terça-feira, janeiro 24, 2017

 

3ª feira da 3ª semana do Tempo Comum – S. Francisco de Sales, 7º dia do Oitavário de Orações pela Unidade dos Cristãos


Eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade. (cf. Heb 10,1-10)

Deus enviou o seu Filho e deu-lhe um corpo humano.
A missão de Jesus não é oferecer sacrifícios de animais,
mas é oferecer-se a si mesmo, total e fielmente,
concretizando o projeto de aliança entre Deus e a humanidade.
Jesus faz o mais difícil: entregar livremente a sua vontade
ao amor clarividente e benevolente do Pai.
Foi este “eis-me aqui para fazer a tua vontade”,
que fez que os profetas fossem porta-vozes do Espírito,
Maria se tornasse a Mãe do Messias,
Jesus fosse o nosso salvador e sacerdote eterno,
S. Francisco de Sales vivesse resplandecente de santidade.

Para quem aprendeu, desde criança, a fazer a sua vontade,
é cada vez mais difícil dobrar-se à vontade dos outros.
Algumas pessoas estacionam na adolescência rebelde
e a sua vida é uma permanente teimosia e capricho.
A obediência é paga a troco de salários, de direitos,
de louvores, de promoções, de diuturnidades.
Na relação com Deus, cada um vai fazendo o que quer
e depois paga umas esmolas, velas ou orações
para descargo de consciência e de dever cumprido!
Mesmos os chamados consagrados cumprem os seus deveres,
mas têm dificuldade em entregar-se totalmente 
à sua vontade a Deus e de obedecer aos seus superiores!

Senhor Jesus, que Te sentes verdadeiramente Filho,
na obediência livre e zelosa à vontade do Pai,
aumenta a nossa fé e confiança, para podermos deixar tudo
e seguir os teus passos,  fazendo da nossa vida um SIM ao Pai.
Envia-nos o teu Espírito e ajuda-nos a viver na escuta e na obediência,
para que nos tornemos teus irmãos, irmãs e mães,
com os mesmos sentimos e oferta de nós mesmos.
Uni-nos na fidelidade ao Senhor e ao seu Evangelho.
S. Francisco de Sales roga para que sejamos obreiros 
da renovação da Igreja, na sua multiforme riqueza.

segunda-feira, janeiro 23, 2017

 

2ª feira da 3ª semana do Tempo Comum – 6º dia do Oitavário de Orações pela Unidade dos Cristãos


Cristo entrou no próprio Céu, para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor. (cf. Heb 9,15.24-28)

Jesus é a Cabeça da Igreja que quer apresentar,
junto de Deus, a multidão dos que esperam nEle.
Ele ofereceu a sua vida pelos pecados do mundo,
tornando-se fiador das nossas dívidas
e advogado voluntário em nosso favor no Céu.
Cada Eucaristia é a atualização da mesma oferta de si por nós,
a mesma vontade de carregar os pecados da multidão,
a mesma declaração de amor em nosso favor,
a mesma bênção do Céu feita alimento da terra.
Que pena termos feito da Eucaristia uma rotina ritual,
um dever religioso, uma seca a suportar!

No meu tempo de seminário tínhamos missa diária.
A certa altura, para evitar a rotina da Eucaristia,
resolveu-se diminuir a frequência para dias alternados.
O resultado não foi o esperado, 
mas um afastamento maior do mistério da Eucaristia.
Hoje muita gente só vai à missa quando lhe apetece
ou quando responde a um convite de ordem social.
O afastamento da prática dominical
torna as pessoas cada vez mais estranhas à Igreja,
separadas da sua fé batismal, longínquas de Deus,
desinquietadas por questões de ética e de valores.
Mas o Amor continua a esperar por nós no sacrário
e a interceder por nós junto do Pai, numa oferta total de si.

Cristo, nosso Irmão maior e sacerdote da aliança eterna,
louvado sejas por teres aceitado ser 
o mensageiro do Céu na terra e o mensageiro da terra no Céu.
Jesus, Caminho e Porta que nos conduz à vida eterna e santa,
louvado sejas pelo teu Evangelho de amor doado
que nos interpela a sair de nós mesmos e a viver em esperança.
Cristo, Pão da Vida e Sangue de salvação,
louvado sejas pela oferta de Ti mesmo na Última Ceia
e pela fidelidade à promessa no sacrifício da cruz.
Envia-nos o teu Espírito e ajuda-nos a fazer de cada Eucaristia
um alimento que nos purifica de mesas de cambistas
e faz das nossas relações uma casa de oração 
e de oferta de nós mesmos pela salvação do mundo. 

domingo, janeiro 22, 2017

 

3º Domingo do Tempo Comum – S. Vicente, 5º dia do Oitavário de Orações pela Unidade dos Cristãos


Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que não haja divisões entre vós. (cf. 1 Cor 1,10-13.17)

Jesus é a Luz nova e eterna que ilumina as trevas.
Ele quer associar a si colaboradores, que vai chamando,
para continuarem a sua missão de curar, libertar,
renovar a aliança com Deus e converter-se ao amor.
O perigo é o seus enviados deixarem de apontar para Cristo
e se colocarem no centro, no lugar de Cristo;
então deixamos de ser “cristãos” e passamos a ser:
romanos, luteranos, calvinistas, anglicanos, ortodoxos,
coptas, batistas, evangélicos, adventistas, jeovás...
Cada um defende o seu grupo e tenta apropriar-se de Cristo!
E Jesus continua a dizer-nos hoje, a todas as Igrejas:
Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus.

