segunda-feira, setembro 26, 2016

 

2ª feira da 26ª semana do Tempo Comum – S. Cosme e S. Damião


Houve uma discussão entre os discípulos sobre qual deles seria o maior. (cf. Lc 9,46-50)

Jesus não discute com o Pai, nem com o Espírito!
Cristo ama-Os, dialoga, escuta, obedece, serve, alegra-se!
Conhece que é Filho, por isso não exige ser Pai!
Sabe que é grande, por isso se pode fazer pequeno!
Confia que é Senhor, por isso pode fazer-se servo de todos!
Vive intimamente a verdade e a liberdade na paz da sua identidade,
sem medos, nem exigências, nem gritos, nem violências!
Quando vê os discípulos inseguros a discutir os primeiros lugares,
apresenta-lhes uma criança como modelo de discípulo:
humilde, consciente da sua fragilidade, gratuito no sorriso,
grato no dom, confiante no que o acolhe e ama,
puro nos juízos e verdadeiro, rápido no perdão...!

Ser maior ou menor é uma medida relativa.
Num grupo de pessoas dependentes,
alguém que ainda se basta a si mesmo sente-se o maior!
Em terra de cegos, quem tem um olho é rei!
No reino do analfabetismo quem tem a primária é sábio!
Só quem tem uma visão de conjunto e consegue ver a parte no todo,
é que pode avaliar quem é o maior e o mais importante!
Além disso, é preciso definir o objeto desta importância:
queremos ser os maiores no poder, no acumular riquezas,
no experimentar prazeres, no ser feliz, no fazer felizes os outros,
no cuidar, no amar, no proteger o frágil, no salvar e curar...?
Só Quem conhece o tempo e a eternidade, o todo e a verdade,
nos pode julgar e dizer se somos grandes ou anões em bicos de pé!

Senhor, que conheces intimamente o conteúdo do nosso ser,
louvado sejas porque vês filhos nas criaturas
e Te abaixas para nos propores uma aliança de amor!
Louvado sejas por teu Filho muito amado,
que nos envias como salvador, frágil e encantadora criança!
Como é grande e misteriosa a eternidade nascer tempo,
a vida sofrer a morte e passar pela ressurreição,
a misericórdia despir o manto para nos lavar os pés,
a aliança fazer-se cordeiro e selar a fidelidade no próprio sangue!
Quem somos nós, pobres bichinhos animados pelo Espírito,
cegos de horizonte e necessitados de salvação?!
Em Ti confiamos o nosso nada para em Ti sermos tudo

e não termos medo de nos abaixar e servir com humildade!

domingo, setembro 25, 2016

 

O SENHOR LEVANTA OS ABATIDOS E AMA OS JUSTOS



Para falar deste Deus,
Senhor da terra e dos céus,
Rico em misericórdia,
Bondoso e compassivo,
Revelado em Jesus Cristo,
Fiel à eterna Aliança,
Lucas nunca se cansa
De, nas bem-aventuranças,
Mostrar o amor sem medida,
Como a energia vital
Do bem e jamais do mal,
A dinamizar nossa vida.


Porém, o exemplo de Lázaro,
Pobre e abandonado,
À porta de um homem rico,
Que, ali, se banqueteava
E os bens de todos gastava,
Indiferente ao seu caso,
Pois, nem para ele tinha olhado,
Por ser pobre e esfarrapado
E o rico de linho fino,
Desviando o coração
Do grande sonho divino,
Transcendente e infinito,
Com que havia sido criado,
Recusando-se partilhar,
Com justiça e rectidão,
Os bens com aquele irmão,
Chagado e desprezado,
Por não ver, nele, um irmão
Nem no seu rosto, o Senhor,
Por falta de fé e amor.


Ai de mim, que Te adoro,
Crendo que estás presente,
No sacrário duma igreja,
Se cometo o desaforo
De ver-Te um Deus ausente,
No coração dum irmão,
De qualquer povo ou nação,
Não importa de onde seja,
Escolhido por Teu Filho,
Para Sua habitação
E, se pobre ou sem abrigo,
Corpo de Cristo ferido!


