terça-feira, abril 25, 2017

 

S. Marcos, Evangelista


O Deus de toda a graça, vos restabelecerá, vos aperfeiçoará, vos fortificará e vos tornará inabaláveis. (cf. 1 Ped 5,5b-14)

É a graça de Deus que nos faz renascer para uma vida nova, 
crescer na fé, fortificar nas tribulações, aperfeiçoar na santidade,
sermos fiéis e humildes, aprendendo a dar razões da nossa esperança,
numa história pessoal e eclesial, cheia de graça e misericórdia!
João Marcos aprendeu com a mãe a acolher a Igreja em sua casa (At 12,12),
com o primo Barnabé a deixar tudo para seguir Jesus.
Quis acompanhar Barnabé e Paulo na primeira viagem missionária,
mas algo o fez desanimar e deixar esta ação missionária.
Mais tarde quis voltar e Paulo não o aceitou,
mas depois aparece ao lado de Paulo (Col 4,10) e de Pedro em Roma!
É uma vida de graça e de misericórdia, entre altos e baixos,
que termina por tomar conta da sua vida e pôr por escrito o Evangelho!

A nossa vida também é uma história de graça e misericórdia.
Quantos avanços e recuos, quantos entusiasmos e desânimos,
quantos bons propósitos e infidelidades, 
quanta generosidade e egoísmo consolidado na mesma vida!
Uns fixam-se nos diplomas alcançados e esquecem o insonso da vida,
outros fixam-se nos desaires e lados escuros e esquecem o resto,
outros olham a vida com humildade e gratidão,
reconhecendo a fragilidade, dando graças pelas novas oportunidades,
confiando a Deus e à sua misericórdia este barco à vela sem rumo!
Só quem vê a vida a partir da graça pode escrever e anunciar o Evangelho!

Senhor, fonte inesgotável da graça, que a todos queres salvar,
banha-nos com a tua salvação e dá-nos a tua mão misericordiosa!
Cristo, Mestre e Companheiro, nesta peregrinação sagrada,
ajuda-nos a levantar as vezes em que caímos,
a acreditar nas horas de desânimo, 
a deixar-nos a agraciar nos momentos de fraqueza!
Espírito Santo, dom que faz crescer enquanto fazemos caminho,
ajudar-nos, como a Marcos, a gravar no coração e no anúncio,
o Evangelho da graça com que vais fazendo a nossa história de salvação!

segunda-feira, abril 24, 2017

 

2ª feira da 2ª semana da Páscoa


Concedei aos vossos servos que possam anunciar com toda a confiança a vossa palavra. (cf. At 4,23-31)

A oração em Igreja, segundo o Espírito Santo,
reconhece a verdade de um mundo unido contra Cristo,
que persegue os que têm fé e praticam o amor!
Perante os que querem calar os mensageiros da esperança,
os discípulos d’Aquele que aceitou ser Cordeiro imolado,
pedem apenas força e audácia para continuar a evangelizar!
A Igreja de Jesus quer aprender a remar em mar encrespado,
sem medo nem fugas, cheio de coragem e tranquilidade,
porque Jesus vai na sua barca, repousando vitorioso!
A firmeza da fé em Cristo vitorioso da morte 
é a âncora que nos segura nas tempestades da vida!

A nossa oração é muitas vezes centrada em nós,
contra os outros, pedindo exceções de facilidade,
milagres de prosperidade sem dor nem luta...
Perante os problemas que nos afligem,
raramente pedimos mais força e sabedoria 
para não desanimar, para saber perdoar, 
para continuar com a mesma profecia incómoda e terna!
Como pedimos soluções mágicas como uma criança
e não força e caridade criativa para para sermos fieis,
facilmente caímos no desespero, no amuo, na revolta, 
na desistência, no vitimismo, na acomodação!

Senhor, só Vós sois grande e eterno no amor,
paciente e manso, vitorioso e pacífico na aliança!
Dá-nos o teu Espírito e a firmeza de alma,
para que não andemos a fugir das tempestades,
mas aprendamos a navegar em mar alto
com a maturidade da fé e a profecia do testemunho!
Ensina-nos a espiritualidade que sabe viver no conflito,
sem perder a audácia, nem a paz, 
nem a capacidade de diálogo e de perdão!
Faz de nós uma Igreja profética e evangelizadora!

domingo, abril 23, 2017

 

II Domingo da Páscoa ou da Divina Misericórdia


Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos fez renascer. (cf. 1 Ped 1,3-9)

Jesus é o rosto do coração misericordioso de Deus.
A sua Páscoa e o envio do seu Espírito
são um Dom imerecido para a nossa salvação,
mas também um chamamento a continuarmos a sua Missão.
A Igreja, discípula de Cristo e animada pelo Espírito,
é chamada a viver da fé, a ser fiel nas provações,
a escutar o Evangelho e a celebrar a Eucaristia,
a viver no amor fraterno e na evangelização permanente!
É assim que a Igreja se pode tornar sacramento de salvação,
canal da graça e da misericórdia divina, janela de esperança,
serva da caridade e instrumento de paz e de justiça!

