quarta-feira, dezembro 31, 2025
4ª feira da Oitava de Natal
Foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. (cf. Jo 1, 1-18)
Deus é a fonte de todas as graças e salvação.
Este Menino, despojado de poder e cheio de fragilidade,
encerra em si a plenitude do amor e da oferta da graça.
Esta plenitude não esmaga com poder e sabedoria,
mas aproxima-se com um pedinte para nos abrir ao acolher
e confiar Nele sem medo, desarmado de defesas.
Nele há graça e misericórdia para todos!
A plenitude de poder especializou-se,
pode-se ser sábio ou poderoso num determinado campo,
e ser um analfabeto no resto das outras dimensões da vida.
Só a plenitude do amor abrange todas as dimensões da vida.
Por isso, a mãe e o pai que amam, podem até ser analfabetos,
mas são os melhores psicólogos dos nossos estados de alma
e sabe dar receitas de perdão e de fé, como os especialistas.
A plenitude não é quantidade mas autenticidade e amor.
Bom Menino Jesus, plenitude de Deus que não se vê,
ajuda-nos a ser plenos de verdade e não na aparência.
Verbo Divino, que sois Deus na eternidade e no tempo,
dá-nos o dom de renascer de novo, como filhos de Deus,
animados pelo Espirito Santo
para o bem de todos e louvor de Deus.
Obrigado por mais um ano de vida na vossa presença
e abençoa o novo ano com as vossas graças e salvação.
terça-feira, dezembro 30, 2025
3ª feira da Oitava de Natal (30 dezembro)
Estava no templo uma profetiza, Ana. (cf. Lc 2, 36-40)
Deus da consolação fez-se Menino,
reconhecido pelos olhos envelhecidos
duma mulher piadosa e cheia do Espírito Santo.
A profetiza Ana a louva a Deus por este Menino,
pobre e filho dum casal pobre,
mas cheio de fé, representante do pequeno resto de Israel.
Para Deus não há homem ou mulher,
todos somos filhos e filhas, iguais em dignidade.
A santidade sente-se bem, revestida de saias ou de calças,
porque o coração moldado pelas mãos de Deus
é que respira amor ou ódio, bondade ou maldade.
Perante este Evangelho de Lucas, soa a estranho
a exploração ou inferiorização da mulher
em nome da religião e do querer de Deus.
Bendito sejas, bom Deus, pelas Anas-profetizas
que nos envias e alegram as nossas igrejas e famílias.
Bendito sejas, pelas Anas-avós, jovens de coração,
que rezam pelos que não têm fé
e ensinam as crianças a orar e a confiar em Deus.
Bendito sejas, pelas Anas-piedosas,
cujos peitos secos amamentam a esperança,
e nos ensinam a olhar a vida com o Evangelho no coração.
segunda-feira, dezembro 29, 2025
2ª feira da Oitava de Natal
Os meus olhos viram a vossa salvação, que
pusestes ao alcance de todos os
povos. (cf. Lc 2, 22-35)
O Espírito Santo é luz dos justos
que esperam a consolação de Israel e a Luz das nações.
Simeão andava pelo templo, aguçado pela esperança,
quando chegou um Menino pobre e O acolheu no seu colo,
dizendo que estava a ver a salvação do mundo
e que vai marcar a história da humanidade,
como sinal de contradição.
É o olhar dum profeta que vê o invisível.
O que é nos dizem os olhos ao contemplar o mundo?
Uns só veem desgraças, desesperanças, perigos;
outros só veem coisas boas,
só porque é moderno ser positivo e tolerante;
outros veem uma coisa e o seu contrário
numa purificação permanente e evolutiva;
outros veem o invisível nas pequenas coisas,
pegadas de Alguém que nos acompanha e ama,
a luz e esperança do mundo nos olhos de uma criança!
Espírito Santo, dá-nos o dom da sabedoria do coração
e um olhar humilde de esperança na Palavra encarnada
que habita invisível nos enredos da nossa história.
Ajuda-nos a ser como Simeão, profeta e justo,
que a vê a vida com esperança
e sabe ler os sinais dos tempo com alegria e gratidão.
Aumenta a nossa fé neste Menino despojado de poder,
que pede para ser acolhido e testemunhado como Luz do mundo.
domingo, dezembro 28, 2025
Domingo da Oitava de Natal, Sagrada Família de Jesus, Maria e José (28 dezembro)
José levantou-se de noite, tomou o Menino e sua
Mãe e partiu para o Egito. (cf. Mt 2, 12-15. 19-23)
Deus escolheu uma família para o seu Filho encarnar.
José assumiu o papel de defesa da vida,
guiado pelo anjo do Senhor.
É um homem que aprendeu a caminhar durante a noite
da luz da noite da fé que escuta os sonhos.
