quarta-feira, julho 15, 2026

 

4ª feira da 15ª semana do Tempo Comum, S. Boaventura (15 julho)

 



Ninguém conhece o Pai senão o Filho. (cf. Mt 11, 25-27)

 

O Pai conhece o Filho e sabe que pode contar com Ele,

por isso, envia-O como sua Palavra com mãos de carpinteiro.

O Filho conhece e ama o Pai, por isso, revela-O,

como mistério de amor e grandeza de fidelidade,

no escândalo da fragilidade e pobreza,

numa mansidão crucificada na periferia de Jerusalém.

Saber ler Deus neste Galileu é ter olhos de discípulos.

 

Há muita literatura sobre Deus,

muita guerra em nome de Deus,

muitas promessas de milagres em nome de Deus,

mas quem conhece a Deus a não ser o Filho de Deus?

A dificuldade é reconhecer em Jesus de Nazaré

o Filho de Deus, enviado pelo Pai, revestido da nossa carne!

Mesmo que se acredite em Jesus como Filho de Deus,

será que podemos provar que os seus discípulos

Lhe são fieis e se revestiram de Cristo na palavra e na ação?

 

Pai Santo, bendito sejas pelo envio do teu Filho,

a viver como nosso irmão pequenino,

sendo nosso, sem deixar de ser teu e como Tu.

Bendito sejas, Jesus, Filho de Maria e carpinteiro como José,

por nos revelares os mistérios do Pai

em gestos, sentimentos, palavras e sentimentos.

S. Boaventura, sábio simples e serviçal,

ora por cada um de nós, discípulos do mesmo Mestre,

para que aprendamos a acolher a luz do Espírito

e vivermos e anunciarmos a beleza da nossa fé.



terça-feira, julho 14, 2026

 

3ª feira da 15ª semana do Tempo Comum (14 julho)

 



Começou Jesus a censurar duramente as cidades, 

por não se terem arrependido. (cf. Mt 11, 2024)

 

Jesus procura frutos nas cidades onde fez milagres.

Frutos não são multidões a procura-Lo,

mas arrependimento e seguimento de Jesus.

Há muita semente evangélica

que cai em terrenos duro, cheio de pedras e de espinhos.

E nós que recebemos tantos dons, tanta formação,

tanta Palavra de Deus, tanta misericórdia,

temos dado frutos de arrependimento,

de justiça, de caridade e de missão?

 

O Senhor diz-nos que a quem muito recebe,

muito é pedido em testemunho e evangelização.

Há muita gente que recebeu pouca catequese,

apenas eventual participação nos sacramentos,

mas a quem é exigido muito como cristãos não praticantes.

Há muitos de missa diária e formação esmerada,

com vidas medíocres, incoerentes e até contratestemunho.

Todos estamos na mesma peregrinação da verdade e da justiça,

com a mesma urgência de uma permanente conversão.

 

Senhor Jesus, somos-Te muito gratos

pelo carinho com que nos agracias cada dia,

desde a nossa infância e ao longo da nossa vida.

Obrigado pelo dom da fé e da Palavra, pão da vida.

Obrigado pela Eucaristia e todos os sacramentos.

Perdoa a dureza do nosso coração

e a superficialidade da nossa adesão e seguimento.

Reconheço que é muita folhagem e pouco fruto,

muito ritual e investimento e pouca resposta de santidade.



segunda-feira, julho 13, 2026

 

2ª feira da 15ª semana do Tempo Comum (13 julho)

 



Jesus partiu dali, para ir ensinar e pregar nas 

cidades daquela gente. (cf. Mt 10,34—11,1)

 

Jesus é mestre para os seus discípulos e mestre para o povo.

O seu desejo é ensinar a viver o Evangelho do Reino de Deus.

Tão importante é a mensagem como o que o mensageiro.

É uma questão de amor, mais ao Mestre do que aos familiares.

É uma questão de aprender a perder para se encontrar,

a dar-se para receber, a acolher a cruz para sair vitorioso.

