segunda-feira, julho 27, 2026

 

2ª feira da 17ª semana do Tempo Comum (27 julho)

 



O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento. (cf. Mt 13, 31-35)

 

O reino de Deus é silencioso e faz crescer,

como um fermento bom que levada a massa.

A Palavra de Deus é como um fermento

que transforma o adocicado dos sonhos egoístas

na realidade crua da vida que dá vida, do amor que doi.

Jesus é esse fermento novo da Páscoa,

Mestre sem gritar nem reprimir,

que com o seu exemplo e o seu Espírito,

fermenta vidas novas, discípulos missionários.

 

A Igreja existe para fermentar um novo mundo,

levedar a sociedade e a cultura a partir de dentro,

fazendo do poder serviço, da injustiça amor solidário,

das divisões e guerras comunhão e bem comum,

das mãos que ferem, mãos que abraçam e constroem.

A missão não é espetáculo em arenas barulhentas,

mas fermento de testemunho atraente e interpelador,

que cria uma nova cultura de respeito mútuo,

comunhão do diferente que se valorizam e estimam,

comunidade celebrativa na humildade da gratidão.

 

Senhor Jesus, Fermento pascal que nos contagias,

ajuda-nos a ser fermento humilde e perseverante

num mundo à deriva e em procura ofegante.

Espírito Santo, dá-nos o dom de sermos presenta profética,

que substitui a propaganda  pelo testemunho alternativo,

que inspira paz e justiça, mas também fé e esperança em Jesus

que nos quer salvar, dando a vida na cruz.

Fermenta-me todo inteiro e transforma-me em massa mãe

para que possa fermentar outros que querem ser teus discípulos.



domingo, julho 26, 2026

 

17º Domingo do Tempo Comum, Dia dos Avós e idosos (26 julho)

 



O reino dos Céus é semelhante a um tesouro 

escondido num campo. (cf. Mt 13, 44-52)

 

Deus reina de forma escondida e respeitosa,

é um tesouro oculto que é preciso procurar,

com a confiança de um vedor que escava um poço.

Vemos muitas coisas lindas na natureza e na história,

mas o mais importante é invisível aos olhos da rotina:

a beleza do Artista, o cuidado que sustenta a vida,

a paciência da misericórdia divina,

a fidelidade à aliança que encarna na nossa carne em Jesus.

 

O marketing habituou-nos à ideia de que o tesouro é o que aparece,

por isso, é fundamental uma boa fotografia

e a exposição num palco visível por uma grande multidão.

Aquele que pensa que nada tem de valor a não ser o corpo

ou partes do corpo, mostram-no como o seu tesouro.

Aquele que é desconhecido, considera-se inexistente,

por isso, procura mostrar-se nas redes sociais,

muitas vezes nem sempre pelos melhores motivos.

E quando se descobre um tesouro muitos querem rouba-lo

em vez de o conquistar com o seu suor e esforço.

 

Querido Rei divino, bendito sejas por seres um tesouro escondido,

que tudo criaste com beleza e amor,

amor que não estanca nem se cansa,

mesmo que ao seu Filho rejeitem e crucifiquem.

Eu sou o teu campo onde escondes o teu tesouro,

não no que se vê e se envaidece,

mas no coração e na alma que faz o bem

com a alegria de querer ser como Jesus, teu Filho.

Faz de mim um buscador de tesouros escondidos,

no rosto enrugado dum idoso ou sujo de um pobre.

Obrigado pelos nossos avós, a reserva do tempo que necessitamos.



sábado, julho 25, 2026

 

Sábado, S. Tiago, apóstolo (25 julho)

 



Bebereis do meu cálice. (cf. Mt 20, 20-28)

 

Jesus veio numa missão arriscada,

pois aqueles que Ele quer salvar têm o coração duro,

não reconhecem Quem lhes quer bem e os quer salvar.

O seu cálice é de dor e de rejeição,

que não estanca a fonte do amor e de fidelidade à aliança.

Tiago, irmão de João e filho de Zebedeu,

foi o primeiro a beber deste cálice do martírio

e a participar na glória de ser como o Mestre,

capaz de dar a vida por Cristo e pelos irmãos.