Com o seu silêncio contribuiu para tornar
sagrada esta família sui generis.
A maioria das famílias perdeu a segurança do “para sempre”.
A novidade sobrepõe-se ao valor da fidelidade.
O tempo cansa a relação,
principalmente quando corrompida pela rotina.
Parece que há medo de não experimentar tudo.
Infelizmente são os mais frágeis
que são esquecidos neste afã de aventura.
Querida Santíssima Trindade,
com que nos parecemos quando nos amamos,
inspira-nos a fidelidade de Maria e de José
e a perfeição do amor de Jesus, nosso salvador.
Sagrada Família de Nazaré,
intercede pelas nossas famílias e comunidades,
principalmente pelas mais fragilizadas e divididas.
Ensina-nos a fazer das crises etapas de crescimento
na capacidade de amar incondicionalmente.
sábado, dezembro 27, 2025
Sábado da Oitava de Natal, S. João, apóstolo e evangelista (27 dezembro)
O discípulo predileto de Jesus. (cf. Jo 20, 2-8)
Jesus é o discípulo predileto do Pai,
o sim perfeito à vontade e projeto de Deus.
Maria é a discípula perfeita de Jesus, seu Filho,
animada pelo amor e pela fé, que deixa a graça acontecer.
Entre os discípulos, há João, o discípulo predileto,
que conhece o seu coração, participa da sua glória,
é convidado a participar da sua dor e aflição,
está junto à cruz e acolhe a Mãe de Jesus em sua casa,
e O reconhece ressuscitado, no estranho que os visita.
Hoje o que significa ser discípulo predileto de Jesus?
Um cumpridor exímio de todos os deveres e ritos?
Um consagrado que deixa tudo para O seguir?
Um missionário que parte de si para O anunciar?
Um empresário que usa de justiça e compaixão na sua empresa?
Um político, que de forma séria e desinteressada,
busca o bem comum e cuida dos mais fracos?
Um cidadão humilde, que usa de bondade
e promove a partilha, a paz e a reconciliação?
Alguém que em circunstâncias adversas
dá testemunho de Jesus como Evangelho vivo?
Bom Mestre, obrigado porque nos amas
e conheces o nosso nome e coração,
faz de nós discípulos prediletos e fiéis.
Espírito Santo, anima e ilumina o nosso coração,
para que saibamos e cumpramos o que vos é predileto,
essência e primordial, nas diferentes escolhas do dia a dia.
S. João, discípulo predileto, sempre ao lado de Jesus,
intercede para que também nós sejamos contemplativos,
capazes de nos deixar surpreender
pelo Emanuel que nos acompanha e nos ajuda
a fazer memória do Evangelho da vida e da esperança.
sexta-feira, dezembro 26, 2025
6ª feira da Oitava de Natal, S. Estêvão (26 dezembro)
Para dar testemunho diante deles e das nações. (cf. Mt 10, 17-22)
Deus feito Menino, frágil e manso,
é o Senhor que nos salva e vence o mal.
Os seus discípulos, animados pelo mesmo Espírito,
dão testemunho deste caminho inusitado
diante das autoridades e das nações, na paz e na guerra,
na harmonia e liberdade, mas também na perseguição.
S. Estêvão, primeiro mártir da Igreja,
dá testemunho da fé e da esperança que o anima,
assim como da misericórdia e do perdão
que aprendeu com o Mestre.
Costumamos queixar-nos deste mundo secularista,
individualista, anticristão, consumista…
Mas o mundo de hoje não é muito diferente do passado,
como podemos ver no martírio de S. Estêvão.
O que talvez faltem são cristãos capazes de dar testemunho
da fé em Jesus Cristo e da visão de esperança que Estêvão teve.
Se Jesus é o caminho da vida e da salvação,
todas as circunstâncias são boas para dar testemunho
e razões da nossa fé em Jesus Cristo.
Querido Menino Jesus, Filho do eterno Pai,
encarnado no seio de Maria e adotado por José,
ensina-nos o mistério envolto em panos do teu Natal.
Louvado sejas, pelo Batismo, renascimento de vida nova,
e ajuda-nos a vivê-lo, dando testemunho do Evangelho
em todas as circunstâncias da nossa vida.
S. Estêvão, que com o teu testemunho
inquietaste as certezas de Saulo,
intercede por nós, para que nos pareçamos
cada vez mais com Jesus, nosso salvador.
quinta-feira, dezembro 25, 2025
5ª feira do Natal do Senhor (25 dezembro)
Àqueles que O receberam e acreditaram no seu
nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de
Deus.
(cf. Jo 1, 1-18)
O Verbo Divino fez-se Menino, nascido de Maria,
numa gruta da periferia de Belém,
por não haver lugar para Ele na hospedaria.
