domingo, março 29, 2026
Domingo de Ramos e de Paixão (29 março)
Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia. (cf. Mt 21, 1-11)
Deus entra na história pacifico e humilde,
galileu da periferia, duma Nazaré desconhecida.
Escolhe ser novo Moisés sem bastão milagreiro,
numa burrinha emprestada, despojado de poder,
eleva-se na entrega e na fidelidade ao Deus da vida.
Segue o seu caminho, silencioso e confiante,
deixa-se levar à cruz, dando a vida que quer dar.
E como testemunha o centurião ao vê-Lo dar o ultimo suspiro:
“Este era verdadeiramente o Filho de Deus”.
Às vezes simplificamos o mistério de Jesus:
é um revolucionário, um pacifista, um mestre moral,
um fracassado, um idealista, um galileu simpático e inteligente,
um taumaturgo, uma pessoa surpreendente, o messias…
Jesus é um pouco de tudo isto e nada unicamente disto,
por isso, a Igreja apresenta-nos este domingo cheio de contrários
e de encontros, de grandeza e humildade,
de poder e não violência, num re-costurar da vida
que nos põe a caminho da verdade do mistério de Jesus.
Bom Deus, louvado sejas por mais esta Semana Santa,
cheio de memórias e de surpresas, sempre nova e surpreendente.
Espírito Santo, dá-nos ouvidos e contemplação de discípulo,
para entrar nesta Semana Maior, que nos trouxe a salvação.
Bendito sejas, Jesus que vieste em Nome do Senhor,
sem impor medo nem destruir os maus,
apenas dando a vida e distribuindo perdão.
Ensina-nos, Senhor, este caminho de paz e de salvação.
sábado, março 28, 2026
Sábado da 5ª semana da Quaresma (28 março)
Que vos parece? Ele não virá à festa? (cf. Jo 11, 45-56)
Jesus é a Páscoa em festa para todos,
pois a misericórdia que nasceu da sua oferta de vida
é por todos e para todos os que andam perdidos pelo pecado.
Várias as vezes O quiseram apedrejar, lançar de um precipício,
mas Ele sempre seguiu o seu caminho,
pois queria morrer na festa da Páscoa.
Jesus, com o seu sangue, quer purificar-nos do pecado
e levar-nos à conversão, voltar para Deus e fazer festa no Céu.
Há festas em espaços abertos e em espaços fechados.
Há festas que acabam em bebedeiras e violências
e há festas que trazem alegria e maior comunhão.
Há festas que criam sentimentos de exclusão
e outras que criam sentimentos de inclusão.
Há gente em guerra, que não quer entrar na festa do inimigo,
pois não se querem misturar com os do outro lado.
Há gente que não quer celebrar junto com os pecadores,
pois eles não merecem perdão nem ter a nossa companhia….
Obrigado, bom Deus, pelo envio do teu Filho,
não só a fazer memória da Pascoa antiga,
mas como nova Páscoa que nos salva para sempre.
Bendito sejas, querido Irmão, por tomares a nossa sorte,
e ofereceres a tua vida para que tenhamos vida
e possamos fazer festa, pelo arrependimento,
no banquete do Cordeiro para todos que escutam o teu convite.
Ajuda-nos, Senhor, a participar na tua Páscoa de amor.
sexta-feira, março 27, 2026
6ª feira da 5ª semana da Quaresma (27 março)
Embora não acrediteis em Mim, acreditai nas
minhas obras. (cf. Jo 10, 31-42)
Jesus dá os frutos do Pai, porque Ele e o Pai são um.
Alguns têm dificuldade de aceitar que Ele seja Filho de Deus,
mas pelo menos devem acreditar que estas obras vêm de Deus.
Pelos frutos chegamos à raiz da árvore
e compreendemos o mistério que este galileu encerra.
Mais importante que as palavras são as obras,
pois são elas que nos colocam no caminho do seguimento
e não apenas de teorias ou discussões de entretém ou de conflito.
Há muita gente que admira Jesus e a sua doutrina,
mas não consegue acreditar que é o Filho de Deus,
o nosso salvador, que dá a sua vida para a nossa salvação.
É um salto que mergulha no mistério de Deus encarnado,
e não apenas uma imitação externa e voluntarista
de uma moral diferente e de uma doutrina pacifista.
O cristianismo não é uma moral de fortes,
mas uma Pessoa que se escuta, se acolhe como alimento,
se segue como caminho e se anuncia como boa nova.
Bom Deus, obrigado pelo dom do teu Filho,
e pela surpresa de acreditar em Deus
revestido de carne como nós,
que nos põe à procura do Filho de Deus na nossa história.
Espírito Santo, dá-nos o dom da fé e da sabedoria,
para que fazendo memória do passado,
possamos reconhecê-Lo presente no nosso meio.
quinta-feira, março 26, 2026
5ª feira da 5ª semana da Quaresma
Antes de Abraão existir, ‘Eu sou’. (cf. Jo 8, 51-59)
O Verbo eterno de Deus antes de encarnar já era.
Também Ele foi Palavra dirigida a Abraão,
chamando-o a partir de si e a viver da fé.
Abraão, vivo em Deus, alegrou-se com o envio do Filho eterno
e alegra-se pela sua fidelidade ao Pai a renovar a sua aliança,
no caminho duro que O conduz à morte que abre a ressurreição.
Mistério do eterno que abraça o tempo!
Filhos do tempo, vemos o provisório como um para sempre,
embora saibamos que nascer é começar a morrer!
Tudo fazemos para acrescentar os dias
e fugirmos à doença e à paragem cardíaca,
apesar de sentirmos que esta vida é insaciável
e nunca nos sentirmos completos.