 

Há o cálice do alcoólico que mata o bicho do vício,

mas que logo volta a ressurgir como se regasse a dependência.

Há o cálice que preenche o vazio do encontro

e solta a conversa e ri sobre tudo e sobre nada.

Há o cálice da dor e do cansaço que se bebe solitário,

olhando o horizonte enevoado numa miragem de encontro.

Há o cálice que festeja uma vitória, um objetivo alcançado,

como quem esquece as ansiedades de dar à luz algo finalmente.

Há o cálice que não se bebe, mas se traga duramente,

ao lado dum doente querido sem saber como o consolar.

 

Senhor Jesus, que por nosso amor quiseste beber o teu cálice,

sofrendo um amor não correspondido e agressivo,

que Te traiu, abandonou e crucificou injustamente,

mas não Te tirou a sede de nos amar e salvar desde sempre.

Ensina-nos a beber o cálice da fidelidade incondicional,

que acredita em Ti à beira da fonte ou nos vales tenebrosos,

e ama os irmãos, mesmo com o coração ferido de rejeição.

S. Tiago, amigo íntimo de Jesus, que foste o primeiro

a beber o cálice de Jesus como seu discípulo e apóstolo,

reza por cada um de nós, para que saibamos purificar a nossa fé

e dar a vida pelo teu Evangelho com alegria e fidelidade.



sexta-feira, julho 24, 2026

 

6ª feira da 16ª semana do Tempo Comum (24 julho)

 



Aquele que recebeu a palavra em boa terra é o que 

ouve a palavra e a compreende. (cf. Mt 13, 18-23)

 

Jesus é a semente da Palavra que cura a terra árida.

Ele, animado pelo Espírito, é a terra boa,

que só dá semente boa e fruto inesgotável,

para semear vida nova em todos os que a acolhem

e a deixam crescer com raízes profundas e sem ervas daninhas.

Compreender a Palavra de Jesus é acolhe-la com fé,

acreditar que é caminho de vida e de salvação,

tornar-se semeador de sementes de Cristo

pelo testemunho de vida e pela pregação do Evangelho.

 

A semente da Palavra é a mesma para todos,

mas nuns dá frutos de santidade e de conversão

e noutros fica tudo igual, antes e depois de a escutar.

Uns ouvem-na com o coração, outros com o cérebro,

como saber adquirido numa rede que pesca

e esquece muitas mensagens ao longo do dia.

A enxurrada de palavras recebidas corre sem penetrar,

passa sem regar, como canal de mensagens a passar.

 

Bom Jesus, semeador da vida e generoso na sementeira,

continua a semear a tua Palavra e a regar com o teu Espírito,

para que a dureza do meu coração dê lugar ao acolhimento,

e eu possa nascer de novo, renovado no Espírito.

Dá-me discernimento e coragem para cavar fundo

e deixar que a semente ganhe raízes e perseverança,

para enfrentar os desafios de cada dia sem sucumbir na fé.

Faz de mim uma terra boa como Tu Jesus,

que crie condições de santidade e frutos de missão,

coerentes e constantes, perante outras sementeiras

que podem abafar a fé e debilitar o testemunho cristão.



quinta-feira, julho 23, 2026

 

5ª feira, S. Brígida, padroeira da Europa (23 julho)

 



Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto. (Cf. Jo 15, 1-8)

 

Deus fecunda a vida, criando-a, cuidando-a e curando-a.

Quem está em Deus participa desta bênção

e fica fecundado com o dom de dar vida ao próximo.

Em Cristo, vemos os frutos que devemos dar

e os rebentos estéreis que precisamos de podar,

para que não percamos a energia em objetivos inúteis.

S. Brígida foi esposa e mãe de oito filhos,

mística e peregrina, escritora e fundadora…

mas sempre em comunhão e seguimento de Cristo.

 

Queixamo-nos que levamos uma vida fragmentada,

cheia de canseiras e preocupações, estressante…

Isso é muitas vezes a nossa lamentação

e a nossa desculpa para não rezar ou meditar a Palavra.

