sábado, fevereiro 21, 2026
Sábado depois das Cinzas (21 fevereiro)
Vim chamar os pecadores, para que se arrependam. (cf. Lc 5, 27-32)
O Pai diagnosticou vidas enfermas na criação
e enviou o Filho para as tratar e salvar.
O Santo viu pecadores de coração teimoso e empedernido
e enviou o Espírito a fazer novas e santas todas as criaturas.
É o coração terno a jorrar fonte de vida,
que faz da graça remédio que cura e vacina contra o mal.
É a Palavra da vida que move ao arrependimento,
chegando a dar a vida e a ser luz nas trevas.
A maioria das medidas corretivas do mal e da desordem,
são repressivas e animadas pela desesperança:
não acreditam na possibilidade da cura,
por isso, reprimem, prendem, afastam da sociedade.
Em última instância matam, mesmo sem pena de morte!
Nos regimes totalitários, o pensar diferente
é equiparado a uma doença que é preciso exterminar,
começando pelo portador desta voz dissonante.
É diferente o cientista que procura a cura de doença incurável
e o pedagogo que investe pacientemente na recuperação.
Senhor Jesus, tão santo e tão próximo dos pecadores,
porque não vens para condenar, mas para salvar.
Espírito Santo, ensina-nos a distinguir o bem do mal,
e a sermos fortes para, em vez de ficarmos contagiados pelo mal,
sermos portadores do remédio que fortalece contra o mal
que é Cristo e os sacramentos da graça e do perdão.
Senhor Jesus, aumenta em nós a fé e a esperança,
para fazermos da nossa vida missão junto dos pecadores.
sexta-feira, fevereiro 20, 2026
6ª feira depois das Cinzas. S. Francisco e S. Jacinta Marto (20 fevereiro)
Dias virão em que o esposo lhes será tirado e nessa altura hão de jejuar. (cf. Mt 9, 14-15)
Deus envia-nos o Esposo da humanidade.
Ele vem revestido da fragilidade humana,
mas a sua palavra está carregada de autoridade divina.
Os amigos do Esposo alegram-se ao ouvirem a sua voz
e participarem do banquete do Cordeiro,
onde os pecadores podem comer da sua Palavra e do seu Pão.
Quando pecamos, faltamos ao convite do banquete,
afastamo-nos da comunhão com o Esposo.
Só a conversão, por meio do jejum do egoísmo,
nos pode aproximar de novo do Esposo e viver em festa na terra.
Celebramos hoje a morte dos pastorinhos de Fátima.
Não é um luto de tristeza e de jejum,
mas uma festa por estar junto de Nosso Senhor
e da Virgem Maria, vestida de sol e de olhar terno.
Francisco e Jacinta querem ir para o Céu para consolarem Jesus
e, no Céu, fazerem muito bem pelos pecadores.
Não é uma religião de tristeza e de lamentações,
mas de consolação e entrega de vida pela salvação de todos.
Bendito sejas Jesus, Esposo da Igreja e amigo dos pecadores,
vem purificar-nos o coração e fazer festa de noivado espiritual,
para que caminhemos por amor a Deus e ao próximo.
Espírito Santo, ensina-nos a fazer o jejum que converte,
para que não nos arrastemos numa religião de ritos e deveres,
mas vivamos a verdade de uma conversão esperançada a Jesus.
S. Francisco e S. Jacinta Marto, rezai por nós,
para que nos possamos oferecer-nos a Deus,
com ardor, fidelidade e simplicidade.
quinta-feira, fevereiro 19, 2026
5ª feira depois das Cinzas (19 fevereiro)
Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os
dias e siga-Me. (cf. Lc 9,
22-25)
Jesus tomou a nossa cruz, reconciliando-nos com Deus.
Renunciou à sua condição de Verbo eterno,
quis ser parte da condição humana e temporal.
Apesar de terem tentado matar a Palavra eternamente,
Ela ressuscitou ao terceiro dia e purificou a esperança,
fecundando a história com a fidelidade do amor e do perdão.