Maria Lina da Silva, fmm-Lisboa, 25.09.2016

 

26º Domingo do Tempo Comum


Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu. (cf. Lc 16,19-31)

Deus consegue ver-nos a partir de cima,
porque nos vê como Pai, ama-nos a todos como filhos!
Para compreender a nossa cegueira e a nossa surdes
aos avisos e ensinamentos de Moisés e os profetas,
envia o seu Filho a olhar-nos a partir de baixo,
da humildade de um filho de carpinteiro, dum galileu de Nazaré!
Jesus mostra-nos que é possível ao ser humano
ver com fé e com coração, rezar no plural e sentir-se irmão,
construir pontes e abrir portões,
vencer abismos e semear solidariedades!
Deus criou uma grande casa fraterna para todos
e nós construimos oásis amuralhados e desertos desprezados!

A forma como vemos determina a maneira como vivemos!
Quando vemos tudo a partir do interesse do nosso umbigo,
rezamos sempre no singular ou quando muito pelos nossos amigos,
olhamos os outros apenas como servos ao nosso serviço,
construimos abismos, muros e portões para não ver
nem ouvir os gemidos dos pobres, nem os clamores da injustiça!
É significativo a quantidade de muros que se estão a construir
nas fronteiras da riqueza, do bem-estar, da paz e do desenvolvimento!
O egoísmo e o medo do outro está-nos a descristianizar,
a ensurdecer, a cegar, a endurecer o coração,
a perder a capacidade de ver a partir de baixo e de Deus!

Senhor, Pai santo, que nos vês a partir de dentro
e conheces bem a geografia do nosso coração,
envia-nos o teu Espírito e ajuda-nos a nascer de novo,
à imagem do teu Filho, comprometidos com a sua missão!
Cristo, Filho de Deus, que te fizeste nosso servo e irmão,
ensina-nos a ser portão que partilha o amor,
mansão de hospitalidade, hospital de campanha,
praça de festa, jardim de encontro e de paz!
Dá-nos ouvidos de discípulo e olhar humilde,

para que Te louvemos em comunhão e Te amemos no irmão!

sábado, setembro 24, 2016

 

Sábado da 25ª semana do Tempo Comum


Aquelas palavras eram misteriosas para eles e não as entendiam. (cf. Lc 9,43b-45)

Jesus revela-nos um Deus que nunca imaginaríamos:
que se abaixa para nos falar, que sofre sem se irar,
que cura com a misericórdia em vez de castigar,
que oferece a sua vida por aqueles que lha tiram!
Por isso, ouvir falar de paixão e de cruz ao Messias de Deus,
fazendo da omnipotência impotência resistente à vingança,
não dá para compreender que Deus seja assim!
A cruz é o poder do amor e da vida eterna, nua e crua,
que nenhuma injustiça ou traição podem corromper!
Nela se revela a paz, sem a ansiedade insegura do imediato,
que espera três dias para ressuscitar!
Para entender Jesus Cristo é preciso nascer de novo!

Há duas linguagens que todos entendem: a do amor e a do temor!
A do amor usa as armas do respeito paciente,
da hospitalidade, do diálogo, do perdão, da pedagogia,
da solidariedade que eleva, do cuidado da vida...
A linguagem do temor está normalmente ligada ao poder
e usa as armas da força, da imposição, da fiscalização,
do castigo exemplar, da destruição, da vingança, da humilhação...
Como Deus é o Omnipotente e todo poderoso,
esperamos que use a linguagem e os métodos do temor,
e custa-nos compreender que nos fale eternamente do amor!

Senhor, mistério de amor eternamente vivo,
poderosamente fecundo e misericordiosamente gratuito,
envia-nos o teu Espírito e ilumina o nosso entendimento,
para que possamos acreditar e seguir Jesus, teu Filho!
Cristo, que fizeste da realidade cruel e fria da cruz
a revelação brilhante da tua fidelidade ao evangelho do amor,
aumenta a nossa fé e dá-nos o dom da fortaleza na dor!
Liberta-nos da tentação de nos tornarmos cruéis

e esquecermos a linguagem do amor, em situações de cruz!

sexta-feira, setembro 23, 2016

 

6ª feira da 25ª semana do Tempo Comum – S. Pio de Pietrelcina


O Filho do homem tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. (cf. Lc 9,18-22)

Jesus é o Filho de Deus, o Messias esperado,
mas também o Filho do homem, o Servo de Deus!
Nele se revela o poder mortífero do ser humano
e a força da vida e da fidelidade de Deus!
Por isso, a sua Páscoa é morte e ressurreição!
A aliança de Deus tem que passar pela prova da paixão,
da traição, do sofrimento, da tortura, da injustiça da cruz,
para revelar que nada nem a morte são capazes de matar o amor!
Ó que altura e profundidade, que fortaleza e resiliência
é o amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo!
Ó que mistério é este de um Deus assumido homem,
que apesar de O rejeitarem e matarem na sua ousadia de humanidade,
quis glorificar o ser humano e permanecer com Ele eternamente!