O movimento ecuménico começa a ser consensual 
em quase todas as Igrejas cristãs.
Não se trata de uma reconversão a nenhuma Igreja em concreto,
mas de todos, em Igreja, a Cristo e ao seu Evangelho.
É o amor a Cristo que nos deve impelir,
é o amor aos irmãos que nos deve mover a rezar,
a celebrar a sua aliança, a evangelizar, 
a promover a paz, a justiça e a integridade da criação.
Temos que aprender a deixar tudo, as redes e a família,
para seguir e anunciar Jesus, sem ruídos clubistas!

Senhor, louvado sejas, porque apesar da nossa divisão,
de situações de insulto e ataque mútuo,
continuas-Te fiel à tua aliança e à tua graça,
e a santidade não emigrou das nossas Igrejas!
Envia-nos o teu Espírito e derruba os nossos muros,
para que todos, cada um com a sua riqueza,
possamos louvar o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
com o calor da fraternidade e a alegria da esperança.
Dá-nos a humildade e a comunhão da palavra e do testemunho,
para que não desvirtuemos a cruz de Cristo.

sábado, janeiro 21, 2017

 

Sábado da 2ª semana do Tempo Comum – S. Inês – 4º Dia do Oitavário de Orações pela Unidade dos Cristãos


Cristo veio como sumo sacerdote dos bens futuros. (cf. Heb 9,2-3.11-14)

Somos peregrinos da pátria celeste.
Somos chamados a ser filhos de Deus,
herdeiros da eternidade e duma vida em comunhão.
É Cristo quem nos abre a porta da eternidade e da santidade,
oferecendo-se como mediador entre Deus e a humanidade.
Ele é o sumo sacerdote dos bens futuros,
que nos purifica da consciência das obras de morte,
nos fortalece a esperança enquanto peregrinamos.
Ele nos ensina a alegria da aliança em doação, 
fazendo da vida uma imensa e fraterna peregrinação sagrada!

O medo de nos perdermos, paralisa o futuro.
Com horizontes circunscritos à ambição do presente,
pouco mais se enxerga do que o próprio umbigo.
Falar de compaixão, de serviço do bem comum,
de cuidado do pobre e da terra como casa comum,
de Jesus como sacerdote dos bens futuros...
soa a conto de fadas, a visões descontinuadas!
Mas sem fé, o presente é pequeno para tanto sonho,
daí a ansiedade em que se vive “o pássaro na mão”!

Senhor, fonte da vida e amor eterno,
ajuda-nos a compreender o mistério da existência,
não apenas à luz da emoção e dos sentimentos,
mas também à luz da fé revelada e da razão.
Cristo, Sumo Sacerdote que fazes a ponte entre o Céu e a terra,
concentra todo o nosso coração no seguimento da tua vida,
descentrada de si, concentrada totalmente em Deus e no próximo.
Envia-nos o teu Espírito e ensina-nos a compreender
o que significa oferecer, não animais ou coisas,
mas a própria vida pela salvação do mundo.
S. Inês, virgem e mártir, intercede por nós! 

sexta-feira, janeiro 20, 2017

 

6ª feira da 2ª semana do Tempo Comum – 3º dia do Oitavário de orações pela unidade dos cristãos


Quanto mais perfeita é a aliança de que Jesus é mediador. (cf. Heb 8,6-13)

Na primeira aliança Deus deu ao seu povo leis exteriores.
Perante a falta de adesão do coração do seu povo,
Deus prometeu pela boca dos seus profetas
uma nova aliança, gravada pelo Espírito no coração de cada um.
Jesus é o mediador dessa nova e eterna aliança,
selada pelo seu sangue no sacrifício da sua vida na cruz
e impressa no nosso coração pelo dom do seu Espírito.
O Espírito inspira e o exemplo de Cristo confirma,
a misericórdia de um Deus que nos ensina a amar sempre.
Jesus é o mediador que vive a alegria desta aliança
e deseja que todos participem desta plenitude de felicidade.

Às vezes parece que ainda estamos na primeira aliança:
à procura de orientações externas, de cumprimentos legais,
de rituais certos, de ética a metro, de folhagem sem fruto.
É assim nos meios eclesiais, mas também meios sociais,
em que a superstição da magia e do medo, substitui a religião,
e as pessoas se preocupam, não com a qualidade das suas relações,
mas com as palavras exatas de uma oração forte,
com a 6ª feira e o dia 13, com o encontro com um gato preto,
com o número de pessoas sentadas à mesa...
Em vez de aprofundamos a nossa vida em Cristo
e assumirmos uma atitude de permanente discernimento,
perdemo-nos connosco mesmos, à volta dos nossos interesses,
sacralizados e apaziguados com uns rituais domingueiros 
ou uma vela no santuário ou umas citações bíblicas.