Este é o caminho de despojamento do Mestre
e este é o caminho de salvação dos discípulos:
descentrar-se de si e virar-se para Deus à maneira de Jesus.
No jogo de xadrez ou das damas,
às vezes é preciso perder peças para ganhar o jogo.
Quem quer ser pai ou mãe é preciso renunciar a si mesmo,
cuidar do filho/a vinte e quatro horas,
sujeitar-se aos seus sonos e despertares,
perder a liberdade de sair quando lhe apetece,
abdicar de noites tranquilas e fins de semana repousantes,
por amor do filho, descentrando-se de si.
Há muita gente que começa a evitar casar-se ou ter filhos,
porque não quer abdicar de colocar-se no centro das prioridades!
Senhor Jesus, é surpreendente a tua liberdade para amar,
a tua alegria de servir, a tua fidelidade à aliança,
a tua capacidade de perdoar, a tua esperança incondicional.
Espírito Santo, dá-nos o dom de elevar o nosso olhar para Deus,
aprendendo a olhar para onde Ele olha como Ele olha,
entregando a sua vida por nós e fazendo sua a nossa cruz.
Ajuda-nos a não ser uma cruz para os outros
nem a sobrecarregar com a nossa cruz a Cristo e os irmãos,
mas a ser Cireneu que participa da cruz de Cristo
e auxilia os mais fracos a carregar a sua cruz.
quarta-feira, fevereiro 18, 2026
4ª feira de Cinzas (18 fevereiro)
Tende cuidado em não praticar as vossas boas
obras diante dos homens, para serdes vistos por
eles.
(cf. Mt 6, 1-6. 16-18)
Deus faz por amor e não para ser visto ou louvado.
Está em todo o lado, longe dos palcos que ofuscam,
escondido no silêncio da gratuitidade.
Também Jesus, o Filho do Altíssimo abaixado,
passou por carpinteiro e nazareno,
por mestre milagreiro, por perigo da pureza do templo,
por revolucionário que perturba a ordem pública,
por crucificado frágil e vencido,
por peregrino a caminho de Emaús
ou fantasma a caminhar sobre as águas…
Jesus não fez teatro para dar nas vistas,
mas buscava no silêncio da noite a vontade do Pai.
Vivemos numa sociedade-teatro, show ao vivo,
onde se investe na solidariedade porque dá boa imagem,
se constroem palcos de espetáculos políticos, desportivos,
militares, musicais, religiosos, emocionais, mercantis…
As redes sociais e os meios de comunicação em geral
facilitam a exposição extravagante da vida
e satisfazem a curiosidade de fofoquices.
O ritualismo pode degenerar em crosta que impede a conversão.
Querido Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,
que nos conheces intimamente a fonte do coração,
liberta-nos do investimento nas aparências
com que procuramos impressionar os outros.
Espírito Santo, dá-nos o dom da fé e da sabedoria,
para que saibamos aproveitar esta Quaresma
como dom do teu amor e resposta da nossa conversão.
Ensina-nos a fazer as coisas boas com reta intensão.
terça-feira, fevereiro 17, 2026
3ª feira da 6ª semana do Tempo Comum (17 fevereiro)
Tendes olhos e não vedes, ouvidos e não ouvis? (cf. Mc 8, 14-21)
Deus tem coração que vê a alma
e ouve os gemidos silenciosos de quem sofre.
Deus vê com esperança e entrega-se com amor,
vendo-nos a todos como filhos, apesar da nossa inconstância.
Deus olha-nos para além da fome de pão
e cuida-nos com a sua mão providente,
invisível e silenciosa, fiel e oportuna.
A ensina-nos a ler e escutar o coração de Deus!
A vida está cheia de mensagens tão evidentes
que até se tornam invisíveis e inaudíveis.
Olhamos o universo e vemos o infinito,
sentindo-nos pequeninos perante tal grandeza.
Falamos em anos de luz, em constelações,
estrelas, cometas, astros e buracos negros…
um mundo misterioso que nos revela o Criador.
