terça-feira, abril 07, 2026

 

3ª feira da Oitava da Páscoa (7 abril)

 



Disse-lhe Jesus: «Mulher, porque choras? A quem 

procuras?» (cf. Jo 20, 11-18)

 

Deus olha a humanidade e vê-a a chorar

e pergunta-lhe: “Porque choras. A quem procuras?”.

E a humanidade responde: “choro porque não alcanço!”

“Desejo a felicidade, mas sinto o vazio de ter e perder!”

Maria Madalena procura um morto e chora o perdido.

Só quando olha para dentro do sepulcro, vê sinais de vida

e deixa de ver o passado doloroso da despedida.

“Maria. Sou eu que te procuro!” diz-lhe Jesus.

 

Porque chora hoje a humanidade?

Chora a fome e a sede. Chora a dor e a solidão.

Chora o fracasso e o medo. Chora a exploração.

Chora a guerra e a tortura. Chora a humilhação e a traição.

Chora a injustiça e a incompreensão.

Chora a despedida e a morte. Chora a impotência…

E onde e em quem procura consolo?

No ombro amigo e no colo da compaixão,

na distração do trabalho árduo e da diversão,

na alienação das drogas e da ilusão,

na fé que desperta a esperança e alimenta o amor…

 

Senhor Jesus, onde moras, agora que abriste o sepulcro?

Andas à nossa procura enquanto choramos o passado?

Faz-nos ouvir o nosso nome e reviver a esperança,

porque também nos procuras e queres enviar-nos

a anunciar ao mundo que estás vivo

e queres recomeçar connosco a mesma missão.

Ajuda-nos a ser jardineiros da esperança

e arautos da ressurreição, a consolar quem chora

e a abrir horizontes de esperança a quem anda deprimido

e evadido de si, sem capacidade de olhar para o infinito.



segunda-feira, abril 06, 2026

 

2ª feira da Oitava da Páscoa (6 abril)

 



Correram a levar aos discípulos a notícia da 

Ressurreição. (cf. Mt 28, 8-15)

 

Jesus saiu ressuscitado do sepulcro,

e este lugar tornou-se luz que proclama Aleluia.

Ninguém fica indiferente a este jardim da vida:

Maria Madalena e a outra Maria,

os soldados que guardavam a entrada do túmulo.

Umas foram levar esta boa nova aos discípulos

e o anúncio tornou visível Jesus que as convoca para a missão.

Outros foram dizer esta novidade às autoridades

e deixaram-se corromper por dinheiro

que lhes comprou a mentira e o boato.

 

A fé na ressurreição é tão forte que conduz até ao martírio

e é tão frágil como o nevoeiro, que se perde de vista,

quando a cegueira do interesse egoísta ou da vaidade

ocupa o lugar da escuta e da busca humilde da verdade.

Os que estão cheios de si e seguros das suas convicções,

têm mais dificuldade de se abrir à novidade de Deus.

A bem-aventurança dos pobres em espírito

dá espaço ao silêncio que abre à luz da verdade,

escondida na rotina, onde parecemos senhores.

 

Bom Jesus, procuro o teu rosto no sepulcro aberto,

e encontro no caminho quando me ponho em missão.

Espírito Santo, purifica  meu olhar e o coração,

para que sinta o perfume da tua presença

e leveza do anúncio gratuitamente testemunhado.

Ajuda-me a não cair na tentação da mentira e do interesse,

distorcendo o kerigma que devo viver a anunciar.



domingo, abril 05, 2026

 

Domingo de Páscoa (5 abril)

 



Viu e acreditou. (cf. Jo 20, 1-9)

 

Ao Terceiro Dia a noite fez-se aurora,

Maria Madalena levantou-se e foi ao sepulcro,

e o morto que queria ungir já não estava no túmulo,

a pedra que queria rolar já tinha escancarado a gruta!

Vem Pedro e o Discípulo Amado correndo apreensivos,

e não encontram Jesus, mas o rasto da sua passagem:

ligaduras retiradas e enroladas, sudário dobrado,

jardim reencontrado, em vez de passado interrompido.