Ser discípulo deste Mestre é aderir a Ele de corpo e alma.

 

Evangelizar é o ADN do cristão, pois Cristo está sempre em missão.

Ficar parado todo o tempo, porque tenho muito que fazer,

muitos documentos a preparar e a preencher,

muitas reuniões a presidir e participar…

não é ser digno deste Mestre sempre em movimento missionário.

Contentar-se com o que o que se tem,

como pastor resignado com o que sobra do rebanho,

não é digno dum Mestre que dá a vida pelas suas ovelhas

e é capaz de deixar as noventa e nove para procurar a que falta.

 

Senhor Jesus, que esperas de nós discípulos audazes,

que Te amam mais do que aos seus familiares,

ensina-nos a ser fortes no seguimento

e corajosos na missão, para que vivamos como teus imitadores.

Espírito Santo, dá-nos o dom da fortaleza,

para que saibamos perder o que nos pesa no caminho

e nos impede de abrir horizontes de missão

nos dias de hoje, sem tempo para ouvir os profetas.

 



domingo, julho 12, 2026

 

15º Domingo do Tempo Comum

 



Os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra, que assim não dá fruto. (cf. Mt 13, 1-23)

 

O Verbo Divino encarnou despojado de sedução de riqueza e de poder.

Nasceu pobre e na periferia do poder, Aquele que é Senhor de tudo.

A sua Hora acontece sem pressas nem ansiedades de eficiência,

a sua única preocupação é a fidelidade ao amor pelo Pai e as criaturas.

Em Maria encontrou a terra boa que a semente do Espírito fecundou

e fez nascer o “Eis-me aqui para fazer a tua vontade!”.

Os discípulos deste Pobre de Deus ungido pelo Espírito

devem estar vigilantes para que nada possa sufocar ou desvirtuar o Evangelho.

 

Quem acredita que só o dinheiro nos salva,

submete a sua vida ao peso do trabalho

em troca do dinheiro para comprar o que deseja o capricho e a moda.

É esta idolatria que nos torna escravos dos cuidados deste mundo

e das seduções insaciáveis das riquezas prazeres novos.

A vida passa a correr em busca de novidades e passatempos,

que mal tem tempo para amar e dar tempo aos companheiros de viagem.

E quem corre e não medita tudo é vertigem e superficialidade,

pois falta tempo e apetência para aprofundar a verdade da vida.

 

Bom Deus, semeador incansável e generoso,

continua a semear no nosso coração empedernido

e tao cheio de outras sementeiras e ilusões,

com que somos a tempo e destempo bombardeados.

Espírito Santo, dá-nos o dom do discernimento

para podermos escolher e compreender o Evangelho,

entre tantas promessas e novidades com que somos semeados.

Dá-nos a arte e a coragem de mondar as ervas daninhas e espinheiras,

para que não sufoquem a Palavra que dá frutos de Cristo,

de fé, de amor, de esperança, de paz e de justiça.



sábado, julho 11, 2026

 

Sábado, S. Bento, padroeiro da Europa (11 julho)

 




Todo aquele que tiver deixado …. por causa do meu nome,  terá como herança a vida eterna. (cf. Mt 19, 27-29)

 

O Filho de Deus despojou-se de tudo por causa de nós

para nos dar todos os dons que vêm de Deus

por causa da nossa salvação.

Ele pede aos seus discípulos que se despojem de todas as seguranças,

afetivas, monetárias e de poder,

para que Deus possa ser a sua única segurança.

S. Bento é um destes discípulos que acreditaram em Jesus

e fizeram da sua vida uma evangelização pelo testemunho.

 

Hoje o objetivo de quase todos é acumular:

acumular saber, acumular amigos e admiradores,

acumular poder, acumular novidades de consumo,

acumular anos de vida, acumular prazer e saúde…

Dizer a alguém que o caminho da salvação é despojar-se,

ser humilde e serviçal, despojar-se da raiva e perdoar…

soa a idealismo e a ingenuidade, espiritualismo sem prudência.

