domingo, março 08, 2026

 

3º Domingo da Quaresma, Dia Nacional da Caritas, Dia Mundial da Mulher (8 março)

 



Disse-lhe Jesus: «Dá-Me de beber». (cf. Jo 4, 5-42)

 

O alimento de Jesus é fazer a vontade do Pai.

A sede de Jesus é salvar o que está perdido,

recuperar o que se corrompeu,

ensinar à humanidade o segredo do amor.

Nós damos-lhe de beber e saciamos a sua sede,

sempre que também fazemos a vontade de Deus,

o adoramos em espírito e verdade em todo o lugar,

confiamos na misericórdia divina,

deixamos de fazer o mal e aprendemos a fazer o bem,

damos glória a Deus pela palavra e pelo exemplo.

 

Que sedes temos quando a carência nos seca a alegria de viver?

Quando a vida se sente vazia de razão de ser,

temos sede de segurança e de sentido.

Quando sonhamos ardentemente saciar o desejo sensual,

temos sede de prazer, nem que seja sem amor.

Quando sonhamos ser grandes, poderosos e famosos,

temos sede de notabilidade, de domínio e de controle.

Quando desejamos ardentemente a paz e a felicidade,

temos sede de conforto, harmonia e de colo consolador.

Quando sonhamos ser eternos e tememos a morte,

temos sede de eternidade e de controlar o futuro.

 

Senhor Jesus, que assumistes as nossas sedes

e te fizestes fonte de água viva,

sacia a nossa sede de confiança em Deus

e de esperança na tua misericórdia e salvação.

Espírito Santo, dá-nos o dom da sabedoria,

para que compreendamos, em cada tempo e lugar,

a sede de Deus, revelada na sede de Jesus.

Faz de nós canais fiéis da água viva que nos queres dar,

para que a graça não se desperdice

e chegue até aos confins da terra

e ao mais profundo dos corações sedentos de amor.



sábado, março 07, 2026

 

Sábado da 2ª semana da Quaresma (7 março)

 




Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não 

mereço ser chamado teu filho. (cf. Lc 15, 1-3.11-32)

 

O Pai deu-nos a herança de filho, sem a merecermos.

O Filho unigénito não quis ser filho único

e procurou irmãos entre os que estavam perdidos

e mortos no pecado, afastados de Deus.

Aos de coração contrito e humilhado,

a Santíssima Trindade os envolve no abraço de perdão,

restitui a dignidade de filhos de Deus

e promove a festa dos regressados à mesa da misericórdia.

 

A Quaresma é tempo de reconciliação e arrependimento.

A dificuldade é a falta de consciência de pecado

que faz com que, quando se vai confessar,

é mais para cumprir um dever da Igreja

do que por reconhecer uma vida longe de Deus e dos outros,

mais cheia de egoísmo do que de amor e compaixão.

É mais uma confissão do que “não fiz”,

do que o reconhecer a tristeza do que me habituei a fazer

e não dá glória a Deus nem faz o bem ao próximo.

 

Pai, pequei muitas vezes e este andar longe de Ti,

tornou-se a normalidade  que partilho com os outros.

Não mereço ser teu Filho e sinto-me um funcionário a mais.

O Amor não é amado e apesar disso, continuas a amar-nos!

Olhando para o teu Filho crucificado e por nós oferecido,

envergonho-me do pouco que Te dou em tempo de oração,

paciência e compreensão para com os irmãos,

misericórdia e perdão para quem nos ofende,

esforços de paz e de reconciliação após os desencontros da vida.

Espírito Santo, ensina-nos a viver o seguimento de Jesus.



sexta-feira, março 06, 2026

 

6ª feira da 2ª semana da Quaresma (6 março)

 



Por fim mandou-lhes o seu próprio filho, 

pensando: ‘Irão respeitar o meu filho’. (cf. Mt 21, 33-43.45-46)

 

Deus é o autor do projeto da vinha do Senhor.

Tudo fez para ter condições de dar bons frutos,

mas os arrendatários apoderaram-se dela

e recusaram-se a dar os frutos de aliança ao seu Dono.