O sombreado do interior do sepulcro aberto

traz luz ao entendimento das Sagradas Escrituras.

 

Na vida, a presença de Cristo ressuscitado,

é sempre discernimento de marcas deixadas.

Vamos encontrando pés e mãos com marcas de amor.

Vamos encontrando acolhimento e paz doada.

Vamos encontrando cuidado gratuito como se fosse família.

Vamos encontrando hospitalidade libertada

onde nada esperávamos, pois pensávamos que era estranho.

Vamos encontrando um ombro amigo

quando a cruz pesava e quase desfalecíamos de esperança.

 

Bom Deus, já nos habituaste a não Te deixares ver,

mas a deixar-nos sinais de que por nós passastes e nunca nos deixastes.

A vida é procurar em sepulcros abertos os sinais da morte

e encontrarmos sinais de vida revivida e de esperança.

Bendito sejas, Jesus, nossa Páscoa e ressurreição,

Aurora sempre nova, após as noites de lágrimas assustadas.

Espírito Santo, ensina-nos a ter pés e mãos com a marca de Jesus

e a descobrir neste estrelado humano os sinais para acreditar,

fazendo desta vida uma peregrinação sagrada,

para que a via sacra se torne via de luz encontrada.



sábado, abril 04, 2026

 

Sábado Santo (4 abril)

 



Enterraram a Vida!

 

Estamos no segundo dia da Vida sepultada.

Pensámos que enterrando a Vida ela era esquecida,

mas o grão fecundo ao ser enterrado,

renasce vida nova e ao terceiro dia manifesta-se.

A pedra está rolada e tapa o sepulcro,

a memória é de sangue derramado

e esperança chorada, luto contido.

Parece que o tempo está parado,

mas o que não se vê está atuando nas trevas,

Jesus até na morada dos mortos tem missão!

 

A vida não se esgota no que se vê.

Dentro da terra há vida enterrada,

que espera a chuva e o calor para brotar.

No oceano imenso e revolto

há vida até ao seu ser mais profundo

que nos pede para descermos e contemplarmos.

No ventre de uma mãe há um ser que se desenvolve

e espera nove meses para que solte a primeira lágrima.

No ar e mistério do firmamento há palavras e imagens a girar,

que só recetores apropriados podem detetar.

 

Senhor Jesus, mostra-nos o teu Rosto,

pois o olhar pretérito só vê pedras

e recorda morte e abandono.

Ensina-nos a fazer o luto dos nossos sonhos,

sem dor nem fracassos, só fama e palmas,

porque isto de facto é miragem, não é real.

Ajuda-nos a perceber o sentido dos silêncios,

e a importância das mortes para fortalecer a fé e a confiança.



sexta-feira, abril 03, 2026

 

6ª feira da Paixão do Senhor (3 abril)

 



Tudo está consumado. (cf. Jo 18,1—19,42)

 

A missão que Jesus recebeu é salvar, dando a vida.

Para isso, encarnou, proclamou a boa nova do Evangelho,

manifestou-o os sinais de que o Reino de Deus estava presente,

renovou a aliança no seu sangue,

amou até ao fim e incondicionalmente,

deu-nos o seu Espírito para que desse vida à sua morte.

A sua recompensa no seu presente não se viu,

mas a sua recompensa na eternidade do Pai

foi a ressurreição e o Pentecostes que criou a Igreja.

 

Se somos missionários, dizem-nos: a tua missão ainda continua.

Se somos agentes do bem e do desenvolvimento,

dizem-nos: a pobreza, a injustiça e o subdesenvolvimento continua.

Se nos queremos formar e atualizar o conhecimento

dizem-nos: aprender é até morrer.

Se queremos conhecer o mundo e passarmos a vida a viajar,

dizem-nos: o mundo é dinâmico e há sempre algo por visitar.

Se conhecemos bem a Bíblia e a Teologia,

há sempre alguma situação em que a fé é noite

e não temos luz para explicar nem razões para esperar.

