quinta-feira, abril 09, 2026

 

5ª feira da Oitava da Páscoa (9 abril)

 



Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». (cf Lc 24, 35-48)

 

Jesus discerniu, entre as muitas palavras da Sagrada Escritura,

a Palavra-Estrela que conduziu o rumo da sua vida e missão:

como Servo de Javé, quis fazer da sua vida missão

ao serviço humilde e pacífico do Pai,

dando a sua vida pela salvação de todos.

Ele quer estar no meio de nós por puro amor,

mesmo que a resposta não seja amor fiel,

mas palavras sem conteúdo, promessas sem cumprimento,

traição escondida no beijo, abandono e negação.

As suas mãos e os seus pés trazem a marca do amor.

 

Partilhar a e celebrar a fé em comunidade

é a melhor forma de fortalecer a nossa experiência de Jesus.

A relação fraterna é a maneira melhor de compreender Jesus

pois Jesus é relação filial com o Pai e fraterna connosco.

Ficar em casa, sozinho, acomodado e longe dos outros,

mesmo que ligado virtualmente,

é uma forma desencarnada de vida, sem o toque do outro,

passível de viver no abstrato o calor da fé.

 

Bendito sejas, bom Jesus, que Te unes a nós,

quando nos reunimos em teu Nome,

à procura de luz na escuta da Palavra de Deus.

Bendito sejas, Espírito Santo,

que nos ajudas a escolher a Palavra no meio de tantas palavras.

Dá-nos o dom de discernimento e do sabor da meditação,

para que no espelho de Jesus possamos aprender a ser amor

e diálogo fraterno e orante, na comunhão do Espírito Santo.



quarta-feira, abril 08, 2026

 

4ª feira da Oitava da Páscoa (8 abril)

 



Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele 

nos falava pelo caminho e nos explicava as 

Escrituras? (cf. Lc 24, 13-35)

 

A Palavra de Deus é luz dos nossos passos

e fogo que aquece o coração, frio e desanimado.

A Palavra e os sacramentos abrem os olhos da fé,

para reconhecer Jesus vivo a caminhar connosco.

A experiência do Ressuscitado gera a missão,

espontânea e carregada de urgência,

porque a boa nova não é possível de guardar para si.

 

A Palavra de Deus anda por aí às jorradas:

nas celebrações litúrgicas, nas orações, na internet,

na TV, na rádio, nos livros, nos jornais…

mas o mundo cristão anda frio de coração,

perro na missão, indiferente na caridade,

distraído da comunhão, entretido com alguns ritos.

Cada um faz a sua edição do Evangelho,

esvaziado do fogo profético para que nada toque

a raiz do ser cristão,

nem o comprometa com a Igreja e a missão.

 

Senhor, rega-nos com a fecundidade da tua Palavra,

para que possamos dar frutos e sejamos outro Cristo.

Espírito Santo, aquece-nos o coração desanimado e acomodado,

com a escuta da Palavra de Deus

e faz de nós evangelizadores da verdade que salva.

E quando o individualismo ou a crise de fé

nos afasta da comunidade e nos faz dizer mal de Cristo,

vem Senhor Jesus e caminha connosco,

para que vida nova brote desta boa companhia.



terça-feira, abril 07, 2026

 

3ª feira da Oitava da Páscoa (7 abril)

 



Disse-lhe Jesus: «Mulher, porque choras? A quem 

procuras?» (cf. Jo 20, 11-18)

 

Deus olha a humanidade e vê-a a chorar

e pergunta-lhe: “Porque choras. A quem procuras?”.

E a humanidade responde: “choro porque não alcanço!”

“Desejo a felicidade, mas sinto o vazio de ter e perder!”

Maria Madalena procura um morto e chora o perdido.

Só quando olha para dentro do sepulcro, vê sinais de vida

e deixa de ver o passado doloroso da despedida.

“Maria. Sou eu que te procuro!” diz-lhe Jesus.

 

Porque chora hoje a humanidade?

