quinta-feira, março 26, 2026

 

5ª feira da 5ª semana da Quaresma

 



Antes de Abraão existir, ‘Eu sou’. (cf. Jo 8, 51-59)

 

O Verbo eterno de Deus antes de encarnar já era.

Também Ele foi Palavra dirigida a Abraão,

chamando-o a partir de si e a viver da fé.

Abraão, vivo em Deus, alegrou-se com o envio do Filho eterno

e alegra-se pela sua fidelidade ao Pai a renovar a sua aliança,

no caminho duro que O conduz à morte que abre a ressurreição.

Mistério do eterno que abraça o tempo!

 

Filhos do tempo, vemos o provisório como um para sempre,

embora saibamos que nascer é começar a morrer!

Tudo fazemos para acrescentar os dias

e fugirmos à doença e à paragem cardíaca,

apesar de sentirmos que esta vida é insaciável

e nunca nos sentirmos completos.

Até mesmo quando o sofrimento e limitações são grandes,

não desejamos a eternidade porque significa um salto no escuro!

 

Verbo Divino, eterno e Irmão na carne,

ajuda-nos a confiar no teu Evangelho

e a pratica-lo com fidelidade e entrega.

Espirito Santo, dá-nos o dom de ver

com horizontes abertos ao infinito,

para não termos medo de ter esperança na eternidade

e podermos conhecer Aquele que nos conhece antes de sermos.

Que Abraão interceda por nós e como ele,

vivamos da fé em peregrinação da luz da verdade.



quarta-feira, março 25, 2026

 

4ª feira, Anunciação do Senhor

 



Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás 

nome de Jesus. (cf. Lc 1, 26-38)

 

Deus tem o projeto de salvar a humanidade.

O Pai, o Filho e o Espírito Santo comungam da mesma missão,:

O Pai envia o Filho por meio do Espírito a encarnar em Maria.

O Filho diz ao Pai e ao Espírito:

“Eis-me aqui para fazer a vossa vontade”.

E Maria e José acolhem o projeto de Deus

e respondem com humildade:

“Eis-nos aqui para permitir e colaborar no vosso projeto”!

 

Sonhamos mandar e comandar a vida.

Fascina-nos ter um comando na mão,

poder ir ao supermercado e servir-nos à vontade,

poder ligar e desligar, mudar de canal e intervir.

Quando nos ligamos a Deus pela oração,

sonhamos que Ele nos escute e satisfaça os nossos desejos,

como, quando e o que lhe pedimos.

Causa-nos vertigem comprometer-nos com Deus para sempre

e passar-lhe um cheque em branco das energias da nossa vida.

Até o Pai-Nosso nos custa rezar: “seja feita a vossa vontade”!

 

Senhor, que queres de mim? Em que posso ser-Te servo?

Espírito Santo, dá-nos o dom do discernimento,

para compreendermos a gramática do teu falar

e entrarmos em diálogo de procura de como fazer a vontade de Deus.

Virgem Maria e José, ensinai-nos a responder sim ao projeto de Deus,

apesar de ser noite e o amanhã não dar garantias de segurança.

Senhor, dá-nos a confiança de filhos,

para nos entregarmos para sempre e totalmente a Deus.



terça-feira, março 24, 2026

 

3ª feira da 5ª semana da Quaresma, Dia dos Missionários Mártires (24 março)

 



Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que ‘Eu sou’. (cf. Jo 8, 21-30)

 

Jesus não é uma serpente de bronze: espelho de idolatria,

mas o Filho de Deus a renovar a aliança no seu sangue.

Ele é elevado na cruz, não para humilhar e envergonhar o pecador,

mas como sinal da misericórdia divina, que morre em missão,

o amor divino incondicional, que jorra do peito a nascente de vida.

O centurião romano que O viu morrer, professa:

“Este é verdadeiramente o Filho de Deus”!

 

Hoje os meios de comunicação social expõem a desgraça,

como o calvário e a cruz elevaram o Bem crucificado.

Em Cristo morto e torturado inocentemente,

vemos até onde pode ir a maldade humana

e até onde pode ir a misericórdia e fidelidade divina.

