Sábado, Novembro 14, 2009

 

Visão de sonho


Louvado sejas, Senhor,
Pelo dia que amanhece,
Cheio de luz e de cor,
Como um convite a orar
E a fazer da vida prece!

Em cada folha de Outono
De mil cores matizada,
Transformada em flor alada,
A esvoaçar no espaço,
Ou estendida no chão,
Conforme a arte do vento
Que a leva a descansar,
Ou lhe imprime o movimento
De uma nuvem a dançar,
Sinto um sonho acordar,
Na alma e no pensamento,
Que me chama a contemplar,
Com o olhar do coração,
Toda a beleza contida
Nas coisas simples da vida.

São lindas lições, por ler,
Escritas na natureza
A propor paz e beleza
A quem der valor à vida,
Pois estão em linguagem
Clara e bela que cativa
E que qualquer um entende,
Se souber ver na paisagem
A riqueza da mensagem
Própria de um Deus Poeta
E Autor/Criador da Vida
Em tudo bem manifesta,
Convidando-nos à festa
Do Seu Amor sem medida.

Maria Lina da Silva, fmm
Lisboa, 10.11.09

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

 

O Segredo do amor conjugal


Meus amigos separados não cansam de perguntar como consegui ficar casado 30 anos com a mesma mulher. As mulheres, sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo...Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo. Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista no ramo, como todos sabem, mas, dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue

Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém aguenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade já estou em meu terceiro casamento - a única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher! Minha esposa, se não me engano está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes que eu...O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.

O segredo, no fundo, é renovar o mesmo casamento e não procurar um novo casamento. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal.De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, seduzir e ser seduzido. Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial? Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção? Sem falar dos inúmeros quilos que se acrescentaram a você depois do casamento...Mulher e marido que se separam perdem 10 kg em um único mês... Por que vocês não podem conseguir o mesmo?.
Faça de conta que você está de caso novo...Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a frequentar lugares novos e desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo, a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.Vamos ser honestos: ninguém aguenta a mesma mulher ou o mesmo marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada, é você! São seus próprios móveis, com a mesma desbotada decoração. Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação.Quem se separa, se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo circuito de amigos. Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso, obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento.Mas se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior. Não existe essa tal "estabilidade do casamento" nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos..
A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma "relação estável", mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado em fazer no início do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, por que não fazer na própria família? É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo. Portanto, descubra a nova mulher ou o novo homem que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo interessante par. Tenho certeza que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos, apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso, de vez em quando, é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par...

Arnaldo Jabor

Domingo, Novembro 08, 2009

 

Deus não quis inventar moldes


A ânsia de felicidade,
Que o coração inquieta,
Nos impele à descoberta
Da nossa identidade,
Que é única e original,
À imagem do Deus Amor,
Criador e escultor
De uma obra irrepetível
Que, sendo humana e falível,
Possui uma sede incrível
De vencer a finitude
E atingir a plenitude
Da Justiça e da Verdade,
Nas asas da Caridade.

Que coisa maravilhosa!
Deus não quis inventar moldes,
Para usar na Criação.
Preferiu moldar a rosa
E o humano coração,
Com a Sua própria mão,
Dando um toque de beleza
E de originalidade
Aos demais seres criados.

É tal a diversidade
Que nos deixa extasiados!

Como Artista dos artistas,
Tudo faz novo e diferente,
Surpreendendo-nos sempre
Com criações nunca vistas.

A mesma variedade
Existe na santidade,
Vocação universal
Do homem e da mulher,
Que, de forma original,
Afinam o coração
Pela harpa do Amor
Que, em Jesus, encarnou
E como Caminho ficou,
Para quem quiser segui-Lo,
Com amor/fidelidade
E em total liberdade,
Por uma escolha que é sempre
Uma opção consciente,
Tendo bem vivo e presente
O Deus que o bem quer propor
E nem impõe Seu Amor.