Veio aos seus e os seus não O acolheram.
Acreditaram Nele os que se deixaram surpreender
pelos sinais da ação de Deus: Maria e José,
os pastores, os magos do Oriente…
Aos que acreditaram neste Menino,
Deus fê-los renascer seus filhos no Filho,
habitados e conduzidos pelo Espírito Santo.
A festa de Natal tem muitas festas à mistura.
Uns são contagiados pelo desejo de comunhão
e reúnem-se em família, estreitando laços e divertindo-se.
Outros ficam-se pela doçaria e pratos típicos,
enquadrados por uma árvore, umas luzinhas e enfeites.
Outros enchem a casa e o quintal de “Pais-Natais”,
vestidos de vermelho e com barbas brancas,
trazendo às costas um saco de prendas.
Outros fazem um presépio, vão à Missa do Galo,
beijam o Menino e cantam cânticos de Natal…
Bendito sejas, Jesus, nosso salvador,
que pelo mistério da encarnação,
nos fizeste renascer para a filiação divina,
por meio do Batismo, nosso Natal.
Obrigado, nosso amigo da eternidade,
que Te apresentastes criança frágil
a necessitar de cuidado e de carinho,
para criarmos uma intimidade afável
com a capacidade, mansa e paciente,
de despertar o coração e de libertar e salvar!
Ajuda-nos a celebrar o teu nascimento
renovando os compromissos do nosso Batismo.
quarta-feira, dezembro 24, 2025
4ª feira da 4ª semana do Advento (24 dezembro)
Graças ao coração misericordioso do nosso Deus,
que das alturas nos visita
como sol nascente. (cf. Lc 1,
67-79)
Deus preparou-nos o Nacimento do seu Filho.
Escolheu Maria para ser a Mãe do seu Filho
e José para ser o seu pai adotivo.
Escolheu João Batista para preparar a vinda do seu Filho
e enviou muitos outros profetas como sinal
do seu coração misericordioso.
E o Sol nascente está prestes a ser aurora
nos corações que têm fé e Nele acreditam.
Andamos atarefados a preparar o presépio.
Colocamos árvores cheias de bolinhas às cores
e de luzinhas a ascender e a apagar,
com muitos presentes e o Pai Natal.
Às vezes já não há lugar para Maria e o José
com o Menino Jesus envolto em panos.
O Evangelho diz que este é o sinal de que é o Messias!
Ao lado há mesas fartas com comida e doçaria,
regada com refinada bebida.
Bom Pai, obrigado pelo presente do Teu Filho,
a esta gruta humana, cheia de aparências
e muitas vezes vazia de fé e de amor.
Bendito sejas, querido Menino Jesus,
frágil e rico em misericórdia,
que nos visitas como Sol Nascente
nesta escuridão de guerras e mentiras.
Dá-nos, Senhor, um coração novo,
renovado de verdade, caridade e esperança!
terça-feira, dezembro 23, 2025
3ª feira da 4ª semana do Advento
O pai pediu uma tábua e escreveu: «O seu nome é
João». (cf. Lc 1, 57-66)
Deus é graça e misericórdia que jorra vida.
E Deus deu tal autonomia à vida que parece ausente.
Só quando o ritmo da vida se altera
é que os seres humanos se surpreendem frágeis
e olham para cima em busca de refúgio e dons suplicados.
Zacarias e Isabel até eram justos e pessoas de fé,
que toda a vida rezaram e pediram um filho,
mas quando, na velhice, Deus lhes quis dar um filho,
não acreditaram e esconderam-se no silêncio.
Por fim, veio o menino ansiado, e deram-lhe o nome de João,
pois Deus fez-lhes graça, vencendo a esterilidade da velhice.
A criação. que é dom, foi transformada em bens de consumo.
Os filhos que são dom, foram considerados como coisas dos pais,
a quem podem dar a vida ou a morte, acolher ou rejeitar.
A vida é um dom recebido de graça de Deus,
que se vende em serviços ou se tira a vida
por dependências, violências, cansaços e guerras.
A criação é um dom apropriado como instrumento de mercado,
explorado, manobrado, transformado como bem de consumo.
E a graça que era no princípio, tornou-se desgraça
ao serviço do lucro, sem pensar no futuro e na ecologia.
Bendito sejas, Deus da graça e da misericórdia,
que regenerais a história e alimentais a esperança.
Bendito sejas, Deus dos impossíveis,
que tornaste fecundo Zacarias e Isabel,
fazendo-lhe a graça de um filho na velhice.
João Batista, chamado a preparar a vinda do Messias,
ensina-nos a viver como dom e como graça de Deus,
no quotidiano das pequenas coisas, onde parecemos reis.
