quinta-feira, fevereiro 23, 2017

 

5ª feira da 7ª semana do Tempo Comum – S. Policarpo


Não confies nas tuas riquezas, nem digas: «Assim, sou independente». (Cf. Sir 5,1-10)

Em Deus concentra-se a omnipotência do poder
e a interdependência do amar e servir.
Deus é amor e, por isso, não se fecha em si mesmo,
mas cria novas relações, propõe alianças,
serve misericórdia, envia profetas e o próprio Filho para salvar,
é paciente, compassivo, cuida do mais fraco, cura o doente...
Deus jamais diria: “Eu sou independente e não preciso dos homens,
por isso, eles que se arranjem e sigam o seu caminho de perdição!” 
Deus não confia na força e no poder, mas sofre de hipersensibilidade,
e é capaz de dar a sua vida para que ninguém se perca!

Somos todos interdependentes, tanto ao nível local como global.
Dependemos do padeiro que trabalho de noite,
da eletricidade e da água que veio de longe,
do agricultor de outro hemisfério que produziu 
e do avião que transportou a fruta fresca que não é da nossa época!
Dependemos dos jornalistas que nos coletam as notícias.
Dependemos dos pais que cuidam de nós, enquanto crianças,
nos ensinam a andar, a falar, a relacionar...
Dependemos de Deus que sustenta o universo onde nos sentimos em casa...
Mas, o mercado faz-nos pensar que tendo dinheiro no bolso ou no cartão,
não precisamos de ninguém e somos independente!

Senhor, bom Pai  e surpreendente Irmão que nos amas tanto,
liberta-nos da solidão dourada, avarenta e indiferente.
Cristo, Emanuel mais íntimo do que nós mesmos
e tão libertador e gratuito que nada nos cobra,
ensina-nos a amar como Tu nos amas,
a confiar e a delegar como Tu nos envias em missão.
Espírito Santo, amor verdadeiro que dás sabor à vida de relação,
ajuda-nos a investir na compaixão que cuida e salva,
na paciência que perdoa e não desiste,
no trabalho que cria justiça e promove o bem comum.

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

 

Cadeira de S. Pedro, Apóstolo


Apascentai o rebanho de Deus, tornando-vos modelos do rebanho. (cf. 1 Ped 5,1-4)

O Senhor é o nosso Pastor, nada nos falta!
É maravilhosa a história que Ele faz connosco,
quando nos deixamos guiar pelo cajado da sua aliança.
Cristo, imagem perfeita do Pai, é o nosso Pastor,
que busca a ovelha perdida e dá a vida pelas suas ovelhas.
Ele escolhe Pedro e desafia-o a ser modelo de bom pastor,
símbolo de unidade da Igreja de Roma e da catolicidade,
Pedra fundamental que confirma os irmãos na fé.
Pedro terminou a sua carreira, mas a cadeira da unidade continua 
e nela o Espírito assenta os Pedros que Deus vai escolhendo.

O Papa Francisco tem insistido na exemplaridade do pastor.
No ministério pastoral a ortodoxia é confirmada pela ortopraxia.
Na Cadeira de Pedro assenta a comunhão das Igrejas locais,
a palavra autorizada que fala urbi et orbi,
a ponte que aproxima os separados, 
o instrumento da paz que promove um exército de joelhos suplicantes,
o Evangelho vivo que aponta para Cristo, o Bom Pastor.
É uma Igreja sempre em reforma, 
dirigida por pastores em conversão permanente!

Senhor, Bom Pastor cujo zelo é a saúde feliz das ovelhas,
obrigado pelas vezes em que já fostes à minha procura,
me perdoastes os meus pecados e me colocastes às cavalitas,
cheio de alegria e com o coração em festa!
Cristo, Bom Pastor que ofereces a tua vida pela nossa salvação,
protege o Papa Francisco de todos os perigos
e confirma-o na fé, na esperança e na caridade evangélica.
Espírito de comunhão e de verdade, assiste o Pedro de hoje
e ajuda-nos a entrar neste movimento de conversão eclesial,
de fidelidade ao Evangelho na sua simplicidade original.

terça-feira, fevereiro 21, 2017

 

3ª feira da 7ª semana do tempo Comum – S. Pedro Damião


Considerai as antigas gerações e vede: Quem confiou no Senhor e ficou desiludido? (Cf. Sir 2,1-13)

Deus é fiel à sua Palavra e ao seu amor por nós,
mas há vozes de tentação que nos afastam dele,
nos fazem duvidar do seu amor invisível,
e nos aliciam, enquanto esperamos o tempo da graça.
É principalmente nos tempos da força e da abundância
ou da provação e da privação que ficamos mais frágeis
e nos deixamos levar pela arrogância ou pelo desânimo.
Olhar para trás, ajuda-nos a perceber o que permanece,
a verdade das promessas, a qualidade de vida,
o agir de Deus e a sua misericordiosa força transformadora.
A vida dos santos é um livro aberto que nos fala da fidelidade,
da santidade que traz paz, da força transformadora de Deus.

