sexta-feira, março 13, 2026

 

6ª feira da 3ª semana da Quaresma (13 março)

 




Não estás longe do reino de Deus. (cf. Mc 12, 28b-34)

 

Deus é Rei que se aproxima da criação.

Aproxima-se, não para dominar, mas para cuidar,

fazer aliança, guiar e ensinar, curar e perdoar, salvar.

Toda a ação de Deus se resume em amar incondicionalmente.

Quem aprendeu a fazer da relação com Deus ou com o outro

um ato de amor, que nasce da bondade, veneração e compaixão,

é alguém que se aproxima do reino de Deus e, portanto, de Jesus.

O reino de Deus é a respiração do Espírito Santo

em todas as nossas relações divinas e humanas.

 

A liturgia é uma expressão de amor a Deus:

pôr-se à sua escuta, deixar-se fecundar pela sua Palavra,

pedir perdão, reconhecendo-se pecador, dar graças a Deus.

A fé vivida no dia a dia é temperar as relações com gestos de amor,

respeitando a liberdade e o ser do outro, acolhendo e cuidando,

perdoando, dando bom conselho, alertando para o mal,

promovendo a justiça e a solidariedade,

protegendo o fraco, dialogando e construindo a paz.

A fé, só com ritos e sem amor, é carcaça sem doçura e vazia.

 

Louvado sejas, Pai, Filho e Espírito Santo,

comunhão de amor em missão redentora.

Espírito Santo, ensina-nos a amar incondicionalmente,

como vemos em Jesus em Nazaré, Cafarnaum e Jerusalém,

caminho novo cujo amor não se cansa nem desiste,

mas dá a vida por aqueles que matam e se perdem.

Venha a nós o vosso reino pela porta do amor,

que nos aproxima do reino de Deus,

a viver como filhos de Deus, no Filho.



quinta-feira, março 12, 2026

 

5ª feira da 3ª semana da Quaresma (12 março)



Jesus estava a expulsar um demónio que era mudo. (cf. Lc 11, 14-23)

 

Deus é a Palavra e o ser humano foi criado ouvido,

que se faz escuta e diálogo com o Criador e os irmãos.

Mas o coração duro fez-se surdez a Deus e ao próximo,

porque a palavra tornou-se ruído, vazio e dividido,

obstinado no mal e fechado à conversão e à reconciliação.

O mandamento primeiro: “Escuta Israel”,

deixou de poder cumprir-se porque se tornou surdo

e o mandamento “Ide em missão” perdeu conteúdo,

porque quem não escuta não pode falar Evangelho.

 

A voz do professor encontra muitas vezes

ouvidos ocupados com fones

ou barulhos de vozarias próprias de intervalos.

Os donos das guerras, mesmo falando de paz,

não se escutam nem dialogam,

tão ocupados estão com o ribombar dos canhões.

As pessoas desavindas e rancorosas,

gritam palavras como quem atira pedras pontiagudas,

porque embora possam estar próximas fisicamente,

o coração anda longínquo e de costas virado.

 

Senhor Jesus, Palavra de Deus encarnada e próxima,

ensina-nos a ser escuta apurada que Te recebe como chão arado,

que enraíza o amor e a fidelidade e dá frutos de paz e justiça.

Espírito Santo, dá-nos o dom da fé e do discernimento,

para que, entre tantas vozes que escutamos,

saibamos ouvir e escolher a Palavra da Vida,

que é Jesus, nosso Irmão e salvador.

Cura, Senhor, a nossa surdez à tua palavra

e faz de nós teus discípulos e missionários do teu Evangelho.



quarta-feira, março 11, 2026

 

4ª feira da 3ª semana da Quaresma (11 março)

 



Não vim revogar, mas completar. (cf. Mt 5, 17-19)

 

Deus deu-nos os Mandamentos como um pai ensina os seus filhos.

É o amor do Criador a recriar criaturas como seus filhos.

Jesus, a Palavra do Pai, viva e encarnada,

não vem revogar mas dar pleno cumprimento à Lei.

A revelação perfeita da Aliança

fez-se carne em Jesus e passou na prova da cruz.