Maria Lina da Silva, fmm
Lisboa, 04.11.09

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

 

P. Kondor, uma paixão pela mensagem de Fátima


Quando vamos para Fátima?”
Esta era a questão que colocava insistentemente no hospital e na casa onde faleceu. Fátima para ele era o Secretariado dos Pastorinhos. Os acontecimentos que começaram em 1916 com as aparições do Anjo e continuaram em 1917 com as aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos na Cova da Iria, assim, como as visões de Lúcia em Tuy e Pontevedra, tomaram conta da sua vida. Correu mundo, publicou e traduziu as Memórias da Irmã Lúcia, assim como o Boletim para levar a boa nova da santidade e da inteligência da fé manifestada na vida destas crianças. Fora da casa do Secretariado da Vice-postulação sentia-se estranho. Para ele, ser fatimense era mais importante do que ser húngaro por nascimento, austríaco por adopção ou português por eleição.

Qual é o programa?”
Ao chegar a Fátima, após um longo período de internamento no Hospital de Leiria, apesar de debilitado pela leucemia e o tumor na bexiga, perguntou às empregadas: “qual é o programa?” Durante quase toda a sua vida viveu sozinho, com uma agenda preenchida de contactos, projectos e relações sociais. Tudo tinha que passar pelo crivo da sua decisão e da sua assinatura. Agora estava numa cama, sem conseguir andar, dependente da ajuda de todos, numa casa da Postulação (embora para ele lhe parecesse estranha). As empregadas, incansáveis ao longo deste período de convalescença, ainda lhe fizeram uma folha A4 com o “programa” das refeições e higiene diária. Foi com muita dificuldade que foi aceitando delegar tarefas e entregar a responsabilidade da Vice-Postulação. Agora perdia tudo: a sua privacidade, os seus rituais, horários, comidas e direcção de projectos. Estava totalmente dependente dos outros, sem programa. Por fim, dizia: “estou aqui até quando Deus quiser. Só posso rezar.”

Quando é que vou aprender a andar?”
A fragilidade do corpo e o longo período de acamamento, fizeram-no perder o andar. O Dr. Garcia do hospital de Leiria tudo fez para o pôr a caminhar, mas não conseguiu. As irmãs Concepcionistas disponibilizaram a sua fisioterapeuta para ir a casa fazer-lhe fisioterapia. Ao ver o andarilho que lhe compramos disse: “graças a Deus”. Mas a realidade era cruel e nem sequer aguentava muito tempo sentado no cadeirão, quando as senhoras do Centro Social de Boleiros lhe vinham fazer a higiene diária. Por fim, tudo era feito na cama. Aí teve que reaprender a andar sem pernas!
Tinha escrito uma Via Sacra da adoração reparadora que o Secretariado dos Pastorinhos publicou em Setembro deste ano. Escreveu um livro sobre a mensagem de Fátima que ainda não foi publicado. Na teoria, tudo estava claro, mas foi na cama que aprendeu a andar nos caminhos do oferecimento e da adoração reparadora pelos pecadores, por amor a Deus e ao Imaculado Coração de Maria. Terá sofrido muito, mas nunca se queixou de nada. Quando lhe perguntávamos como estava, sempre respondia com um sorriso: “Estou óptimo!”. No entanto, tudo o que fosse mudá-lo de posição, fazer-lhe higiene ou dar-lhe de comer, transparecia um desconforto que ele procurava disfarçar, embora difícil de conter.

Traz lá a comunhão? Graças a Deus!”
O momento da comunhão era aguardado com ansiedade cada dia. Era a plenitude da sua adoração reparadora, seguindo o exemplo dos pastorinhos. Ganhava forças para rezar e receber o Senhor Jesus. No final, rezávamos a oração do Anjo: “Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos...”. Ao dar-lhe a bênção final, despedia-se e continuava em silêncio: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente e ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue Alma e Divindade de Jesus Cristo...”

Há novidades?”
Apesar de ter vivido a maior parte da sua vida sozinho na casa da Vice-Postulação, a sua ligação à Congregação do Verbo Divino nunca foi cortada. Várias vezes o vi falar com entusiasmo da Congregação e preocupar-se com as vocações. Gostava de estar informado do que ia acontecendo e lia com interesse as notícias do Provincial e do Geral. Sentiu-se e quis ser missionário do Verbo Divino até ao fim.

