quarta-feira, abril 22, 2026
4ª feira da 3ª semana da Páscoa, Semana de Oração pelas Vocações consagradas (22 abril)
A vontade d’Aquele que Me enviou é esta: que Eu não perca nenhum dos que
Ele Me deu, mas os ressuscite no último dia. (cf. Jo 6, 35-40)
O Pai entregou todas as suas criaturas nas mãos do seu Filho.
A sua vontade não é que salve alguns apenas,
mas que salve a todos e não perca nenhum.
Um coração de Pai não faz acessão de pessoas,
e cuida de modo especial aqueles que correm os risco de se perder.
E o Filho, que palpita no mesmo amor do Pai,
é capaz de dar a vida na cruz para salvar a todos.
Jesus é o Pão da vida porque se compraz apenas em dar vida.
A missão da Igreja é a missão de Cristo:
que salvar a todos, anunciar a todos, batizar a todos.
No entanto, o horizonte dos nossos projetos pastorais e missionários
é muitas vezes bem míope, bem circunscrito, bem acomodado.
Os trabalhadores são poucos e isso é desculpa para muita coisa:
pastoral de cartório e de sacramentos,
desejo de não aumentar o trabalho,
pois já há paróquias a mais para cada um!
Bom Jesus, pastor de ovelhas desgarradas,
para as recuperar e lhes conquistar o coração,
obrigado porque não te cansas
de fazer da nossa história atribulada, uma história de salvação.
Dá-nos pessoas que sejam a visibilidade atual
do teu coração em missão desde toda a eternidade.
Espírito Santo, ateia em nós o fogo da tua missão.
terça-feira, abril 21, 2026
3ª feira da 3ª semana da Páscoa, Semana de Oração pelas Vocações (21 abril)
Meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão que vem do
Céu. (cf. Jo 6, 30-35)
Deus dá-nos do Céu a aliança que nos dá vida.
No deserto, Deus envia o Maná do Céu
para alimentar e fortalecer o seu povo em êxodo.
Na plenitude dos tempos, Deus envia-nos o seu Filho,
como Pão que desce do Céu para saciar a sede de eternidade
e tornar-se caminho para a santidade purificada pelo seu sangue.
A Eucaristia é a memória deste alimento do Céu crucificado,
que Jesus nos dá cada vez que a celebramos com fé.
Os grandes chefes de culinária são uns artistas
de apresentação de cores, sabores e cheiros.
São pratos caros, sem grandes quantidades,
não tanto para alimentar ou fartar,
mas mais para colecionar experiências diferentes de mastigar.
No entanto, o que é mais importante
o que comemos ou com quem comemos?
O que sabe bem ou a que faz bem?
Obrigado, Senhor, porque tudo Te pertence,
tudo foi criado pelo amor da tua palavra,
tudo vem do Céu como dom concriado.
Louvado sejas, bom Jesus, que descestes do Céu,
para sujar os pés à nossa procura
e saciar a nossa fome de sentido e de eternidade,
na mesa da fraternidade e da santidade de Deus-connosco.
Faz-nos participantes da mesa da tua Eucaristia!
segunda-feira, abril 20, 2026
2ª feira da 3ª semana da Páscoa, Semana de Oração pelas Vocações Consagradas (20 abril)
Trabalhai pelo alimento que dura até à vida
eterna e que o Filho do homem vos dará.
(cf. Jo 6, 22-29)
Jesus veio do Céu como Pão da Vida
e foi marcado pelo selo de Deus, na fidelidade e santidade.
A obra de Deus é que acreditemos em Jesus,
a Palavra de Deus enviada pelo Pai para nos salvar.
A Eucaristia é o sacramento da nossa fé
que realiza o que celebra: alimento para o peregrino,
comunhão do divino no humano,
força que faz a Igreja e a Missão.
Muitas vezes somos como as crianças:
ficamos tranquilos se temos o estômago saciado
e a temperatura corporal controlável.
Sonhar mais alto é desnecessário
para quem vive o presente e sacia o ventre.
Trabalhar para o além da rotina e do tempo,
não traz recompensa imediata
e por isso, quando muito, adia-se para a velhice.
Senhor Jesus, perdoa porque andamos de horizontes tão baixos,
que parece que só temos barriga e sede de prazer e poder.
