sexta-feira, março 06, 2026
6ª feira da 2ª semana da Quaresma (6 março)
Por fim mandou-lhes o seu próprio filho,
pensando: ‘Irão respeitar o meu filho’. (cf. Mt 21, 33-43.45-46)
Deus é o autor do projeto da vinha do Senhor.
Tudo fez para ter condições de dar bons frutos,
mas os arrendatários apoderaram-se dela
e recusaram-se a dar os frutos de aliança ao seu Dono.
Deus enviou os seus servos profetas como memória da aliança,
mas o povo em vez de os escutar e se converter,
tudo fiz para os calar, perseguindo-os e matando-os.
Por fim, envio o seu querido Filho,
mas estes venderam-no por trinta moedas e mataram-no.
A glória de Deus é o homem vivo (S. Ireneu).
O homem corrompido procura glória na morte do outro.
É só ver o que está a acontecer em pleno século 21:
os senhores do mundo procuram glória na destruição e na guerra,
em troca de uns palmos de terra geoestratégica, de minerais raros
ou combustíveis valiosos, que façam lembrar impérios do passado.
Os gangs lutam entre si por superioridade de poder,
matando, atemorizando, promovendo a anarquia da lei,
a não ser a do mais forte, traficando droga e pessoas.
Neste género de situação, não há direito nem justiça,
pois tudo se vende e explora,
fazendo do domínio das vidas miseráveis o seu título de glória!
Querido Pai, bondade infinita que oferece vida,
perdoa a forma como tratámos e tratamos o teu Filho,
neste desencontro de viver que idolatra a segurança do ter e prazer.
Obrigado, porque apesar da nossa infidelidade à Palavra,
continuas a fazer uma história de salvação para todos.
Espírito Santo, dá-nos um coração novo e contrito,
ajudando-nos a fazer desta Quaresma
um tempo de salvação e de verdadeira conversão.
quinta-feira, março 05, 2026
5ª feira da 2ª semana da Quaresma (5 março)
Para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de
tormento. (cf. Lc 16, 19-31)
Deus envia os seus profetas e o próprio Filho,
para nos prevenir e alertar da vida que levamos
e, uma vez convertidos,
não irmos para o lugar do tormento eterno.
Deu-nos a aliança como caminho da vida e do amor,
enviou-nos os profetas como voz incomoda,
mas que revela a verdade duma vida de festas egoístas,
sem lugar para partilhar, ao menos, o que sobra com o pobre.
Jesus é o enviado de Deus que enviamos para a morte
e ressuscitou para nos desafiar à conversão
e evitarmos a condenação eterna.
Temos a Palavra de Deus, dom de luz para os nossos passos,
alerta de amor que pede conversão para a nossa salvação.
Não é uma questão apenas espiritual, entre mim e Deus,
mas é uma questão relacional, que nos envolve na vida dos frágeis
como parte da resposta que eles suplicam a Deus.
A questão da fome no mundo é um problema de fé,
de correspondência ao amor de Deus
que se multiplica em pequenos gestos,
motivados pelo coração compadecido,
que descobre no pobre um enviado de Deus
a salvar-me pela partilha e pelo cuidado.
Senhor, obrigado pelos avisos que nos envias,
no desafio do pobre que nos bate à porta
e do frágil que precisa de cuidado e ajuda.
Perdoa as vezes que somos como aquele rico indiferente,
que não se dá conta do fosso que constrói e divide a humanidade,
entre os privilegiados e os desgraçados,
mundos paralelos que coexistem lado a lado.
Ajuda-me Senhor a ser alguém que previne do pecado,
meditando e rezando a Bíblia, como luz nas trevas.
quarta-feira, março 04, 2026
4ª feira da 2ª semana da Quaresma (4 março)
Será como o Filho do homem, que veio para servir
e dar a vida pela redenção
dos homens. (cf. Mt 20, 17-28)
O poder do amor não pretende fazer sentir o seu poder,
mas, de forma despercebida,
servir a vida pela redenção de todos.