A reunião acabou!
A Dra Branca adoptou-o voluntariamente como seu doente. Visitava-o periodicamente, vinda de Coimbra. Este acompanhamento completava o da Ir. Ângela e do primo Bela, ambos médicos. Nos últimos dias a febre não o deixava. No dia 28 de Outubro, a Dra Branca fez-lhe a sua última visita. O diagnóstico era crítico. Pelas 12 horas, antes de se despedirem, o P. Kondor disse-lhe: “a reunião acabou”. Ela não percebeu ou fez que não percebeu e disse-lhe até amanhã. Comeu normalmente e pediu ao seu primo médico: “Bela, um sumo de laranja,”. Às 14 horas o coração parou. Acabou esta reunião e começou o encontro da festa. Agora já estava pronto para andar sem pernas e voar sem asas. Acabou esta reunião de sofrimento e fragilidade e começou a comunhão plena com os seus amores: a Santíssima Trindade, Nossa Senhora e os pastorinhos. O velório e o funeral decorreram num ambiente de oração e de acção de graças. Agora só sofre de amor pela salvação dos pecadores, como todos no Céu. Morreu como pedia na sua Via Sacra da adoração reparadora: “Ajudai-nos a morrer como o Vosso Filho e a dizer: ‘Pai, nas Vossa mãos entrego o meu espírito’. Assim, se transforme, também, a hora da nossa morte, como a do Vosso Filho e a do ladrão do Seu lado direito, na grande hora da Vossa adoração” (12ª estação, p. 31).

Sábado, Outubro 31, 2009

 

Poema de D. Serafima ao P. Kondor


P. Luis Kondor
(22-06-1928 // 28-10-2009)

“O P. Luís Kondor partiu”
É verdade nua e crua
O seu corpo sucumbiu
Mas a vida continua,
Do amor de Deus hauriu
Toda a força que foi sua.

Primeiro adorou a Deus
Na santíssima Trindade.
A seguir saudou Maria
A Mãe da Humanidade
E depois os próprios pais
De quem tinha saudade.

Reconheceu Francisco
Viu a Jacinta crescida
A Lúcia jovenzinha
Foi também reconhecida.
Os três fizeram grã festa
Ao Postulador da vida.

Quanto o Padre Kondor fez
Foi amor, não interesse.
Da grandeza da mensagem
Deu testemunho, fez prece...
Com apreço e gratidão
Todo o mundo agradece.

Fátima, 28 de Outubro 2009

+ Serafim Ferreira e Silva
Bispo Emérito de Leiria-Fátima

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

 


22 de Junho de 1928 nasceu em Csikvánd, na Hungria.
20 de Agosto de 1946 entrou na Congregação do Verbo Divino.
28 de Agosto de 2953 foi ordenado presbítero, em St Augustin, na Alemanha.
19 de Novembro de 1954 chegou pela 1ª vez a Fátima, Portugal
No Natal de 1960 foi nomeado Vice-Postulador dos Pastorinhos
28 de Outubro de 2009, morreu em Fátima.




Missionário do Oriente,
sonho não realizado

Missionário de Portugal,
Mandato amado

Arauto da mensagem de Fátima,
paixão pessoal

Irmão universal
por dom e entrega


Canal fecundo da caridade
fruto incansável da abundância do coração.

Promotor de causas impossíveis
por Fé e perseverança indomável.

Frases do seu livro (a publicar):


“O «sacrifício espiritual» agradável a Deus, a «adoração espiritual» dos membros de Cristo, do povo de Deus, do sacerdócio real consiste em ser santo por uma vida santa, segundo o desígnio de Deus, ser santo pelo sacrifício reparador, ser santo pela adoração reparadora, ser santo pelo oferecimento total de toda a sua pessoa, corpo e alma.”