Chora a fome e a sede. Chora a dor e a solidão.

Chora o fracasso e o medo. Chora a exploração.

Chora a guerra e a tortura. Chora a humilhação e a traição.

Chora a injustiça e a incompreensão.

Chora a despedida e a morte. Chora a impotência…

E onde e em quem procura consolo?

No ombro amigo e no colo da compaixão,

na distração do trabalho árduo e da diversão,

na alienação das drogas e da ilusão,

na fé que desperta a esperança e alimenta o amor…

 

Senhor Jesus, onde moras, agora que abriste o sepulcro?

Andas à nossa procura enquanto choramos o passado?

Faz-nos ouvir o nosso nome e reviver a esperança,

porque também nos procuras e queres enviar-nos

a anunciar ao mundo que estás vivo

e queres recomeçar connosco a mesma missão.

Ajuda-nos a ser jardineiros da esperança

e arautos da ressurreição, a consolar quem chora

e a abrir horizontes de esperança a quem anda deprimido

e evadido de si, sem capacidade de olhar para o infinito.



segunda-feira, abril 06, 2026

 

2ª feira da Oitava da Páscoa (6 abril)

 



Correram a levar aos discípulos a notícia da 

Ressurreição. (cf. Mt 28, 8-15)

 

Jesus saiu ressuscitado do sepulcro,

e este lugar tornou-se luz que proclama Aleluia.

Ninguém fica indiferente a este jardim da vida:

Maria Madalena e a outra Maria,

os soldados que guardavam a entrada do túmulo.

Umas foram levar esta boa nova aos discípulos

e o anúncio tornou visível Jesus que as convoca para a missão.

Outros foram dizer esta novidade às autoridades

e deixaram-se corromper por dinheiro

que lhes comprou a mentira e o boato.

 

A fé na ressurreição é tão forte que conduz até ao martírio

e é tão frágil como o nevoeiro, que se perde de vista,

quando a cegueira do interesse egoísta ou da vaidade

ocupa o lugar da escuta e da busca humilde da verdade.

Os que estão cheios de si e seguros das suas convicções,

têm mais dificuldade de se abrir à novidade de Deus.

A bem-aventurança dos pobres em espírito

dá espaço ao silêncio que abre à luz da verdade,

escondida na rotina, onde parecemos senhores.

 

Bom Jesus, procuro o teu rosto no sepulcro aberto,

e encontro no caminho quando me ponho em missão.

Espírito Santo, purifica  meu olhar e o coração,

para que sinta o perfume da tua presença

e leveza do anúncio gratuitamente testemunhado.

Ajuda-me a não cair na tentação da mentira e do interesse,

distorcendo o kerigma que devo viver a anunciar.



domingo, abril 05, 2026

 

Domingo de Páscoa (5 abril)

 



Viu e acreditou. (cf. Jo 20, 1-9)

 

Ao Terceiro Dia a noite fez-se aurora,

Maria Madalena levantou-se e foi ao sepulcro,

e o morto que queria ungir já não estava no túmulo,

a pedra que queria rolar já tinha escancarado a gruta!

Vem Pedro e o Discípulo Amado correndo apreensivos,

e não encontram Jesus, mas o rasto da sua passagem:

ligaduras retiradas e enroladas, sudário dobrado,

jardim reencontrado, em vez de passado interrompido.

O sombreado do interior do sepulcro aberto

traz luz ao entendimento das Sagradas Escrituras.

 

Na vida, a presença de Cristo ressuscitado,

é sempre discernimento de marcas deixadas.

Vamos encontrando pés e mãos com marcas de amor.

Vamos encontrando acolhimento e paz doada.

Vamos encontrando cuidado gratuito como se fosse família.

Vamos encontrando hospitalidade libertada

onde nada esperávamos, pois pensávamos que era estranho.

Vamos encontrando um ombro amigo

quando a cruz pesava e quase desfalecíamos de esperança.