A plenitude da fidelidade ao amor,

é ser fonte de misericórdia e compaixão incondicional.

 

Saber de leis pode fazer cumpridores da mesma

ou aproveitadores da lei para fugir a ela sem penalização.

Há escritórios de advogados que se especializam

em buscar formas de fugir à lei legalmente.

Há pessoas que sabem pouco de leis,

mas são especialistas em humanidade, em verdade,

em justiça, em solidariedade e hospitalidade.

Agem mais por amor e compaixão do que por dever e medo,

Porque o amor é o resumo e a plenitude da Lei!

 

Senhor Jesus, imagem visível do coração de Deus,

cura a nossa surdez à tua Palavra

e ajuda-nos a assimila-la como pão da vida.

Espírito Santo, dá-nos um coração semelhante ao de Jesus,

para que descubramos o que significar dar glória ao Pai

e seguir Jesus, animados pelo mesmo espírito da lei.

Liberta-nos da mediocridade do legalismo sem coração

e do ritualismo sem conversão aos mesmos sentimentos de Jesus.



terça-feira, março 10, 2026

 

3ª feira da 3ª semana da Quaresma (10 março)

 



Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei 

perdoar-lhe? (cf. 18, 21-35)

 

Quantas vezes Deus nos perdoa as ofensas?

As vezes que for necessário para nos salvar!

Deus é graça e misericórdia,

que escuta as lágrimas do arrependimento

e as consola com o abraço do perdão.

Mesmo que lhe matemos o Filho,

Deus continua a ser esperança de santidade,

fonte aberta de redenção, aliança eterna que permanece,

Pai que espera o filho perdido, enquanto engorda o vitelo

para a festa do regresso e restituição da dignidade de filho.

 

Todos gostamos de ser compreendidos e perdoados,

pois a fragilidade pesa e anseia por uma mão amiga.

Há gente que fica surpreendida ao serem cuidados,

por aqueles que foram por eles ofendidos e maltratados.

Quantas mulheres maltratadas e traídas no seu amor,

que quando o marido volta doente e abandonado,

os acolhem e deles cuidam até ao fim?

Mas há muitos que pediram perdão a Deus, vezes sem conta,

que não conseguem perdoar aos que os ofenderam,

tornando-se azedos, implacáveis no rancor,

incapazes de perdoar, com medo de ficar por baixo?

 

Querido Pai, amado Irmão, doce Espírito Santo,

louvado sejais pelo perdão generoso e infinito,

com que curais as fraquezas e desencontros da relação.

Obrigado, porque sempre me esperais e acolheis,

quando arrependido me ajoelho e peço perdão.

Ensina-me a perdoar quando me sinto ofendido,

e a aprender contigo a olhar o outro com amor,

perdoando-lhe a ofensa como fazes comigo.


segunda-feira, março 09, 2026

 

2ª feira da 3ª semana da Quaresma

 



Nenhum deles foi curado, mas apenas o sírio 

Naamã. (cf. Lc 4, 24-30)

 

Deus é senhor de tudo e de todos,

pois a todos criou e por todos nutre o mesmo amor de Pai.

Ele oferece os seus dons e o seu perdão a todos

e isso é mais claro quando o seu povo escolhido lhe vira as costas.

A visita a Nazaré manifesta a diferença entre conhecer e acreditar,

entre acolher como enviado de Deus e rejeita-Lo.

Leproso é aquele que foi contagiado

e, não só fica desfigurado, como contagia os outros.  

É preciso ser purificado por Jesus,

para que possa vencer o mal em si mesmo

e se tornar alguém que dá glória a Deus.

 

Há pessoas que são vencedores na ciência e na política

e são um fracasso no amor e na amizade.

Há pessoas que arrastam multidões pela sua oratória ou habilidades,

mas que fora do palco são incapazes de diálogo

e de gestos habituais de acolhimento e carinho.

Há pessoas que acreditam em tudo o que é superstição e crendice,

mas que têm receio de ter fé em Jesus, que não podem controlar.

Há gente que sabe um pouco de todas as religiões

e que não são incapazes de se comprometer com nenhuma.