«Consagrar-se» ao Coração Imaculado de Maria não significa «procurar refúgio» ou «pôr-se debaixo da protecção» deste Coração durante esta vida terrena, mas sim purificar-se e santificar-se. Consagração, reparação e santificação são expressões que significam a mesma coisa e devem ser realizadas, necessariamente, em profunda comunhão e harmonia com a totalidade da pessoa humana.



Deus quer, porém, antes de tudo, convidar-nos a nós todos, pela Mensagem de Fátima, a colaborar na reparação dos pecados cometidos contra Deus e contra o Coração Imaculado de Maria, para nos salvarmos a nós e aos nossos irmãos. Revela-nos, pela vida heróica dos bem-aventurados Pastorinhos que, se colaborarmos na salvação dos pecadores e na reparação dos pecados contra Deus, seguiremos o caminho mais seguro, para atingir a santidade a que Deus nos chamou. Este caminho consiste na nossa própria imolação, no nosso sacrifício espiritual agradável a Deus, em união com o sacrifício de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários, para reparar deste modo os pecados cometidos contra Deus e contra o Coração Imaculado de Maria e para alcançar a conversão dos pobres pecadores, nossos irmãos. «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos» (Jo. 15,13), pelos pecadores, os mais pobres do nosso mundo.



(Falando da Jacinta no hospital) Faltando-lhe as forças do corpo, a sua alma tornava-se mais bela, à medida que os dias iam passando, através do exercício resoluto, constante, alegre e perfeito das virtudes cristãs. Com efeito foi completa a sua entrega à vontade de Deus.

Toda a Mensagem de Fátima é coração, é amor, porque nos revela o amor do Coração Imaculado de Maria (...) o Coração de Maria sofre por causa dos Seus filhos, do Seu Filho Jesus que é ofendido pelos muitos pecados e por causa dos Seus filhos pecadores que se encontram em perigo de perdição eterna. Esta dor domina o Coração da Mãe de Deus e dos homens.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

 

E do nada criarás em mim a própria luz (cf. Gn 1, 3)


Houve um tempo em que eu não estava presente, e Tu criaste-me.
Eu não tinha orado, e Tu, Tu fizeste-me.
Eu não tinha ainda vindo à luz, e no entanto viste-me.
Eu não tinha aparecido, e no entanto tiveste piedade de mim.
Eu não Te tinha invocado, e no entanto tomaste-me ao Teu cuidado.
Eu não Te tinha feito qualquer sinal, e no entanto olhaste para mim.
Eu não Te tinha dirigido qualquer súplica, e no entanto tiveste misericórdia para comigo.
Eu não tinha articulado o mínimo som, e no entanto ouviste-me.
Eu não tinha sequer suspirado, e no entanto a tudo estiveste atento.
Sabedor do que ia acontecer-me neste tempo presente
Não me votaste ao desprezo.
Considerando, com Teus previdentes olhos,
Os erros deste pecador que eu sou,
Vieste contudo a modelar-me.
Sou agora este ser que Tu criaste,
Que salvaste,
Que foi alvo de tanta solicitude!
Que a ferida do pecado, suscitada pelo Acusador,
Não me perca para sempre! [...]
Presa, paralisada,
Curvada como a mulher que sofria,
A minha alma infeliz, impotente, não consegue reerguer-se.
Sob o peso do pecado, ela fixa-se à terra,
Com as pesadas cadeias de Satã [...]
Inclina-Te, ó Misericordioso único, sobre mim,
Esta pobre árvore que pensa que caiu.
A mim, que estou seco, faz-me reflorir
Em beleza e esplendor,
Segundo as palavras divinas do santo profeta (Ez 17, 22-24) [...]
Tu, Protector único,
Digna-Te lançar sobre mim um olhar
Vindo da solicitude do Teu indizível amor [...]
E do nada criarás em mim a própria luz (cf. Gn 1, 3).


Gregório de Narek (c. 944-c. 1010), monge e poeta arménio Livro de Orações, n.°18 (a partir da trad. SC 78, p. 123 rev.)

This page is powered by Blogger. Isn't yours?