É nesta prova superada de um atentado contra o Filho de Deus

que vemos e podemos professar que Jesus é o Filho de Deus!

Seu coração não se deixou contaminar pela raiva da injustiça

e do vinagre recebido oferece-nos o dom da graça do seu sangue e água.

 

Senhor Jesus, diante de Ti me prostro e Te contemplo,

Homem de dores com amor entregando

tua vida como remédio dos nossos pecados repetidos.

Espírito Santo, dá-nos o dom de ver essa paz que perdoa,

apesar das injúrias e desprezos fanfarronando ,

numa brincadeira de mau gosto magoando,

Aquele que passou a vida fazendo o bem

e sustenta a nossa vida, como bom Pastor revestido de cordeiro.

Ajuda-nos a contemplar-Te na cruz,

quando Te magoamos no irmão frágil e desprotegido.

 



segunda-feira, março 23, 2026

 

2ª feira da 5ª semana da Quaresma (23 março)

 



Também Eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar. (cf. Jo 8, 1-11)

 

Deus escreve no chão os nossos pecados,

porque traz gravado no seu coração o amor incondicional.

Jesus é o rosto visível do Amor invisível,

que sustenta a vida e repara a enfermidade do pecado.

Perante aqueles que vêm como juízes carrascos,

Jesus devolve-lhes a luz que espelha o seus corações:

“Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”!

E espera ficar só com a mulher acusada,

para lhe perguntar onde estão os que a condenaram.

Jesus a uns e outros quer salvar, por isso não a condena,

e envia-a para casa com esperança de recomeçar vida nova.

 

Somos rápidos a apontar o dedo, a murmurar e condenar,

como se viéssemos do Céu, inchados de graça e de vaidade.

É difícil seguir Jesus na arte de recuperar,

interrogando sem ameaçar com a condenação ao pecador.

É mais fácil usar o conhecimento ou fofoca sobre o outro,

fechando o capítulo como se já não houvesse remédio,

a não ser marginalizar e humilhar, mostrando a língua de fogo,

acendida no fogo do inferno de coração amargo.

 

Senhor Jesus, obrigado porque viestes, não para nos condenar,

mas para nos iluminar as chagas escondidas do pecado,

e animar ao arrependimento, abrindo horizontes de esperança.

Espírito Santo, dá-nos a arte de ver com o olhar de Cristo,

sem deixar de amar o pecador e com o fogo do ardor de a todos salvar.

Ajuda-nos a ser discípulos de Jesus, mansos e humildes de coração,

para ir junto dos pecadores e anima-los a aprender a fazer o bem

e a largar a rotina quotidiana de fazer o mal,

como se tudo fosse normal, só porque quase todos o fazem.



domingo, março 22, 2026

 

5º Domingo da Quaresma

 



Senhor, o teu amigo está doente. (cf. Jo 11, 1-45)

 

O Pai olhou o Filho  e disse-lhe com amor:

“Filho, os teus amigos humanos estão doentes.

Preciso de Ti para lhes dares um vida nova”.

E o Filho disse ao Pai prontamente:

“Eis-me aqui para fazer o que o teu e o meu coração implora”.

E de olhos húmidos de desconsolação

e brilho de esperança no olhar do coração,

desceu menino e recomeçou, carregando a nossa fragilidade.

A sua vida foi fonte de vida para quem já está sepultado

e cheira a tudo terminado.

Todos nós somos Lázaro amigo por quem deu a vida!

 

Todos os dias somos confrontados com a impotência

perante amigos doentes e cansados de sofrer.

É o mistério do sofrimento que nos corrói a esperança.

Rezamos a Deus: “o teu amigo está doente”.

E esperamos  milagres que curem os males

e a vida volte ao normal de antigamente.

Quando a notícia da morte nos surpreende,

o amargo da fé treme impotente,

como se Deus nos tivesse abandonado!

Mas vida será só somar dias e anos,

ou curar a alma e recuperar amigos perdidos?