Habituámo-nos a ouvir as vozes de promessa da publicidade,
da política eleitoralista, dos jogos da sorte, das soluções mágicas,
num ritmo voraz que não se detém a refletir sobre os resultados,
nem a discernir sobre a verdade ou a mentira das promessas.
É como na doença do jogo, a ambição de recuperar o que se perdeu,
faz-nos perder tudo, hipotecar a família, desesperar de viver!
Grandes santos, como Francisco de Assis e Inácio de Loyola
converteram-se lendo vidas de santos, revendo-se em Cristo.
Que força a de gente pequena e frágil como Teresa de Calcutá
ou de Hélder da Câmara ou do Ir. Roger de Taizé!
São gente de Deus que soube confiar na escuridão da fé!

Senhor, Pai bondoso e misericordioso, paciente e clemente,
louvado sejas porque nunca desistes de nós
e de muitas formas e aproximações nos tendes conduzido pela mão.
Cristo, nosso Irmão primogénito, que vais à nossa frente
e nos revelas o futuro no teu passado, a ressurreição na tua cruz,
concentra o nosso coração no teu exemplo de vida
e o nosso ouvido nas palavras do teu Evangelho.
Vem Espírito de discernimento e ajuda-nos a aprender
com gente santa do passado e de hoje, que vive da fé,
se alegra na esperança, sabe ser livre na tentação,
fraterno na justiça e misericordioso na perseguição.
S. Pedro Damião, roga por nós, pecadores 
e hipnotizados pela ambição e vozes de encantamento!

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

 

2ª feira da 7ª semana do Tempo Comum – BB. Francisco e Jacinta Marto


A fonte da sabedoria é a palavra de Deus. (Cf. Sir 1,1-10)

Deus é a fonte da sabedoria que compreende o mistério da vida.
Deus deu-nos a razão para compreender as coisas e os fenómenos,
e a Palavra da Aliança para revelar o sentido da vida,
o segredo da felicidade resiliente, o amor que se esconde em cada coisa...
Só o Autor da vida nos pode ensinar como é que esta maravilha
não corre o perigo de se tornar uma desgraça, uma guerra, um terror.
A história acaba por se tornar numa teimosia
entre aquilo que é o capricho aventureiro de cada um
e aquilo que é a proposta de Deus e para a qual fomos criados.
Jesus é esta Palavra encarnada, próxima e misericordiosa
e que vai à nossa frente a ensinar-nos o caminho da Vida.

O mundo vive numa permanente emancipação adolescente,
de nariz empinado, só porque tem um canudo universitário,
ou uma profissão de sucesso ou um corpo galante,
ou a casa cheia de novidades tecnológicas e de marca...
Mas tudo isto não responde ao vazio de sentido,
nem à beleza de amar e ser amado gratuitamente,
nem à frustração de um problema ou doença grave.
Nestes casos, procura-se medicamentos de evasão,
drogas de alucinação, médiuns de ilusão...
Somos como aquele que compra uma máquina
e só quando já experimentou tudo e talvez já a estragou
é que vai à procura das informações de utilização! 

Senhor, Pai criador e revelador do mistério da felicidade,
abre-nos à tua Palavra e dá-nos um espírito acolhedor.
Cristo, Sabedoria eterna que Te traduzes em Pão da vida,
aumenta a nossa fé na verdade que nos salva.
Espírito Santo, Luz que ilumina a verdade do amor,
ensina-nos, em cada situação, a fazer boas escolhas,
que sejam incenso agradável a Deus
e perfume que purificam as relações humanas.
Francisco e Jacinta Marto ensinai-nos a sabedoria dos simples
e a alegria de consolar o nosso Senhor e os irmãos.

domingo, fevereiro 19, 2017

 

7º Domingo do Tempo Comum


Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo. (Cf. Lev 19,1-2.17-18)

Deus é santo porque é sempre fonte de amor;
não se deixa contagiar pelo ódio e pelo rancor.
A sua misericórdia brota da perfeição do seu amor.
Embora tenhamos um coração inclinado para o mal,
demasiado sensível às traições do amor do outro,
que gosta de ser mais do que o outro,
mesmo que seja na capacidade de ser pior que ele,
Deus acredita e quer que sejamos semelhante a Ele
na santidade, na caridade, na misericórdia e na mansidão.
Envia-nos o seu Espírito que em nós faz morada
para nos guiar nos caminhos da vida
e nos ensinar a amar divinamente a Deus e os irmãos.
Jesus é o caminho, o modelo e o alimento desta santidade.

Hoje falar de santidade cheira a naftalina e a incenso,
cabeça ao lado, fuga do mundo e terço na mão,
como se a santidade fosse apenas uma questão de relação com Deus.
No entanto, a Bíblia fala-nos de uma santidade 
que abrange toda a nossa vida e se prova na relação com o próximo.
Os cristão devem fazer a diferença pela capacidade de perdoar,
de resolver os conflitos por caminhos de diálogo e de paz,
pela humildade em reconhecer os seus erros e pedir perdão,
pela preocupação com a justiça e o bem comum,
pela liberdade profética perante a ambição de poder,
pela compaixão e cuidado do que sofre e é mais frágil.

