domingo, setembro 20, 2020

 

25º Domingo do Tempo Comum

 



Serão maus os teus olhos porque eu sou bom? (cf. Mt 20,1-16a)

 

Os pensamentos de Deus regem-se pela misericórdia

e não pelo tempo, pela quantidade e pelo mérito.

É o hoje, que permanece como resposta ao Senhor,

que interessa a Deus e faz do tempo um vislumbre da eternidade!

A fidelidade conjuga-se no presente, animado pelo amor,

e não no pretérito mais que perfeito, esgotado e sem futuro!

Viver em Cristo não é um momento, mas uma vida,

que começa quando começa e o importante é que permaneça!

 

A Europa está cheia de história e de cultura religiosa.

Os seus templos, os seus conventos, as suas bibliotecas…

narram uma história brilhante de santidade e de missão!

Mas hoje a maioria é museu, lugares de visitação turística,

não de celebração festiva e de meditação irradiante!

Pelo contrário, Igrejas mais recentes, quase sem história,

estão vivas, cheias de vocações e até de mártires!

O primeiro e o último, na gramática da eternidade,

conjugam-se no presente ativo e profético!

 

Senhor, obrigado pelo convite a trabalhar na tua vinha!

Temos tantas desculpas para dizer não ou adiar a resposta,

mas Tu chamas-nos a qualquer hora,

pois é sempre tempo para dizer sim e recomeçar!

Obrigado pelas Igrejas irmãs, mais jovens e ativas,

que nos vêm ajudar e animar na nossa senioridade!

Reanima-nos e ajuda-nos a conjugar a fé e a missão no pressente!


sábado, setembro 19, 2020

 

Sábado da 24ª semana do Tempo Comum


A semente é a palavra de Deus. (cf. Lc 8,4-15)

 

Deus é um semeador generoso e abundante.

Envia-nos a sua Palavra a tempo e a destempo,

na natureza e na história, como profecia e como Pessoa.

Nós somos os destinatários desta Palavra de vida.

Feliz aquele que é terra boa, limpa, profunda e acolhedora,

no qual a Palavra brota, cresce e dá fruto abundante!

 

Nascemos incultos, totalmente dependentes.

Toda a nossa vida é ser semeados e cultivados

por sementes boas e más, alimentícias e mortíferas.

A ciência de vida é aprender a distinguir as ervas daninhas das boas,

e ter a coragem de capinar as daninhas e de cuidar das boas.

Deixar semear e crescer tudo, de forma indiscriminada,

é correr o risco de ser matagal que esconde feras que atemorizam.

 

Eis-me aqui, Senhor, à espera de Ti e da tua Palavra.

Espírito Santo, agricultor dos corações,

faz-me permeável e aberto à Semente de vida nova,

que é Jesus, escondido entre as palavras que me assaltam.

Faz-me vida fecunda, sentimentos cristificados,

desejos nobres e caridosos, missão de semeador do Evangelho.

sexta-feira, setembro 18, 2020

 

6ª feira da 24ª semana do Tempo Comum

 


Acompanhavam-n’O os Doze, bem como algumas mulheres que tinham sido curadas. (cf. Lc 8,1-3)

 

Jesus é a vida eterna que gera salvação eterna.

A sua ressurreição é a esperança da nossa ressurreição,

a sua vida é o caminho e a porta que nos salva.

Nele todo o homem e toda a mulher encontram cura e salvação.

Ele acolhe como discípulos e como companheiros,

homens e mulheres, gérmen de uma nova sociedade,

de uma nova família, fraterna e sem descriminação.

 

O lugar da mulher na sociedade e na Igreja ainda é controverso.

Há ainda o peso de uma tradição machista,

os preconceitos de género, o medo de perder poder…

Mas há também a evidência que se impõe,

a descoberta de que todos temos o nosso lugar,

numa conjugação complementar que torna a vida bela!

 

Senhor, obrigado porque nos fizestes iguais e diferentes,

limitados e complementares, diálogo e harmonia.

Bendito sejas, porque fizeste a Igreja masculina e feminina,

jovem e idosa, local e universal, multilíngue e multicultural.

Liberta-nos dos preconceitos e do medo do diferente

e fraterniza o nosso olhar e as nossas relações,

numa Igreja de ressuscitados e de comunhão!


quinta-feira, setembro 17, 2020

 

5ª feira da 24ª semana do Tempo Comum

 


Simão, tenho uma coisa a dizer-te. (cf. Lc 7,36-50)

 

Deus tem sempre alguma coisa a dizer-nos.

Ao cumpridor diz-lhe: “ainda não basta, precisas de amar mais”;

ao pecador diz-lhe: “porque muito amaste, vai em paz,

os teus muitos pecados são-te perdoados.

A tua fé te salvou e me perfumou a compaixão!”

Cristo é uma surpresa bela que faz nascer em nós

uma vida nova e rios de água viva!

 

Às vezes dá a impressão que Deus não tem nada para nos dizer.

