quarta-feira, setembro 30, 2026
4ª feira da 26ª semana do Tempo Comum, S. Jerónimo (30 setembro)
Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para
trás não serve para o
reino de Deus. (cf. Lc 9,
57-62)
Deus criou a humanidade como coroa da criação,
desejando descansar ao sétimo dia,
mas a humanidade com as suas aventuras e iniciativas,
não O deixou descansar, porque a paixão pelas criaturas
levou-O a enviar profetas e até o próprio Filho para nos salvar.
A rebeldia da humanidade respondeu indiferença,
traição, perseguição dos profetas e crucificação de Jesus.
Apesar disso, Deus, que lançou as mãos a este arado redentor,
não olhou para trás nem desistiu nem abdica da sua missão.
O batizado lançou as mãos ao arado da messe da Igreja,
mas ao longo da vida vai olhando para trás,
esquecendo os compromissos batismais.
O vocacionado lançou as mãos ao arado,
professando os seus votos de consagração,
mas vai olhando para trás focando-se no consumismo,
em outras afetividades, em palcos de poder.
Os noivos unem-se pelo matrimónio,
mas as dificuldades da vida e de relação familiar,
assim como a dificuldade em dialogar e perdoar,
fê-los olhar para trás e desistir de investir na construção do nós.
Bendito sejas, bom Deus, porque nunca desistes de nos salvar.
Bendito Jesus, nosso salvador, porque não fugiste à cruz
nem deixastes de nos amar, apesar da nossa inconstância
e dificuldade em Te seguirmos com todo o coração.
Perdoa, Senhor, a divisão do nosso coração,
que flutua como catavento à procura de novidades,
e tem dificuldade em permanecer com fidelidade
no seguimento de Jesus e da sua missão.
S. Jerónimo, apaixonado pela Palavra de Deus,
reza para que também em nós habite o Evangelho
e fecunde a nossa vida como um evangelho vivo.
terça-feira, setembro 29, 2026
3ª feira, Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael (29 setembro)
Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do
homem. (cf. Jo 1, 47-51)
É pela fé que vemos o invisível da bela criação de Deus.
Deus criou a humanidade e o firmamento,
mas também criou os anjos, mensageiros da bao nova de Deus,
que cuida de nós, abrindo o Céu com as suas graças.
S. Miguel, ensina-nos a perguntar: quem como Deus?
S. Gabriel, revela-nos a força de Deus na encarnação do Verbo.
S. Rafael, mostra-nos o Deus connosco que toca a nossa fragilidade
e nos cura dos nossos males, devolvendo-nos a esperança.
Há muita luz artificial a ofuscar o céu,
e as estrelas parecem eclipsadas pela sua luz.
Tudo na cidade parece feita por mãos humanas
e a pressa de andar não dá tempo para parar
e contemplar as obras maravilhosas criadas por Deus.
O virtual, a imagem, o som acolhidos nos recetores,
fazem-nos acreditar que há mais do que o visível,
mas essa realidade invisível é mais do mesmo que já vimos.
Mas quando nos surpreendemos com a bondade e a compaixão
parece que entramos noutra dimensão divina que nos habita.
Bom Pai, obrigado por tantos irmãos que nos destes, visíveis e invisíveis.
Obrigado, pelos anjos que de forma invisível nos cuidam
e protegem, intercedem por nós e nos inspiram o Evangelho.
Louvado sejas pelo Arcanjo Miguel, vencedor do mal
e protetor da Igreja, nosso amigo do Céu.
Louvado sejas pelo Arcanjo Gabriel, missionário de Deus,
que nos ensina a levar a boa nova do Evangelho
a todos os que esperam em Deus e não veem a luz no horizonte.
Louvado sejas pelo Arcanjo Rafael, companheiro amigo de jornada,
que nos guia para Cristo e nos cura da cegueira da fé.
segunda-feira, setembro 28, 2026
2ª feira da 26ª semana do Tempo Comum (28 setembro)
Houve uma discussão entre os discípulos sobre qual deles seria o maior. (cf. Lc 9, 46-50)
O Maior fez pequenino para que aprendamos a ser como as crianças.
O Senhor veio para servir para que O sigamos na humildade.
Deus fez-se humano para que Jesus nos eleve à santidade.
O Filho de Deus fez-se Palavra para que nós sejamos testemunho e anúncio.
Jesus entrou na fila dos penitentes, ao ser batizado por João Batista,
para que nós escutemos o evangelho e nos voltemos para Deus.