Pai Santo, que fazes descer a chuva e o sol sobre bons e maus,
dá-nos um coração grande, tolerante e fraterno,
capaz de acolher a todos e de a todos querer salvar.
Cristo, nosso Irmão Maior, a quem queremos seguir,
ensina-nos a viver com alegria as bem-aventuranças,
escutando assiduamente a tua Palavra
e contemplando detidamente o teu exemplo.
Espírito Santo, que aceitaste fazer do nosso corpo tua morada,
purifica-nos de todo o mau sentido e contaminação do mal,
para que sejamos santos no louvor a Deus e no amor aos irmãos!

sábado, fevereiro 18, 2017

 

Sábado da 6ª semana do Tempo Comum – S. Teotónio


Pela fé compreendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus. (cf. Heb 11,1-7)

A criação é um dom que nos precede como mistério e como lar.
Nele nascemos, vivemos e nos descobrimos.
Sobre ele nos interrogamos e o tornamos objeto de estudo científico.
Sobre o universo já se descobriram muitos mistérios,
se desenvolveram diversas teorias de começo e de evolução,
mas jamais saberemos como foi exatamente, 
porque isto aconteceu, quem esteve na sua origem e o sustenta!
Nós próprios somos parte da criação e observantes que a estudam.
A revelação divina diz-nos que foi Deus quem tudo criou,
num diálogo, em que a Palavra exprime o amor e beleza invisível
e cria dinamismos livres, belos, auto sustentáveis e evolutivos.
É pela fé que compreendemos o mistério da existência!

A Bíblia não é um livro científico ou histórico no sentido atual,
mas uma resposta às questões de sentido: quem criou,
porque criou, porque o mundo é tão belo e harmonioso,
porque determinados procedimentos humanos sintonizam com a vida
e outros criam doença, tristeza, morte, infelicidade, desunião!
As narrativas da criação, que aparecem no livro do Génesis,
respondem a estas questões, iluminadas pela fé revelada,
contando histórias, propondo parábolas, fazendo aproximações.
A fé e a ciência não se opõem, mas completam-se!
É tão errado um professor de ciências querer negar a fé em Deus,
argumentando com as descobertas e teorias científicas,
como um teólogo querer negar a ciência e as suas teorias
com argumentos bíblicos, tirados à letra e do contexto!

Senhor, Criador do universo e Senhor da história,
eu creio em Ti, Boa Notícia que nos precede,
nos acompanha, nos ama e nos espera na eternidade.
Cristo, Palavra do Céu, criadora e encarnada,
ensina-nos a contemplar e a cuidar da beleza do universo,
e, de modo especial, a amar-Te na pessoa de todos,
principalmente dos mais frágeis e invisíveis.
Envia-nos o teu Espírito e faz-nos penetrar no mistério da existência,
no dinamismo do amor que promove a vida,
na alegria da comunhão que aquece o frio e floresce a paz.
Obrigado porque nos fizeste fé, razão e coração!

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

 

6ª feira da 6ª semana do Tempo Comum


Aí está um povo unido e todos falam a mesma língua. (Cf. Gen 11,1-9)

A unidade de Deus não é clonagem do múltiplo.
O Pai, o Filho e o Espírito, todos são da mesma natureza,
mas cada um é uma Pessoa diferente, em diálogo de amor.
Deus não faz as coisas para se tornar famoso e louvado,
mas para exprimir o belo e o bom na diversidade de cada coisa
e elevando as criaturas à condição de parceiros da sua aliança.
Deus criou-nos livres para pensar e comunicar diferente
e criativamente, podendo até negar o próprio Deus!
A cidade que controla e unifica o pensamento, 
a linguagem, o sentir, o gosto, o consumo, o agir...
afasta-se do projeto de Deus e torna-se uma unidade perigosa!

O mercado, para aumentar as suas vendas,
gosta de ver o mundo todo a comer e a beber igual,
a vestir as mesmas marcas, a falar a mesma língua,
a pensar da mesma forma e a divertir-se com os mesmos meios!
A globalização e os meios de comunicação social
tornam possível que as pessoas se clonem,
mesmo estando dispersas, cada um na sua terra.
No entanto, geram complexos de inferioridade,
sonhos de emigrar e se refugiar nessas cidades famosas,
e associam “desenvolvimento” a ter determinados instrumentos,
seguir determinadas modas, falar determinada língua.
O populismo, a ditadura, o fundamentalismo, 
o controle do pensamento e das necessidades de consumo
gritam todos da mesma forma e têm todos o mesmo objetivo!

Santíssima Trindade, Deus Uno e Trino,
ensina-nos a comunhão que enriquece com a sua diversidade.
Cristo, Pão vivo e repartido que alimentas a comunhão do mundo
e a identidade de cada povo e Igreja,
liberta-nos do medo das diferenças culturais
e das acentuações teológicas que nos enriquecem e inquietam.
Espírito do Pentecostes, que nos fazes ouvir o Evangelho
na nossa própria língua, purificando e elevando a nossa cultura,
inspira-nos a linguagem do amor que todos entendem!
Liberta-nos do espírito de Babel que impede o diálogo,
o pensamento livre, a expressão criativa e o louvor polifónico.

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