Pai santo, Deus da aliança eterna e sempre renovada,
torna-nos dóceis à ação do teu Espírito,
para que Ele possa imprimir no nosso coração o fogo do teu amor.
Cristo, mediador que une a fidelidade de Deus e a humana,
envia-nos o teu Espírito e ensina-nos a viver,
como amigos do Esposo, imbuídos dos mesmos sentimentos,
zelosos do mesmo louvor, livres para amar a todos.
A todos os que nos dizemos seguidores de Jesus,
dá-nos uma espiritualidade de frutos de vida e de justiça
e não de folhagem orgulhosa de rituais e verdades!

quinta-feira, janeiro 19, 2017

 

5ª feira da 2ª semana do Tempo Comum – 2º Dia do Oitavário de Orações pela Unidade dos Cristãos


Jesus pode salvar para sempre aqueles que por seu intermédio se aproximam de Deus. (Cf. Heb 7,25-8,6)

Jesus vive perpetuamente para nos salvar.
Ele é o nosso salvador, a voz a humanidade no Céu
a interceder continuamente por cada um de nós,
como um salva-vidas atento aos náufragos.
A oferta em sacrifício da sua vida na cruz
perpetua-se na intercessão eterna no Céu.
É um sacerdócio que santifica e salva
aqueles que confiam na sua mão libertadora.
Nada nem ninguém é dono de Jesus,
mas Ele é que é o mediador de todos e Senhor de todos!

A dúvida sobre o poder salvador de Jesus
conduz ao sincretismo e ao materialismo.
Sincretismo é uma religiosidade nova,
feita à nossa medida, a partir do mercado de redentores
que nos oferecem os catálogos de espiritualidades.
Esta religiosidade move-se pelo medo (superstições)
e pela necessidade (especialização de respostas).
Assim para os funerais recorre-se à Igreja Católica,
para meditar ao Zen ou ao Ioga, 
para milagres concretos a um santo ou a uma Igreja evangélica,
para limpar males espirituais a uma bruxa ou espírita,
para saber o futuro vai-se a uma astróloga...
Quando se deixa de acreditar plenamente em Jesus
acontece esta religiosidade de cata-ventos espirituais!

Senhor Jesus, que no Céu sois a nossa voz intercessora,
aumenta a nossa fé e o nosso amor por Ti.
Cura-nos da desconfiança e da vontade de Te controlar.
Ensina-nos o louvor em comunidade na Eucaristia,
para que não nos cansemos de Te agradecer
a tua ação redentora do mundo, silenciosa e eterna!
Faz da nossa vida uma oferta contínua ao Pai,
no amor incondicional aos irmãos,
seguindo as pegadas do teu exemplo e Evangelho, 
e as inspirações seguras do Espírito Santo. 
Une todos os cristãos na procura de uma conversão sincera!

quarta-feira, janeiro 18, 2017

 

4ª feira da 2ª semana do Tempo Comum – 1º Dia do Oitavário de orações pela unidade dos cristãos


Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec. (cf. Heb 7,1-3.15-17)

Jesus é sacerdote eterno e divino, justo e pacífico,
sendo prefigurado na personagem misteriosa de Melquisedec.
A sua vida é uma bênção para quem dEle se aproxima.
Ele é a Vida que gera vida, sem dia descanso,
e coloca no centro das suas prioridades a cura do doente,
a recuperação do marginalizado, o socorro do pobre.
Nele se encontram o coração de Deus que ouve a prece do infeliz
e o coração da humanidade que confia no Deus da vida.
É o sacerdócio da aliança eterna e misericordiosa
cuja ação permanece no meio de nós em sinais simples
como a Igreja, a sua Palavra, os sacramentos, 
o sacerdócio ministerial, a ação suave e atuante do seu Espírito.

Se em tempos as pessoas se diferenciavam pela genealogia,
hoje diferenciam-se pelo curriculum e poder económico.
A tribo, a classe social, o nível cultural, a ideologia...
são tudo formas de agrupamento e divisão de pessoas.
O que une e derruba as barreiras que separam é o dom da fé,
é o horizonte sem fronteiras do amor solidário,
é a compaixão pelo que sofre e a injustiça e a guerra,
é o encontro em diálogo humilde e esforçado
na procura duma felicidade inclusiva.
O cristianismo tem a missão de continuar este sacerdócio de Cristo,
que une o diverso e fraterniza a humanidade
num só povo, num só louvor, numa só esperança,
embora cada um fale a sua língua e se exprima na sua cultura.

Senhor, Pai de todos, cristão e não cristãos,
reconcilia-nos com o amor de Cristo
e fazei nós embaixadores da reconciliação.
Cristo, nossa paz e nossa ponte de encontro
entre Deus e a humanidade, entre nós e o próximo,
perdoa os nossos preconceitos cegos e distorcidos,
que perturbam a nossa convivência fraterna.
Espírito Santo, perfume de comunhão e de esperança,
faz de nós uma bênção de paz e fecundidade de vida!
Em tudo o que fizermos, que seja o amor de Cristo a impelir-nos!

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