Talvez por isso é tão difícil ser consagrado a Cristo

e fazer votos de pobreza, castidade e obediência!

 

Senhor Jesus, escutamos o teu chamamento,

mas também escutamos os ideais e sonhos desta sociedade.

Às vezes queremos seguir-Te sem deixar de sonhar acumular.

Perdoa, Senhor, a nossa insegurança ao querer seguir-Te

e a forma como tentamos equilibrar o “deixar” e o “segurar”,

pois tememos ficar sós e sem segurança no amanhã.

S. Bento, homem de fé e consagrado despojado,

reza por cada um de nós e ensina-nos a viver como Cristo,

numa vida equilibrada entre o trabalhar, rezar e descansar.



sexta-feira, julho 10, 2026

 

6ª feira da 14ª semana do tempo Comum (10 julho)

 



Não sereis vós a falar, mas é o Espírito do vosso 

Pai que falará em vós. (Cf. Mt 10, 16-23)

 

O Filho de Deus tomou a nossa carne no seio de Maria,

e nasceu Jesus de Nazaré, filho adotivo de José, o carpinteiro.

O Espírito Santo ungiu a nossa carne:

animando o nosso coração, falando pela nossa língua,

trabalhando e atuando pelas nossas mãos e os nossos pés.

Falar em nós é falar para nós e nós falarmos em nome de Deus.

Pelo Batismo, todos somos chamados a falar e a atuar como Jesus.

 

Numa cultura de opinião é difícil deixar falar o Espirito em nós.

Estamos cheios de convicções e pouco disponíveis para escutar,

dialogar, mudar de opinião, com medo do outro ficar por cima.

Entre tantos influenciadores de opinião,

tanta comunicação social tendenciosa, tanta falsa notícia,

é difícil ter uma opinião acertada, livre e aberta à verdade.

Por outro lado, o medo de ser diferente e rejeitado,

leva-nos a tentar perceber o que o outro quer ouvir

e não tanto a buscar o que Deus quer eu diga em seu nome.

A superficialidade apressada na abordagem das questões

é inimiga dum verdadeiro discernimento dos espíritos.

 

Bom Deus, obrigado por quereres utilizar o nosso corpo

para Te tornar presente na palavra e na graça

como epifania de Jesus vivo hoje.

Perdoa as vezes em que usamos a Palavra de Deus

para nosso interesse e tentamos neutralizar a sua força profética.

Espírito Santo, dá-nos o dom do discernimento dos espíritos

e o dom da fortaleza para vivermos e falarmos em nome de Deus,

continuando assim a missão de Jesus, apesar das perseguições.



quinta-feira, julho 09, 2026

 

5ª feira da 14ª semana do Tempo Comum (9 julho)

 




Ide e proclamai que está próximo o reino dos Céus. (cf. Mt 10, 7-15)

 

Jesus envia em missão, não em fuga ou turismo.

É partir, ir em nome de Jesus e proclamar o Reino de Deus.

Anunciar o Reino de Deus é proclamar testemunho,

seguimento de Jesus, dar razões da esperança que o anima,

viver e celebrar a liturgia com piedade e coerência.

É na vida de relação e comunhão, na humildade de servir,

na liberdade perante os ídolos, e na fé que respira e transpira

que se proclama que o Reino de Deus está próximo.

 

Estamos na época dos meios tecnológicos,

das lições estilo académico e teórico,

muitos palcos e identidades ao longo do dia.

A fragmentação resultante, torna a vida coerente

mais com circunstância e o protocole,

do que a identidade cristã como profecia e testemunho.

Missão não é uma arte de oratória,

mas uma vida-mensagem que fala por si.

 

Bom Deus, que nos envias a evangelizar,

anima-nos com o teu Espírito,

para que revestidos de Cristo, O saibamos imitar

e anunciar em todas as circunstâncias.

Espírito Santo, dá-nos o dom da profecia,

para que livres da idolatria do poder e da riqueza,

saibamos ser o Evangelho vivo que todos podem ler.



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