segunda-feira, agosto 10, 2026

 

2ª feira, S. Lourenço, diácono e mártir (10 agosto)

 



Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; (cf. Jo 12, 24-26)

 

Jesus é o grão de trigo que desce do Céu,

nasce bebé em Belém, cresce Nazareno carpinteiro

e morre entre malfeitores, ardendo de amor.

Foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos

para dar vida aos vivos que andam mortos no pecado.

O martírio é o seguimento de Jesus, mesmo na morte,

que dá glória a Deus e anuncia a vida em Jesus Cristo.

S. Lourenço é um destes modelos de fé e fidelidade,

na vida e na morte ao serviço da partilha pelos mais pobres.

 

Querer subir na vida sem esforço e trabalho

é querer ser trigo sem morrer e acabar por ficar só.

Querer tirar o curso universitário sem estudar,

recorrendo ao copianço e à inteligência artificial,

é querer ser trigo esperto sem sabedoria nem inovação.

Querer ser cristão limitando-se ao menor esforço

e a gestos de descargo de consciência,

é querer ser santo na solidão cómoda do seu egoísmo.

Ser cristão é morrer para si e comprometer-se com a missão,

servindo a paz, a justiça e a fraternidade sem cansaços.

 

Filho de Deus, que te fizeste trigo do Céu,

semeado na terra de Maria e fecundado pelo Espírito Santo,

deixando-te morrer na cruz e sepultar na rocha da esperança,

ensina-nos a subir para Deus e para o amor aos irmãos,

descendo pelo humilde louvor

e morrendo para o acumular para mim.

S. Lourenço, gestor da caridade pelos “tesouros da Igreja”,

ensina-me a ser livre da idolatria do dinheiro

e a ser fiel e honesto na partilha com os mais necessitados.



domingo, agosto 09, 2026

 

19º Domingo do Tempo Comum (9 agosto)

 



Homem de pouca fé, porque duvidaste? (cf. Mt 14, 22-33)

 

Jesus interroga Pedro das razões da sua falta de fé.

Jesus confia plenamente no Pai a Quem chama “ Querido Papá”.

Sente-se Filho unigénito, muito amado ,

a Quem o Pai confia totalmente a sua Palavra.

Ele tem a missão de revelar o Pai em humanês

e, mesmo quando isto significa perder a vida na cruz,

o Pai não O abandonará e o ressuscitará ao 3º dia.

 

Porque desconfiamos de Deus e de Jesus Cristo?

Temos medo de estar enganados neste ouvir sem ver?

Temos medo de entregar a vida a Alguém

que não se deixa dominar nem instrumentalizar,

como se fosse uma máquina que basta um pedido e já está?

Temos medo do que os outros falam e ridicularizam,

pois sabemos que Deus nunca vai fazer chover enxofre sobre eles,

para provar que existe e que não devem brincar com coisas sérias.

 

Querido Pai, querido Filho, querido Espírito Santo,

sei que nos amais com amor eterno

e que concorreis em tudo para nos salvar

e conduzir pelo caminho da vida,

mas reconheço que, pelo caminho,

nos vamos agarrando a outras seguranças mais palpáveis.

Espírito Santo, dá-nos o dom da fé e da fortaleza,

para que a fidelidade brilhe mais do que a desconfiança.



sábado, agosto 08, 2026

 

Sábado da 18ª semana do Tempo Comum, S. Domingos (8 agosto)

 



Por causa da vossa pouca fé. (cf. Mt 17, 14-20)

 

A Deus nada é impossível, pois Ele é o Senhor de tudo e de todos.

Quem acreditar em Deus com fé e confiança,

tudo pode, quando sabe pedir o que Deus quer.

O Espírito Santo vem em nosso auxilio

para rezarmos e sintonizarmos com Deus,

confiando que é Ele quem atua por nosso intermédio,

quando o nosso querer e atuar é o de Deus.

