domingo, março 23, 2008

 

Sepulcro Aberto, Lar da Vida




Por entre os ferrolhos do meu egoísmo
Uma Luz nova entrevi, na manhã da esperança
Irrompe do sepulcro aberto de Jesus
E proclama a vitória da Vida sobre a morte.

Tocado por tal mistério,
Deixo a Luz entrar e acedo minha pedra rolar
E com o oxigénio da graça, nova vida renasce
E experimento que o meu sepulcro aberto
Em Lar de vida aos poucos se vai transformando.



Desejo a uma Páscoa de Vida para Todos!

José Augusto, svd

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VIDA QUE BROTA DO SILÊNCIO


Era uma vez uma manhã de domingo... Ainda não havia amanhecido de todo, quando um grupo de mulheres caminhava sob a névoa que não tinha sido dissipada pelo sol. Seguiam tristes, silenciosas. O Mestre tinha morrido e o vazio que Ele deixara era enorme. Tudo tinha sido tão rápido, que nem tiveram tempo para preparar-Lhe devidamente o corpo para o sepultamento. Agora, passado o dia da festa da Pasço, podiam fazê-lo sem ferir os preceitos. Seguiam, então.

Ao chegarem ao jardim, viram o túmulo remexido, a pedra tirada. E ficaram apavoradas. Haveria alguém roubado o corpo do Senhor? Teriam tido coragem de violar Seu túmulo? Lá dentro, vazio e silêncio. Cá fora, a confusão... Procuram pelo corpo, correm a chamar os apóstolos. E Maria chora. Chora até reconhecer no jardineiro que lhe interpela o próprio Jesus. Sim! Ele cumprira sua promessa e ressuscitara.

A ressurreição de Jesus não é um fato pirotécnico, como nos acostumamos a ver nas representações teatrais. Jesus ressuscita no silêncio da manhã, sem ninguém como testemunha, sem alarde. Dessa forma supera todas as expectativas daqueles que esperavam sua ressurreição como uma vingança política que demonstrasse pela força o poder de Deus.

A ressurreição silenciosa nos ensina que a vida nasce no silêncio, que as maiores vitórias nem sempre são as da força ou as do sucesso mundano, mas aquelas que acontecem na simplicidade do cotidiano: o sol que surge no horizonte, o sorriso de uma criança, um abraço amigo, pequenos gestos que nos dão a certeza de que Deus está vivo.

Ainda na sexta-feira, a espada da morte ferira o coração daqueles que eram amigos de Jesus. O luto, a dor, a tristeza invadira suas almas e as saídas se fecharam. De repente, uma manhã muda tudo: o Senhor cumprira sua promessa! A paz que os invadira transformará o mundo: a fé dos cristãos é a fé em um Deus Vivo, presente, atuante na história da humanidade – até hoje!

Era uma vez uma manhã de domingo. Como a que vai nascer proximamente, como a que nasce a cada semana, a cada dia. Possamos ver no silêncio e no pequeno de cada dia a presença viva de Jesus Ressuscitado. Possamos ter certeza de que a vida é a última palavra de um Deus que é essencialmente amor.

(Gilda Carvalho)
 
FELIZ PÁSCOA

A festa da Páscoa, ou Pesach, celebra o êxodo do povo hebreu do Egito sob a liderança de Moisés, apos 420 anos de escravidão. Juntamente com o Shavu`ot e o Sukkoté uma das três festas de peregrinação quando os judeus deveriam comparecer a Jerusalém. Para os cristãos, a Páscoa celebra a ressurreição de Jesus.

A Páscoa cristã é, portanto, a celebração de uma vitória única, porém com duas dimensões. A vitória de Jesus sobre a morte convida a todos a celebrar a vida e a liberdade, duas faces de uma mesma realidade, sendo que uma não existe sem a outra. A morte escraviza pelo medo. Mas Jesus liberta para a vida: “... como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” (Hebreus 2.14,15). Quem teme a morte, teme a vida. Quem tem medo de morrer, tem medo de viver. Por esta razão o futuro é ameaçador e são assustadoras as contingências da existência. Há uma razão para temer o futuro: a morte espreita por trás do calendário. Mas quem já não teme a morte é livre para se entregar à vida, empreender para construir o futuro, apesar de sua condição contingente.

Bem disse o pregador: “Quando o selo do absoluto romano foi rompido no domingo da ressurreição, ficou definitivamente decretado que estava vencida não apenas a morte, mas também todos os agentes promotores e mantenedores da morte, mediante a erupção da vida”. Na sexta-feira da paixão o inferno fez festa e alardeou a vitória da morte sobre a vida. No domingo da ressurreição o inferno fez luto, e recebeu sobre si o manto da desonra, do escárnio e da vergonha eterna: a vida saltou de entre os trapos perfumados no túmulo ao lado do Calvário e adentrou o mundo pelas portas de um jardim. A vida venceu a morte. A vida venceu o medo. A vida rompeu os grilhões outrora sustentados pelo poder da morte. Vida e liberdade se encontram para um abraço eterno: “quando o Filho do Homem libertar você, então, e somente então, você será verdadeiramente livre” (João 8.36), terá “passado da morte para a vida”, num caminho sem volta, até chegar aquele dia quando a morte terá perdido de vez seu poder de ferir e matar (1Coríntios 15.54,55).

O simbolismo da Páscoa cristã aponta para a possibilidade de um novo começo, para uma nova vida, não mais cativa das limitações impostas pelo mal e pela maldade. Uma nova vida não mais determinada pelo diabo e seus asseclas profetas e atores da morte. Uma vida livre das ameaças da morte e, por isso, plena em amor, bondade, solidariedade, justiça e paz. Celebrar a Páscoa é desfrutar da ressurreição, celebrar a vida, anunciar a liberdade e assumir o compromisso de promover vida e libertação. Isso sim é uma Feliz Páscoa!

(E.R.Kivitz)
 
A pedra que nos fecha em sepulcro, é a mais difícil de arredar.
 
Todas as minhas fontes vêm de ti
As nascentes
E amo-te com a constância do moribundo que respira
Já sem saber de que lado o visita a morte

Procuro a ligação entre ti e a luz muito miudinha depois dos temporais
Entre a luz e os estilhaços nas ruas bombardeadas
Desconheço o colar onde unes tudo

Procuro entender como é que moldas
Os meus pés ao equilíbrio que os desloca no chão
Sei que és tu que me levantas
Que remendas o meu corpo cada dia

Em ti encontro a pulsação
Que rebenta - uma artéria como nunca
Tinha jorrado. Cratera onde durmo
Recluso, árvore à chuva
Em dificuldade extrema
De respiração

Ponho a cabeça entre os ramos, lanço os braços para fora
Como um pássaro entre um bando
De disparos

Tu moves as agulhas, tu unes de novo
As minhas asas à curva do céu


Daniel Faria
 

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