 

Bom Deus, já nos habituaste a não Te deixares ver,

mas a deixar-nos sinais de que por nós passastes e nunca nos deixastes.

A vida é procurar em sepulcros abertos os sinais da morte

e encontrarmos sinais de vida revivida e de esperança.

Bendito sejas, Jesus, nossa Páscoa e ressurreição,

Aurora sempre nova, após as noites de lágrimas assustadas.

Espírito Santo, ensina-nos a ter pés e mãos com a marca de Jesus

e a descobrir neste estrelado humano os sinais para acreditar,

fazendo desta vida uma peregrinação sagrada,

para que a via sacra se torne via de luz encontrada.



sábado, abril 04, 2026

 

Sábado Santo (4 abril)

 



Enterraram a Vida!

 

Estamos no segundo dia da Vida sepultada.

Pensámos que enterrando a Vida ela era esquecida,

mas o grão fecundo ao ser enterrado,

renasce vida nova e ao terceiro dia manifesta-se.

A pedra está rolada e tapa o sepulcro,

a memória é de sangue derramado

e esperança chorada, luto contido.

Parece que o tempo está parado,

mas o que não se vê está atuando nas trevas,

Jesus até na morada dos mortos tem missão!

 

A vida não se esgota no que se vê.

Dentro da terra há vida enterrada,

que espera a chuva e o calor para brotar.

No oceano imenso e revolto

há vida até ao seu ser mais profundo

que nos pede para descermos e contemplarmos.

No ventre de uma mãe há um ser que se desenvolve

e espera nove meses para que solte a primeira lágrima.

No ar e mistério do firmamento há palavras e imagens a girar,

que só recetores apropriados podem detetar.

 

Senhor Jesus, mostra-nos o teu Rosto,

pois o olhar pretérito só vê pedras

e recorda morte e abandono.

Ensina-nos a fazer o luto dos nossos sonhos,

sem dor nem fracassos, só fama e palmas,

porque isto de facto é miragem, não é real.

Ajuda-nos a perceber o sentido dos silêncios,

e a importância das mortes para fortalecer a fé e a confiança.



sexta-feira, abril 03, 2026

 

6ª feira da Paixão do Senhor (3 abril)

 



Tudo está consumado. (cf. Jo 18,1—19,42)

 

A missão que Jesus recebeu é salvar, dando a vida.

Para isso, encarnou, proclamou a boa nova do Evangelho,

manifestou-o os sinais de que o Reino de Deus estava presente,

renovou a aliança no seu sangue,

amou até ao fim e incondicionalmente,

deu-nos o seu Espírito para que desse vida à sua morte.

A sua recompensa no seu presente não se viu,

mas a sua recompensa na eternidade do Pai

foi a ressurreição e o Pentecostes que criou a Igreja.

 

Se somos missionários, dizem-nos: a tua missão ainda continua.

Se somos agentes do bem e do desenvolvimento,

dizem-nos: a pobreza, a injustiça e o subdesenvolvimento continua.

Se nos queremos formar e atualizar o conhecimento

dizem-nos: aprender é até morrer.

Se queremos conhecer o mundo e passarmos a vida a viajar,

dizem-nos: o mundo é dinâmico e há sempre algo por visitar.

Se conhecemos bem a Bíblia e a Teologia,

há sempre alguma situação em que a fé é noite

e não temos luz para explicar nem razões para esperar.

 

Bendito sejas, Senhor Jesus, porque a tua entrega à missão do Pai

foi tão grande e a tua fidelidade foi até ao fim,

que pudeste dizer perante a morte: “Tudo está consumado”.

Ao contemplar Aquele que traímos, negamos, abandonamos

e tentamos matar com os nossos pecados,

vejo como é difícil ser fiel no seguimento de Jesus

e permanecer ao seu lado quando a cruz é o único horizonte.

Espírito Santo, ensina-nos a compreender o que significa

na nossa vida: “Está tudo consumado,

estou no caminho certo para cumprir a minha missão”.



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