S. Brígida, que viveu diferentes estados de vida,

mostra que é possível a santidade como esposa, mãe,

viúva, peregrina, escritora, intervenção na sociedade,

compromisso com a Igreja e a sua renovação.

 

Senhor Jesus, Mestre silencioso da arte de amar,

ensina-me a permanecer em Ti em todas as circunstâncias

e a dar frutos que nascem do Espírito Santo

e encarnam a vida de Cristo, nosso Irmão e Salvador.

Espírito Santo, dá-nos o dom do discernimento

e o dom da fortaleza para termos a coragem de podar

o que não dá frutos de amor e de justiça, de paz e de missão.

S. Brígida, reza por cada um de nós,

para que reaprendamos a contemplar os mistérios de Cristo

e da sua cruz, comprometidos com o bem social e eclesial.



quarta-feira, julho 22, 2026

 

4ª feira, S. Maria Madalena (22 julho)

 



Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Vi o 

Senhor». (cf. Jo 20, 1.11-18)

 

O amor de Cristo impele Jesus para a ressurreição.

O amor de Cristo faz-se encontrar quando é procurado.

O amor a Cristo impele Maria Madalena a procura-Lo,

antes de o sol raiar na solidão do desespero.

O amor de Cristo chama Maria à mulher que chora

e o amor a Cristo responde-lhe: “Rabuni” e quer detê-lo.

O amor de Cristo associa Maria aos seus discípulos,

enviando-a a anunciar-lhes a boa noticia da sua ressurreição.

 

Em Cristo não há homem nem mulher, livre ou escravo,

desta ou daquela nação, todos somos criaturas renovadas,

pelo Batismo em Cristo, peregrinos duma fraternidade saudável.

Maria Madalena foi a primeira apóstola da Ressurreição,

embora fosse mulher e não pertencesse ao grupo do Doze.

Ela é um sinal de esperança,

pois a maioria dos cristãos são mulheres,

empenhadas pela fé e a caridade na missão de Cristo.

 

Bom Jesus, vivo e escondido que nos pões à procura,

como se hoje fosse a primeira manhã do primeiro dia.

Obrigado, porque transformas o choro e o desespero

em sepulcro aberto e gruta da vida e aurora da esperança.

Obrigado, porque vens ao nosso encontro,

nesta busca recíproca em que nos chamas pelo nome,

como o Pastor chama a ovelha perdida.

S. Maria Madalena, impelida pelo amor a Cristo,

numa gratidão eterna Aquele que a curou e libertou,

intercede por nós para que jamais deixemos de procurar Jesus,

sem querermos detê-Lo, numa missão que não descansa a alegria.



terça-feira, julho 21, 2026

 

3ª feira da 16ª semana do Tempo Comum (21 julho)

 





Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? (Cf. Mt 12, 46-50)

 

O Filho de Deus nasce de Maria,

mas para Ele é mais importante a família espiritual:

os discípulos que O escutam,

do que a família de sangue que ficam fora e não O escutam.

Maria, que tinha dado o seu sim a ser Mãe do Messias,

agora é chamada a ser discípula do seu Filho.

E nós somos chamados a ser mães e irmãos de Jesus,

pela qualidade e fecundidade do nosso discipulado.

 

Num mundo globalizado, ressurgem temores

de diluição cultural e rácica na homogeneidade global.

Gera-se assim intolerância ao diferente,

exclusão rácica e xenófoba, fundamentalismo religioso,

fechamento tribal com receio de perda da identidade.

O universalismo católico é visto com desconfiança.

Mesmo no desporto o nacionalismo dá direito à deselegância,

à violência, ao insulto e ao mau perder.

 

Senhor Jesus, bom Mestre que queremos seguir,

ensina-nos a ser discípulos abertos e missionários.

que sabem aprender sentimentos e valores

e a praticar Evangelho e seguimento fiel.

Liberta-nos da de pertença apenas legal e sociológica,

cristãos de cédula do Batismo e de prática ritual,

mas que continuam a pensar e a atuar

como se Cristo estivesse fora de sintonia de onda.

Espírito Santo, faz de nós mães e irmãos de Jesus,

familiares do Filho de Deus, Evangelho vivo de Cristo.

 



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