Até mesmo quando o sofrimento e limitações são grandes,
não desejamos a eternidade porque significa um salto no escuro!
Verbo Divino, eterno e Irmão na carne,
ajuda-nos a confiar no teu Evangelho
e a pratica-lo com fidelidade e entrega.
Espirito Santo, dá-nos o dom de ver
com horizontes abertos ao infinito,
para não termos medo de ter esperança na eternidade
e podermos conhecer Aquele que nos conhece antes de sermos.
Que Abraão interceda por nós e como ele,
vivamos da fé em peregrinação da luz da verdade.
quarta-feira, março 25, 2026
4ª feira, Anunciação do Senhor
Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás
o nome de Jesus. (cf. Lc 1, 26-38)
Deus tem o projeto de salvar a humanidade.
O Pai, o Filho e o Espírito Santo comungam da mesma missão,:
O Pai envia o Filho por meio do Espírito a encarnar em Maria.
O Filho diz ao Pai e ao Espírito:
“Eis-me aqui para fazer a vossa vontade”.
E Maria e José acolhem o projeto de Deus
e respondem com humildade:
“Eis-nos aqui para permitir e colaborar no vosso projeto”!
Sonhamos mandar e comandar a vida.
Fascina-nos ter um comando na mão,
poder ir ao supermercado e servir-nos à vontade,
poder ligar e desligar, mudar de canal e intervir.
Quando nos ligamos a Deus pela oração,
sonhamos que Ele nos escute e satisfaça os nossos desejos,
como, quando e o que lhe pedimos.
Causa-nos vertigem comprometer-nos com Deus para sempre
e passar-lhe um cheque em branco das energias da nossa vida.
Até o Pai-Nosso nos custa rezar: “seja feita a vossa vontade”!
Senhor, que queres de mim? Em que posso ser-Te servo?
Espírito Santo, dá-nos o dom do discernimento,
para compreendermos a gramática do teu falar
e entrarmos em diálogo de procura de como fazer a vontade de Deus.
Virgem Maria e José, ensinai-nos a responder sim ao projeto de Deus,
apesar de ser noite e o amanhã não dar garantias de segurança.
Senhor, dá-nos a confiança de filhos,
para nos entregarmos para sempre e totalmente a Deus.
terça-feira, março 24, 2026
3ª feira da 5ª semana da Quaresma, Dia dos Missionários Mártires (24 março)
Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que ‘Eu sou’. (cf. Jo 8, 21-30)
Jesus não é uma serpente de bronze: espelho de idolatria,
mas o Filho de Deus a renovar a aliança no seu sangue.
Ele é elevado na cruz, não para humilhar e envergonhar o pecador,
mas como sinal da misericórdia divina, que morre em missão,
o amor divino incondicional, que jorra do peito a nascente de vida.
O centurião romano que O viu morrer, professa:
“Este é verdadeiramente o Filho de Deus”!
Hoje os meios de comunicação social expõem a desgraça,
como o calvário e a cruz elevaram o Bem crucificado.
Em Cristo morto e torturado inocentemente,
vemos até onde pode ir a maldade humana
e até onde pode ir a misericórdia e fidelidade divina.
É nesta prova superada de um atentado contra o Filho de Deus
que vemos e podemos professar que Jesus é o Filho de Deus!
Seu coração não se deixou contaminar pela raiva da injustiça
e do vinagre recebido oferece-nos o dom da graça do seu sangue e água.
Senhor Jesus, diante de Ti me prostro e Te contemplo,
Homem de dores com amor entregando
tua vida como remédio dos nossos pecados repetidos.
Espírito Santo, dá-nos o dom de ver essa paz que perdoa,
apesar das injúrias e desprezos fanfarronando ,
numa brincadeira de mau gosto magoando,
Aquele que passou a vida fazendo o bem
e sustenta a nossa vida, como bom Pastor revestido de cordeiro.
Ajuda-nos a contemplar-Te na cruz,
quando Te magoamos no irmão frágil e desprotegido.
segunda-feira, março 23, 2026
2ª feira da 5ª semana da Quaresma (23 março)
Também Eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar. (cf. Jo 8, 1-11)
Deus escreve no chão os nossos pecados,
porque traz gravado no seu coração o amor incondicional.
Jesus é o rosto visível do Amor invisível,
que sustenta a vida e repara a enfermidade do pecado.
Perante aqueles que vêm como juízes carrascos,
Jesus devolve-lhes a luz que espelha o seus corações:
“Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”!
E espera ficar só com a mulher acusada,
para lhe perguntar onde estão os que a condenaram.
Jesus a uns e outros quer salvar, por isso não a condena,
e envia-a para casa com esperança de recomeçar vida nova.
Somos rápidos a apontar o dedo, a murmurar e condenar,
como se viéssemos do Céu, inchados de graça e de vaidade.
É difícil seguir Jesus na arte de recuperar,
interrogando sem ameaçar com a condenação ao pecador.
É mais fácil usar o conhecimento ou fofoca sobre o outro,
fechando o capítulo como se já não houvesse remédio,
a não ser marginalizar e humilhar, mostrando a língua de fogo,
acendida no fogo do inferno de coração amargo.
Senhor Jesus, obrigado porque viestes, não para nos condenar,
mas para nos iluminar as chagas escondidas do pecado,
e animar ao arrependimento, abrindo horizontes de esperança.
Espírito Santo, dá-nos a arte de ver com o olhar de Cristo,
sem deixar de amar o pecador e com o fogo do ardor de a todos salvar.
Ajuda-nos a ser discípulos de Jesus, mansos e humildes de coração,
para ir junto dos pecadores e anima-los a aprender a fazer o bem
e a largar a rotina quotidiana de fazer o mal,
como se tudo fosse normal, só porque quase todos o fazem.