 

Deus não se deixa instrumentalizar

nem se coloca ao serviço das nossa ambições,

caprichos ou maus sentimentos.

Se essa for a finalidade da nossa oração,

por mais fé que tenhamos, nada conseguimos de Deus.

Atuar em nome de Cristo supõe discernimento,

sintonia com a palavra evangélica,

despojamento de maus sentimentos e idolatrias,

ser homem novo em Cristo.

 

Dai-nos, Senhor, o dom da fé que penetra o mistério

e compreende o sentir divino,

com a alegria da obediência e a fidelidade de teu enviado.

Espírito Santo, ilumina-nos o coração,

para que aprendamos a profecia do amor

e a compreensão da vontade de Deus

que ama e quer salvar na raiz e para a eternidade.

S. Domingos, rogai por nós, para que tenhais mais fé.



sexta-feira, agosto 07, 2026

 

6ª feira da 18ª semana do Tempo Comum (7 agosto)

 



Que poderá dar o homem em troca da sua vida? (cf. Mt 16, 24-28)

 

O Filho de Deus deu a sua vida em troca da nossa salvação.

Perdeu a vida para a voltar a receber das mãos do Pai.

Foi trigo enterrado na terra para ressurgir corpo glorioso

e fazer dos seus discípulos corpo místico do qual Ele é a cabeça.

Também nós somos chamados a amar incondicionalmente,

renunciando a nós mesmos e seguindo Jesus,

na hora da glória e da cruz, em toda a nossa vida.

A vida é um dom que não se compra nem se vende,

mas se faz dom em serviço de louvor e de caridade,

fecundando a vida de graça e de missão evangelizadora.

 

A lógica do mundo é de tudo fazer mercadoria

que se compra e se vende, que se valoriza ou desvaloriza,

segundo as leis do mercado, da procura e da oferta.

É assim com o trabalho, as novidades do consumo,

a indústria do culto do corpo e do desporto,

a busca da longevidade e do bem estar corporal e emocional…

Há gente que aceita congelar o tempo à espera dum tempo sem morte.

O certo é que, tanto o que tem dinheiro como o que o não tem, morre,

e ninguém consegue encontrar e comprar o elixir da juventude.

A única vida eterna que conhecemos foi-nos oferecida por Jesus.

 

Bendito sejas, Jesus, pela vida que nos deste,

morrendo por nós, pecadores e mal agradecidos.

Espírito Santo, dá-nos o dom da liberdade,

para nos podermos descentrar de nós mesmos,

sem medo de nos perdermos na aventura do amor

por Jesus e pelos irmãos que gemem fraternidade.

Ensina-nos, Senhor, a acumular para a eternidade

e não para o instante como segurança do amanhã.



quinta-feira, agosto 06, 2026

 

5ª feira, Transfiguração do Senhor (6 agosto)

 



Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda 

a minha complacência. Escutai-O. (cf. Mt 17, 1-9)

 

O Filho de Deus transfigurou-se ao encarnar

num homem normal da periferia, frágil e a abater.

O anúncio da morte fez os discípulos ficarem perplexos,

inseguros, deprimidos, temerosos, desencorajados.

Jesus sobe com os três amigos, líderes do grupo,

e transfigura-se, faz-lhes ver o invisível

e antecipar a ressurreição antes de se acontecer a morte.

A nuvem do mistério divino fala do seu Filho amado,

que precisamos escutar na oração e na escuta da Palavra.

 

A vida traz-nos muitas surpresas que nos deixam perplexos:

uma doença súbita, um desemprego, uma infidelidade afetiva,

uma despesa não programada, uma morte de alguém querido…

O mundo parece sem chão a balançar ao vento!

Um abraço silencioso, uma palavra amiga,

umas lágrimas surdas perante o Santíssimo,

uma Palavra da Bíblia que nos anima a olhar com esperança…

São momentos de transfiguração que nos fazem olhar o sol

e a compreender o intragável, dando sentido ao mistério da vida.