Deus enviou os seus servos profetas como memória da aliança,

mas o povo em vez de os escutar e se converter,

tudo fiz para os calar, perseguindo-os e matando-os.

Por fim, envio o seu querido Filho,

mas estes venderam-no por trinta moedas e mataram-no.

 

A glória de Deus é o homem vivo (S. Ireneu).

O homem corrompido procura glória na morte do outro.

É só ver o que está a acontecer em pleno século 21:

os senhores do mundo procuram glória na destruição e na guerra,

em troca de uns palmos de terra geoestratégica, de minerais raros

ou combustíveis valiosos, que façam lembrar impérios do passado.

Os gangs lutam entre si por superioridade de poder,

matando, atemorizando, promovendo a anarquia da lei,

a não ser a do mais forte, traficando droga e pessoas.

Neste género de situação, não há direito nem justiça,

pois tudo se vende e explora,

fazendo do domínio das vidas miseráveis o seu título de glória!

 

Querido Pai, bondade infinita que oferece vida,

perdoa a forma como tratámos e tratamos o teu Filho,

neste desencontro de viver que idolatra a segurança do ter e prazer.

Obrigado, porque apesar da nossa infidelidade à Palavra,

continuas a fazer uma história de salvação para todos.

Espírito Santo, dá-nos um coração novo e contrito,

ajudando-nos a fazer desta Quaresma

um tempo de salvação e de verdadeira conversão.



quinta-feira, março 05, 2026

 

5ª feira da 2ª semana da Quaresma (5 março)

 



Para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento. (cf. Lc 16, 19-31)

 

Deus envia os seus profetas e o próprio Filho,

para nos prevenir e alertar da vida que levamos

e, uma vez convertidos,

não irmos para o lugar do tormento eterno.

Deu-nos a aliança como caminho da vida e do amor,

enviou-nos os profetas como voz incomoda,

mas que revela a verdade duma vida de festas egoístas,

sem lugar para partilhar, ao menos, o que sobra com o pobre.

Jesus é o enviado de Deus que enviamos para a morte

e ressuscitou para nos desafiar à conversão

e evitarmos a condenação eterna.

 

Temos a Palavra de Deus, dom de luz para os nossos passos,

alerta de amor que pede conversão para a nossa salvação.

Não é uma questão apenas espiritual, entre mim e Deus,

mas é uma questão relacional, que nos envolve na vida dos frágeis

como parte da resposta que eles suplicam a Deus.

A questão da fome no mundo é um problema de fé,

de correspondência ao amor de Deus

que se multiplica em pequenos gestos,

motivados pelo coração compadecido,

que descobre no pobre um enviado de Deus

a salvar-me pela partilha e pelo cuidado.

 

Senhor, obrigado pelos avisos que nos envias,

no desafio do pobre que nos bate à porta

e do frágil que precisa de cuidado e ajuda.

Perdoa as vezes que somos como aquele rico indiferente,

que não se dá conta do fosso que constrói e divide a humanidade,

entre os privilegiados e os desgraçados,

mundos paralelos que coexistem lado a lado.

Ajuda-me Senhor a ser alguém que previne do pecado,

meditando e rezando a Bíblia, como luz nas trevas.



quarta-feira, março 04, 2026

 

4ª feira da 2ª semana da Quaresma (4 março)

 



Será como o Filho do homem, que veio para servir 

e dar a vida pela redenção dos homens. (cf. Mt 20, 17-28)

 

O poder do amor não pretende fazer sentir o seu poder,

mas, de forma despercebida,

servir a vida pela redenção de todos.

É assim que atua a providência divina,

foi assim que o Filho de Deus encarnou,

foi assim que Jesus anunciou o reino de Deus

e deu a vida em Jerusalém na cruz inocente,

amando-nos até ao fim de forma incondicional.

Os discípulos de Jesus devem ser como Ele

e purificar o desejo de poder e de prazer.

 

Há cristãos que sonham com o poder e a fama,

como se fossem discípulos de Herodes e de Pilatos.