Gostamos de um mundo sob o poder do telecomando:
tudo é com termo, com possibilidade de corte ou de mudança,
quando nos cansamos ou custa a suportar, finalizamos o compromisso!
O voluntariado ou a missão é por um tempo determinado,
a relação amorosa é sem um compromisso definitivo,
os alimentos têm um prazo de caducidade,
o comando de mão vai fazendo zapping ao sabor da curiosidade...
Como a exaltação da liberdade teme a fidelidade,
o que o marketing e o mercado fazem é tentar criar fidelização,
criar dependência, deixar a isca de volta para a próxima...
Por isso, é tão difícil compreender este mistério de Jesus,
misericordioso e fiel, que permanece connosco apesar da cruz!

Santíssima Trindade, aliança eterna em comunhão de amor,
aumenta a nossa fé, a nossa liberdade de entrega, a nossa fidelidade!
Jesus, revelação da grandeza de um amor incondicional pela humanidade,
envia-nos o teu Espírito e liberta-nos do medo de Te seguir,
de dizer sim ao teu chamamento,
de nos comprometermos com a tua missão para sempre!
Ajuda-nos a resistir à tentação de fuga quando o compromisso dói,
a injustiça cansa, a bondade não é recíproca, o egoísmo nos caracoliza!

S. padre Pio roga por nós e ajuda-nos a ser fieis em todas as situações!

quinta-feira, setembro 22, 2016

 

5ª feira da 25ª semana do Tempo Comum


E Herodes procurava ver Jesus. (cf. Lc 9,7-9)

Deus vê com o coração, por isso, ama,
conhece o íntimo, sofre o esquecimento,
inspira a luz e a verdade, sopra a cura com misericórdia!
O atuar de Jesus manifesta o atuar escondido de Deus,
por isso, traz a novidade da surpresa na rotina da vida,
provoca interrogações e diálogo, desperta o passado mau!
Querer ver Jesus ainda não é querer encontrar-se com Ele,
mas apenas curiosidade, desejo de espetáculo!
Foi isso que aconteceu antes da paixão de Jesus:
Herodes ficou satisfeito de ver Jesus e queria que fizesse milagres,
mas Jesus nada fez nem respondeu ao seu desprezo e troça (Lc 23,8).
Jesus não vem entreter as pessoas, mas quer converte-Las!

Hoje vive-se uma obsessão doentia do ver e do mostrar.
As pessoas entretêm-se em alimentar a curiosidade
e os meios de comunicação social afanam-se por estar “ao vivo”!
Tudo se torna espetáculo: a vida privada, as emoções,
a sexualidade, a política, o culto, o futebol, a guerra...
Daí a importância da imagem, da foto no momento certo,
das redes sociais, da televisão, do jornalismo, do satélite...
É tal a paranóia que há quem pense: “apareço, logo existo!”
ou “se aparecer ao lado de uma pessoa famosa, torno-me famoso!”.
Como estamos longe do ser, quando só procuramos aparecer e ver!

Senhor, que nos vês como filhos e nos amas com misericórdia,
louvado sejas por tanto amor, por tanto cuidado escondido,
por tanta graça invisível, por tanta fidelidade paciente!
Cristo, revelação do olhar compassivo de Deus,
envia-nos o teu Espírito e dá-nos um olhar novo,
livre da curiosidade mórbida que de tudo faz espetáculo!
Ensina-nos a ver com o coração, comprometido com o irmão,
solidário, bondoso, pacífico, ecológico, justo!
Aumenta a nossa fé e purifica o nosso coração,
para que a nossa religião não se contente com ver-Te,

mas busque amar-Te, seguir-Te, celebrar-Te e anunciar-Te!

quarta-feira, setembro 21, 2016

 