É assim que atua a providência divina,
foi assim que o Filho de Deus encarnou,
foi assim que Jesus anunciou o reino de Deus
e deu a vida em Jerusalém na cruz inocente,
amando-nos até ao fim de forma incondicional.
Os discípulos de Jesus devem ser como Ele
e purificar o desejo de poder e de prazer.
Há cristãos que sonham com o poder e a fama,
como se fossem discípulos de Herodes e de Pilatos.
Nestes tudo é negociável: a justiça, a verdade,
o seu humano, a palavra dada, a guerra e a paz.
Há pastores da Igreja que,
embora preguem a humildade e o serviço,
buscam cargos de poder e fogem da profecia,
procurando o carreirismo revestido de veste sagrada.
Senhor, que viestes para servir e não para ser servido,
ensina-nos este caminho da humildade e do cuidado,
e a ser na terra o testemunho de Cristo que serve
e dá a vida pela salvação de todos os pecadores.
Espírito Santo, faz que a nossa vida seja profecia viva,
imagem verdadeira e atual de Cristo-servo
que nos diz na Eucaristia: “Este é o meu corpo…
este é o meu sangue, entregue pela salvação de todos”.
terça-feira, março 03, 2026
3ª feira da 2ª semana da Quaresma
Eles dizem e não fazem.
(cf. Mt 23, 1-12)
Deus é Palavra que cria e faz aliança.
É fidelidade que jorra misericórdia e perdão.
É missão que envia o seu Filho no Espírito Santo,
Profecia que encarna no seio de Maria,
Palavra que diz e faz com a autoridade da coerência.
Ele é o mesmo na eternidade e no tempo,
na cruz da dor e da traição e nos horto da ressurreição,
na Igreja que perdura no tempo e nos sacramentos de vida.
A palavra é muitas vezes doutrina para os outros praticarem
e não testemunho natural da alegria de escutar e amar.
Há grandes oradores e mestres da palavra,
que comentam jogos sem saberem jogar;
analisam políticas sem soluções a dar,
apontam o dedo condenatório como santos fossem.
Os meios de comunicação enfatizam a palavra,
pois a opinião é um direito que ninguém quer abdicar.
Mesmo na Igreja há muita incoerência
que corrói a credibilidade dos valores evangélicos pregados.
Senhor, Palavra encarnada na fidelidade do amor,
ensina-nos a humildade de sermos irmãos,
independentemente do serviço que prestamos
na política, na escola, na empresa, no clube, na Igreja.
Liberta-nos do engano de julgar que falar bem é suficiente,
deixando na sombra as sombras que nos envergonham
e contradizem os valores que defendemos e apregoamos.
Dá-nos a sabedoria da humildade e do respeito mútuo.
segunda-feira, março 02, 2026
2ª feira da 2ª semana da Quaresma (2 março)
A medida que usardes com os outros será usada
também convosco. (cf. Lc 6, 36-38)
Deus surpreende-nos como medida sem medida,
misericórdia infinita que chove sobre a criação
e fecunda a esperança com um coração de Pai.
Jesus é a boa medida, a transbordar de fidelidade,
que se dá totalmente para a todos salvar.
O Espírito Santo é a boa medida,
que não conhecemos o princípio e o fim,
só sabemos que enche a terra e se faz luz e profecia,
permanecendo de forma invisível e permanente
sobre os que Ele quer, quando quer e como quer.
A vida constrói medidas para os outros
que um dia serão a medida que será usada para nós.
Os que nunca partilham nada por soberba e avareza,
serão surpreendidos na vida e na eternidade de mãos vazias.
Os que excluem os mais frágeis ou os inimigos,
serão considerados excluídos da comunhão do paraíso.
Os que usam a medida da vingança e do rancor,
serão surpreendidos sem conhecerem a misericórdia,
pois nunca a usaram nem a partilharam com ninguém.