 

Bendito sejas, Senhor Jesus, porque a tua entrega à missão do Pai

foi tão grande e a tua fidelidade foi até ao fim,

que pudeste dizer perante a morte: “Tudo está consumado”.

Ao contemplar Aquele que traímos, negamos, abandonamos

e tentamos matar com os nossos pecados,

vejo como é difícil ser fiel no seguimento de Jesus

e permanecer ao seu lado quando a cruz é o único horizonte.

Espírito Santo, ensina-nos a compreender o que significa

na nossa vida: “Está tudo consumado,

estou no caminho certo para cumprir a minha missão”.



quinta-feira, abril 02, 2026

 

5ª feira Ceia do Senhor (2 abril)

 



Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, 

também vós deveis lavar os pés uns aos outros. (cf. Jo 13, 1-15)

 

O todo-poderoso Filho eterno de Deus

desceu da sua eternidade e assumiu a nossa fragilidade,

nascendo bebé na periferia da fama,

arregaçou as mangas e trabalhou como carpinteiro,

tocou a impureza e purificou o pecado e a doença,

afirmou-se como rei sem exército nem armas,

lavou os pés aos seus discípulos como seu servo.

E por fim deu a vida por aqueles que lha tiraram!

Este é o caminho dos que O seguem: subir descendo!

 

O que significa hoje lavar os pés uns aos outros?

Há muita gente que por dinheiro lava tudo o que lhe aparece:

chãos, sanitas, bebés, doentes, deficientes, idosos…

Há mães e pais que assumem maravilhados:

passar noites sem dormir, mudar fraldas,

lavar o filho vezes em conta, lavar as suas roupas,

aceitar os seus caprichos, as suas chantagens…

unicamente por amor, como aprendizes da gratuitidade.

Há filhos que assumem o cuidado dos seus pais ou cônjuge,

tratando o adulto como bebé pesado,

sentindo-o corpo seu, por compaixão apenas.

 

Senhor, sonhamos ser grandes e que nos lavem os pés,

mas Tu queres-nos irmãos e membros uns dos outros,

disponíveis para servir e amar, movidos pela compaixão.

Perante a tua paixão e morte na cruz,

passa-nos um calafrio profundo e instala-se o medo,

que procuramos fintar com distrações virtuais ou reais,

desculpas e rituais pacificadores mas descomprometidos.

Ajuda-nos a seguir o teu exemplo e a aprender contigo

a lavar os pés uns aos outros com a alegria de servir e amar.



quarta-feira, abril 01, 2026

 

4ª feira da Semana Santa

 



É em tua casa que Eu quero celebrar a Páscoa 

com os meus discípulos’. (cf. Mt 26, 14-25)

 

Jesus quer celebrar a Páscoa com os seus discípulos,

a sua nova família e com uma nova densidade.

A Páscoa de Jesus não é um dia determinado,

mas é um compromisso, que se faz aliança

no sangue de Jesus, derramado por todos e para sempre.

Hoje Jesus quer celebrar a mesma Páscoa em minha casa,

em Igreja de discípulos que celebram com a mesma fé.

Ele deseja que nos preparemos para celebrar a sua Páscoa!

 

Há muitas páscoas em preparação:

a páscoa do turismo junto de uma praia amena;

a páscoa gastronómica própria desta quadra;

a páscoa das procissões antigas e outras tradições;

a páscoa das visitas pascais e tradições conexas;

a páscoa da conversão e do recomeço do desejo de santidade;

a páscoa da alegria da fé e do Batismo;

a páscoa da família e das férias…

Cada páscoa destas tem objetivos e preparações diferentes.

 

Bendito sejas, bom Jesus, pelo dom da tua Páscoa,

Vida oferecida por aqueles que Te a tiram.

Ajuda-nos a preparar a Páscoa que desejas hoje

de cada um de nós, com a profundidade da verdade

e o arrependimento de vidas fermentadas com a maldade.

Liberta-nos das páscoas da superficialidade,

do prazer egoísta e do consumismo indiferente,

do passatempo sem compaixão nem solidariedade.



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