Espírito Santo, ensina-nos a trabalhar pelo alimento da vida eterna,
que não se perde no esgoto nem se compra com dinheiro.
Ajuda-nos a trabalhar na conversão verdadeira,
que não acumula para ter para si mesmo, mas para partilhar.
Faz com que cada Eucaristia seja uma aprendizagem
de comunhão com todos os irmãos na mesa da graça
e da memória da oferta do Cordeiro Pascal.
domingo, abril 19, 2026
3º Domingo da Páscoa, Semana de Oração pelas Vocações Consagradas (19 abril)
Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a
caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de
O reconhecerem. (cf. Lc 14, 13-35)
Jesus veio ter connosco e caminha connosco,
embora a miopia da falta de fé nos
impeça de O reconhecer.
Enquanto falamos e discutimos, afastamo-nos da Igreja,
Corpo de Cristo vivo, memória e missão de Jesus.
É a partir das nossas inquietações que nos fala da Palavra de Deus
e nos aquece o coração, desanimado e perdido.
Mas é quando O convidamos para ficar connosco
e entrar na nossa casa, que Ele abençoa a nossa mesa
e nos ilumina o olhar, reconhecendo-O no partir do pão.
O fruto deste encontro misterioso é a missão!
Alguns afastam-se de Cristo e da Igreja
quando tomam consciência do seu pecado
e indignidade da sua condição de batizado.
Esquecemo-nos que Jesus não veio para os justos,
mas para os pecadores e perdidos da graça.
Ele faz-se missão de nós para que sejamos missão Dele!
A Igreja não é um grupo de pessoas perfeitas,
mas de pecadores humildes, que aceitam o perdão de Jesus
e a condição de peregrinos da santidade.
Senhor Jesus, sei que o meu pecado te dá muito trabalho,
mas “ó feliz culpa” que me trouxe tão grande amigo e salvador!
Espírito Santo, ensina-nos a reconhecer Jesus companheiro,
presente no irmão com quem me vou relacionando,
na Palavra de Deus que medito e escuto a sua atualidade,
na Eucaristia que faz memória do amor incondicional
com que Jesus nos salvou e nos quer ver testemunhar.
Mostra-nos, Senhor, o caminho da vida que permanece!
sábado, abril 18, 2026
Sábado da 2ª semana da Páscoa (18 abril)
Subiram para um barco e seguiram para a outra margem. (cf Jo 6, 16-21)
Seguir para a outra margem é deixar uma margem
e buscar uma passagem para o outro lado.
Quando este “ir para a outra margem” é com Jesus,
e a pedido de Jesus: é missão, mesmo com o mar encrespado.
E quando os discípulos partem consternados
por Jesus não querer ser aclamado rei,
Jesus deixa-os partir e aproxima-se durante a noite
como Senhor da natureza, caminhando sobre o mar.
A mobilidade intensificou-se nos últimos tempos
e passou a fazer parte da vida de muita gente:
trabalho, marketing, política, estudo, turismo,
missão religiosa, guerra, migração, refúgio…
Nem todos viajam com Cristo no coração
e, mesmo os chamados praticantes,
fazem férias da prática religiosa.
Mas Jesus vai sempre connosco!
Senhor Jesus, ajuda-nos a ser como a Igreja primitiva,
em que cada batizado levava a sua fé e missão
para onde quer que iam, como profissional ou comercial.
Espírito Santo, ensina-nos a acolher Jesus na sua essência
e não na nossa preferência, ideal ou interesse.
E quando Jesus nos surpreender com a sua visita,
abre-nos o coração para que possa entrar na nossa barca
e a outra margem se torne missão evangelizadora.
6ª feira da 2ª semana da Páscoa (17 abril)
Está aqui um rapazito que tem cinco pães de
cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta
gente?
(cf. Jo 6, 1-15)
Jesus sobe a um alto monte para ensinar.
Quer ensinar que não podemos ficar indiferentes ao outro,
que a solução da fome não é o dinheiro, mas a partilha,
que a abundância não deve conduzir ao desperdício,
mas devemos recolher o que sobra para a partilha
e não para jogar no lixo.
Comungar Jesus repartido na Eucaristia
é aprender a partilhar o que temos e o que somos.