Prepara-nos para celebrar com alegria o nascimento de Jesus.
segunda-feira, dezembro 22, 2025
2ª feira da 4ª semana do Advento (22 dezembro)
O Todo-poderoso fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome. (cf. Lc 1, 46-56)
A santidade de Deus separa, mas não afasta.
Separa o bem do mal, a humildade da exaltação,
mas desce e pede colaboração ,
escolhe os que O temem e Nele confiam,
faz maravilhas na humildade da sua Serva,
que se deixa fecundar pelo Espírito Santo.
E Maria canta esta santidade que salva
e derruba os poderosos dos seus tronos
e exalta os humildes e os pobres.
A vida é totalmente dom de Deus,
escondido na normalidade da rotina.
Uns passam a vida a queixar-se de tudo e de todos,
sem descobrirem a alegria da gratidão,
nem o encontro do louvor ao Criador e Salvador.
Em vez de se verem abraçados pela misericórdia,
veem-se vítimas do destino e da má sorte.
Na vida é preciso ousar dançar ao ritmo de Deus!
Bendito sejas, nosso Deus e fonte da vida,
pelas maravilhas que fazes em nós,
como iniciativa do teu amor e da tua misericórdia.
Bendito sejas, pelo chamamento com que nos desafias
a colaborar na tua missão redentora.
Bendito sejas, quando aceitamos dizer sim, como Maria,
pelas maravilhas que fazes por meio de nós,
instrumentos frágeis e pouco confiáveis.
Maria, Senhora do sim, ensina-nos a confiar na Palavra de Deus.
domingo, dezembro 21, 2025
4º Domingo do Advento (21 dezembro)
Não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do
Espírito Santo. (cf. Mt 1,
18-24)
Entrar pela porta da fé é aceitar a aventura duma vida,
entregando o volante da nossa vida ao Criador,
onde não basta ser justo e não querer fazer mal.
É preciso aprender com José a sonhar com Deus
e a acordar desafiado a não ter medo
de acolher a aparente faltosa e traidora.
E assim, José e a Maria unem-se na mesma aventura
de confiar as suas vidas ao serviço do projeto de Deus.
E de repente descobrem que Deus habita
a sua casa e as suas vidas na fragilidade dum Menino!
Procurar não fazer o mal nem prejudicar ninguém
já é um objetivo alto e que faria muito bem à sociedade.
Mas ir além do “não fazer mal” e buscar fazer o bem,
a acolher o faltoso e tudo fazer para o recuperar,
a perdoar e a construir pontes de paz e desenvolvimento
é algo sublime e próprio de pessoas cheias do Espírito Santo.
É uma aventura que nos faz parecer parolos,
mas os frutos desta ousadia são bondade e vida sem fronteiras.
Bom Deus, obrigado pelo mistério do teu projeto redentor,
que nos surpreende na humildade
e na simplicidade das pequenas coisas.
Bendito sejas, porque nos convidas a acolher a tua Mãe
como nosso Mãe e pedagoga da fé e do amor.
Bendito sejas, porque nos apresentas José como modelo de fé,
no silêncio de palavras ruidosas e diálogos interiores.
Espírito Santo, recria o nosso coração para saber distinguir
as miragens com os olhos acordados
dos sonhos inspirados pela Palavra de Deus
no mais profundo da nossa consciência.
sábado, dezembro 20, 2025
Sábado da 3ª semana do Advento (20 dezembro)
Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás
o nome de Jesus. (cf. Lc 1, 26-38)
Deus propõe um projeto a Maria.
Só lhe pede que colabore e se deixe conduzir.
Vai ser mãe do Filho do Altíssimo, Jesus nosso salvador.
Deus só precisa que Maria dê o seu assentimento,
pois o Amor não força, mesmo que seja para nosso bem.
É sempre uma obediência acolhida e consentida.
A salvação é a sintonia do amor de Deus com a fé de Maria.
A escolha dos nomes dos filhos anda pela sonoridade
e pelas conotações com a moda que se respira.
O sentido etimológico dos nomes não tem grande peso,
nem a missão que se deseja para o filho é uma prioridade,
é mais uma questão de sonoridade e de conotação associada.
Ao Filho de Maria é Deus que dá o nome: Jesus,
porque Ele é o seu Filho, que é enviado com missão de salvar.
Bom Deus, abre o nosso coração à tua vontade
e ajuda-nos a ser como Maria e José,
colaboradores da tua missão, na humildade de cada um.
Espírito Santo, dá-nos o dom da sintonia com a missão de Deus,
para que todos sejamos Jesus no presente que nos foi dado viver.
Maria, Senhora da fé, ensina-nos a dizer sim, sem medo,
a tudo aquilo que Deus nos pede como colaboração.
Que o nosso sim seja livre e fiel como o de Maria.