham Jesus como bom Pastor.
Rezar pelas vocações não é desejar ter número em formação,
mas pedir ao Espírito Santo discernimento e fogo de entrega,
para que haja candidatos com coração de discípulo e de pastor.
Rezar pelas vocações é pedir ao Senhor que toque
os que já responderam e são diáconos, padres, bispos, consagrados,
para que não vistam apenas o hábito ou a túnica,
mas vivam com espírito humilde e missionário
e não se limitam a gerir a máquina pastoral pelo mínimo.
Rezar pelas vocações é despertar naqueles que rezam
a vontade de se entregarem totalmente à missão de Cristo.
Senhor Jesus, obrigado porque oras por nós teus discípulos
para que sejamos todos inteiros teus discípulos e missionários
na arte da compaixão e do testemunho dos valores do Reino de Deus.
Pai Santo, Senhor da messe, ensina-nos a ser como o teu Filho,
trabalhadores incansáveis da tua messe,
capazes de dar a vida pelas ovelhas perdidas sem pastor.
Espírito Santo, dá-nos o dom da fé e do testemunho,
para que nunca sejamos meros funcionários da Igreja,
mas sinais vivos que seguem o Mestre da messe.
segunda-feira, julho 06, 2026
2ª feira da 14ª semana do Tempo Comum (6 julho)
Riram-se d’Ele. (cf. Mt 9,
18-26)
Deus criou-nos com amor eterno e muitos riem d’Ele.
Deus cuida de nós com amor personalizado e misericordioso,
e muitos riem-se d’Ele e não sabem ser agradecidos.
Deus envia-nos os seus profetas e por fim o seu Filho,
para que de criaturas sejamos recriados filhos de Deus
e muitos riem-se de Jesus e matam-no numa cruz.
Deus ressuscita o seu Filho e Ele permanece connosco,
enviando-nos o Espírito Santo e muitos riem-se d’Ele.
Deus deixa-nos a sua Palavra e a sua Igreja,
e muitos ficam indiferentes e riem-se dos seus discípulos.
Há gente orgulhosamente ateia e indiferente,
que se ri dos que acreditam e celebram a sua fé,
pensando-se uns ilustrados e os crentes uns ignorantes.
Há gente que vive para si mesmos
e se ri dos que se sacrificam pelo bem comum.
Há gente que vive bem e têm saúde
que se ri dos pobres, deficientes, migrantes, idosos e dementes.
Há gente que olha com desconfiança a religião popular
e se ri destas atitudes como uma religiosidade inferior.
Senhor Jesus, deixa-me tocar o teu manto
e toca-me o coração da fé, curando a minha vida do mal.
Senhor Jesus, impõe sobre mim as tuas mãos redentoras
e dá vida nova aos galhos secos das minhas relações estéreis.
Espírito Santo, dá-nos o dom da alegria da fé,
que nos faz humildes e atentos à tua presença amiga,
e nos retira o olhar sobranceiro e cego que se ri de tudo
e não sabe agradecer nada nem a ninguém.
domingo, julho 05, 2026
14º Domingo do Tempo Comum (5 julho)
Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de
coração, (cf. Mt 11, 25-30)
Deus é o invisível presente, paciente e silencioso,
que nos anima pelo seu Espírito, a sermos pacíficos e humildes.
Jesus aceita ser o Messias despojado de poder destruidor,
que entra em Jerusalém, montado num jumentinho emprestado,
manso e humildade de coração, como Cordeiro Pascal.
Jesus dá-nos a sua paz e convida-nos a aprender com Ele,
a viver uma paz desarmada e redentora da vida.
Vivemos numa época violenta ao mais alto nível,
onde as guerras se prolongam e intensificam,
fermentando uma corrente armamentista globalizada.
O diálogo político e a esperança no futuro estão a perder,
perante o clima do medo, a destruição de vidas e bens.
O resultado é a morte de inocentes,
a eliminação das infraestruturas, a crise económica global,
o êxodo anárquico de refugiados…
O problema mais grave é cultural e social,
que gera comportamentos agressivos na escola,
no namoro, na família, no desporto, na política…
Bom Deus, bendito sejas pela grandeza da tua mansidão,
pela invisibilidade do teu poder
e pela claridade da tua paciente misericórdia.
Bendito sejas, bom Jesus, pela tua poderosa fragilidade,
que nasceu da imensidão do teu coração
e respeito pela vida em todas as suas manifestações.
Bendito sejas, grande Mestre da paz desarmada,
que na cruz revelaste a tua fidelidade à aliança,
perdoando àqueles que Te traíram e mataram.
Espírito Santo, anima-nos a frequentar esta escola de paz.
sábado, julho 04, 2026
Sábado da 13ª semana do Tempo Comum, Isabel de Portugal (4 julho)
Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho. (cf. Mt 9, 14-17)
Jesus é o pano novo que nasce de Maria,
por obra e graça do Espírito Santo.
Jesus não quer ser um remendo novo no homem velho,
mas o coração de uma humanidade renascida na sua Páscoa.
Mais do que rituais ou deveres religiosos cumpridos por tradição,
quer amigos do Esposo,
que quer renovar a aliança com a humanidade no seu sangue.
Há agora a moda das calças novas com rasgões,
como se os ricos possam brincar aos pobrezinhos
e branquear os sinais de pobreza como realidade crua.
Há por outro lado um fascínio pelo sincrético religioso e cultural,
que procura exaltar o comum, anulando as identidades.
Isto encaixa bem na New Age e no subjetivismo,
na ideologia do género e na política de interesses,
sem identidade definida, moldada pelas circunstâncias.
Bom Jesus, Veste nova descida do Céu,
reveste-nos de homem novo, animado pelo teu Espírito.
Liberta-nos das vestes de representação teatral,
que são hábito sem coração de consagrado,
um “faz de conta” incensado e idolatrado.
S. Isabel de Portugal, rainha na arte de servir os pobres
e bordar a paz, reza por nós, para que sejamos santos de coração
e missionários da ternura e da justiça evangélica.