 

Espírito Santo, dá-nos o dom da profecia

para que sejamos capazes de ver  o que só Deus vê

e escutar a Palavra de Deus como luz dos nossos passos.

Jesus, Emanuel das horas de cada dia,

ensina-nos a subir ao monte da oração,

quando a dureza da proximidade das surpresas,

nos deixam a chorar ou paralisados pelo medo.



quarta-feira, agosto 05, 2026

 

4ª feira da 18ª semana do Tempo Comum (5 agosto)

 



Também os cachorrinhos comem das migalhas que 

caem da mesa de seus donos. (cf. Mt 15, 21-28)

 

Deus envia o seu Filho às suas criaturas,

para que o Filho dê às criaturas o Pão do Filho.

Jesus não nos dá apenas as migalhas que caiem da mesa,

mas convida-nos a todos para o banquete do Reino.

A fé desta mulher cananeia abre os horizontes da salvação,

a toda a humanidade e não apenas a Israel.

Deus vê-nos a todos como filhos e não como cachorros

e o seu Filho aprende com o Pai a amar-nos a todos como irmãos.

 

Ainda hoje há pessoas que se consideram mais do que os outros

e chamam a irmãos: cachorros, macacos, malcriados, animais…

É este olhar sobranceiro que leva a tomar certas atitudes de desprezo,

de insulto, de violência, de marginalização, de ostracismo.

Mas, para além da diferença da cor da pele ou do lugar de nascimento,

somos todos irmãos, criados pelo mesmo Deus,

por quem Jesus deu a sua vida na cruz para a salvação de todos.

Há uma cegueira preconceituosa que não deixa ver a verdade

e se torna ideologia intolerante e injusta.

 

Bom Pai, que a todos nos criaste com o mesmo amor

e enviaste o teu Filho para salvar a todos,

ensina-nos a amar a todos para além da diferença.

Espírito Santo, dá-nos o dom da sabedoria que sabe ler a vida

e descobrir fé e acolhimento onde menos esperávamos.

Bom Jesus, liberta-nos da cegueira do preconceito rácico e social,

para que a todos vejamos como irmãos

e a todos tratemos como irmãos e promovamos a justiça e a paz.



terça-feira, agosto 04, 2026

 

3ª feira da 18ª semana do Tempo Comum, S. João Maria Vianney (4 agosto)

 



O que sai da boca é que torna o homem impuro. (cf. Mt 15, 1-2.10-14)

 

Jesus é a Palavra de Deus que sai da sua boca

e é confirmada pela vida do Filho de Deus.

Jesus ensina os discípulos a pureza de coração

e não se interessa muito com os ritos de purificação exterior.

Os seus discípulos compreendem isso

e não se prendem aos costumes antigos de lavagens constantes.

Mas Jesus está muito atento à forma como tratamos o irmão,

às palavras de bênção e de perdão, à oração a Deus,

à proclamação do Evangelho e ao diálogo.

 

O santo Cura d’Ars, pequena aldeia de França,

fez da sua boca conselho espiritual, confessor de pecados,

catequese acessível, presidente da Eucaristia,

silêncio de adoração, escritor da esperança e da misericórdia…

Aquele que pensavam ser incapaz de pregar e confessar,

tornou-se modelo do sacerdote e do missionário

que evangeliza por atração e interpelação à conversão.

A fé e a santidade revelaram grande o que é pequeno e frágil.

 

Jesus, boca de Deus em linguagem galileia e com sotaque impuro,

ensina-nos a focar mais no que dizemos

e nos frutos que pretendemos, quando os dizemos.

Espírito Santo, dá-nos o dom do bom conselho e da fé,

para que saibamos escutar e dar uma palavra amiga,

que interpela à reflexão e esperança

a quem procura um rumo na cegueira da vida.

S. João Maria Vianney, pastor humilde e assertivo,

orai pelos sacerdotes, para que descubramos

o caminho da fidelidade e santidade que seguiste.



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