S. Mateus, Apóstolo


Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança dos impostos. (cf. Mt 9,9-13)

Jesus vai visitando as nossas mesas de cobrança
para nos convidar a levantar e a segui-Lo!
Há a cobrança de impostos coerciva para sustentar o bem comum,
há a cobrança do amor dado e da ajuda oferecida,
há a cobrança a Deus dos ritos celebrados e das orações feitas...
Neste mundo de cobranças não há lugar para a misericórdia,
tudo é dever, sacrifício, troca de favores, mercado.
Seguir Jesus é por-se a caminho, em busca da verdade,
da justiça que salva, da misericórdia que perdoa,
da medicina que vai ao encontro do doente...
Mateus ofereceu-nos o Evangelho escrito sem cobrar!

Hoje tudo tem um preço, quase nada é gratuito!
As exigências de serviços públicos “gratuitos”
(saúde, educação, infraestruturas públicas, etc)
aumentaram o peso dos impostos cobrados.
Todos exigem mais regalias e qualidade de serviços públicos
e todos reclamam da criatividade em criar novos impostos!
No mercado é o negócio baseado nas taxas, comissões e mais-valias.
Este espírito de cobrança passou também para as relações humanas:
dou para que me dês, faço-te isto para que me pagues,
convido-te esperando que me convides...
A reciprocidade solidária virou produto de mercado!
Isto nota-se até na forma como se educam as crianças!

Senhor, que desceste do Céu tranquilo da condenação,
para vires em busca dos pecadores e das ovelhas perdidas,
ajuda-nos a elevar o nosso olhar para nos encontrarmos contigo,
escutarmos a tua voz de pastor
e recebermos a tua misericórdia de médico!
S. Mateus ensina-nos a deixar tudo para seguir Jesus
e a convida-Lo para entrar na nossa casa
e fazer da mesa uma festa de evangelização e misericórdia!
S. Mateus intercede por nós, para que sejamos apóstolos,
que encarnam o Evangelho e o escrevem com o testemunho

e a letra escrita nas tipografias e nas plataformas digitais!

terça-feira, setembro 20, 2016

 

3ª feira da 25ª semana do Tempo Comum - S. André Kim Taegon e Companheiros


Não podiam chegar junto d’Ele por causa da multidão. (cf. Lc 8,19-21)

A Encarnação do Senhor, fez de Jesus membro de duas famílias:
a família de sangue e o grupo de discípulos que O seguem.
O anúncio do Anjo gerou a Palavra no seio de Maria
e fez-se silêncio paciente no seio da sua família de sangue, em Nazaré.
O anúncio do Evangelho gerou a Palavra no seio da multidão,
e a escuta e o acolhimento gerou a Igreja em embrião!
Agora para chegar a Jesus é preciso passar pela multidão,
tornar-se discípulo, integrar o grupo que está dentro de Jesus!
Nem a multidão eclesial pode impedir a aproximação dos que estão fora,
nem os que estão fora podem aproximar-se de Jesus,
sem fazerem parte dos que estão dentro, sem serem Igreja!

Hoje gosta-se de fragmentar o que está unido:
Cristo ou o Papa e a Igreja, fé e vida, público e privado,
sacramentos e compromisso eclesial, discipulado e missão,
palavra e testemunho, trabalho e oração,
consagração e fidelidade, poder e serviço...
Queremos ir a Jesus quando e como desejamos,
busca-Lo nas nossas necessidades como quem petisca num buffet,
mas queremos continuar do lado de fora, sem compromisso,
sem conversão, livres para continuarmos a ser como somos!
Admiramos o Papa, mas não queremos viver como Ele,
nem imitar o Senhor que ele contempla, escuta e segue!

Senhor Jesus, que nos geraste para a Igreja por meio do Batismo,
ajuda-nos a não sermos apenas visitadores esporádicos,
mas frequentadores habituais da multidão dos que Te seguem!
Cristo, cuja Palavra gera novos filhos de Deus em Igreja,
faz de nós membros ativos e participativos
que vão ao encontro dos que estão fora e os levam a Jesus,
atraindo-os para a Igreja e servindo-lhes o Evangelho e os sacramentos!
Espírito de santidade, ajuda-nos a não sermos cristãos de estatística,

mas pedras vivas que constroem a paz e a globalidade do amor!

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