 

Senhor Jesus, que andais “no meio de nós”,

como luz que acalenta e orienta,

dá-nos o dom da fé para Te reconhecermos e seguirmos.

Espírito Santo, ilumina a nossa escuta da Palavra de Deus,

para que não tentemos matar Jesus com a nossa indiferença,

nem busquemos calar essa Voz que nos incomoda e convida à conversão.

Senhor, cura as nossas lepras que nos retiram a beleza de filhos de Deus

e fazem de nós agentes de contágio do mal junto dos outros.



domingo, março 08, 2026

 

3º Domingo da Quaresma, Dia Nacional da Caritas, Dia Mundial da Mulher (8 março)

 



Disse-lhe Jesus: «Dá-Me de beber». (cf. Jo 4, 5-42)

 

O alimento de Jesus é fazer a vontade do Pai.

A sede de Jesus é salvar o que está perdido,

recuperar o que se corrompeu,

ensinar à humanidade o segredo do amor.

Nós damos-lhe de beber e saciamos a sua sede,

sempre que também fazemos a vontade de Deus,

o adoramos em espírito e verdade em todo o lugar,

confiamos na misericórdia divina,

deixamos de fazer o mal e aprendemos a fazer o bem,

damos glória a Deus pela palavra e pelo exemplo.

 

Que sedes temos quando a carência nos seca a alegria de viver?

Quando a vida se sente vazia de razão de ser,

temos sede de segurança e de sentido.

Quando sonhamos ardentemente saciar o desejo sensual,

temos sede de prazer, nem que seja sem amor.

Quando sonhamos ser grandes, poderosos e famosos,

temos sede de notabilidade, de domínio e de controle.

Quando desejamos ardentemente a paz e a felicidade,

temos sede de conforto, harmonia e de colo consolador.

Quando sonhamos ser eternos e tememos a morte,

temos sede de eternidade e de controlar o futuro.

 

Senhor Jesus, que assumistes as nossas sedes

e te fizestes fonte de água viva,

sacia a nossa sede de confiança em Deus

e de esperança na tua misericórdia e salvação.

Espírito Santo, dá-nos o dom da sabedoria,

para que compreendamos, em cada tempo e lugar,

a sede de Deus, revelada na sede de Jesus.

Faz de nós canais fiéis da água viva que nos queres dar,

para que a graça não se desperdice

e chegue até aos confins da terra

e ao mais profundo dos corações sedentos de amor.



sábado, março 07, 2026

 

Sábado da 2ª semana da Quaresma (7 março)

 




Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não 

mereço ser chamado teu filho. (cf. Lc 15, 1-3.11-32)

 

O Pai deu-nos a herança de filho, sem a merecermos.

O Filho unigénito não quis ser filho único

e procurou irmãos entre os que estavam perdidos

e mortos no pecado, afastados de Deus.

Aos de coração contrito e humilhado,

a Santíssima Trindade os envolve no abraço de perdão,

restitui a dignidade de filhos de Deus

e promove a festa dos regressados à mesa da misericórdia.

 

A Quaresma é tempo de reconciliação e arrependimento.

A dificuldade é a falta de consciência de pecado

que faz com que, quando se vai confessar,

é mais para cumprir um dever da Igreja

do que por reconhecer uma vida longe de Deus e dos outros,

mais cheia de egoísmo do que de amor e compaixão.

É mais uma confissão do que “não fiz”,

do que o reconhecer a tristeza do que me habituei a fazer

e não dá glória a Deus nem faz o bem ao próximo.

 

Pai, pequei muitas vezes e este andar longe de Ti,

tornou-se a normalidade  que partilho com os outros.

Não mereço ser teu Filho e sinto-me um funcionário a mais.

O Amor não é amado e apesar disso, continuas a amar-nos!

Olhando para o teu Filho crucificado e por nós oferecido,

envergonho-me do pouco que Te dou em tempo de oração,

paciência e compreensão para com os irmãos,

misericórdia e perdão para quem nos ofende,

esforços de paz e de reconciliação após os desencontros da vida.

Espírito Santo, ensina-nos a viver o seguimento de Jesus.



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