Seja porque achamos que não precisamos que nos diga nada,

seja porque não acreditamos que Ele se interesse por nós.

Por isso, temos dificuldade em parar para escutar a sua Palavra,

achamos que é perda de tempo fazer silêncio, pois Ele não fala!

No entanto, Ele fala-nos de muitas formas,

numa gramática de amor e de misericórdia,

que só quem procura encontra e quem acredita escuta!

 

Senhor, Palavra de vida, fala que o teu servo escuta.

Espírito Santo, jardineiro desta terra inculta,

liberta-me da dureza impenetrável da falta de fé,

da superficialidade duma piedade de deveres e ritos,

da inquietação que nasce da ambição do materialismo.

Dá-nos a confiança desta mulher que encharca de lágrimas

e perfuma de amor e hospitalidade os pés de Jesus!


quarta-feira, setembro 16, 2020

 

4ª feira da 24ª semana do Tempo Comum – S. Cornélio e S. Cipriano

 


Tocámos flauta para vós e não dançastes, entoámos lamentações e não chorastes. (cf. Lc 7,31-35)

 

A Palavra de Deus pede participantes na cena,

não espetadores ou comentadores num espetáculo.

A missão de Deus é despertar amor na relação,

não teorias, nem simples ritos ou ações secas de afeto.

Há tempo para lamentações e para a conversão,

assim como há tempo para a festa e o agradecimento,

o que não há tempo é perder tempo com desculpas.

 

Muitos desculpam a sua falta de participação na Igreja

com os erros do passado da Igreja: cruzadas, inquisições…

Outros desculpam-se dizendo que os que vão à igreja

ainda são piores que eles e são incoerentes.

Uns argumentam que as missas são uma seca,

outros que são muito barulhentas e não criam ambiente de oração…

Desculpas não faltam para tentar justificar

a nossa falta de resposta à Palavra de Deus!

 

Senhor, Palavra viva e sempre personalizada,

obrigado porque não Te cansas de nos falar,

de nos avisar dos maus fundamentos da vida,

de nos animar à conversão, ao louvor e à missão.

Perdoa a indiferença e recusa em Te escutar,

quando o assunto não nos interessa, porque exige mudança!

Dá-nos, Senhor, o dom da caridade e do louvor perfeito!


terça-feira, setembro 15, 2020

 

3ª feira da 24ª semana do Tempo Comum – Nossa Senhora das Dores



Estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe… (cf. Jo 19,25-27)


Só o Amor sofre pelo outro e, apesar do sofrimento,

continua a amar e a sacrificar-se pelo bem do amado.

Maria é Mãe de Jesus em Nazaré, em Caná e no Calvário.

O amor de Mãe não tem distâncias nem ausências!

E quando ao amor de Mãe se junta a fidelidade de discípulo,

o seguimento é participação na paixão e na Páscoa de Cristo!


A vida tem vales de lágrimas que precisam de cuidados paliativos,

mas a fuga do sofrimento, por princípio, afasta-nos do rumo.

Há fugas de compromissos que nos paralisam;

há fugas de crescimento e maturação que nos infantilizam;

há fugas de relação que nos separam e divorciam;

há fugas do silêncio que nos superficializam;

há fugas da verdade que nos enganam…


Senhor, sei que a minha dor é a tua dor,

pois o Amor não descansa enquanto geme o amado!

Maria, Mãe do Filho e dos discípulos do Filho,

ensina-me a compaixão que fraterniza a relação,

dá as mãos e as eleva em prece de intercessão!

Senhora das Dores, ensina-nos a ser fiéis no seguimento,

quando a profecia e a missão nos provocam sofrimento!



segunda-feira, setembro 14, 2020

 

2ª feira, Exaltação da Santa Cruz

 



O Filho do homem será elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. (cf. Jo 3,13-17)

 

O Filho eterno de Deus faz-se mortal,

para salvar da morte os pecadores.

Não quis morrer de velhice ou de doença,

mas de morte injusta numa cruz,

para que o amor se mostrasse vitorioso

e a aliança fosse retificada, apesar do abandono!

A cruz é a árvore da vida que Cristo fecunda!

 

Há muita gente com o sonho de prolongar a vida,

mas poucos com a preocupação de a viver como missão.

Viver para si mesmo – acumular, consumir, comprazer-se –

é deixar passar os anos sem aprender a amar!

Viver a maternidade e a paternidade como uma missão,

a fé e a justiça como uma consagração,

a profissão e a política como uma vocação ao bem comum,

é descobrir o valor do sacrifício, da entrega, da alegria de servir.

 

Senhor, contemplo o silêncio da cruz

e fica claro o quanto nos amas e a cruz é sinal!

Espírito Santo, ajuda-me a aproveitar destes frutos da cruz,

para que eu aprenda a amar como Jesus,

mesmo a sangrar de dor e de rejeição!

Que o mistério pascal celebrado na Eucaristia,

nos alimente a entrega e fortaleça a fidelidade ao Evangelho!


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