domingo, fevereiro 15, 2026
6º Domingo do Tempo Comum (15 fevereiro)
A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do
Maligno». (cf. Mt 5, 17-37)
O sim de Deus é fidelidade incondicional à aliança.
E porque o seu sim é eterno, a sua misericórdia não tem limites.
O Filho de Deus é o sim de Deus à humanidade,
que se fez carne e fragilidade, mas a fecunda a vida de amor
e a fidelidade não fica crucificada na cruz,
mas ressuscita e permanece até à vida eterna.
Jesus é o Ámen que nasce do Sim de Maria
e perdura no sim dos santos e profetas.
Somos filhos do “tudo muda” conforme as circunstâncias.
Evita-se tudo o que nos prende “para sempre”:
um emprego, um lugar para viver, uma profissão,
um compromisso matrimonial ou de consagração religiosa…
vive-se o presente, o momentâneo,
mas teme-se o para sempre e o incondicional,
que impeça de fazer novas experiências e relações.
A palavra também tem prazo de validade curto,
e, apesar de ficar quase tudo gravado,
hoje afirma-se e promete-se uma coisa
e logo ou amanhã já se afirma ou promete o seu contrário.
Há situações que em que se vive e afirmam coisas diferentes,
conforme os contextos e papeis sociais que se representam.
Senhor Jesus, Filho do Sim de Deus à aliança,
dá-nos a coerência da fé que professamos
e a fidelidade ao Evangelho que escutamos.
Espírito Santo, dá-nos o dom da sabedoria,
para que não nos fiquemos na letra dos preceitos e deveres,
mas sigamos Jesus segundo o espírito do Evangelho.
Ensina-nos a dar o conteúdo evangélico que queres dar-nos
e a vive-lo como um Ámen sincero e feliz
nas pequenas coisas com que preenchemos a vida.
sábado, fevereiro 14, 2026
Sábado, S. Cirilo e S. Metódio, padroeiros da Europa (14 fevereiro)
A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. (cf. Lc 10, 1-9)
Deus semeia o trigo da aliança e da verdade,
mas, durante a noite, o mal semeia o joio da mentira e da violência.
Por isso, a seara tem muito trabalho:
lançar o trigo do amor, capinar o joio do mal,
cuidar e regar com a água do Espírito,
podar os ramos que roubam a energia e o rumo,
ceifar e debulhar o trigo já maduro,
moer o grão e amassar a farinha com fermento,
colocar no forno e cozer o pão para matar a fome
e consagra-lo a Deus como Corpo de Cristo.
A seara não pode ser abandonada pela Igreja!
O mundo não pode ser considerado como um baldio,
terra de ninguém, pois todos somos de Deus.
A missão também não é apenas responsabilidade
dos ditos missionários, porque é missão de todos os batizados,
como continuadores da missão de Cristo.
Nem a liberdade religiosa significa cada um fazer o que quiser,
empenhar-se na seara do Senhor ou não,
dar bom ou mau testemunho do Evangelho.
Pai santo, fonte do amor que salva a todos em seu Filho,
faz de nós trabalhadores da tua seara
e dá-nos muitos e bons trabalhadores provenientes de todos os povos.
Envia o teu Espírito e renova esta Europa acomodada e cansada,
para que aprendamos a vestir a camisola de Cristo,
com a alegria e o ardor de S. Cirilo e S. Metódio.
S. Cirilo e S. Metódio, apóstolos dos eslavos,
orai por nós, para que entreguemos a nossa vida à evangelização,
e todos descubram a proximidade e gratuitidade
do sangue de Cristo que a todos quer salvar
com a nossa colaboração, os nossos lábios e o nosso coração.
sexta-feira, fevereiro 13, 2026
6ª feira da 5ª semana do Tempo Comum (13 fevereiro)
Tudo o que faz é admirável: faz que os surdos
oiçam e que os mudos falem. (cf. Mc 7, 31-37)
No princípio era o silêncio e o Amor gerou a Palavra,
numa comunhão entre o Pai e o Filho e o Espírito Santo.
A Trindade divina pronunciou a criação e a vida aconteceu.
A ambição provocou ruído e distração
e a humanidade ensurdeceu à aliança que permaneceu.