Nós, cristãos, levamos os que não conhecem a Cristo
a louvar ou a maldizer a Deus, Pai de Jesus.
O bom testemunho de um cristão é, normalmente, personalizado:
o Papa ou alguma personalidade assumidamente cristã
são elogiados e respeitados pela sua integridade moral,
pela sua capacidade de diálogo, pela sua justiça isenta,
pela defesa dos mais fracos e da paz...!
Mas o mau testemunho de um cristão desfigura toda a Igreja,
de um generaliza-se para todos: 
“os que vão à Igreja são todos assim”,
“os padres e os bispos são todos como este”...!
Para ser evangelizador, o bom testemunho deve ser eclesial!

Meu Senhor e meu Deus, louvado sejas pela tua misericórdia,
generosamente distribuída pelos náufragos da esperança!
Cristo, nosso Senhor e Mestre, 
abre-nos à fé que floresce seguimento e missão,
que cria comunhão, que doa perdão, que permanece diálogo!
Envia-nos o teu Espírito e recria-nos na comunhão trinitária,
para que celebremos cada Domingo a memória da tua Entrega,
escutemos cada dia a Palavra que é luz dos nossos passos,
sejamos fraternos na solidariedade e na justiça,
e levemos esta Água Viva a todos os desertos do mundo! 

sábado, abril 22, 2017

 

Sábado da Oitava da Páscoa


Nós é que não podemos calar o que vimos e ouvimos. (cf. At 4,13-21)

Jesus ressuscitado é uma boa nova que exige anúncio,
que não se pode calar mesmo perante as proibições humanas!
Jesus manifesta-se àqueles que se detêm para acreditar
e se abrem ao novo de um Deus que nos surpreende,
sabedoria dos simples e alegria dos desesperados!
Apesar das dúvidas que ainda persistem nos que creem,
Ele nos envia a proclamar o Evangelho a toda a criatura!
Se não evangelizamos é porque não obedecemos ao Senhor
ou porque ainda não fizemos a experiência do Ressuscitado!

A experiência de Deus é uma dimensão muito pessoal e única,
e, por isso, muito subjetiva, espiritual e incomensurável.
Corre o risco de ser uma projeção de sonhos,
de ser uma construção à nossa medida e interesses,
de ser expressão dos nossos medos e ansiedades!
Os critérios pessoais e eclesiais para avaliar esta experiência espiritual
são os frutos que brotam, a fidelidade que se sustenta,
o ardor que não se apaga, a humildade que se fraterniza!
O comodismo, a indiferença, a agressividade, o individualismo,
a injustiça, o ressentimento ruminado...
não são sinais de uma aventura de fé em Jesus vivo!

Senhor, mostra-nos o teu Rosto e aquece-nos o coração,
com a tua presença e Palavra umbilicalmente descentralizadora!
Cristo, que nos visitas com a tua paz e nos alegras com o teu perdão,
fecunda-nos as entranhas para que geremos irmãos 
e nos inquietemos com a sua salvação e felicidade eterna!
Espírito Santo, Luz que discerne e purifica a fé,
conduz-nos nesta aventura da experiência de Deus,
para que sejamos fieis e audazes na prática da religião.
Faz de nós uma Igreja segundo o sonho de Jesus,
sem desvios, nem adaptações, nem desejos de poder!

sexta-feira, abril 21, 2017

 

6ª feira da Oitava da Páscoa


Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a tornar se pedra angular. (cf At 4,1-12)

Deus pronunciou a criação e chamou a humanidade 
a ser colaboradora no cuidar do que foi criado, 
no educar para a vida, no apontar para o essencial, 
no curar o que está doente, no recuperar da desesperança.
Ao povo de Israel deu orientações e fez uma aliança,
para que a construção da história fosse de acordo com o projeto,
mas os construtores puseram-se a admitir alterações,
a falhar na coordenação do trabalho em equipe,
a preocupar-se apenas com as aparências.
Foi assim, que pedras fundamentais como os profetas
foram perseguidos e mortos, 
e a Pedra Angular, que foi Jesus, foi rejeitada e crucificada!

Hoje como ontem, há muita gente boa desprezada,
só porque é diferente ou nasceu numa periferia,
ou vive num país subdesenvolvido ou em guerra!
Assim como a fruta não calibrada, normalmente é deitada fora,
assim pessoas não produtivas são marginalizadas:
analfabetos, desempregados, deficientes, crianças,
idosos, disfuncionais, refugiados...
Há também algumas “pedras fundamentais” que são jogadas fora:
o descanso, o amor familiar, o perdão, a solidariedade, a paz...
e na falta destas “pedras angulares” a família desmorona-se,
a sociedade e o bem comum fragiliza-se,
a paz secundariza-se, a justiça faz de conta...