Olhamos e escutamos a harmonia das cores,
a sinfonia dos sons, a diversidade dos cheiros,
as surpresas dos paladares, a beleza dos sorrisos…
e ainda não entendemos o mistério que nos fala?
Senhor, meu Deus, como sois grande,
ternura que nem o pecado desarma.
Perdoa a cegueira que nos distrai
das mensagens que nos dás no mistério da vida.
Perdoa a ignorância que nos deixa sem norte,
contigo escondido ao nosso lado
e continuamos a interrogar-nos se existes
e porque não nos mostras o teu rosto?
Espírito Santo, ensina-nos a gramática da linguagem divina,
e dá-nos a sabedoria para a sabermos compreender e viver.
segunda-feira, fevereiro 16, 2026
2ª feira da 6ª semana do Tempo Comum (16 fevereiro)
Porque pede esta geração um sinal? (cf. Mc 8, 11-13)
O sinal de que Deus existe e continua a amar-nos,
é que a vida de bons e maus é sustentada pelo Criador.
O sinal de que Deus é fiel à aliança é a sua misericórdia,
a palavra profética, o envio do seu Filho e do seu Espírito,
a entrega da vida do seu Filho pela salvação das criaturas.
Jesus manifestou o seu poder para curar e libertar,
como sinal de que o reino de Deus já chegou.
Quem confia não precisa de pedir um sinal
nem de pagar adiantado.
A criança alegra-se quando o pai o levanta ao ar,
pois confia que ele não o deixa cair no chão.
Em tempo de crise, os filhos recorrem aos pais,
pois confiam que estes os não vão abandonar.
O que tem fé, ajoelha-se diante de Deus e suplica ajuda,
pois sabe que Deus não abandona os seus filhos.
Pai santo, nós confiamos em Ti, mas aumenta a nossa fé.
Bom Jesus, sinal da presença da graça de Deus,
por meio dos sacramentos e da Palavra da Igreja,
ajuda-nos a ser membros vivos do teu Corpo místico,
fortalecidos pela fé e o seguimento do teu Evangelho.
Liberta-nos da insegurança do afã pelos milagres,
e dá-nos a segurança de confiar n’Aquele que venceu o mundo,
pela mansidão e pela fidelidade ao amor incondicional.
domingo, fevereiro 15, 2026
6º Domingo do Tempo Comum (15 fevereiro)
A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do
Maligno». (cf. Mt 5, 17-37)
O sim de Deus é fidelidade incondicional à aliança.
E porque o seu sim é eterno, a sua misericórdia não tem limites.
O Filho de Deus é o sim de Deus à humanidade,
que se fez carne e fragilidade, mas a fecunda a vida de amor
e a fidelidade não fica crucificada na cruz,
mas ressuscita e permanece até à vida eterna.
Jesus é o Ámen que nasce do Sim de Maria
e perdura no sim dos santos e profetas.
Somos filhos do “tudo muda” conforme as circunstâncias.
Evita-se tudo o que nos prende “para sempre”:
um emprego, um lugar para viver, uma profissão,
um compromisso matrimonial ou de consagração religiosa…
vive-se o presente, o momentâneo,
mas teme-se o para sempre e o incondicional,
que impeça de fazer novas experiências e relações.
A palavra também tem prazo de validade curto,
e, apesar de ficar quase tudo gravado,
hoje afirma-se e promete-se uma coisa
e logo ou amanhã já se afirma ou promete o seu contrário.
Há situações que em que se vive e afirmam coisas diferentes,
conforme os contextos e papeis sociais que se representam.
Senhor Jesus, Filho do Sim de Deus à aliança,
dá-nos a coerência da fé que professamos
e a fidelidade ao Evangelho que escutamos.
Espírito Santo, dá-nos o dom da sabedoria,
para que não nos fiquemos na letra dos preceitos e deveres,
mas sigamos Jesus segundo o espírito do Evangelho.
Ensina-nos a dar o conteúdo evangélico que queres dar-nos
e a vive-lo como um Ámen sincero e feliz
nas pequenas coisas com que preenchemos a vida.