 

Senhor, os teus amigos em guerra estão doentes,

trémulos de medo, revoltados pela destruição e a morte.

Senhor, os nossos amigos estão doentes e sem esperança,

Ajuda-nos a acreditar em Ti, ressurreição e vida,

que concorre em tudo para o bem dos que ama.

Espírito Santo, dá-nos o dom da fé e da confiança,

para que não querermos que Deus faça o que achamos melhor,

mas aquilo que é a salvação dos nossos amigos doentes.

 



sábado, março 21, 2026

 

Sábado da 4ª semana da Quaresma (21 março)

 



Poderá o Messias vir da Galileia? (cf, Jo 7, 40-53)

 

O Filho de Deus entra na condição humana,

sem pompa e nem circunstância.

A sua encarnação não se impõe pela grandeza e clareza,

mas é sinal de contradição, que divide opiniões

e nos coloca a todos à procura do Messias ao nosso lado.

Uns veem nele um profeta, outros um dos profetas,

outros um galileu revolucionário e visionário,

outros um mestre na Lei, outros uma ameaça à religião,

outros um possuído por Belzebu, outros o Messias de Deus…

 

Conhecer a realidade da vida e do outro é difícil,

pois trazemos connosco muitos preconceitos,

muitos estereótipos, muitas alergias ligadas

a culturas, povos, gerações, religiosas, políticas, sociais…

Saber fundamentar afirmações e ideias sobre o outro

é uma sabedoria que parte, não do geral para o particular,

mas do particular e para o geral duvidoso e incompleto.

As aparências iludem e catalogam, sem conhecimento pessoal

e podem ser extramente injustas e apressadas.

 

Bom Deus, Pai, Filho e Espírito Santo,

obrigado porque, conhecendo-nos a verdade do coração,

não nos olhas pelo passado, mas pela esperança do futuro.

Bom Jesus, o Filho do Altíssimo nascido de Maria

e acolhido por José, aparecendo simples carpinteiro,

nazareno e galileu, em devaneios messiânicos.

Espírito Santo, ensina-nos a ver o coração das pessoas

e a não nos fixarmos nas aparências, local de origem,

grupo social, povo, idade, ideologia e até passado perdido.

Faz de nós cristãos de verdade e não de aparências,

buscadores do mistério escondido em cada um diferente,

mas companheiro irmão nesta peregrinação da verdade e santidade.



sexta-feira, março 20, 2026

 

6ª feira da 4ª semana da Quaresma

 



Eu conheço-O, porque d’Ele venho e foi Ele que 

Me enviou. (cf. Jo 7, 1-2.10.25-30)

 

Jesus de Nazaré vem de Deus e vem em missão.

Só o Filho de Deus pode revelar quem é Deus,

não só pela palavra, mas acima de tudo pelo testemunho.

A hora de Jesus é a hora da fidelidade à aliança,

provada na cruz da injustiça e da morte do Filho de Deus.

É neste testemunho de fidelidade incondicional

que se revela a surpresa de um Deus que morre por nós!

 

Cada um de nós é de uma terra e de uma cultura,

mas quando somos batizados passamos a ser do Pai,

por meio do Filho de Deus e do Espírito Santo.

Mas dizer-se cristão não significa ainda ser outro Cristo,

porque ser cristão é uma forma de viver, de ver a história,

de sentir o destino do outro, de assumir valores

e de ocupar o tempo com sonhos e causas próprias de Cristo.

Ser cristão é constituir-se em família,

sem fronteiras nem preconceitos,

não ligando à terra ou cultura de onde vem,

mas à comunhão na fé que se professa e acredita.

 

Bom Jesus de Nazaré, mistério escondido num carpinteiro,

ensina-nos a alimentar relações de sandálias descalçadas,

com o religioso respeito pela diferença

e o acolhimento da fraternidade que nos é comum.

Obrigado, porque nos acolhes, sem olhar o passado mau,

e tens esperança na vida nova que nos queres dar.

Espírito Santo, transforma o nosso coração,

para que seja mais importante ser enviado por Cristo,

do que nascer numa terra e crescer numa cultura.

 



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