Nestes tudo é negociável: a justiça, a verdade,

o seu humano, a palavra dada, a guerra e a paz.

Há pastores da Igreja que,

embora preguem a humildade e o serviço,

buscam cargos de poder e fogem da profecia,

procurando o carreirismo revestido de veste sagrada.

 

Senhor, que viestes para servir e não para ser servido,

ensina-nos este caminho da humildade e do cuidado,

e a ser na terra o testemunho de Cristo que serve

e dá a vida pela salvação de todos os pecadores.

Espírito Santo, faz que a nossa vida seja profecia viva,

imagem verdadeira e atual de Cristo-servo

que nos diz na Eucaristia: “Este é o meu corpo…

este é o meu sangue, entregue pela salvação de todos”.



terça-feira, março 03, 2026

 

3ª feira da 2ª semana da Quaresma

 



Eles dizem e não fazem. (cf. Mt 23, 1-12)

 

Deus é Palavra que cria e faz aliança.

É fidelidade que jorra misericórdia e perdão.

É missão que envia o seu Filho no Espírito Santo,

Profecia que encarna no seio de Maria,

Palavra que diz e faz com a autoridade da coerência.

Ele é o mesmo na eternidade e no tempo,

na cruz da dor e da traição e nos horto da ressurreição,

na Igreja que perdura no tempo e nos sacramentos de vida.

 

A palavra é muitas vezes doutrina para os outros praticarem

e não testemunho natural da alegria de escutar e amar.

Há grandes oradores e mestres da palavra,

que comentam jogos sem saberem jogar;

analisam políticas sem soluções a dar,

apontam o dedo condenatório como santos fossem.

Os meios de comunicação enfatizam a palavra,

pois a opinião é um direito que ninguém quer abdicar.

Mesmo na Igreja há muita incoerência

que corrói a credibilidade dos valores evangélicos pregados.

 

Senhor, Palavra encarnada na fidelidade do amor,

ensina-nos a humildade de sermos irmãos,

independentemente do serviço que prestamos

na política, na escola, na empresa, no clube, na Igreja.

Liberta-nos do engano de julgar que falar bem é suficiente,

deixando na sombra as sombras que nos envergonham

e contradizem os valores que defendemos e apregoamos.

Dá-nos a sabedoria da humildade e do respeito mútuo.



segunda-feira, março 02, 2026

 

2ª feira da 2ª semana da Quaresma (2 março)

 



A medida que usardes com os outros será usada 

também convosco. (cf. Lc 6, 36-38)

 

Deus surpreende-nos como medida sem medida,

misericórdia infinita que chove sobre a criação

e fecunda a esperança com um coração de Pai.

Jesus é a boa medida, a transbordar de fidelidade,

que se dá totalmente para a todos salvar.

O Espírito Santo é a boa medida,

que não conhecemos o princípio e o fim,

só sabemos que enche a terra e se faz luz e profecia,

permanecendo de forma invisível e permanente

sobre os que Ele quer, quando quer e como quer.

 

A vida constrói medidas para os outros

que um dia serão a medida que será usada para nós.

Os que nunca partilham nada por soberba e avareza,

serão surpreendidos na vida e na eternidade de mãos vazias.

Os que excluem os mais frágeis ou os inimigos,

serão considerados excluídos da comunhão do paraíso.

Os que usam a medida da vingança e do rancor,

serão surpreendidos sem conhecerem a misericórdia,

pois nunca a usaram nem a partilharam com ninguém.

 

Querido Pai, Filho e Espírito Santo,

que sois sempre a boa medida, generosa e infinita,

incondicional e sem fronteiras, que só sabe amar.

Abre-nos a esse amor, que para os outros usa a medida

que gostaríamos que usassem para nós,

no presente e na hora da verdade, porque é eterna.

Ensina-nos a generosidade do amor e do perdão,

que nos faz ser fraternos e compassivos,

preferindo sempre a paz e o cuidado da fragilidade.



This page is powered by Blogger. Isn't yours?