Jesus amou-nos até ao fim e para todo o sempre,
para que aprendamos a amar como Ele a todos
e a perdoar de coração a quem nos ofende.
Todos querem ser maiores que os outros.
Na política há discussões acesas no parlamento
e nas campanhas eleitorais, denegrindo o outro e exaltando-se a si.
No mercado procura-se concorrência e a competição.
No domínio internacional instiga-se a guerra declarada ou não.
Nos meios de comunicação social há as guerras de audiências.
Na Igreja há o carreirismo, a inveja e a busca de poder…
Bom Jesus, que sendo divino com o Pai,
Te despojas-Te para anunciar a boa nova aos pobres,
ensina-nos a grandeza de ser humildes e cuidadores da vida.
Espírito Santo, dá-nos o dom da liberdade
para valorizarmos mais a essência da bondade da fé,
do que o instante efémero de um poder a prazo.
Ajuda-nos a ser uma Igreja disponível para servir,
e reconciliar os desavindos numa mesa inclusiva,
onde todos se sintam acolhidos na conversão do coração.
domingo, setembro 27, 2026
26º Domingo do Tempo Comum (27 setembro)
Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. (cf. Mt 21, 28-32)
A vontade do Pai é que os filhos trabalhem na sua vinha.
O sim a Deus não é apenas palavras bonitas e piedosas,
é acima de tudo conversão, renunciando ao mal
e promovendo a justiça e a piedade,
oferecendo a Deus sacrifícios espirituais a Deus
e a caridade e a misericórdia aos irmãos.
Ter os mesmos sentimentos de Jesus, o Filho de Deus,
é dizer sim a Deus e comprometer-se com a sua missão.
Em cada sacramento dizemos “Sim, eu prometo;
sim eu creio, eis-me aqui!”.
Passamos a vida a dizer “Amén” no templo e na oração,
mas ao sair para a vida normal, esquecemos o sim
e fazemos a nossa vontade,
seguindo a lógica do mundo e os nossos interesses.
Há muitas práticas religiosas e rituais,
mas pouco seguimento e compromisso com a missão de Jesus.
Bom Deus, dá-me a humildade para me penitenciar
e me converter à tua missão e fazer a tua vontade.
Ajuda-me a não ser apenas lindas palavras e prática de ritos,
e ensina-me a ser discípulo de Jesus e seu evangelho vivo.
Espírito Santo, dá-nos o dom de conjugar a vida no presente
e de hoje só hoje procurar ser santo, amar os irmãos,
ajudar os que necessitam e saber perdoar a quem nos ofende.
sábado, setembro 26, 2026
Sábado da 25ª semana do Tempo Comum (26 setembro)
Eles, porém, não compreendiam aquelas palavras;
eram misteriosas para eles. (cf. Lc 9, 43-45)
A linguagem da cruz é misteriosa e difícil de entender.
Sonhar com um Messias triunfador e sem dor,
esbarra com um Messias Servo de Javé,
que veio para servir e dar a vida pela salvação de todos.
A cruz parece fraqueza e fracasso
e não se entende um messianismo assim!
A cruz é, por isso, uma pedra de tropeço para a fé de muitos.
S. Paulo chama-lhe: loucura e sabedoria da cruz.
Uma das razões pelas quais muitos não acreditam
é a paciência e a forma de recompensa de Deus:
não há proximidade temporal que crie causa e efeito.
Pode-se afirmar que Deus não existe ou até que injuria-Lo,
que não nos cai um raio na cabeça.
O castigo merecido transforma-se em tempo oferecido
para que o pecador se arrependa e o perdido se encontre.
Também os justos, os que praticam a caridade e são bondade,
são muitas vezes acusados de fracos, beatos e ingénuos,
e Jesus não castiga os maus e parece responder silêncio!
Bom Jesus, que aceitaste a cruz para vencer a morte,
ajuda-me a compreender o mistério da vida e da missão de Deus.
Espírito Santo, dá-nos o dom da sabedoria da cruz,
que sabe ser forte perante a violência e a injustiça,
sem se deixar contaminar pelo rancor e a vingança,
continuando a acreditar na mansidão e no amor.
Dá-nos, Senhor, o dom da fé que vence a injustiça,
sem usarmos a espada que fere e mata
nem a língua que injuria e condena.
50 anos de vida consagrada (1976-2026)
Cinquenta anos a aprender a ser consagrado
a Jesus pobre, casto e obediente.
Uma aventura bonita e extraordinária,
nem sempre bem correspondida,
apesar do sorriso acostumado nos lábios.