A divisão e a segregação viram-nos para o consumismo,
que engorda uns poucos e nos entulham com lixo,
deixando a maioria a desejar alimentar-se sem poder.
Uns resolvem o problema de consciência
olhando com indiferença a dor do outro,
outros dando uma esmola como quem despacha um estorvo,
outros ainda partilhando o pouco que têm
e recolhendo o que sobra para dar a quem não o tem.
Foi a solidariedade familiar que valeu a muitos
nas crises da pandemia, nos fenómenos naturais,
nas turbulências económicas, matrimoniais e sanitárias.
Bendito sejas, Deus compaixão,
que para nos salvar, partilhastes connosco
o teu Filho e o teu Espírito
como pão e peixe nas mãos de um rapazito.
Ajuda-nos, Senhor Jesus, a aprender contigo
a confiar na partilha e não no dinheiro.
Jesus Eucaristia, pão partilhado, gratuito e inclusivo,
que a todos convidas para a tua mesa,
ensina-nos a abrir o coração e as mãos
para partilhar a vida e os pertences que nos sobejam.
quinta-feira, abril 16, 2026
5ª feira da 2ª semana da Páscoa (16 abril)
Aquele que Deus enviou diz palavras de Deus,
porque Deus dá o Espírito sem
medida. (cf. Jo 3, 31-36)
Deus Pai ama o Filho e confia-lhe a missão
de ser sua Palavra e, junto com o Espírito Santo,
levar a cabo a sua missão de dar oportunidade a todos
de se purificarem e reconciliarem com Deus e os irmãos.
A vida do Verbo Divino encarnado é a Palavra da verdade,
que nos revela o mistério inefável de Deus.
Estamos a acostumar-nos a escutar a mentira,
sem espírito crítico, mesmo sabendo a influência ideológica
e a corrupção da narrativa por razões interesseiras.
Às vezes até aceitamos a mentira,
com a resignação de que todos fazem igual.
O pior é que já nos custa aceitar a verdade,
quando esta não corresponde à nossa opinião.
Talvez por isso, Jesus hoje tem pouco público
nos areópagos da comunicação da verdade.
Jesus, Palavra de Deus no ser e no comunicar,
ajuda-nos a ser coerência com o Evangelho,
com a leveza da pomba e a humildade da criança.
Espírito Santo, dá-nos o dom de uma vida profética,
que nos ajude a entrar na corrente do “assim como Jesus”,
que anima outros a confiar neste Pastor que se faz Cordeiro.
Ensina-nos, Senhor, a viver na terra o Evangelho,
com a alegria dos valores que habitam em Deus.
quarta-feira, abril 15, 2026
4ª feira da 2ª semana da Páscoa (15 abril)
Para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus. (cf. Jo 3, 16-21)
Jesus manifestou as suas obras, porque eram feitas em Deus.
Ele é a luz do mundo, enviada pelo Pai,
não para acusar os pecadores,
mas por ajudar a tomar consciência do seu pecado,
lhes dar a unção da misericórdia e salva-los.
Pelo Batismo podemos começar uma vida nova,
vivida à luz da verdade e do Espírito Santo,
para que demos frutos de Deus, espelho da Luz.
Há uma ambiguidade entre a vigilância omnipresente
e a perceção da liberdade nas sombras da privacidade.
Há uma esperteza que ganhou estatuto de ciência,
escondendo-se nos buracos do direito
para subverter a lei e ludibriar o Estado.
Há mesmo uma certa classe de advocacia
especializada neste tipo de manobras
que dão cobertura à fuga ao fisco,
à corrupção, ao furto, à injustiça.
Ao nível da vivência da fé, chegamos a pensar
que podemos pecar e enganar a Deus.
Senhor Jesus, obrigado porque viestes para nos salvar,
sendo a luz e o caminho para praticar obras de Deus.
Bendito Espírito Santo, luz que nos ensina a discernir
e a converter-nos da vida de trevas que se esconde da verdade.
Ajuda-nos a investir no amor e na coerência de vida,
sob o olhar paterno de Deus e a ousadia da santidade plena.
Liberta-nos da hipocrisia e da esperteza das sombras,
que nos engana e pretende enganar o próprio Deus.