Veio a Palavra e pronunciou o “abre-te” que foi ouvido,
e o surdo mudo começou a falar.
Sem escutar não pode anunciar a Palavra da vida.
Uma sociedade individualista e sem pai,
tem dificuldade de ouvir, além do interesse egoísta.
Ouve-se o capricho, as necessidades próprias e criadas,
os sentidos e as emoções, a ambição e os sonhos,
a moda e a novidade, a marca e a fama, o temor e o poder.
Deus transmite noutra sintonia de onda,
que necessita de recetores onde a fé é a antena
e o corpo se reveste de testemunho da Palavra encarnada.
Senhor Jesus, Palavra que cura a nossa surdez,
abre-nos à novidade do Amor divino
e faz de nós transmissores desta Voz que nos toca e salva.
Espírito Santo, liberta-nos do ruído que nos distrai e pressiona,
e dá-nos o dom da fé e da obediência à Palavra da vida,
para que nos tornemos arautos audazes do Evangelho da esperança.
Faz-nos habitar a Palavra que chove do Céu,
para que fecundemos a fé e demos testemunho do amor.
quinta-feira, fevereiro 12, 2026
5ª feira da 5ª semana do Tempo Comum (12 fevereiro)
Jesus respondeu-lhe: «Dizes muito bem». (cf. Mc 7, 24-30)
Deus diz a Maria de Nazaré: “Dizes muito bem,
quando dizes sim à minha proposta de seres a Mãe do meu Filho”.
Deus diz a Jesus, seu Filho: “Dizes muito bem,
quando rezas ao Pai nosso e procuras amar-me sobre todas as coisas”.
Deus diz a Jesus: “Dizes muito bem, quando abres a salvação
a todos os povos e consideras a todos como teus irmãos”.
Deus diz a Jesus: “Dizes muito bem, quando perdoas aos que Te matam
e perseguem inocentemente num julgamento iníquo”.
Jesus diz aos seus discípulos, quando partem em missão:
“Dizeis muito, a salvação está acessível a todos
os que me acolhem e se convertem ao meu Evangelho”.
Os pais dizem aos filhos: “Dizes muito bem.
Tens que te defender e ser mais esperto do que os outros.”
Os professores dizem aos alunos: “Dizes muito,
pois falaste tudo o que te ensinei”.
Os empresários dizem aos seus colaboradores:
“Dizeis muito. Sabeis vender os nossos produtos.”
O advogado diz ao seu cliente: “Falou muito bem”,
quando este disse exatamente o que lhe pediu para dizer.
Senhor Jesus, o Amén do Filho ao Pai do Céu,
ensina-nos a dizer sim à vontade de Deus.
Espírito Santo, luz que ilumina os passos do crente,
ajuda-nos a dizer sim às tuas inspirações
e a dizer apenas a verdade de Jesus, com oportunidade,
a todos os povos que buscam a verdade do amor.
Ensina-nos a rezar com humildade e confiança,
em todos os momentos de celebração litúrgica ou pessoal.
Na missão, quando testemunhamos a fé
e damos razões da nossa esperança,
dá-nos a docilidade ao Espírito para que possas dizer:
“Falaste muito bem, alegrei-me porque falaste como Eu queria”.
quarta-feira, fevereiro 11, 2026
4ª feira da 5ª semana do Tempo Comum, Virgem santa Maria de Lurdes, Dia mundial do Doente (11 fevereiro)
Todos estes vícios saem do interior do homem e
são eles que o tornam impuro. (cf. Mc 7, 14-23)
Do coração de Deus saiu a criação
e Deus viu que era tudo muito bom,
pois do Amor não se esperava outra coisa!
Da aliança de Deus com a humanidade,
a infidelidade que Deus recebeu de nós,
não tornou Deus infiel, mas misericórdia e graça.
Também nós somos tentados à maldade,
mas se soubermos resistir e tivermos bom coração,
só sairá paz, perdão, bondade e reconciliação.
Alimentamo-nos de imagens, sugestões, conselhos,
mas tudo isso nos poderá confirmar na santidade
ou fazer optar por responder maldade, consumismo, erotismo,
corrupção, vingança, violência, ambição, idolatria…
O mal dos outros nunca é desculpa para o meu mal,
pois a maldade que eu faço é uma opção minha.