Tanta gente amiga que foi e é cajado,
pela amizade, o estímulo e a oração.
Corri Portugal e dei volta ao mundo,
Angola como primeira missão (1986-1990),
Brasil, a estudar missiologia e pedagogia,
e aprendiz de pastor nas favelas (1990-1992).
Lisboa, como formador e pastor dos subúrbios (1992-2001)
e depois superior da Província Portuguesa (2001-2007).
Fátima: ecónomo provincial, administrador,
pregador de retiros, assistente espiritual, cuidador…
Não houve monotonia nesta caminhada!
Obrigado, meu Deus, por tanta gente que faz parte de mim.
Obrigado, meu Deus, pela fecundidade semeada e não merecida,
Obrigado, Verbo Divino, porque me chamaste a ser sócio da tua missão.
Obrigado, Espírito Santo. Foste e és incansável
em inspirar-me coisas do Céu que vislumbro na noite.
Obrigado pelos meus pais, irmãos e família de sangue.
Obrigado pela família alargada de consagração,
Companheiro de congregação e não só.
Obrigado pelos meus onze colegas em primeiros votos
e pelos quatro ainda na congregação do Verbo Divino.
Abençoa os meus passos e sê a força na minha fraqueza.
sexta-feira, setembro 25, 2026
6ª feira da 25ª semana do Tempo Comum (25 setembro)
«Quem dizem as multidões que Eu sou». «E vós, quem dizeis que Eu sou?». (cf. Lc 9, 18-22)
O Filho de Deus, feito Filho do Homem, é uma pergunta,
que interpela a todos e nos põe a todos em peregrinação.
As multidões falam de Jesus, e Jesus põe os discípulos a falar:
E vós quem dizeis que Eu sou?
Toda a nossa vida de fé e missão
é uma tentativa de responder a esta pergunta.
Querer fechar a resposta antes do encontro definitivo,
é impedir que o mistério pascal de Jesus nos surpreenda
e nos salve pela sua morte e ressurreição.
Cristo é um mistério aberto e frágil
que permite a liberdade de opiniões e considerações.
Uns, como não podem controlar Jesus,
ignoram-No e evitam falar sobre Ele.
Outros, querem-No conhecer como personagem histórico,
mas recusam-se a aceitar que seja o Filho de Deus,
morto na cruz e ressuscitado ao terceiro dia.
Outros admiram Jesus, mas não aceitam a Igreja
como o seu Corpo místico, sacramento da sua graça.
Senhor Jesus, Tu és o amigo escondido,
frágil como o amor incondicional,
libertador das amarras do pecado,
irmão que nos esperas sempre como irmão perdido.
Continuo à procura do teu Rosto nos rostos humanos,
como peregrino da missão que é a tua,
buscando a fidelidade à tua novidade e humildade.
Espírito Santo, abre o nosso coração ao mistério da fé.
quinta-feira, setembro 24, 2026
5ª feira da 25ª semana do Tempo Comum (24 setembro)
E Herodes procurava ver Jesus. (cf. Lc 9, 7-9)
O desejo de ver a Deus é o anseio de O conhecer.
Deus, ao enviar o seu Filho, tornou possível vermos a Deus
em forma humana, despojada de poder que se imponha.
Jesus inquieta e deixa perplexos todos os que O encontram,
mas penetrar o mistério da sua vida precisa de um olhar de fé.
Herodes procura ver Jesus, mas quando o pode ver,
desprezou-O e colaborou na sua condenação,
por O ver frágil e sem entrar no jogo do espetáculo milagreiro.
A curiosidade é a fonte da ciência e até da fé,
mas há curiosidade que apenas pretende colecionar eventos.
É semelhante às selfies com os famosos,
que pretendem apenas ganhar a fama dos famosos.
É o perigo das assembleias-espetáculo,
que mexem com a emoção e a curiosidade,
mas que nem sempre passam do sentimento
e não dão continuidade nem raiz à sua vida de fé em Jesus.
Obrigado, bom Deus, por nos mostrares o teu rosto,
no rosto humano de Jesus, o teu Filho amado.
Espírito Santo, purifica a nossa curiosidade de ver Jesus,
para que a escuta da sua Palavra e a contemplação da sua cruz,
nos ajude a dar passos no caminho da fé e da missão.
Bom Jesus, tão igual a nós e tão diferente,
que nos pões à procura para além do que se vê,
nessa arte de amar e de perdoar o pecador,
colocando sempre a salvação da pessoa humana no centro.