Querido Pai, Filho e Espírito Santo,
que sois sempre a boa medida, generosa e infinita,
incondicional e sem fronteiras, que só sabe amar.
Abre-nos a esse amor, que para os outros usa a medida
que gostaríamos que usassem para nós,
no presente e na hora da verdade, porque é eterna.
Ensina-nos a generosidade do amor e do perdão,
que nos faz ser fraternos e compassivos,
preferindo sempre a paz e o cuidado da fragilidade.
domingo, março 01, 2026
2º Domingo da Quaresma (1 março)
Da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho muito amado. Escutai-O” (Cf. Mt 17, 1-9)
Do Céu desce o mistério que nos envolve na nuvem,
luminosa e sombreada, onde a fé vê pela escuta da sua Voz.
Voz do Invisível que aponta para o Visível,
Palavra de Deus com sotaque galileu.
Jesus não é o que imaginávamos,
mas revela-se perplexidade, aliança que carrega infidelidades
e oferta que se doa numa cruz para que todos tenham vida.
Jesus compreende-se quando a fé se vê com o coração
e a inteligência faz memória da Lei e dos profetas.
Subir ao monte com Jesus é transfigurar a perplexidade da vida
numa história de salvação, com sentido e ressurreição.
No caminho do sucesso sem altos e baixos,
não há lugar para um Messias manso e humilde,
que resiste à violência e se entrega nas mãos da injustiça,
orando pelos que O perseguem e atraiçoam
e, até na cruz, encontra lugar de missão a consumar.
Mas ver a dor e a deficiência a partir do alto,
é transfigurar os frutos que em nós produz
de serviço, cuidado, compaixão, fidelidade e amor.
Senhor, andamos envolvidos nas preocupações da vida,
alimentados de ansiedade, desejo de poder e sucesso,
de ruído e velocidade, sem tempo para parar
e subir da rotina, guiados pela Palavra que é Jesus.
Espírito Santo, luz que nos faz ver a luz da verdade
no meio da nuvem luminosa do mistério da fé,
ensina-nos a olhar a vida a partir do Deus da esperança
e a transfigurar os frutos de vida
que no inverno querem e podem ser primavera.
Ajuda-nos a fazer desta Quaresma um subir ao monte Contigo.
sábado, fevereiro 28, 2026
Sábado da 1ª semana da Quaresma (28 fevereiro)
Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e
orai por aqueles que vos
perseguem. (cf.Mt 5, 43-48)
Deus ama-nos a todos, bons e maus,
e sobre todos manifesta a sua providência.
O pecado é como uma lança que abre o coração de Deus
e faz brotar dele graça e misericórdia sobre os pecadores.
É esta “feliz culpa” que cantamos na Vigília Pascal,
que nos deu tão grande salvador na nossa carne.
Jesus reza na cruz pelos que O matam.
Queixamo-nos do mau comportamento dos outros,
para justificarmos a nossa resposta de vingança aos outros.
Cada um dá o que tem no seu coração:
quem é bom é capaz de rezar pelos que lhe fazem mal;
quem é mau imita o que o ofende tornando-se pior que ele.
Quem segue Jesus, procura imita-Lo como S. Estêvão,
e é capaz de perdoar a quem o ofende e de rezar por ele.
Vê num pecador um irmão a salvar e não a condenar.
Deus de amor e da paz, a facilidade com que alguns fazem a guerra,
revolta-nos e dá-nos vontade de Te pedir que caia fogo do Céu,
mas Tu repreendes-nos e dizes-nos que devemos ir por outro caminho.
Hoje queremos pedir-te por todos os nossos irmãos violentos,
injustos, opressores, ladrões, egoístas, mentirosos,
para que o teu Espírito os faça ver no precipício onde andam
e se convertam à fraternidade, à compaixão, à paz e a Cristo.
Dá-nos a graça de sermos capazes de transformar a ofensa
numa oportunidade de nos revelarmos irmãos e discípulos de Jesus.