Senhor, cujo olhar em tudo vê bondade recuperável,
ensina-nos a ver com olhar fraterno e cheio de esperança.
Cristo, Pedra Angular desprezada pela humanidade,
obrigado porque, apesar disso, não nos desprezas
e por nós continuas a dar a vida e a oferecer a salvação.
Espírito Santo de comunhão e de aliança,
ajuda-nos a aprender a reciclar e a recuperar
os tesouros escondidos nas lixeiras das aparências
e das periferias maltrapilhas e chagadas!
Faz de nós uma Igreja inclusiva e atenta ao fraco e pecador,
para elevar e cuidar da sua dignidade amarfanhada!

quinta-feira, abril 20, 2017

 

5ª feira da Oitava da Páscoa


Deus fez aparecer o seu Servo e O enviou para vos abençoar. (cf. At 3.11-26)

O Antigo e Novo Testamento estão unidos pela mesma misericórdia,
pela mesma promessa de salvação,
pelo mesmo Messias misterioso, Servo de Deus que dá a vida!
A paixão, morte e ressurreição de Jesus
ajudam a compreender as promessas messiânicas do Antigo Testamento,
e o Antigo Testamento fundamenta a fé em Jesus Cristo!
É o mesmo Deus Trindade que atua no Antigo Testamento
e se revela em Jesus, por meio do seu Espírito, na Igreja!
Deus é amor, é aliança, é bênção que salva e dá vida!

A religião anda muitas vezes ligadas à rigidez,
à condenação, à exclusão dos pecadores, à violência...
e até se fundamenta esta agir em algumas passagens isoladas da Bíblia!
No entanto, Deus não envia o seu Filho para matar ou condenar, 
mas para abençoar, converter, perdoar, fortalecer no bem, salvar!
Jesus apresenta-se com uma saudação de paz,
com as marcas da paixão, com a fidelidade da aliança eterna,
e a Igreja deve dar testemunho dessa mesma forma de se manifestar!
A Bíblia tem em Jesus a chave de leitura da Palavra de Deus!

Senhor, brisa suave que perfuma a história,
inspira a Bíblia e salva a humanidade,
ensina-nos a compreender a seiva 
que se esconde na Palavra de Deus!
Cristo, vivo e atuante na história, por meio dos que confiam em Ti,
faz de nós tuas testemunhas fieis, humildes e audazes!
Envia-nos o teu Espírito e faz de nós um dedo que aponta para Deus,
o Autor da vida, a Providência silenciosa, o Trono da graça!
Que mistério grandioso sermos chamados a ser sacramento vivo
de um Deus, com rosto humano e “segundo as Escrituras”, 
que jorra vida pela imolação e pela fidelidade!

quarta-feira, abril 19, 2017

 

4ª feira da Oitava da Páscoa


Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda. (cf. At 3,1-10)

Jesus manifesta-se vivo pela fé dos seus discípulos.
A fé de Pedro e de João é o grande tesouro que têm para dar,
o grande remédio que têm para curar,
a grande esperança que partilham para fazer o coxo andar!
Jesus é o Caminho e, por meio da sua Igreja em caminho,
quer colocar os coxos a andar, os prostrados a levantar-se,
os paralisados a carregar o seu catre, 
os sem rumo e sem fé a entrar no templo e a louvar a Deus!
A Páscoa do Senhor celebra-se e perpetua-se na fé dos seus discípulos!

O santo nome de Jesus nem sempre é usado como tesouro de fé,
mas muitas vezes é usado com fé em outros tesouros!
Muita gente fica à porta do Templo a tomar sol, 
a mendicar atenções e afetos, a ver passar a vida,
coxos de sentido, mancos de fé, temerosos de compromisso!
O Templo é de pedra e fica à espera,
mas a Igreja é de carne e deve sair a escutar, anunciar, chamar
os desanimados discípulos de Emaús e os coxos da Porta Formosa!
Há tanta gente coxa de horizonte embora boa de pernas,
e tanto coxo de pernas que sabe voar longe
e antecipar o eterno com a confiança do apaixonado! 

Senhor, Filho de Deus que nos possuis e em nós atuais,
ensina-nos a louvar a Deus, com gestos de fé e de libertação.
Cristo, Palavra que nos aqueces o coração 
e nos dás vontade de ser mais, de ajudar a levantar os caídos,
faz de nós uma Igreja missionária e sacramento de salvação.
Alimenta-nos com a tua Eucaristia e assimila-nos emTi,
para que, com alegria e determinação, saibamos ser
testemunhas da tua ressurreição e da tua aliança eterna.
Fica connosco, Senhor, e dá-nos a tua Luz e a tua força!

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