Por alguma razão, Jesus ensinou-nos a rezar:
“não nos deixeis cair em tentação e livrai-nos do mal”.
Tudo o que faço é um ato de liberdade
que só a mim me responsabiliza, me envergonha ou glorifica.
Senhor, dá-nos um coração puro, bom e forte,
para sabermos processar o mal e a tentação que nos fustiga
e sabermos responder: bem e justiça,
em todas as circunstâncias que nos tocam na vida.
Virgem de Lurdes, recorda-nos o Evangelho e a conversão,
para que sejamos curados por dentro e por fora.
Senhor, peço-te por todos os doentes e seus cuidadores,
para que esta fragilidade seja uma oportunidade
de fraternidade e de fé, de esperança e de conversão mútua.
terça-feira, fevereiro 10, 2026
3ª feira da 5ª semana do Tempo Comum, S. Escolástica (10 fevereiro)
Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu
coração está longe de Mim. (cf. Mc 7, 1-13)
É do coração de Deus que brota a criação.
É do amor que flui a misericórdia como um rio.
Jesus é a Palavra do Amor feita carne
a purificar a interpretação da aliança
e a discernir as tradições humanas
da Tradição da fé pela fidelidade e o amor a Deus,
revelado em Jesus Cristo, na simplicidade de Nazaré
e no julgamento iníquo em Jerusalém
que desagua na paixão inocente e na cruz.
O crente, contenta-se, muitas vezes,
em praticar ritos e alimentar a piedade das palavras,
deixando intocável o coração dos valores com que se rege.
Fala-se muito de Deus, de Jesus Cristo e da Bíblia,
mas no concreto da privacidade das relações
vive-se como toda a gente no “salve-se como puder”.
Desenvolve-se assim uma esquizofrenia de representação,
em que o que se professa não é o que se vive
e o Evangelho tem muita dificuldade em penetrar,
criar raízes, crescer e dar frutos do Espírito Santo.
Bendito sejas, Coração de Jesus,
que nos amas para além da nossa indiferença e pecado,
pois sois Filho do Amor mesmo quando incarnaste.
Espírito Santo, inflama o meu coração de fé e de amor,
para que a piedade não se proteja da compaixão,
nem a oração seja fria, evasiva e sem coração.
S. Escolástica, irmã de sangue e de fé de S. Bento,
reza por nós, para que vivamos a nossa consagração batismal
com a mesma fidelidade e alegria com que a vivias.
segunda-feira, fevereiro 09, 2026
2ª feira da 5ª semana do Tempo Comum (9 fevereiro)
Todos os que O tocavam ficavam curados. (cf. Mc 6, 53-56)
Jesus é Deus que vem ao nosso encontro.
Deixa-se tocar como fonte de vida,
como retocador de vidas em escombros,
que a tempestade do pecado provoca em nós.
É o gesto a professar a fé e a confiança em Jesus,
que toca a salvação, que se faz proximidade
e se abre a todos com a graça do amor.
Não é um ato mágico que se concentra no gesto,
mas a fé a mover montanhas compreendida por Jesus.
Não faltam elogios à terapia do toque e do abraço,
que se contrapõe ao medo da proximidade,
do temor do contágio e do abuso sexual.
Perante a frieza da solidão sentida no individualismo,
o toque e o abraço sabe a consolo, encontro,
segurança, comunhão, compaixão…
Na medicina, o apoio dado pelos exames clínicos,
faz da consulta um encontro sem toque no corpo,
sem calor humano na dor e no temor de sofrer e morrer.
Senhor Jesus, obrigado porque palmilhas os nossos caminhos
e nos confortas e fortaleces com a tua palavra e os sacramentos.
Ajuda-nos a não ver nos gestos sacramentais apenas ritos,
mas a possibilidade de Te tocar e sentir a tua Mão
na mão do ministro ordenado que batiza, impõe as mãos,
unge, abençoa, absolve, parte o pão e o distribui.
Liberta-nos da magia dos gestos e das palavras
que nos desvia do verdadeiro Salvador que nos salva.